São Lourenço, Arcebispo

Era Lourenço o mais jovem filho de Maurício, príncipe rico e poderoso da província de Leinster. Maurício aproveitou-se do nascimento do filho para terminar as querelas que tinha com Donald, conde de Kildare. Para tanto, ao conde convidou como padrinho, indo a Kildare, onde Lourenço recebeu o batismo. Quando menino completou dez anos, deu-o o pai a Dermith, rei de Meath, como refém. Em companhia deste príncipe, sofreu Lourenço, terrivelmente, sendo tratado com a maior desumanidade. A saúde foi-lhe, em breve, reduzida ao estado mais precário. Maurício, ao saber o que se passava, forçou Dermith a devolver-lhe o filho, que foi entregue ao bispo de Glendenoc, o qual teve o cuidado de elevá-lo na piedade, entregando-o ao pai, em seguida. Maurício foi agradecer ao prelado, e pensava que seria melhor deixar-lhe o filho, então com doze anos. Disse ao bispo que tinha quatro filhos, sentindo grande desejo de, pelo menos um, ser consagrado ao serviço de Deus. Estava tentado a lançar à sorte, para ver a quem caberia dedicar-se ao Todo-poderoso. Lourenço, que ouvia a conversa do pai, sentiu-se muito satisfeito, uma vez que estava, havia tempo, à espera de tal oportunidade para revelar os sentimentos que lhe iam pela alma. Apressadamente, adiantou-se: – Não há necessidade de lançar mão da sorte, meu pai. Não desejo, e já de longa data, senão dedicar-me a Deus, ao serviço da Igreja. Maurício, satisfeito, tomou-o pela mão, para oferecê-lo ao Senhor. E, cheio de júbilo, disse ao jovem: – Fica sob a proteção de São Coemgin, filho, o bom protetor e patrono da diocese. Esse santo Coemgin fora um santo abade muito humilde, que vivera no século VI, naquele mesmo lugar. Entregue ao bispo, ficou Lourenço debaixo dos cuidados do bom prelado, que via o protegido avançar, de dia para dia, sempre e sempre, na prática de todas as virtudes. Lourenço não completara ainda vinte e cinco anos, quando a morte veio a busca do bispo de Glendenoc, que, ao mesmo tempo, era abade do mosteiro daquela cidade. Foi, então, o jovem eleito bispo, mas não quis aceitar o episcopado, já que as disposições canônicas exigiam que o eleito tivesse trinta anos. São Lourenço contudo, passou a governar a comunidade, que era muito numerosa, com piedade e sabedoria incomparáveis. Durante a assolação de uma fome terrível, que durou pouco mais de quatro meses, foi o jovem, como outro José, o salvador do país, pelas imensas caridades. Deus queria, entretanto, que sua virtude fosse temperada e sublimada pelas provas. Falsos irmãos, que nele, invejosos, não vislumbravam nenhuma irregularidade na conduta, cheios de rancor pelo zelo que o santo moço empregava em tudo, espicaçados pelo demônio, principiaram a caluniá-lo, para manchar-lhe a reputação. Lourenço repelia-os com o silêncio, a serenidade e a paciência. Os inimigos viram-se confundidos, e a virtude venceu: era a justiça que o Santo merecia. Entrementes Gregório, arcebispo de Dublin, falecia. Lourenço, sucedeu-lhe, não mais podendo alegar a pouca idade, porque já completara os trinta. Assim, Gelásio, arcebispo de Armagh, ordenou-o. São Lourenço, impôs-se um dever: desincumbir-se das obrigações com infatigável aplicação, e velar pela própria fé e pela daqueles que iria governar. Tinha sempre presente a preocupação de, um dia, ir prestar contas ao soberano Pastor das almas confiadas ao seu cuidado, e não desejava negligenciar, que Deus o livrasse, absolutamente. As exortações, cheias de força, que lançava, produziam grandes frutos por toda a parte. Nunca, mercê de Deus, ruborizou-se ao falar desta ou daquela virtude, porque as praticava todas, e era o exemplo em pessoa. Sua catedral, chamada da Santa Trindade, fora levantada por cônegos regulares. Lourenço induziu-os, lá por 1163, a receber a regra dos cônegos seculares da abadia de Arrouaise, fundada, depois de oitenta anos, na diocese de Arras, e que gozava de grande reputação de santidade, vindo a ser a cabeça duma numerosa congregação. Lourenço tomou o hábito de cônego regular. Almoçava e jantava no refeitório o silêncio nas horas prescritas e a assistia às matinas, que se diziam à meia-noite. Ordinariamente, ficava na igreja até o amanhecer, depois do que ao cemitério orar pelos mortos. Lourenço jamais comeu carne. Jejuava todas as sextas-feiras, passando a pão e água, não se alimentando, naqueles dias, com mais nada. Estava sempre de posse dum cilício, e frequentemente se disciplinava. Independentemente dos infelizes a quem assistia com esmolas, levava ao palácio, todos os dias, para almoçar, trinta pobres: às vezes, até mais. Tinha o mesmo zelo pelas necessidades espirituais do rebanho que lhe coubera governar. Pregava, com freqüência, a palavra de Deus. Para reanimar o fervor, de quando em quando se retirava para a solidão, o que fazia, quase sempre, no mosteiro de Glendenoc, onde um dos sobrinhos era abade. Gostava, porém, e para lá ia, duma gruta situada a pouca distância do mosteiro, na qual outrora vivera São Coemgin. Quando saía do retiro, como outro Moisés que vinha de falar com Deus, parecia cheio dum fogo celeste e duma luz toda divina. Tal era São Lourenço de Dublin. Em 1179, no concílio ecumênico de Latrão, o Papa Alexandre III nomeou-o legado na Irlanda. Anteriormente, já estivera em Cantuária, e quase fora morto, de maneira assaz estranha. Fora procurar o rei Henrique da Inglaterra por assuntos da diocese. Os monges da igreja metropolitana, que o veneravam como a um santo, suplicaram-lhe cantasse a missa solene do dia seguinte. Aquiescendo, São Lourenço passou a noite em oração diante das relíquias de Santo Tomás. No dia seguinte, quando se dirigia ao altar, um homem, saído da multidão, armado de um grosso cajado longo, aproximou-se do Santo e, sem que ninguém pudesse impedi-lo, desferiu-lhe forte golpe da cabeça, prostrando-o por terra. O agressor era louco. E, como explicou, em lágrimas, a toda a gente, tinha Lourenço como santo, daí querer matá-lo para que fosse mártir, outro Santo Tomás: aquilo que o pobre fizera, fizera-o julgando um ato meritório. Os monges e os demais assistentes haviam corrido ao pé do arcebispo caído, que tinha o rosto todo banhado em sangue. Julgaram-no morto. E
Evangelho Do Dia 2018-11-14

Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018. Santo do dia: Santo Estêvão Teodoro Cuénot, Bispo e mártirCor litúrgica: verde Evangelho do dia: São Lucas 17, 11-19 Primeira leitura: Tito 3, 1-7Leitura da carta de São Paulo a Tito: Caríssimo, 1admoesta a todos que vivam submissos aos príncipes e às autoridades, que lhes obedeçam e estejam prontos para qualquer boa obra. 2Não injuriem a ninguém, sejam pacíficos, afáveis e deem provas de mansidão para com todos os homens. 3Porque nós outrora éramos insensatos, rebeldes, extraviados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo na maldade e na inveja, dignos de ódio e odiando uns aos outros. 4Mas um dia manifestou-se a bondade de Deus, nosso salvador, e o seu amor pelos homens: 5ele salvou-nos não por causa dos atos de justiça que tivéssemos praticado, mas por sua misericórdia; quando renascemos e fomos renovados no batismo pelo Espírito Santo, 6que ele derramou abundantemente sobre nós por meio de nosso salvador, Jesus Cristo. 7Justificados, assim, pela sua graça, nos tornamos na esperança herdeiros da vida eterna. – Palavra do Senhor – Graças a Deus Salmo 22 (23) – O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha e restaura as minhas forças. R: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma. – Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança! R: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma. – Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda. R: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma. – Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos. R: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma. Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 17, 11-19 – Aleluia, Aleluia, Aleluia.– Em tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus para convosco, em Cristo, o Senhor (1Ts 5,18); Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas: 11Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. 12Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam a distância 13e gritaram: “Jesus, mestre, tem compaixão de nós!” 14Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16atirou-se aos pés de Jesus com o rosto por terra e lhe agradeceu. E este era um samaritano. 17Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” 19E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. – Palavra da Salvação– Glória a Vós, Senhor Comentário ao Evangelho por São Bernardo, Doutor da IgrejaSermões diversos, n.º 27 «Onde estão os outros nove?» São muitas as pessoas que rezam, mas depois não as vemos a voltar atrás para dar graças a Deus […] «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove?» Recordar-vos-eis de que foi nestes termos que o Salvador Se lamentou da ingratidão dos outros nove leprosos. Eles sabiam rezar, suplicar e pedir, pois tinham levantado a voz para exclamar: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!» Mas faltou-lhes uma coisa, a que o apóstolo Paulo chama «a ação de graças» (1Tim 2,1): não voltaram para dar graças a Deus. Nos nossos dias, ainda é frequente vermos muitas pessoas pedirem a Deus com insistência o que lhes falta, mas são poucas as que se mostram reconhecidas pelos dons recebidos. Não é mau pedir com insistência, mas o que faz com que Deus não nos atenda é a nossa falta de gratidão. E talvez seja até um ato de clemência da sua parte recusar aos ingratos o que estes pedem, para que não venham a ser julgados com rigor por causa da sua ingratidão […]. É pois por misericórdia que Deus retém por vezes a sua misericórdia. […] Vede como tantos dos que foram curados da lepra do mundo, isto é, de desordens evidentes, não aproveitam a sua cura. Alguns, com efeito, foram atingidos por uma chaga bem pior do que a lepra, tanto mais perigosa por ser uma chaga mais interior. É por isso com razão que o Senhor do mundo pergunta onde estão os outros nove leprosos, porque os pecadores se afastam da salvação. E foi por isso que, depois de o primeiro homem ter pecado, Deus lhe perguntou: «Onde estás?» (Gn 3,9). The post Evangelho do dia 2018-11-14 appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Evangelho Diário – Arautos do Evangelho