São Roque

Nasceu em Montpellier, no começo do reino de Filipe, o Belo, de um gentil-homem chamado João. Sua mãe, chamada Libéria, que pediu muitas vezes um filho a Deus, pôs todos os cuidados em lhe inspirar a piedade cristã desde o berço. Roque, cujas inclinações se dirigiam para a virtude, viveu nessa primeira idade numa grande pureza de costumes e habituou o corpo ainda tenro a suportar a abstinência e outras mortificações. Tendo perdido o pai e a mãe na idade de vinte anos, viu-se senhor de grandes riquezas. Distribuiu aos pobres o que podia dispor, deixou a administração dos fundos de terra a um de seus tios, afastou-se do país, e encaminhou-se para Roma, com vestes de peregrino e de mendigo. Atravessando a Toscana, soube que a peste tinha chegado à cidade de Aquapendente: foi para lá oferecer-se para servir aos pestilentos. Seguiu a peste a Cesena, a Rímini, e por fim, a Roma, servindo por toda parte sem cessar os que por ela eram atingidos. Todo o seu desejo era fazer a Deus o sacrifício de sua vida naquela espécie de martírio. Depois de se ter sacrificado vários anos e em várias cidades da Lombardia, caiu doente em Placência. Para não incomodar os outros doentes do hospital, pelos gritos involuntários que lhe arrancavam as dores intermináveis, arrastou-se até uma cabana na entrada de um bosque. Um gentil-homem chamado Gotardo, que morava na vizinhança, deu-lhe as coisas necessárias. Deus recompensou um e outro: deu a Roque, uma saúde perfeita e Gotardo, comovido por seus exemplos de virtude, resolveu deixar o mundo para servir a Deus, no retiro. São Roque, saindo da Itália, voltou ao Languedoc, com o hábito de peregrino e foi hospedar-se numa aldeia que tinha pertencido a seu pai e que ele mesmo tinha cedido ao tio. Como se estava numa época de hostilidades, narra-se que foi preso por um espião e levado ao juiz de Montpellier, que era seu mesmo tio, e que o pôs na prisão, sem o conhecer. Roque, que só aspirava a viver oculto em Deus, no meio de humilhações e sofrimentos, ficou cinco anos naquela prisão, sem que ninguém se lembrasse de esclarecer aquele negócio, e sem ele mesmo disse se tivesse preocupado. Morreu, segundo a opinião maios comum, a 16 de Agosto de 1327. Sua memória tornou-se célebre pelos milagres, que o invocara desde então, contra as epidemias. Seu nome foi inserido no martirológio romano a 16 de agosto. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIV, p. 13-14) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Roque

Nasceu em Montpellier, no começo do reino de Filipe, o Belo, de um gentil-homem chamado João. Sua mãe, chamada Libéria, que pediu muitas vezes um filho a Deus, pôs todos os cuidados em lhe inspirar a piedade cristã desde o berço. Roque, cujas inclinações se dirigiam para a virtude, viveu nessa primeira idade numa grande pureza de costumes e habituou o corpo ainda tenro a suportar a abstinência e outras mortificações. Tendo perdido o pai e a mãe na idade de vinte anos, viu-se senhor de grandes riquezas. Distribuiu aos pobres o que podia dispor, deixou a administração dos fundos de terra a um de seus tios, afastou-se do país, e encaminhou-se para Roma, com vestes de peregrino e de mendigo. Atravessando a Toscana, soube que a peste tinha chegado à cidade de Aquapendente: foi para lá oferecer-se para servir aos pestilentos. Seguiu a peste a Cesena, a Rímini, e por fim, a Roma, servindo por toda parte sem cessar os que por ela eram atingidos. Todo o seu desejo era fazer a Deus o sacrifício de sua vida naquela espécie de martírio. Depois de se ter sacrificado vários anos e em várias cidades da Lombardia, caiu doente em Placência. Para não incomodar os outros doentes do hospital, pelos gritos involuntários que lhe arrancavam as dores intermináveis, arrastou-se até uma cabana na entrada de um bosque. Um gentil-homem chamado Gotardo, que morava na vizinhança, deu-lhe as coisas necessárias. Deus recompensou um e outro: deu a Roque, uma saúde perfeita e Gotardo, comovido por seus exemplos de virtude, resolveu deixar o mundo para servir a Deus, no retiro. São Roque, saindo da Itália, voltou ao Languedoc, com o hábito de peregrino e foi hospedar-se numa aldeia que tinha pertencido a seu pai e que ele mesmo tinha cedido ao tio. Como se estava numa época de hostilidades, narra-se que foi preso por um espião e levado ao juiz de Montpellier, que era seu mesmo tio, e que o pôs na prisão, sem o conhecer. Roque, que só aspirava a viver oculto em Deus, no meio de humilhações e sofrimentos, ficou cinco anos naquela prisão, sem que ninguém se lembrasse de esclarecer aquele negócio, e sem ele mesmo disse se tivesse preocupado. Morreu, segundo a opinião maios comum, a 16 de Agosto de 1327. Sua memória tornou-se célebre pelos milagres, que o invocara desde então, contra as epidemias. Seu nome foi inserido no martirológio romano a 16 de agosto. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIV, p. 13-14) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Roque

Nasceu em Montpellier, no começo do reino de Filipe, o Belo, de um gentil-homem chamado João. Sua mãe, chamada Libéria, que pediu muitas vezes um filho a Deus, pôs todos os cuidados em lhe inspirar a piedade cristã desde o berço. Roque, cujas inclinações se dirigiam para a virtude, viveu nessa primeira idade numa grande pureza de costumes e habituou o corpo ainda tenro a suportar a abstinência e outras mortificações. Tendo perdido o pai e a mãe na idade de vinte anos, viu-se senhor de grandes riquezas. Distribuiu aos pobres o que podia dispor, deixou a administração dos fundos de terra a um de seus tios, afastou-se do país, e encaminhou-se para Roma, com vestes de peregrino e de mendigo. Atravessando a Toscana, soube que a peste tinha chegado à cidade de Aquapendente: foi para lá oferecer-se para servir aos pestilentos. Seguiu a peste a Cesena, a Rímini, e por fim, a Roma, servindo por toda parte sem cessar os que por ela eram atingidos. Todo o seu desejo era fazer a Deus o sacrifício de sua vida naquela espécie de martírio. Depois de se ter sacrificado vários anos e em várias cidades da Lombardia, caiu doente em Placência. Para não incomodar os outros doentes do hospital, pelos gritos involuntários que lhe arrancavam as dores intermináveis, arrastou-se até uma cabana na entrada de um bosque. Um gentil-homem chamado Gotardo, que morava na vizinhança, deu-lhe as coisas necessárias. Deus recompensou um e outro: deu a Roque, uma saúde perfeita e Gotardo, comovido por seus exemplos de virtude, resolveu deixar o mundo para servir a Deus, no retiro. São Roque, saindo da Itália, voltou ao Languedoc, com o hábito de peregrino e foi hospedar-se numa aldeia que tinha pertencido a seu pai e que ele mesmo tinha cedido ao tio. Como se estava numa época de hostilidades, narra-se que foi preso por um espião e levado ao juiz de Montpellier, que era seu mesmo tio, e que o pôs na prisão, sem o conhecer. Roque, que só aspirava a viver oculto em Deus, no meio de humilhações e sofrimentos, ficou cinco anos naquela prisão, sem que ninguém se lembrasse de esclarecer aquele negócio, e sem ele mesmo disse se tivesse preocupado. Morreu, segundo a opinião maios comum, a 16 de Agosto de 1327. Sua memória tornou-se célebre pelos milagres, que o invocara desde então, contra as epidemias. Seu nome foi inserido no martirológio romano a 16 de agosto. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIV, p. 13-14) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Assunção Da Santíssima Virgem

Quem poderá conceber o triunfo de Maria, quando, deixando a terra, este vale de lágrimas, ela se elevou com majestade pudica nas asas dos querubins, ao encontro dos santos, dos anjos e dos arcanjos, que vieram em massa formar o cortejo triunfal de sua rainha e cantar sua glória? Quem é esta, perguntam eles, que, por um novo prodígio, se eleva do fundo do deserto, cheia de graça e de delícias, como aurora divina, brilhante como o sol, doce como a luz e poderosa como um exército em ordem de batalha? É a nova Eva, exclama o Pai dos homens, é a nova mãe dos vivos, a mulher prometida para reparar a tudo, que gerou a vida e a misericórdia, e esmagou a cabeça da serpente. É a estrela de Jacó dizem os profetas, o arco da aliança, a glória de Jerusalém, a alegria de Israel, a honra do nosso povo, que obteve sobre o inimigo uma vitória eterna, porque tem acima de tudo a pureza virginal. É a maravilha do Altíssimo, dizem os profetas, a Virgem incomparável, que concebeu Virgem e gerou, Virgem, um filho único, a quem todo poder foi dado, e que se chama Emanuel ou Deus conosco. É dizem os Apóstolos, para encerrar todas essas maravilhas, em duas palavras, é Maria, da qual Jesus nasceu! Salve, Então! Exclama todo o cortejo celeste, salve! Eternamente salve! Maria, Mãe de Deus, Mãe de Jesus! Salve, mil vezes salve, Maria, nossa mãe e Rainha! O Senhor é convosco, o Senhor vosso Deus, vosso Rei, vosso Esposo, vosso Filho, que vos prepara um trono de graça ao lado de seu trono de glória. Vós sois bendita, louvada, exaltada acima de todas as mulheres, amada e querida acima de todas as mães; e bendito, louvado, amado, adorado para sempre, é o divino fruto de vossas castas entranhas, Jesus, vosso filho, vosso amor e vossa vida; ide, Rainha augusta, o Altíssimo vos chama: vinde, filha muito amada, mãe amável, esposa sem mancha; vinde, sede coroada de graça e de glória, como a Rainha do Céu e da Terra, dos anjos e dos homens; vinde reinar pela bondade e pela clemência como o refúgio dos pecadores, a consoladora dos aflitos, a saúde dos enfermos, o socorro dos cristãos, a protetora da Igreja! Ah! Minha pobre alma! Nossa mãe está no céu e eis-nos aqui na terra. Mas tenhamos coragem! Iremos vê-la um dia. Eis como. É elevada em glória acima de todas as criaturas porque de todas as criaturas foi a mais humilde. Pois bem, sejamos humildes como ela. Sobre a terra, levou uma vida pobre e comum, mas levou-a santamente. Pois bem, façamos como ela, santifiquemos como ela as ações mais comuns de nossa vida. Sim, é assim; essa é a minha resolução. Ó minha Mão, abençoai, abençoai-me, abençoai todos os meus irmãos; abençoai, sobretudo neste dia, a Igreja e seus pastores, abençoai todos com todas as bênçãos do céu e da terra, e com todas as bênçãos do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Mas, em que lugar a Santa Virgem morreu? A igreja de Jerusalém e, com ela, toda a tradição do Oriente, responde-nos que foi sobre o monte Sião, e que seu corpo foi levado ao jardim do Getsêmani, onde está seu sepulcro, mas vazio. São Sofrônio, patriarca de Jerusalém, num de seus hinos sobre os santos lugares, encontrado pela cardeal Mai, fala com amor do jardim de Getsêmani, que recebeu outrora o corpo da santa Mãe de Deus e onde estava seu sepulcro mas não fala do mesmo corpo, como lá estando. São João Damasceno, que passou uma grande parte da vida em Jerusalém, acrescenta uma circunstância. Na primeira estrofe de seu segundo hino, sobre o príncipe dos apóstolos, fala da viagem repentina de São Pedro, de Roma à montanha de Sião para assistir aos funerais da Santa Virgem, que ele chama de nuvem viva de Deus. Lemos igualmente nas vidas de São Dionísio Areopagita, uma das quais escrita por Miguel Sincelle, padre de Jerusalém: Dionísio mereceu estar presente com os apóstolos, à morte e aos funerais de Santa Maria, mãe de Deus, cujo corpo foi transportado pelas mãos dos apóstolos da montanha de Sião, ao sepulcro no jardim das Getsêmani, de onde foi recebido no céu. É o que diz expressamente o padre de Jerusalém. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIV, p. 432 à 435 Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Maximiliano Maria Kolbe: O Cavaleiro Da Imaculada

Um santo para nossos dias: utilizando os progressos técnicos a serviço da Fé, montou um portentoso apostolado pela imprensa para difundir a devoção a Maria. E ainda morreu mártir da caridade, como sempre desejou Irmã Juliane Vasconcelos Almeida Campos, EP Sobre a trágica morte de São Maximiliano Kolbe no campo de extermínio de Auschwitz, muito se sabe e se comenta. Menos conhecida, entretanto, é sua existência cheia de inteligentes e ousados empreendimentos apostólicos, fruto de um espírito de grandes horizontes iluminado por entranhada devoção à Virgem Santíssima. Talis vita, finis ita,1 diz um conhecido adágio romano. Se Maximiliano teve, no fim da sua existência, o heroico gesto que o conduziria ao martírio, foi porque Maria Imaculada o inspirou. E ele soube corresponder inteiramente, já desde menino, a tão bela e elevada vocação. Nascido na era do progresso A Polônia dos anos finais do século XIX e iniciais do XX, como toda a Europa e a América, achava-se em plena prosperidade material. A sociedade de então se deliciava na euforia e no esplendor da Belle Époque, na fartura e no conforto, mais preocupada com o gozo da vida do que com o que se relacionava com a Religião. O laicismo dominava as mentes e os costumes. Nesse contexto histórico, nasceu Raimundo Kolbe, em 8 de janeiro de 1894, na cidade polonesa de Zdu?ska Wola, recebendo no mesmo dia as águas batismais. Seus pais, Júlio Kolbe e Maria Dabrowska, eram lídimos cristãos e devotíssimos da Virgem Maria. De seus cinco filhos, dois faleceram quando ainda crianças, e os outros três abraçaram a vida religiosa. Uma visão que deu rumo à sua vida Criança muito viva e travessa, Raimundo recebeu certo dia uma repreensão de sua mãe que lhe marcou a vida: Um busto de São Maximiliano Kolbe encontra-se junto ao altar de Madonna del Miraccolo, lembrando que a foi celebrada sua primeira Missa – Altar de Madonna del Miraccolo, Igreja Sant’Andrea delle Fratte, Roma – Se aos dez anos você é tão mau menino, briguento e malcriado, como será mais tarde? Essas palavras calaram fundo na alma do pequeno. Ficou aflito e pensativo. Queria mudar de vida e recorreu a Nossa Senhora. Ajoelhado aos pés de uma bela imagem da igreja paroquial, perguntou-Lhe: – Que vai acontecer comigo? Qual não foi sua surpresa, quando lhe apareceu a Mãe de Deus, trazendo em Suas mãos duas coroas, uma branca e outra vermelha. Sorrindo maternalmente, perguntou-lhe qual escolhia. A branca significava que perseveraria na castidade e a vermelha, que seria mártir. Grande alma, ele escolheu as duas. A vocação religiosa Nasceu-lhe, então, por graça da Imaculada, a vocação religiosa. Decidiu ser capuchinho franciscano, e aos 14 anos começou os estudos em ?ód?, no seminário menor dos frades conventuais, junto com seu irmão Francisco. Aos 16 anos, foi admitido no noviciado, escolhendo o nome de Maximiliano, em honra do grande mártir africano. Quiçá pensasse já em seu futuro… No ano seguinte, pronunciou os votos simples. Por sua privilegiada inteligência, decidiram os superiores mandá-lo para a Cidade Eterna, a fim de continuar os estudos no Colégio Seráfico Internacional, dos franciscanos, e em seguida cursar filosofia na famosa Universidade Gregoriana. Ouvindo falar das especiais dificuldades que havia para se manter a pureza na Roma de então, o jovem frade pediu para não ir. Mas, em nome da santa obediência, partiu para a Capital da Cristandade onde, além de completar seus estudos, fez sua profissão solene a 1 de novembro de 1914, acrescentando ao seu nome religioso o de Maria, a Virgem Imaculada. Começam os anos de luta Em Roma, Maximiliano chocou-se com a insolência com que os inimigos da Igreja a atacavam, sem a proporcionada reação dos católicos. Resolveu então entrar na luta antes mesmo de receber a ordenação presbiteral. Reunindo em torno de si seis condiscípulos, fundou em 1917 a associação apostólica Milícia de Maria Imaculada, cujos estatutos começavam por declarar seus objetivos: a conversão dos pecadores, inclusive dos inimigos da Igreja, e a santificação de todos os seus membros, sob a proteção de Maria Imaculada. Nela aceitou apenas jovens destemidos e verdadeiramente dispostos a acompanhá- lo nessa empresa, com o título de Cavaleiros de Vanguarda. Sua sede de almas ficou gravada nas atas de sua ordenação sacerdotal, que se deu em 28 de abril de 1918. Na manhã seguinte, quis celebrar sua primeira Missa no altar da Madonna del Miraccolo, na igreja de Sant’Andrea delle Fratte, porque aí se dera o célebre episódio com Afonso Maria Ratisbonne: ante a aparição da Santíssima Virgem, ajoelhara-se judeu e levantara católico, numa conversão miraculosa e instantânea, em 1842. E na agenda das Missas de seus primeiros dias de sacerdote, o padre Kolbe escreveu que queria celebrar o Santo Sacrifício para “impetrar a conversão dos pecadores e a graça de ser apóstolo e mártir”.2 Progresso a serviço da Fé Voltando à Polônia em 1919, esteve internado em um sanatório devido a sérios problemas de saúde. Tão logo se restabeleceu, fundou o jornal mensal da sua associação – Cavaleiro da Imaculada – pondo o progresso técnico do seu tempo em matéria gráfica, a serviço da Fé. Na véspera do lançamento, reuniu os operários, colaboradores e redatores – ao todo 327 pessoas -, e passaram o dia em jejum e oração. Nessa noite, foi organizada uma grande vigília de Adoração ao Santíssimo Sacramento e de oração à Santíssima Virgem, para que abençoassem esse empreendimento. Na noite seguinte, as rotativas imprimiram o primeiro número do jornal, “filho” dessas orações. Um grande impulso à sua obra ocorreu em 1927, quando o príncipe João Drucko-Lubecki cedeu ao padre Maximiliano um terreno situado a 40 quilômetros de Varsóvia. Aí, homem de grandes horizontes, começou ele a construir uma Niepokalanów – Cidade de Maria. Planejava a edificação de um enorme convento e novas instalações de sua obra de imprensa. Com que dinheiro? “Maria proverá – dizia o santo varão – este é um negócio dEla e de seu Filho!”. E não foi defraudado em sua confiança. Em 1939, o jornal tinha
São Máximo De Constantinopla, Monge E Mártir

Nasceu em Constantinopla, pelo ano 580, de uma antiga nobreza e seus pais tinham poucas pessoas acima deles. Fizeram-no batizar ainda pequenino e educaram tão bem, que se tornou um dos homens mais sábios do século, Sua capacidade era tanto mais notável, quanto o cobria uma grande modéstia. O Imperador Heráclio, colocou-o contra vontade a seu serviço e o fez o primeiro de seus secretários. Mas o amor do retiro e também o início da nova heresia obrigaram-no a deixar a corte e a se encerrar no mosteiro de Crisópolis, perto de Calcedônia. Depois de aí ter praticado exatamente as regras, foi eleito abade. O temor dos bárbaros, isto é, dos persas e dos árabes, que mantinham o Oriente sempre alarmado, fê-lo passar ao Ocidente e ele se deteve na África. Escreveu grande número de cartas, opúsculos e tratados sobre os principais artigos da fé e da piedade cristã, cinco diálogos, por muito tempo atribuídos a Santo Atanásio, os dois primeiros entre um ortodoxo e um anomeano, sobre a divindade consubstancial do Filho; o terceiro entre um ortodoxo e um macedônio, sobre a divindade do Espírito Santo, o quarto e o quinto, entre um ortodoxo e um apolinarista, sobre que o Filho de Deus realmente se fez homem, tomando uma alma racional de um corpo humano como os nossos. Quanto à moral e à piedade cristãs, eis como lhe põe o fundo misterioso, numa carta ao Padre Talássio superior dos monges. Há três dias que atraem o homem, ou melhor, para os quais se dirige livremente: Deus, a natureza e o mundo. Cada um, atraindo-o, desliga-o, dos dois outros, transforma-o em si e o faz tornar-se por inclinação, o que ele mesmo é por natureza. Se é Deus que o leva, ele o faz tornar-se deus por participação, concede-lhe por sua graça uma deificação sobrenatural e o desliga assim perfeitamente da natureza e do mundo, Se é a natureza que o leva, ela mostra-o só homem da natureza, certo meio entre Deus e o mundo, que não participa voluntariamente, nem de um nem de outro. Se é o mundo que o arrasta, faz dele um bruto, isto é, da carne somente, inspirando-lhe ambições que o afastam da natureza e de Deus e o ensina a fazer coisas contra a natureza. Os dois extremos, isto é, deus e o mundo, desligam então um do outro, como também do meio ou da natureza. Se o meio ou a natureza somente o sobrepujam, ela afasta o homem igualmente dos dois extremos, não lhe permitindo bem se elevar até Deus, nem se abater até o mundo, Desde que o homem se prende voluntariamente a uma dessas três coisas, sua ação muda imediatamente com ele e ele mesmo chama-se diferentemente, ou carnal, ou animal ou espiritual. O caráter distintivo do homem carnal é só saber fazer o mal; do homem animal, não querer nem fazer o mal, sem o suportar. Do homem espiritual querer fazer só o bem e sofrer corajosamente, pela virtude, todas as espécies de males. A isso São Máximo induz o hegumeno Talássio. Todas as suas obras de piedade e de moral tem por fim elevar assim o homem da vida carnal e brutal à vida humanamente racional e, da vida puramente humana à vida sobrenatural e divina. Esses são os setenta e um capítulos ou resumos, nos quais, sobre diversos assuntos de teologia, de filosofia, de moral, de literatura, reúne as sentenças mais notáveis da Escritura Santa, dos Padres da Igreja e mesmo dos personagens mais ilustres do paganismo. A sabedoria pagã serve-se disso, como de introdução para a sabedoria cristã. (…) São Máximo, bem como o Papa São Martinho, foi perseguido, aprisionado, exilado e martirizado, pela fé católica, pelo imperador grego Constante II. Eis como terminaram os sofrimentos de São Máximo e de seus dois discípulos chamados ambos Anastácio dos quais um tinha sido apocrisiário ou núncio do Papa. A 14 de Setembro de 656, depois de longo interrogatório, o cônsul Teodósio tomou São Máximo e o mandou com soldados a Selimbria. Aí ficaram dois dias, até que um dos soldados foi ao acampamento dizer a todo o exército que se insurgisse contra São Máximo. O monge que blasfema contra a Mãe de Deus vem aqui. Mas o comandante, tocado por Deus, mandou a ele os chefes das companhias, as insígnias, os padres e os diáconos. São Máximo, vendo-os, pôs-se de joelhos. Eles fizeram o mesmo; depois sentaram-se e o fizeram sentar. Então um venerável ancião disse-lhe com grande respeito: Meu pai, escandalizaram-nos, dizendo que vós não chamais de Mãe de Deus à Santa Virgem. Por isso, eu vos rogo, pela Santa Trindade, que nos digais a verdade, para que não sejamos escandalizados injustamente. São Máximo pôs-se de joelhos, ergueu0se e estendendo as mãos para o céu, disse com lágrimas: Todo aquele que não diz que Nossa Senhora, a mui santa Virgem, foi verdadeiramente Mãe de Deus, Criador do céu e da terra, seja anatematizado, pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo, e por todas as virtudes celestes, os apóstolos, os profetas, os mártires e todos os santos, agora e sempre, e em todos os séculos dos séculos, Amém. Então os presentes disseram, chorando: “Meu Pai! Queira Deus dar-vos a força de terminar dignamente vossa carreira”. Depois, falaram com palavras tão edificantes, que os soldados se reuniam em massa para os ouvir. Mas um dos guardas do general, vendo que seu número crescia sempre e que censuravam a maneira como se tratava o santo velho, mandou retirá-lo e o colocar a duas milhas do acampamento, até que o levassem a Perbére. Os clérigos do exército seguiram-no a pé por duas milhas e tendo-se despedido dele, puseram-no a cavalo com suas próprias mãos. Levaram-no a Perbére, onde o colocaram numa prisão. Algum tempo depois, levaram-no a Constantinopla com seu discípulo, o monge Anastácio e se reuniu contra ele um concílio onde eles foram anatematizados ambos, com o Papa São Martinho, São Sofrônio de Jerusalem e todos os seus partidários,
Santa Joana Francisca De Chantal

No ano de 1604, a pedido do parlamento de Borgonha, São Francisco de Sales pregava a quaresma em Dijon. No auditório estava seu amigo, o arcebispo de Bourges; ele notou, ainda, uma senhora que lhe tinha já sido mostrada numa visão, como devendo ajudá-lo na instalação de uma obra santa. Ao sair do púlpito, ele perguntou ao arcebispo se conhecia aquela pessoa. O amigo respondeu: É minha irmã, a baronesa de Chantal. Efetivamente era ela. Era filha de Benigno Frémiot, presidente do parlamento de Borgonha e de Margarida de Berbizy. Sua irmã, Margarida, esposa do conde de Effran; seu irmão, André, foi arcebispo de Bourges. Nasceu em Dijon a 28 de janeiro de 1572. Recebeu o nome de Joana no batismo e a ele acrescentou o de Francisca, na confirmação. Seu pai, enviuvando muito cedo, teve grande cuidado em sua educação: ninguém correspondeu melhor que Joana a tal cuidado; também o pai teve por ela uma ternura particular. Um herege permitiu-se diante dela falar contra a Santa Eucaristia; Joana, que tinha então somente cinco anos, censurou-o asperamente. Mais tarde recusou desposar um fidalgo muito rico, unicamente porque era calvinista. Quando chegou aos vinte anos, seu pai casou-a com o barão de Chantal, o mais velho da família de Rabutin. Era um oficial de vinte e sete anos, que servia com distinção e que Henrique IV honrava com seu favor. Pouco depois do casamento, levou a esposa ao castelo de Bourbilly, onde tinha sua residência ordinária e confiou-lhe o cuidado da casa. A primeira ordem que ela deu foi dizer todos os dias a missa e de a ela fazer todos os domésticos assistir e instruí-los com cuidado, ocupá-los com discrição e ajudá-los com caridade em suas necessidades. Ela pôs em seus afazeres toda a ordem que exigia uma longa negligência, que antes se tivera. Nas festas e nos domingos ouvia a missa na paróquia. Ocupava-se em fazer panos e pequenas alfaias para os altares e em ler bons livros; mas a obra de piedade onde se mostrou mais atenta foi a caridade para com os pobres. Durante a ausência do marido, obrigado a passar uma parte do ano na guerra ou na corte, não saía de casa; não se falava então nem de jogos, nem de prazeres, nem conversas. Quando ele voltava, a alegria de o rever, o amor que tinha por ele, a vontade de lhe falar e de se regozijar, atraíam outras pessoas à sua casa; tudo isso lhe fazia diminuir insensivelmente as práticas de devoção, que tomava, na primeira ausência; enfim, no ano de 1601, seu marido foi à corte, e ela resolveu firmemente jamais se dispensar de seus exercícios de piedade. O barão de Chantal caiu doente em Paris e fez-se levar ao castelo aonde chegou nas últimas. A virtuosa esposa passava os dias à cabeceira de seu leito, e as noites, na capela. Mas ele se restabeleceu milagrosamente e a alegria foi perfeita. Um parente e amigo da vizinhança veio visitá-los, nessa ocasião, e propôs uma caçada ao barão; para lhe ser agradável ele aceitou e vestiu um hábito marron. Seu amigo, vendo-o através de alguns arbustos, tomou-o por um animal, disparou a arma e o feriu na coxa. – Estou morto! Gritou o barão, caindo; meu amigo, meu primo, disparaste imprudentemente e eu te perdôo de todo o meu coração! Depois mandou quatro criados a quatro paróquias diferentes para ter mais certamente um padre. Entretanto, levaram-no a uma casa da aldeia mais próxima, onde sua mulher veio, embora tivesse dado à luz há quinze dias. Quando a viu disse: Senhora, o decreto do céu é justo; devemos amar e morrer! – Não, senhor, devemos viver! – Ah, senhora, replicou ele, respeitemos a ordem da Providência! – Depois, com espírito tranqüilo, perguntou se o padre tinha chegado; e tendo sabido que havia um, mandou-o vir ao quarto e confessou-se. Um momento depois, vendo de longe aquele que o tinha ferido, que lhe parecia desesperado, exclamou: Meu primo, meu amigo, esse golpe me veio do céu; antes de partir deste mundo, eu te rogo, não peques e roga a Deus por mim. Morreu nove dias depois, tendo recebido todos os sacramentos, com singular piedade; rogou à esposa, ordenou ao filho, que jamais pensassem em vingar-lhe a morte e disse-lhes que ele perdoava de novo àquele que o tinha matado, sem pensar, e fez escrever esse perdão nos registros da paróquia, com a ordem que dava à família, de conter os ressentimentos. Um momento depois, expirou nos braços da esposa, cuja desolação foi inenarrável. Ficando viúva aos vinte e oito anos, com um filho e três filhas, sentiu ela a desgraça. Mas bem depressa conheceu os desígnios de Deus sobre si e correspondeu-lhes com tanta fidelidade, que, em suas maiores amarguras dizia não poder compreender como se podia estar tão contente e sofrer tanto, Nesse estado de dor e de alegria fez a Deus o sacrifício de si mesma, pelo voto de castidade e por uma resignação tão perfeita às ordens do céu, que não viveu mais vida humana; e para marcar publicamente o perdão que tinha concedido àquele que lhe matara o marido, quis ser madrinha de um de seus filhos. Viveu depois, para o futuro, segundo as regras de São Paulo e os padres traçaram para a santificação das viúvas. Passava uma parte das noites em oração, aumentou as esmolas, distribuiu aos pobres as roupas preciosas, fez voto de usar somente vestes de lã. Despediu a maior parte dos criados, depois de os ter recompensado liberalmente. Seus jejuns eram freqüentes e rigorosos. Retirada do mundo, dividia o tempo entre a oração, o trabalho e a educação dos filhos, Faltava-lhe um diretor que a pudesse levar pelas vias em que devia caminhar. Não deixava de o pedir a Deus com muitas lágrimas. Um dia, durante o fervor de sua oração, ela viu um homem de batina preta com um roquete e uma murça. Passado o ano de luto, dirigiu-se à casa do pai, em Dijon.
Santa Clara De Assis, Virgem – Fundadora Das Pobres Clarissas

Clara nasceu em Assis em 1194, duma nobre família, provavelmente no dia 11 de Julho, filha de Favorino, dos Scifi, e de Ortolana, dos Fiume, oriunda de Sterpeto. Os Scifi pertenciam a mais alta aristocracia de Assis, Favorino, que tinha o título de conde de Sasso Rosso, era cavaleiro. Aliás, todos os seus parentes buscavam a carreira das armas. Ortolana, muito piedosa, dedicada às boas obras, teve cinco filhos: um homem, Bosone, e quatro mulheres, Peneda, Clara, Inês e Beatriz. Da mãe de Santa Clara conta-se que tinha feito várias peregrinações, como a de Bari e a da Terra Santa. Estando para dar à luz a filha, rogava a Deus com instância para que tudo lhe corresse bem. Ouviu, então, uma voz que lhe disse: – Não temas. Darás ao mundo uma luz que o iluminará. Por isso, chamarás Clara à menina. Clara, luminosa e ilustre, cresceu na casa de Assis, cercada de conforto. Desde a infância, foi caridosa para com os pobres e aplicada à oração. Conta-se que, não tendo com que contar os Padre-Nossos e as Ave-Marias que rezava, e queria saber quantos diria, lançava mão de pedrinhas. Sob os ricos vestidos, usava cilício, um rude cilício de pelos bastantes ásperos. Aos quinze anos, era alta e bela, recolhida e silenciosa, de lindos cabelos loiros. Resolveram os pais, um dia, casá-la. Entre os muitos pretendentes, um, especialmente, era do agrado de Favorino e de Ortolana. Falaram, a respeito, com a filha, e muito surpresos ficaram com a firme resposta da linda jovem. Clara não queria ouvir falar em casamento, e, como a mãe entrasse a atormentá-la com perguntas buscando a razão da obstinada negativa, a filha revelou-lhe que se consagrara a Deus e estava firmemente disposta a jamais conhecer homem algum. Tendo ouvido falar de Francisco, filho de Pedro Bernardone, convertido bruscamente em 1208, e que agora levava vida à imitação de Jesus Cristo, Aquele que nem sequer tinha uma pedra onde pudesse repousar a cabeça, sentira-se tocada. Tendo restaurado as capelas de São Damião, de São Pedro e de Santa Maria dos Anjos, ao lado da qual se estabelecera com alguns companheiros. Francisco, de volta a Roma, em 1211, com autorização pontifícia para pregar, acendeu no coração de Clara o mais vivo desejo de ouvi-lo e vê-lo. Logo todos ouviram-no a predicar a quaresma. E a jovem filha de Favorino e Ortolana, desde o primeiro instante em, que relanceou os olhos no Pobrezinho de Assis, sentiu que a vida que ele levava era justamente a vida que a ele destinava a vontade de Deus. Ora, dois frades, Rufino e Silvestre, ambos pertencentes à família de Clara, propuseram-se a pô-la em contato com Francisco, e, um belo dia, a jovem, acompanhada, como convinha, duma parenta, a qual tradição chamou de Bona Guelfucci, eis a jovem, ardentemente, diante do filho de Barnardone. Francisco, duns tempos àquela parte, já havia ouvido falar de Clara, e resolveu “roubar ao mundo mau tão nobre presa, como diz a legenda, para com a jovem enriquecer o divino Mestre. Assim, ele logo se pôs a aconselhá-la, francamente, para que desprezasse o mundo, aquele mundo vão e transitório, para que resistisse aos pais e conservasse o corpo como um templo só para Deus e a não ter outro esposo senão a Nosso Senhor Jesus Cristo”. São Francisco, desde então, tornou-se o guia, o pai espiritual de Santa Clara, que, sentindo-se muito segura de si, ia preparando o terreno para o grande dia, o dia em que se daria totalmente para as coisas de Deus. O grande dia chegava. A 18 de Março de 1212, Domingo de Ramos, de manhã, foi à igreja, com a mãe, as irmãs e as mulheres que habitualmente as acompanhavam. E, enquanto as outras se apressavam a receber os ramos, Clara deixou-se ficar no seu lugar, por modéstia. E o bispo, descendo do altar, veio oferecer-lhe o ramo, como um presságio da vitória que ia obter sobre o mundo. Na noite seguinte, preparou a fuga, seguindo a ordem de Francisco, mas, como o exigia a decência, fazendo-se acompanhar. Saiu secretamente de casa. Deixou a cidade e tomou o rumo de Santa Maria dos Anjos, onde os irmãos, que cantavam as matinas, receberam-na à luz de grandes archotes. Diante do altar da Rainha das Virgens, Francisco cortou-lhe os cabelos, os “belos cabelos loiros”, e a revestiu com o hábito de penitência. Em seguida, Clara, comovidamente, pronunciou o voto de pobreza e de castidade. Tudo o que trouxera consigo e era precioso, distribuiu-o aos pobres. E Francisco, também comovido, levou-a imediatamente a um mosteiro de religiosas de São Bento, em São Paulo de Assis, onde a deixou. Clara contava, então dezoito anos. O refúgio da filha de Favorino não tardou a ser descoberto. Tendo fugido de casa por uma porta que vivia quase sempre fechada, Chamada Porta da Morte, porque por ali é que saiam os que morriam, Favorino logo deu pela coisa, já que uma pilha de lenha, então contra a porta, fora completamente arredada. Descoberto, pois o paradeiro da filha, o pai com alguns parentes, foi ter com ela, para trazê-la de volta para casa. A Clara que Favorino encontrou foi uma Clara absolutamente adversa daquela antiga jovem obediente que conhecia muito bem: resoluta e irredutível agora, de nada valeram, para demovê-la daquela vida nova que pretendia levar, as promessas e as ameaças. Empregaram, então, a violência, mas Clara, desvencilhando-se das mãos do pai, correi para junto do altar da igreja e ali tirou o véu que lhe cobria a cabeça, a todos mostrando-a raspada, dando a entender que, para todo o sempre, dera solene adeus ao século. Francisco, como as tentativas de Favorino para recuperar a filha se repetissem, resolveu transferi-la para outro convento, em que a jovem se visse mais resguardada. Foi assim que Santa Clara passou a Santo Angelo de Panzo, também das beneditinas. A cólera de Favorino, quando soube que dezesseis dias depois da fuga de Clara também Inês lhe fugia, para ir ao encontro da irmã,
São Lourenço, Diácono E Mártir

Em 258, a perseguição do imperador Valeriano, já violenta, tornou-se ainda mais furiosa; Valeriano, que estava no Oriente, ocupado com a guerra contra os persas, escreveu ao senado uma carta ordenando que os bispos, os padres e os diáconos fossem executados sem demora; que os senadores, as pessoas de qualidade e os cavaleiros romanos seriam antes privados de suas dignidades de seus bens, e que depois disso, se perseverassem no cristianismo, teriam a cabeça cortada, que as damas romanas seriam privadas de tudo o que possuíam e condenadas ao exílio; que os oficiais e domésticos do imperador, que já tinham confessado ou que confessassem serem cristãos seriam mandados, carregados de cadeias, a trabalhar nas fazendas do príncipe como seus escravos. A esse rescrito, Valeriano tinha acrescentado uma cópia das cartas que mandara aos governadores das províncias. Suas ordens foram logo executadas em Roma. Era a maior ocupação dos prefeitos da cidade e do pretório. Todos os eu lhes caíam nas mãos eram supliciados sem demora e seus bens confiscados. Um dos primeiros, talvez mesmo o primeiro, foi o Papa São Sixto. Foi preso com alguns de seu clero quando estava no cemitério de Calisto, para celebrar os santos mistérios. Quando o levaram ao suplício. Lourenço, o primeiro dos diáconos da Igreja romana, seguia-o chorando e dizendo-lhe: aonde ides, meu pai, sem vosso filho? Aonde ides, Santo Pontífice, sem vosso diácono? Não estais acostumado a oferecer o sacrifício sem ministro; no que vos desagradei? Experimentai se sou digno da escolha que fizestes de mim, para me confiar a dispensa do Sangue de Nosso Senhor. Sixto respondeu-lhe: Não sou eu que te deixo, meu filho, mas um combate maior te está reservado; poupam-nos, a nós velhos; mas tu me seguirás dentro de três dias. O Papa Sixto teve a cabeça cortada a 6 de Agosto no cemitério de Calisto e com ele quatro diáconos. Tinha ocupado a Santa Sé por onze meses e seis dias. Mandaram à Gália São Pelegrino, primeiro Bispo de Auxerre, com três companheiros. O que ele fez de mais memorável foi a transladação do corpo de São Pedro e de São Paulo para as catacumbas, talvez para os colocar em segurança. Depois de sua morte a Santa Sé ficou vaga perto de um ano. Entretanto, o prefeito de Roma, julgando que os cristãos tinham grandes tesouros escondidos e querendo disso certificar-se, mandou chamar Lourenço, que lhes era o custódio, como o primeiro dos diáconos da Igreja romana. Vendo-o em sua presença, disse: Vós vos queixais ordinariamente de que vos tratamos com crueldade; não há aqui tormento algum; eu vos pergunto com suavidade o que depende de vós. Diz-se que, em vossas cerimônias, os pontífices oferecem libações com vasos de ouro; que o sangue da vítima é recebido em taças de prata e que, para iluminar vossos sacrifícios noturnos, tendes círios ficados em candelabros de ouro. Diz-se que, para fornecer essas ofertas, os irmãos vendem suas propriedades e reduzem muitas vezes seus filhos à pobreza; mostrai-nos esses tesouros escondidos; o príncipe tem deles necessidade para restaurar as finanças e pagar as tropas. Também eu sei que, segundo vossa doutrina, o imperador reconhece por sua a moeda sobre a qual está impressa sua imagem: daí portanto a César o que sabeis que é de César. Nada vos peço de mais justo. Se não me engano vosso Deus não faz cunhar moedas; não trouxe dinheiro quando veio ao mundo; trouxe somente palavras: restitui-nos o dinheiro e sede ricos de palavras. Lourenço respondeu, sem se agastar: Confesso que nossa Igreja é rica e o imperador não tem tesouros tão grandes. Mostrai-vos-ei o que tem de mais precioso; dai-me somente um pouco de tempo para por tudo em ordem e colocar-me em condições de fazer o cálculo. O prefeito, contente com a resposta e crendo já estar de posse dos tesouros da Igreja, concedeu-lhe três dias de prazo. Durante esses três dias Lourenço percorreu toda a cidade para procurar em cada rua os pobres que a Igreja sustentava e que ele conhecia melhor que ninguém; os cegos, os coxos, os estropiados, os que tinham úlceras e feridas. Reuniu-os, escreveu-lhes os nomes, e colocou-os em fila, diante da igreja. No dia marcado, foi falar com o prefeito e disse-lhe: Vinde ver os tesouros de nosso Deus; vereis um grande pátio cheio de vasos de ouro e talentos amontoados em galerias. O prefeito seguiu-o, mas vendo aquela multidão de pobres, de aspecto horroroso que soltavam gritos pedindo esmolas, voltou-se contra Lourenço com olhares ameaçadores. De que estais aborrecido? Perguntou-lhe o santo. O outro que ambicionais é um simples metal, tirado da terra, e serve de móvel de todos os crimes; o verdadeiro ouro é a luz de que esses pobres são os discípulos. A fraqueza de seus corpos é uma vantagem para o espírito; as verdadeiras doenças são os vícios e as paixões; os grandes do século são os pobres verdadeiramente miseráveis e desprezíveis. Eis os tesouros que vos prometi; a eles acrescento as pérolas e as pedrarias: vedes as virgens e as viúvas; é a coroa da Igreja. Aproveitai essas riquezas para Roma, para o imperador e para vós mesmo. Portanto, assim gracejas? Disse o prefeito. Eis como insultas os machados e os feixes? Sei que desejas a morte; o martírio é o ideal de tua crença vã. Mas não imagines morrer agora; prolongarei tuas torturas; morrerás devagar. Imediatamente fez levá-lo para um leito de ferro e estender por baixo brasas semi-acesas, para queimar o mártir mais lentamente. Despiram-no e estenderam-no sobre a grelha. O rosto pareceu, aos cristãos recém-batizados, rodeado de um resplendor extraordinário e o cheiro do corpo assado agradável; mas os infiéis não viram essa luz, nem sentiram o cheiro. Depois de o mártir estar deitado sobre um lado, por muito tempo, disse ao prefeito: Fazei-me virar, já estou bastante assado deste lado. Depois que o viraram disse ainda: Está assado, podeis comer. Olhando então, para o céu, rogou a Deus pela conversão de Roma e morreu. Senadores, convertidos pelo
Beato João De Fermo Ou De Alverne, Franciscano

João, cujo culto foi aprovado em 1880 pelo Papa Leão XIII, era de Fermo, nas Marcas, Itália. Chamado também della Verna, do Alverne, porque viveu por muitos anos na solidão em que São Francisco recebeu as estigmas, nasceu em 1259, tendo levado a infância assediada pelo ministério da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, chorando noites em fora. Mortificando-se desde a mais tenra idade, usando urtigas sobre a pela e sob a roupa, tantas eram as genuflexões que fazia que trazia os joelhos sempre a sangrar. Com dez anos, procurou os cônegos regulares. Um dia, descobriu uma velha couraça, subiu com ela para o campanário da igreja e, ali, tranquilamente, a golpe de acha, amoldou-a para o corpo de menino. Usando-a sob as vestes, trouxe-a consigo até o dia que não mais lhe serviu. Aos treze anos, transferiu-se para os Irmãos Menores. Enviado para o Alverne, viveu em grandíssima austeridade. Dormindo sobre a terra nua, gostosamente buscava os lugares mais incômodos, onde os altos e baixos mais maltratavam a carne. João de Fermo pregou em público. Embora não tivesse estudado, conhecia a Santa Escritura, e dela tirava tudo aquilo que lhe era necessário para predicar. Os Fioretti de São Francisco referem-se a João de Fermo da seguinte maneira: Entre os outros sábios e santos frades e filhos de São Francisco, os quais, segundo o dito de Salomão, são a glória do pau, existiu no nosso tempo na província da Marca o venerável santo frei João de Fermo, o qual, pelo longo tempo em que viveu no santo convento do Alverne e dali passou desta vida, era por isso chamado frei João do Alverne; porque foi homem de singular vida e de grande santidade. Este frei João, sendo menino de escola, desejara com todo o coração a via da penitência, a qual mantém a imundícia do corpo e da alma; pelo que, sendo menino bem pequeno, começou a trazer o cilício de malha e o círculo de ferro na carne nua e a fazer grande abstinência, e especialmente quando viveu entre os cônegos de São Pedro de Fermo, os quais passavam esplendidamente. Ele fugia das delícias corporais e macerava o corpo com grande rigidez de abstinência. Mas, havendo entre os companheiros muitos que eram contra isto, os quais lhe tiravam o cilício, e a sua abstinência por diversos modos impediam, ele, inspirado por Deus, pensou de deixar o mundo com os seus amadores, e de oferecer-se todo nos braços do Crucificado com o hábito do crucificado São Francisco, e assim o fez. Sendo, pois, recebido na ordem tão criança e entregue aos cuidados do mestre de noviços, tornou-se tão espiritual e devoto, que, às vezes, ouvindo o dito mestre falar de Deus, o coração dele se derretia como a cera perto do fogo; e com tão grande suavidade de graça se aquecia no amor divino, que ele, não podendo estar firme e suportar tanta suavidade, levantava-se e, como que ébrio de espírito, punha-se a correr, ora pelo horto, ora pela selva, ora pela igreja, conforme a flama e o ímpeto do espírito o impeliam. Com o correr do tempo, a divina graça continuamente fez este homem angélico crescer de virtude em virtude e em dons celestiais e divinas elevações e arroubamentos; tanto que, de algumas vezes, sua mente era erguida a esplendores de querubins, de outras vezes a ardores de serafins, de outras vezes a gáudio de bem-aventurados, de outras vezes a amorosos excessivos abraços de Cristo, não somente por gostos espirituais internos, mas também por expressivos sinais exteriores e gostos corporais. E singularmente, uma vez, por modo excessivo inflamou o seu coração a chama do divino amor, e nele durou esta chama bem três anos; no qual tempo ele recebia maravilhosas consolações e visitas e freqüente vezes era arrebatado em Deus: e, brevemente, no dito tempo, ele parecia todo inflamado e inclinado no amor de Cristo: e isto aconteceu no monte santo do Alverne. Mas porque Deus tem singular cuidado com seus filhos, dando-lhes conforme a diferença dos tempos, ora consolação, ora tribulação, ora prosperidade, ora adversidade, como vê que as precisam para se manterem na humildade, ou para lhes acender o desejo das coisas celestiais; aprouve à divina bondade, depois de três anos, retirar do dito frei João este raio e esta flama do divino amor, e privou-o de toda consolação espiritual: pelo que frei João ficou sem lume e sem amor de Deus, e todo desconsolado e aflito e dolorido. Pela qual coisa ele tão agoniado andava pela selva, vagando por aqui e por ali, chamando com vozes e lágrimas e suspiros o dileto esposo de sua alma, o qual havia escondido e dele se partira, sem cuja presença sua alma não achava trégua nem repouso. Mas em nenhum lugar, nem de maneira nenhuma ele podia encontrar o doce Jesus, nem readquirir aqueles suavíssimos gostos espirituais do amor do cristo a que estava acostumado. E durou-lhe esta atribulação por muitos dias, durante os quais perseverou em contínuo chorar e suspirar, pedindo a Deus que lhe restituísse, por sua piedade, o dileto esposo de sua alma. Por fim, quando aprouve a Deus ter provado bastante a paciência dele e inflamado o seu desejo, um dia em que o dito frei João andava pela dita selva assim aflito e atribulado pelo cansaço, assentou-se, encostado a uma faia, e estava com a face toda banhada de lágrimas a olhar para o céu; e eis que subitamente apareceu Jesus Cristo perto dele no atalho pelo qual frei João tinha vindo, mas nada disse. Vendo-o frei João e reconhecendo bem que ele era Cristo, subitamente se lhe lançou aos pés e com desmesurado pranto rogava-lhe humilissimamente e dizia: – Socorre-me, Senhor meu, que sem ti, Salvador meu dulcíssimo, fico em trevas e em lágrimas; sem ti, cordeiro mansíssimo, estou em agonia e em pena e com pavor; sem ti, Filho de Deus altíssimo estou confuso e envergonhado; sem ti estou despojado de todos os bens e cego, porque tu és Jesus Cristo,