Santa Cecília, Virgem E Mártir

Pelo Pe. Iolando Azzi S.D.B. As duas Cecílias Quem, aos dias de hoje, por turismo ou devoção, parte de Roma pela porta de São Sebastião e se encaminha pela Via Ápia Antica, ao chegar à altura do quilômetro três, depara à esquerda com um grandioso monumento: uma imponente torre cilíndrica de vinte metros de diâmetro, bem conservada apesar dos seus vinte séculos de existência. É uma tumba de Cecília Metella. A solene inscrição que se divisa ao longe recorda que a nobre matrona romana ali sepultada foi Cecília, filha de Quinto Metello Crético e esposa de Crasso, filho do triúnviro e general de Céssar na Gália. Um monumento, portanto, da era de Augusto. Na antiga Roma imperial, os mortos não podiam ser sepultados dentro dos muros que limitavam o perímetro urbano da cidade. Por isso os romanos adquiriam terrenos ao longo das grandes vias que partiam da Cidade Eterna e ali faziam construir os túmulos de suas famílias. Os séculos fizeram desaparecer a maior parte desses grandiosos monumentos funerários que ornavam as alas das vias imperiais nas proximidades de Roma. A tumba de Cecília Metella é um dos poucos que resistiu aos tempos e que ainda se pode contemplar. Mas a Via Ápia esconde ainda a memória de outra Cecília. Esconde: é o termo adequado, pois é necessário para encontrá-la baixar as catacumbas de São Calisto, que se situam à direita, cerca de um quilômetro antes. São as mais célebres de Roma, pois aí foram sepultados quase todos os Papas do século III: Zeferino, Cornélio, Fabiano, Eutiquiano, Lúcio… Ao lado dessa famosa cripta papal, descoberta por De Rossi no século passado, acha-se a capela de Santa Cecília. Nesse local a santa venerada deste tempos mui remotos, conforme atesta um afresco da santa que os arqueólogos dataram do século VII. É provável que este terreno fosse primitivamente propriedade da família dos Cecílios ou Cecilianos, pois De Rossi recolheu nessa cripta diversas lápides, marmóreas com inscrições datadas do século II ao século V. Assim a inscrição de “Sétimius Praetextatus Caecilianus” e sua esposa “Pompéia Attica” do século IV. Pode-se concluir com probabilidade que a cripta de Santa Cecília era a capela funerária dos Cecílios. Pelos adornos e símbolos de suas lápides sepulcrais, observa-se que os Cecílios eram pagãos inicialmente, e que depois se converteram ao cristianismo. Estes, verossimilmente, ao se converterem, colocaram à disposição da Igreja aquele campo funerário para a sepultura de seus irmãos na fé. Tal conjectura tem algum fundamento, pois não seria um fato único na história da Igreja antiga. Com efeito, já desde a segunda metade do século I alguns membros da família imperial dos Flávios, ao se converteram ao cristianismo (Flávio Clemente, Flávia Domitila), haviam cedido seus terrenos para a sepultura dos cristãos: é a catacumba de Domitila que se encontra a pouca distância , na Via Ardeatina, e cuja parte mais importante é justamente o hipogeu dos Flávios. O mesmo se diga das catacumbas de Priscila na Via Nomentana, pertencente provavelmente à nobre família dos Acílios (Acílio Glábrio, ex-cônsul romano, é um dos mártires da perseguição de Domiciano). A Via Appia, pois, conserva duas importantes memórias dos antigos Cecílios: a tumba de Cecília Metella e a cripta de Santa Cecília. Duas Cecílias: a primeira, nobre matrona romana do século I, a segunda nobre jovem cristã do século III, provavelmente. A tumba de Cecília Metella, em sua imponente majestade, é hoje um corpo sem alma, pois o nome da nobre matrona nada mais significa aos nossos contemporâneos. A cripta de Santa Cecília, ao contrário, apresenta-se ainda hoje como um dos santuários de grande veneração em Roma, pois ali acorrem diariamente numerosos peregrinos de Roma e do mundo para venerar a grande santa, consagrada pela Igreja como padroeira da música. Santa Cecília na tradição cristã e na liturgia Entre as santas mais antigas e mais veneradas pela tradição popular Santa Cecília ocupa um lugar de primária importância. Sua biografia, baseada nos dados de uma Paixão (ou seja, descrição do martírio) escrita no século VI, é uma das mais conhecidas e divulgadas. Os dados principais dessa Paixão são os seguintes: Cecília é apresentada como uma jovem romana de família nobre, que é prometida, sem que seus pais soubessem, e tinha consagrada a Deus sua virgindade. No dia de núpcias, enquanto a música ressoava no salão de festas, ela entoava em seu coração um hino à virtude da castidade. Na primeira noite do matrimônio declara ao seu jovem esposo que não ouse tocar o seu corpo com amor impuro, pois que ela tem ao seu lado um anjo encarregado por Deus para defender sua virtude. Valeriano exprime desejos de poder também ele ver o anjo. Cecília apresenta-lhe como condição essencial a recepção do batismo. O esposo manifesta-lhe suas boas disposições e ela o envia ao bispo Urbano que se encontra refugiado na Via Ápia. O nobre romano recebe as primeiras instruções na religião cristã e é batizado por Urbano. Ao regressar para casa, fica deslumbrado diante da visão celeste do anjo de Cecília. O exemplo de Valeriano, é imitado posteriormente por seu irmão Tibúrcio. Ambos, juntamente com Máximo, convertido por eles, são martirizados em Roma sob o governo do prefeito Túrcio Almáquio. Pouco depois também Cecília é citada ao tribunal de Almáquio, por ser cristã. A jovem e condenada à morte por asfixia no “calidarium” de sua própria casa. Não obtendo esta pena o efeito desejado, Almáquio ordena que a virgem seja decapitada ali mesmo. O algoz treme ao dar-lhe os golpes fatais e a deixa semi- viva. Sua agonia prolonga-se por três dias. Nesse tempo Cecília confirma seus familiares na fé cristã e faz doação de seus bens à Igreja. O Papa Urbano mandou sepultar seu corpo virginal ao lado dos outros bispos, seus colegas. A casa do martírio foi transformada em igreja. Tais são, em resumo, os dados da Paixão. Escrita num século em que reinava no Ocidente grande entusiasmo pela vida religiosa, reflete claramente a intenção do autor de compor uma prática exortação de renúncia aos
Evangelho Do Dia 2018-11-22

Quinta-feira, 22 de Novembro de 2018. Santo do dia: Santa Cecília, virgem e mártir; São Pedro Esqueda Ramírez, presbítero e mártirCor litúrgica: vermelho Evangelho do dia: São Lucas 19, 41-44 Primeira leitura: Apocalipse 5, 1-10Leitura do livro do Apocalipse de São João: Eu, João, 1vi um livro na mão direita daquele que estava sentado no trono. Era um rolo escrito por dentro e por fora, e estava lacrado com sete selos. 2Vi então um anjo forte, que proclamava em voz alta: “Quem é digno de romper os selos e abrir o livro?” 3Ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra era digno de abrir o livro ou de ler o que nele estava escrito. 4Eu chorava muito, porque ninguém foi considerado digno de abrir ou de ler o livro. 5Um dos anciãos me consolou: “Não chores! Eis que o leão da tribo de Judá, o rebento de Davi, saiu vencedor. Ele pode romper os selos e abrir o livro”. 6De fato, vi um Cordeiro. Estava no centro do trono e dos quatro seres vivos, no meio dos anciãos. Estava de pé como que imolado. O Cordeiro tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus, enviados por toda a terra. 7Então, o Cordeiro veio receber o livro da mão direita daquele que está sentado no trono. 8Quando ele recebeu o livro, os quatro seres vivos e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro. Todos tinham harpas e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. 9E entoaram um cântico novo: “Tu és digno de receber o livro e abrir seus selos, porque foste imolado e, com teu sangue, adquiriste para Deus homens de toda tribo, língua, povo e nação. 10Deles fizeste para o nosso Deus um reino de sacerdotes. E eles reinarão sobre a terra”. – Palavra do Senhor – Graças a Deus Salmo 149 – Cantai ao Senhor Deus um canto novo e o seu louvor na assembleia dos fiéis! Alegre-se Israel em quem o fez, e Sião se rejubile no seu rei! R: Fizestes de nós, para Deus, sacerdotes e povo de reis. – Com danças glorifiquem o seu nome, toquem harpa e tambor em sua honra! Porque, de fato, o Senhor ama seu povo e coroa com vitória os seus humildes. R: Fizestes de nós, para Deus, sacerdotes e povo de reis. – Exultem os fiéis por sua glória e, cantando, se levantem de seus leitos, com louvores do Senhor em sua boca. Eis a glória para todos os seus santos. R: Fizestes de nós, para Deus, sacerdotes e povo de reis. Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 19, 41-44 – Aleluia, Aleluia, Aleluia.– Oxalá ouvísseis hoje a sua voz: Não fecheis os corações como em Meriba! (Sl 94,8); Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas: Naquele tempo, 41quando Jesus se aproximou de Jerusalém e viu a cidade, começou a chorar. E disse: 42“Se tu também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! Agora, porém, isso está escondido aos teus olhos! 43Dias virão em que os inimigos farão trincheiras contra ti e te cercarão de todos os lados. 44Eles esmagarão a ti e a teus filhos. E não deixarão em ti pedra sobre pedra. Porque tu não reconheceste o tempo em que foste visitada”. – Palavra da Salvação– Glória a Vós, Senhor Comentário ao Evangelho por São Rafael Arnaiz Barón, monge trapista espanholEscritos espirituais 23/02/1938 «Se ao menos hoje conhecesses o que te pode dar a paz!» Debrucei-me um pouco da janela. […] O sol começava a levantar-se. Uma paz muito grande reinava sobre a natureza. Tudo começava a despertar, a terra, o céu, os pássaros. Tudo, pouco a pouco, começava a despertar sob as ordens de Deus. Tudo obedecia às suas leis divinas, sem queixas nem sobressaltos, suavemente, com mansidão, tanto a luz como as trevas, tanto o céu azul como a terra dura coberta pelo orvalho da alvorada. Que bom é Deus!, pensei. Há paz em tudo, exceto no coração humano. Delicada e suavemente, Deus ensinou-me também, nessa madrugada doce e tranquila, a obedecer; uma grande paz encheu a minha alma. Pensei que só Deus é bom, que tudo é ordenado por Ele, que nada do que os homens fazem ou dizem tem importância, e que, para mim, só uma coisa deve haver no mundo: Deus. Deus, que tudo vai ordenar para o meu bem. Deus, que faz que a cada manhã o sol se levante, que faz que a geada derreta, que faz que os pássaros cantem, e que transmuta as nuvens do céu em mil cores suaves. Deus, que me oferece um cantinho nesta Terra para orar, que me dá um cantinho onde posso ficar à espera daquilo em que ponho a minha esperança. Deus, que é tão bom para comigo, que, no silêncio, me fala ao coração e me ensina aos poucos, talvez em lágrimas, sempre com a cruz, a desligar-me das criaturas; a não procurar a perfeição a não ser n’Ele. Que me mostra Maria e me diz: «Eis a única criatura perfeita; nela encontrarás o amor e a caridade que não encontras junto dos homens. De que te queixas tu, Irmão Rafael? Ama-Me, sofre comigo; sou Eu, Jesus!» The post Evangelho do dia 2018-11-22 appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Evangelho Diário – Arautos do Evangelho