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Santo Osvaldo, Rei Da Inglaterra

Pelo ano 640, o Papa Honório mandou à Inglaterra São Birin, que prometia ir ao interior do país, onde ninguém ainda tinha pregado o Evangelho. Para esse fim foi sagrado bispo por Astério, Bispo de Gênova. Mas, tendo chegado à Bretanha, entre os Gevisses depois Saxões ou Saxões ocidentais, e encontrando-os todos ainda pagãos, julgou inútil ir procurar além outros infiéis. Converteu-lhes o rei chamado Cinegislo, e, depois de o ter instruído, batizou-o com seu povo. Santo Osvaldo, rei dos Northumbros estava presente e recebeu o rei, da fonte batismal, cuja filha depois, desposou. Os dois reis deram a São Birin a cidade de Dorcinque, hoje Dorcester, para, lá estabelecer a sé episcopal. Ele construiu várias igrejas e as consagrou, e também aí morreu, depois de ter convertido por seu trabalho muitos povos. A igreja honra-lhe a memória a 3 de Dezembro. No seu tempo, um piedoso sábio solitário, chamado Meidulfo, fundou o mosteiro famoso de Malmesbury. Santo Osvaldo, rei do Northumbros, era sobrinho do santo rei Edwin. Mas não o substituiu imediatamente. Primeiro o reino foi dividido entre dois reis, que, depois de terem recebido o batismo, recaíram na idolatria. Reinaram pouco, pois, no mesmo ano de sua apostasia, ano que os ingleses, por isso mesmo chamaram de funesto, foram derrotados e mortos por Cedwalla, rei dos bretões Santo Osvaldo, irmão de um desses reis, vingou-lhe a morte e, com um pequeno exército, derrotou as tropas imensas de Cedwalla, que também foi morto. Atribuiu-se essa vitória à piedade do rei Osvaldo, pois, para se preparar ao combate, fincou uma cruz e gritou a todo o exército: Ponhamo-nos de joelhos e roguemos a Deus, todos juntos, que nos defenda desse soberbo inimigo, pois que sabe que empreendemos esta guerra justa pela salvação de nossa pátria. Esse lugar chama-se Campo Celeste: aí, realizaram-se vários milagres e cortavam-se pedacinhos dessa cruz, que se punham na água, para curar homens e animais. Logo que Santo Osvaldo se estabeleceu em seu reino, pensou em tornar cristão todo o povo. Para esse fim, mandou aos anciãos dos escoceses, isto é, irlandeses, entre os quais tinha recebido o batismo, pedir um bispo para instruir os ingleses, seus súditos. Mandaram-lhe primeiro um homem austero que, tendo pregado algum tempo, sem resultado, voltou ao país e disse na assembléia dos anciãos que nada tinha podido fazer por que o tinham mandado a bárbaros, de um espírito duro e indomável. Reuniu-se então um conselho, com grande desejo de se cuidar da salvação daquela gente. Um dos presentes, chamado Aidano, disse ao padre que tinha sido mandado: – Parece-me, meu irmão, que fostes mais duro do que era preciso com aquele povo grosseiro e que não começastes, segundo a doutrina do apóstolo, por lhes dar o leito suave da instrução, até que fossem capazes de deveres mais perfeitos. Todos os presentes voltaram os olhos para Aidano e, depois de terem bem examinado suas palavras, resolveram mandá-lo para a instrução daquele povo, como excelente em discrição, que é a mãe das virtudes. Os escoceses, a quem o rei Osvaldo se dirigiu eram monges da ilha de Hi e do mosteiro fundado por São Colombo ou Colombano, o antigo, no século precedente. O padre Segeno, era-lhe então o abade e foi ele que mandou São Aidano ao rei Osvaldo, com outros monges, depois de o ter sagrado bispo. O santo bispo começou a pregar e a estabelecer a nova igreja. Viu-se então, muitas vezes, um espetáculo admirável. Enquanto o biospo pregava, como não sabia inglês, o rei servia-lhe de intérprete aos seus duques e oficiais, tendo aprendido perfeitamente a língua irlandesa em seu auxílio. Desde esse tempo, vários irlandeses vinham cada dia pregar a fé com grande zelo, nas províncias sujeitas ao rei Osvaldo e os que eram padres administravam o batismo. Construíram-se igrejas em diversos lugares e o réu dava liberalmente as terras para se fundarem mosteiros onde os jovens ingleses aprendiam as letras e a disciplina regular. Pois esses missionários irlandeses eram na maior parte dos monges, bem como Santo Aidano, seu Bispo. Ele praticava por primeiro o que ensinava. Desapegado de todos os bens do mundo, quando os reis ou os ricos davam alguma coisa, comprazia-se em o distribuir aos pobres, que encontrava. Ia ordinariamente a pé, não somente pelas cidades, mas pelos campos e detinha-se com os que encontrava, pobres ou ricos, para os convidar a receber o batismo, se eram infiéis, ou se eram cristãos, para os fortalecer na fé e os excitar à esmola e às boas obras. Queria que todos os que o acompanhavam, clérigos ou leigos, dedicassem um momento todos os dias à leitura das Sagradas Escrituras e a aprender os salmos. Se o rei convidava à sua mesa, o que era raro, entrava com um clérigo ou dois; e, depois de ter tomado um pouco de alimento, apressava-se em sair para se dar com os seus, à leitura e à oração. A seu exemplo, as pessoas piedosas deu e outro sexo, tomaram o costume de jejuar todo o ano, fora o tempo pascal, as quartas-feiras e as sextas-feiras, até à hora de nona. Nem o respeito,, nem o temos o impediam Santo Aidano de repreender com força as pessoas poderosas; e, quando ele as recebia em sua casa, não lhes dava presentes em dinheiro mas somente em víveres; se lhe davam dinheiro, com ele resgatava os escravos. Vários deles que tinham assim libertado foram seus discípulos e levou alguns até o episcopado. Havia apenas um ponto no qual o zelo de Santo Aidano não era muito esclarecido. É que, segundo a tradição dos irlandeses setentrionais, celebrava a Páscoa no dia da décima-quarta lua, contanto que fosse um domingo. Essa tradição, observa o venerável Beda, vinha originariamente de que os irlandeses, estando colocados fora do mundo, ninguém jamais lhes havia mandado cartas pascoais. Santo Osvaldo era o mais poderoso rei da Inglaterra e governava quatro nações que habitavam naquela ilha e que falavam cada qual sua língua: bretões, pictos, escoceses e ingleses. Todavia,