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Santa Edviges, Religiosa

Bertoldo de Andech, Marquês de Meran, Conde do Tirol, Príncipe ou Duque da Caríntia e da Ístria era seu pai. Sua mãe, chamada Inês, era filha do Conde de Rotlech. Tiveram oito filhos, quatro meninos e quatro meninas; dois dos filhos foram bispos, ou sejam: Bertoldo, Patriarca da Aquiléia, Erberto, bispo de Bamberg; os dois outros, Henrique e Oton, seguiram a profissão das armas e sucederam ao pai no governo de seus Estados. As filhas foram Edviges, Inês, tão famosa por causa do seu casamento com Filipe Augusto, rei da França, Gertrudes, rainha da Hungria, mãe de Isabel; a quarta foi abadessa de Lutzing, na Francônia, da ordem de São Bento. Santa Edviges, foi internada nesse mosteiro desde criança e lá aprendeu as letras sagradas, que mais tarde lhe foram motivo de contínuo consolo. Com a idade de 12 anos, deram-na em casamento a Henrique, Duque da Silésia, e mais tarde também, Duque da Polônia, e, no estado do matrimônio, ela se conservou continente, na medida do possível. Desde a primeira gravidez, quando apenas contava treze anos, convencionou com o príncipe, seu marido, separar-se dele até do parto, prática que continuou a observar além da abstinência do advento e da quaresma, assomo como dos outros dias santos. Depois de terem seis filhos, conseguiu que o Duque consentisse em guardar a continência perpétua; comprometeram-se a fazê-lo através de um voto, com a benção do bispo, e assim viveram cerca de trinta anos. Tendo o fato se tornado público, resolveram morar inteiramente separados, e raras vezes se viam, sempre na presença de testemunhas, a fim de não escandalizarem os fracos. O Duque vivia como um religioso, embora não houvesse professado, e deixava crescer a barba como os irmãos conversos dos mosteiros, de onde lhe veio a alcunha de Henrique, o Barbudo. A santa Duquesa Edviges, persuadiu-o a fundar em Trebnitz, junto a Breslau, na Silésia, um mosteiro de religiosas da Ordem de Citeaux, cuja primeira abadessa foi Petrisssa, que a Duquesa tivera como governante na sua infância. Mandou-a vir de Bamberg com outras religiosas; a inauguração deu-se no ano de 1203, a consagração da igreja em 1219. Santa Edviges reuniu na nova ordem um número avultado de religiosas e ofereceu a Deus sua filha Gertrudes que depois foi abadessa. Edviges educou algumas jovens da nobreza e muitas outras, das quais algumas abraçaram a vida monástica; quanto às restantes, casava-as. Ela própria, frequentemente, se recolhia no mosteiro, mesmo em vida do Duque, seu marido, e dormia no dormitório das religiosas; depois instalou definitivamente em Trebnitz, junto ao mosteiro, mas não dentro dele, e vestiu o hábito das religiosas, sem professar, a fim de conservar a liberdade de socorrer os pobres com seus bens. Enfrentou com admirável paciência a morte do Duque Henrique, seu marido, ocorrida em 1238, e consolava as religiosas de Trebnitz, consternadas com aquela perda. De tal forma praticava a abstinência que não comeu carne durante quarenta anos aproximadamente, dissesse o que dissesse, através de pedidos ou de censuras, o Bispo de Bamberg, seu irmão, ao qual dedicava muito respeito e amizade. Até que Guilherme, Bispo de Modena e Legado da Santa Sé, tendo ido à Polônia, e encontrando-a doente, a obrigou, por obediência a comer carne. Costumava alimentar-se com peixe e laticínios aos domingos, terças e quintas; às segundas e aos sábados, com legumes secos; às terças e sextas, contentava-se com pão e água. Tinha suprimido de suas vestes não apenas os adornos e os requintes, mas a comodidade e o essencial, quase, só usando uma túnica e uma capa; andava descalça, com freqüência, não obstante o frio comum àquela região. Carregava consigo um cilício de crina e disciplinava-se até o sangue correr. Suas preces eram longas, fervorosas e quase contínuas; costumava assistir várias missas por dia, sendo que a cada uma delas dava uma intenção, e finalmente recebia a imposição das mãos do sacerdote. Operou vários milagres e tinha o dom da profecia; prevendo a proximidade de sua morte, fez questão de receber a extrema-unção antes de adoecer. Enfim faleceu no dia 15 de Outubro de 1243. Determinada que seria enterrada no cemitério das religiosas, mas a abadessa, sua filha, não consentiu nisso e, contra o desejo por ela expresso, mandou colocá-la na igreja, na frente do altar principal. As religiosas sofreram muitos aborrecimentos, tal como a santa predissera, por causa do grande número de pessoas que vinha rezar junto ao seu túmulo, no qual ocorreram numerosos milagres. Em vista disso, o bispo e os duques da Polônia, providenciaram junto à Santa Sé a canonização de Edviges, efetuada depois das informações de praxe pelo Papa Clemente IV, no dia 26 de Março de 1267. O Papa Inocêncio IX fixou sua festa no dia 17 de Outubro. Fotos: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 253 à 256)     The post Santa Edviges, Religiosa appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Santa Teresa De Ávila, Fundadora Das Carmelitas Descalças

“Sempre no céu, estás ouvindo, meu irmão, ou então sempre no inferno! Sempre, sempre!” Assim falava a seu irmãozinho uma menina que se tornou Santa Teresa. Liam juntos as vidas dos santos. Evocando a glória dos mártires, assaltou-a o ardente desejo de morrer como tinham morrido, a fim de gozar mais cedo a felicidade eterna. “Sempre! Sempre!” diziam um ao outro. Nessa época ainda havia na Espanha mouros e sarracenos. As duas crianças imaginaram que o processo mais curto seria irem para as terras ocupadas pelos infiéis, mendigando, a fim de perecer nas suas mãos. Com efeito, certo dia fugiram de casa e iniciaram a jornada. Oravam a Deus, enquanto caminhavam, pedindo-lhe que cada vez mais os penetrasse com o seu santo amor, e para que aceitasse o sacrifício de suas vidas. Um dos tios das crianças encontrou-as fora dos limites da cidade e levou-as de volta para casa. Vendo que não lhes era possível chegar ao martírio, Teresa e seu irmão resolveram viver como eremitas, e improvisaram pequenos ermitérios no jardim. Teresa dava todas as esmolas que podia; mas seus recursos eram pequenos. Aos doze anos, por ocasião da morte de sua mãe, prosternou-se desfeita em lágrimas diante de uma imagem da Santa Virgem e suplicou-lhe que lhe servisse de mãe. O fervor de Teresa amorteceu com a leitura de romances e com as conversas mantidas com uma parenta de espírito mundano. Seu pai, que era um excelente cristão, percebeu o fato, e resolveu interná-la por algum tempo num convento de religiosas. O bom exemplo despertou no coração da menina os primeiros sentimentos de piedade. Certas leituras acresceram-lhe sensivelmente as boas disposições. Resolveu consagrar-se inteiramente a Deus e no ano de 1534 ingressou num mosteiro de Carmelitas. Foi provada por longas e pequenas moléstias, no meio das quais Deus a cumulou de inumeráveis graças. A Ordem do Carmo afastara-se da sua primitiva austeridade. Teresa recebeu a inspiração de levá-lo de volta à antiga regra. Por causa disso sofreu calúnias, perseguições e maus tratos. De tudo triunfou: sua reforma foi aplicada a um grande número de mosteiros, onde até os nossos dias produz incalculáveis frutos de santidade. “Ou morrer, Senhor, ou sofrer, é tudo que vos imploro!” Era essa a prece de Santa Teresa. “Ou morrer para ver-vos, ou sofrer pelo vosso serviço.” Compreendia que, depois da felicidade de ver Deus, não há outra maior do que sofrer por ele. Meu Deus, como ainda estou longe dessa perfeição do vosso amor! Santa Teresa, em obediência a uma ordem de seu pai espiritual, escreveu a sua própria vida. É uma leitura das mais úteis e mais agradáveis às almas piedosas. Conta-nos, não apenas o que lhe aconteceu, as graças a ela concedidas por Deus, mas também nos ensina como devemos comportar-nos nas diversas fases da vida espiritual. Deus deu-lhe a graça de ver a santa humanidade de Nosso Senhor e os anjos bons. Também viu mais de uma vez os demônios que a atacavam. Estando um dia no oratório, relata ela, apareceu-me o demônio sob uma forma horrível; e, como falou comigo, observei, sobretudo, como era pavorosa a sua boca. Dela saía uma grande chama sem mistura de sombra; e disse-me num tom que me fez tremer, que eu me escapara de suas mãos, mas que saberia reaver-me. Senti-me tremendamente amedrontada; fiz o sinal da cruz como pude, e ele desapareceu; mas tornou a voltar logo depois e eu não sabia como proceder; enfim, atirei água benta no lugar em que se encontrava e nunca mais ele retornou àquele mesmo lugar. Outra vez, atormentou-me durante cinco horas, com sofrimentos e dores tanto interiores como exteriores, tão terríveis que acreditei não resistir-lhes por muito tempo. As pessoas com quem me encontrava ficaram assustadas e, tal como eu, não sabiam onde estavam. Tenho o costume, nessas ocasiões, de pedir a Deus do fundo do meu coração que, se lhe aprouver prolongar a provação, então me dê forças para suportá-la; ou que, se for da sua vontade que eu permaneça no estado de provação, nele me deixe até o fim do mundo. Sei por várias experiências que nada afugenta mais depressa os demônios do que a água benta; ela impede que retornem. O sinal da cruz afasta-os momentaneamente, mas depois voltam. Essa água deve, pois, possuir uma grande virtude; e aliviava-me muito, proporcionando-me um sensível e profundo conforto, embora eu não saiba explicar bem de que espécie é o prazer que sinto e que se difunde na minha alma, fortalecendo-a. Não são coisas imaginárias, já experimentei esse prazer muitas vezes, e depois de ter feito muitas reflexões, parece-me que é como, se atormentada por um excessivo calor e extremamente sedenta, eu bebesse um grande copo de água fria que refrescasse o meu corpo inteiro. Reconheço, e com grande prazer, que nada há no que a Igreja ordena que não seja digno de admiração, pois bastam algumas palavras para imprimir tanta virtude à água, estabelecendo tão surpreendente diferença entre a que foi benta e a que não foi. Como o tormento que eu suportava na ocasião a que me refiro não cessasse, disse às minhas irmãs que, caso não lhes temesse a zombaria, pedir-lhes-ia que me trouxessem água benta. Imediatamente foram buscá-la, e jogaram-na sobre mim, sem que me sentisse aliviada; porém, tendo eu mesma jogado a água no lugar onde estava presente aquele espírito infernal, ele fugiu no mesmo momento e encontrei-me livre de dor, mas tão cansada e abatida como se me tivessem dado várias pauladas. Muito tempo depois, continua Santa Teresa, estando um dia em oração, pareceu-me durante um espaço de tempo que me encontrava no inferno, sem saber como fora levada para lá. Compreendi apenas que Deus desejava que eu visse o lugar preparado para mim pelos demônios e merecido pelos meus pecados. Durou muito pouco a experiência; porém, por mais anos que eu viva, não creio que me seja possível apagar essa lembrança. (…) Não aprouve a Nossa Senhor dar-me então um conhecimento mais amplo do inferno; porém depois,

São Fortunato, Bispo

São Fortunato foi bispo de Todi e grande expulsador do demônio. São Gregório, o Grande, consagrou-lhe longo capítulo nos seus diálogos famosos. Conta ele que uma nobre dama da Toscana fora, com a cunhada, convidada para a dedicação duma capela. À noite que precedia pra a cerimônia, a jovem não pode evitar de ter relações com o esposo. No dia seguinte, de manhã, assaltou-a certos escrúpulos. Procurando abafá-los, acabou, não sem um incômodo nervosismo, por ir à festa, sentindo-se culpada e impura. O santo padroeiro da capela era São Sebastião. Assim que as relíquias do mártir entraram no recinto sagrado, a cunhada da nobre dama toscana deu de ser torturada pelo espírito maligno, que se pôs a vexá-la, diante de todos os convidados. Inutilmente, o padre cobriu-a com a toalha do altar. Levaram-na então, para casa, e chamaram vários mágicos, para livrá-la, mas tudo inutilmente. Tomaram-na pois, e conduziram-na a Fortunato, que a curou em poucos dias. São Fortunato também curou um cego. A um cavalo furiosíssimo, tornou-o manso como o mais manso cordeiro. Marcelo era um homem de bem, respeitadíssimo em Todi. Falecido num sábado santo, o enterro estava marcado para o dia seguinte. As irmãs do defunto, chorosas, doridas, inconformadas, foram procurar o santo bispo Fortunato. Disseram-lhe: – Nós sabemos que és um novo apóstolo, Purificas os leprosos, dás vida aos olhos dos cegos. Vem, ressuscita nosso morto, por amor de Deus. Fortunato respondeu: – Ide, não digais tais coisas! Não vedes que o que se passou é um decreto de Deus Todo-poderoso? Ninguém pode ir contra ele! No dia seguinte, porém, o santo bispo apareceu na casa das duas irmãs que o haviam procurado e rogado pelo irmão. Pôs-se ao lado do cadáver e, baixinho, chamou-o pelo nome, brandamente: – Marcelo, irmão Marcelo! O morto mexeu-se. Vagarosamente abriu os olhos. E, dando com o bispo, exclamou, debilmente: – Oh, que fizeste? Que fizeste? Fortunato respondeu-lhe, perguntando: – O que eu fiz? E o ressuscitado: – Ontem dois personagens extraíram-me do corpo e me levaram para bom lugar. Hoje, alguém me apareceu e disse: “Volta, porque o bispo Fortunato está em tua casa.” Marcelo viveu ainda muitos anos, e foi mais piedoso, mais reto do que havia sido, antes da morte. Crê-se que São Fortunato faleceu em 542. Da tumba continuou a livrar os possessos e a curar enfermos, aos bandos. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 187-188)     The post São Fortunato, Bispo appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

São Geraldo, Conde De Aurillac

Geraldo nasceu em Aurillac, cidade da alta Auvergne, cerca do ano de 855. Geraldo, conde de Aurillac, seu pai, e a condessa Adaltrudes, sua mãe, eram ainda mais recomendáveis pela piedade do que pela nobreza. Havia na família dois ilustres santos, ou sejam: São Cesário de Arles, e Santo Irier ou Aredius, e era esse o título de nobreza de que mais se orgulhavam seus descendentes. Como o filho deveria suceder à dignidade do pai, mandaram ministrar-lhe a educação comum à nobreza: aprender a ler o bastante para recitar o saltério, conduzir matilhas de cães à caça, atirar ao arco e lançar o falcão. Aprouve a Deus, que durante muito tempo Geraldo fosse bastante doentio para não lhe ser possível dedicar-se aos exercícios da época, mas não tanto que o impedisse de estudar. Por isso seus pais resolveram que se consagrasse mais particularmente às letras para assim fazê-lo ingressar no clero. Aprendeu não apenas canto, mas também gramática, o que muito serviu para estimular seus pendores naturais. Ao atingir a adolescência, sua saúde consolidou-se; tornou-se tão ágil que saltava facilmente por cima de um cavalo. Destacava-se nos exercícios militares, mas continuava a amar o estudo; as Escrituras Sagradas tornaram-se-lhe tão familiares como a poucos clérigos. Tendo o pai falecido, foi obrigado, muito jovem ainda, a governar o domínio na qualidade de conde. Nem por isso se tornou mais orgulhoso, como frequentemente acontece. O dever levava-o a ocupar-se de negócios temporais, mas sentia-se cada vez mais atraído pela meditação das coisas divinas. Meigo e pacífico, a vingar-se preferia sofrer o mal que lhe faziam. Porém, demonstraram-lhe que tanta indulgência prejudicava o povo, exposto às incursões e à pilhagem. Então, pôs-se a imaginar um meio de proteger os órfãos, as viúvas, e os habitantes do campo. O amor aos pobres fez dele um militar. Sempre disposto a perdoar e a aceitar a paz, lutou por diversas vezes e sempre derrotou os inimigos renitentes. Tal era o jovem conde de Aurillac. Despeitado por tantas vezes virtudes reunidas num jovem e, sobretudo, com a sua grande pureza, o inimigo do bem armou-lhe uma cilada, onde quase caiu. Tendo um dia detido o olhar numa jovem escrava que lhe pertencia, Geraldo enamorou-se da sua rara beleza; num primeiro impulso de paixão, mandou dizer à mãe da rapariga que iria visitá-la à noite. Foi efetivamente; mas em caminho, rogava a Deus que não o deixasse sucumbir à tentação. A moça e seu pai permaneciam junto ao fogo, pois estava-se no rigor do inverno. O jovem conde achou-a tão disforme que julgou à principio que fosse outra pessoa. Ao ouvir o pai afirmar que era a mesma moça, Geraldo viu naquele fato uma advertência do céu, tornou a montar precipitadamente no cavalo, dando graças a deus, e permaneceu durante a noite inteira exposto ao frio intenso, a fim de punir-se, e extinguir os ardores da concupiscência. Mal retornou à casa, o jovem conde tomou precauções para fugir àquela situação delicada. Assim sendo, libertou a jovem escrava e ordenou a seus pais que a casassem imediatamente. Algum tempo depois, Geraldo perdeu o uso dos olhos e permaneceu cego durante mais de um ano. Aceitou a provação como um castigo como o qual Deus o punia pelos olhares criminosos que lançara à jovem escrava. Tendo recobrado a vista, Geraldo ainda se tornou mais fervoroso e só se preocupou com os exercícios de piedade compatíveis com seu estado. Na intenção de afastá-lo do rei da França, Guilherme, o Indulgente, duque da Aquitânia, ofereceu-lhe sua irmã em casamento. O conde de Aurillac permaneceu fiel ao rei da França, agradeceu a honrosa proposta ao duque, sem deixar por isso de continuar a ser um de seus amigos mais íntimos. Decidira conservar-se solteiro, a fim de mais livremente se entregar /à prática das boas obras. Quando lhe afirmavam que devia dar herdeiros à sua ilustre família, respondia que mais valia morrer sem filhos do que deixar mais filhos. Tornou-se particularmente estimado por cauda da sua caridade para com os pobres, do seu amor pela castidade, do seu zelo em relação à justiça que, às vezes, beirava o escrúpulo. Fez, no mínimo, sete peregrinações a Roma, desejoso de reverenciar o túmulo dos santos apóstolos; e nunca se apresentava de mãos vazias; pois pagava à Igreja de São Pedro um tributo anual dos seus bens. Dava um sem número de esmolas; não mandava embora um único pobre; às pobres ordenava que arrumassem mesas para os indígenas e assistia à distribuição do alimento, a fim de certificar-se da qualidade da comida fornecida, chegando ao ponto de experimentá-la. Seus oficiais conservavam pronto, sempre, um prato que ele mesmo servia aos pobres. Além dos que apareciam à última hora, costumava alimentar um determinado número de mendigos. Contudo, vivia muito frugalmente. Nunca ceava, contentando-se à noite, e em certos dias de estio, com uma ligeira colação. Ao jantar, sua mesa era bem servida, e convidava pessoas cultas e piedosas para participarem da refeição, e com as quais se entretinha à respeito da leitura feita em voz alta enquanto comiam. Era de estatura média, mas bem proporcionado, com uma fisionomia atraente, e uma palestra que não o era menos. Quando um dos convivas levava um gracejo um pouco longe, admoestava-o polidamente em tom de brincadeira. Ocupava-se durante o resto do dia com a administração de seus negócios, com resolver contendas, dar instrução aos seus subordinados, visitar hospitais, ler as Sagradas Escrituras. Jejuava três vezes por semana, e se acontecia haver uma festa no seu dia de jejum, transferia-o para outro e antecipava no sábado o do domingo. Não usava seda, nem tecidos preciosos, em qualquer ocasião que fosse; suas roupas eram simples e modestas. Certo dia, quando voltava de Roma, acampou perto de Pavia. Alguns mercadores de Veneza vieram oferecer-lhe tecidos preciosos. Respondeu-lhes que já fizera suas compras em Roma, mas que ficaria muito satisfeito caso se certificasse de que fizera um bom negócio. Entre os tecidos que mostrou aos mercadores, havia um que estes garantiram poderia ser vendido

Nossa Senhora Da Conceição Aparecida, Padroeira Do Brasil

Os primeiros habitantes do vasto vale do Paraíba, entre a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira, vale banhado pelo famoso rio Paraíba do Sul, era, sem dúvida, os Tamoios, pertencentes a grande família Tupi. Os nomes mesmos da cidade que pelo vale surgiram – Mogi ou Rio das Cobras, Jacareí, ou Rio dos Jacarés, Caçapava, ou Clareira na Mata, Taubaté, ou Aldeia Grande – os nomes mesmos bem estão a indicar que os primeiros povoadores do vale foram os índios. Mais de duzentos anos depois da descoberta do Brasil, as viagens entre São Paulo de Piratininga e São Sebastião do Rio de Janeiro, bem como as idas e vindas que viajantes, mascates e mercadores empreendiam daquelas cidades a Minas, eram viagens que se faziam de modo irregularíssimo, penosas e grandemente demoradas. Em Outubro de 1717, foi encontrada a prodigiosa Imagem de Maria nas águas do rio Paraíba. O achado, é fato histórico, prendeu-se a uma viagem, a viagem que fazia Dom Pedro de Almeida, Conde de Assumar, Governador e Capitão-General de São Paulo e Minas Gerais, a Minas. Narra desta maneira o Guia dos Romeiros o sucesso: O sítio, onde hoje se ergue a Basílica de Nossa Senhora, distante de Guaratinguetá (ou Garças) alguns quilômetros, chamava-se simplesmente Morro dos Coqueiros. Havia por ali pouquíssimos moradores, dentre os quais podemos nomear Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, os afortunados pescadores que encontraram a prodigiosa imagem. O fato deu-se do modo seguinte: Em outubro de 1717, por ali tinha de passar, de São Paulo para Minas Gerais, Dom Pedro de Almeida, conde de Assumar, nomeado pela Corte Governador dessas Províncias. Sabendo que o ilustre hóspede e sua comitiva se deliciariam com uma mesa bem servida de saborosos peixes, a Câmara de Guaratinguetá ordenou aos pescadores da redondeza que saíssem a pescar e trouxessem todo o peixe que conseguissem apanhar. Os três pescadores principiaram a lançar suas redes no porto de José Correia Leite, continuando até o porto de Itaguaçu, bem distante, sem tirar peixe algum. Foi quando João Alves aí lançou sua rede e “tirou o corpo da Senhora, sem a cabeça; lançando mais abaixo outra vez a rede, tirou a cabeça da mesma Senhora.” João Alves, homem, sem dúvida, religioso, envolveu-a respeitosamente num pano, depositou-a na sua canoa e continuou a lançar a rede. Daquele momento em diante, a pesca foi de tal modo abundante, que ele e os companheiros receosos de naufragar, devido à enorme quantidade de peixes, retiraram-se para suas casas, narrando a todos, cheios de espanto, o que lhes acontecera. Filipe Pedroso, ao que parece, o mais afeiçoado à pequena Imagem, conservou-a em sua casa durante uns quinze anos. Indo, mais tarde, morar no Itaguaçu, deu a Imagem a seu filho Atanásio Pedroso, o qual lhe fez um altarzinho ou oratório de madeira, onde a colocou. Era ali, todos os sábados, reuniam-se os vizinhos “para cantar o terço e mais devoções”. Foi também ali que se deu o prodígio, várias vezes repetido, das velas que se apagavam e, sem intervenção de ninguém, de novo se acendiam. No lugar histórico, onde apareceu milagrosamente a Imagem de Nossa Senhora Aparecida, foi, mais tarde, erigida uma Cruz comemorativa e, num ponto pouco mais elevado, uma Capela, em cujas paredes externas se liam os nomes dos três felizes pescadores que encontraram a Imagem da Imaculada, hoje venerada como Padroeira do Brasil. Passados alguns anos, como era grande o concurso das gentes, tornou-se imperiosa a construção duma igreja. A capela, visitadíssima, não mais comportava as multidões que vinham visitar a Virgem. Era então vigário de Guaratinguetá o Padre José Alves de Vilela, que dirigiu um requerimento ao bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei João da Cruz, no qual solicitava licença para erguer uma igreja sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Era em 1743, e aos 5 de maio daquele mesmo ano, a licença era concedida. O local escolhido, diz o Guia já citado, para a construção da igreja dói o Morro dos Coqueiros. Com prazer os proprietários fizeram a doação do terreno necessário para o patrimônio e, em 1744, foram iniciadas as obras com tão grande animação que, aos 26 de Julho de 1745, festa de Sant’ Ana, o vigário Padre José Alves de Vilela pode benzer a igreja, e inaugurá-la, celebrada a Santa Missa. Conforme o costume daquele tempo, apenas construída a igreja, constituiu-se uma irmandade leiga para zelar por ela. O bispo de São Paulo, Dom Frei Antônio da Madre de Deus, aprovou o compromisso dessa Irmandade aos 25 de Maio de 1756. Durante quase cem anos, não se fizeram na igreja melhoramentos de vulto. Em Março do ano de 1842, foi Aparecida elevada à freguesia, pela Assembléia Legislativa de São Paulo, mas, como não se encontraram no lugar pessoas competentes para os cargos de juiz de paz, escrivão, etc, e em Março de 1844, a mesma Assembléia, por nova lei, suprimiu a freguesia. Durante cem anos, serviu de cemitério o pátio da igreja; em 1843, porém, resolveu-se localizar o cemitério atrás da igreja, no terreno onde hoje se acha a Casa de Noviciado São Carlos. Naquele tempo, não havia por ali habitações, a não ser o casarão para romeiros, e a menos de cinqüenta metros começava a capoeira. Ruas, não as havia, mas somente alguns caminhos mal conservados em direção à capela de Santa Rita. A igreja, todavia, não era de construção sólida, não fora levantada, como muitas, para desafiar os tempos, de modo que, em menos dum século, as torres e o frontispício ameaçavam ruir. Ficou assim resolvido que haviam de construir de novo as torres e o frontispício. Iniciados os trabalhos em Julho de 1843, por morosidade, em virtude de falta de recursos e materiais, as duas torres foram concluídas, uma no ano de 1846 e a outra em 1848. No ano de 1877, chegava a Aparecida Frei Joaquim do Monte Carmelo, nascido na Bahia. Em Janeiro do ano seguinte, apresentou Frei Joaquim à Mesa Administrativa uma proposta de

São Gomário, Confessor

São Gomário nasceu numa nobre família de Emblehem. Jovem ainda, foi enviado à corte do rei Pepino, o Breve, que lhe confiou um posto de grande responsabilidade. Alguns anos depois, desejoso de empreender duma peregrinação a Roma, partiu com alguns amigos, Na tarde do primeiro dia de jornada, acamparam no prado dum rico homem, Tendo os servidores que o acompanhavam, e aos amigos, cortado uma bela arvora para construir-lhes uma grande tenda, tal ato suscitou séria discussão entre os servidores e o proprietário das terras, que apareceu de repente. Gomário, doce e gentil, depois de grandes esforços, tendo apaziguado a cólera do homem em cujos campos pararam, conseguiu autorização para ali permanecerem até a manhã seguinte. E o Santo, tomando dois pedaços da árvore, porque os servidores dela tinham feito dois postes, uniu-os apertadamente com o seu cinto, e todo sinal de que havia sido cortada desapareceu. Abismado, o dono daquelas paragens tudo fez para que Gomário aceitasse aquele terreno. Recusando, o Santo acabou por aceitar a doação – uma vez que, à noite, um anjo, aparecendo-lhe na forma duma branca pomba, ordenou-lhe que não continuasse a peregrinação, aceitasse as terras e nelas construísse um oratório. Foi o oratório que mais tarde recebeu o nome de Ledon ou Lierre. Logo, surgiu uma capela que Gomário dedicou a São Pedro. Ali, na fundação, São Gomário levou vida de contemplativo, enquanto que, em Emblehem, onde às vezes ia, fazia vida ativa, dedicando-se febrilmente às obras de misericórdia. São Gomário adoeceu, e morreu no mesmo dia – 11 de Outubro de 775. Estava, então, em Emblehem, mas foi levado para Lierre e ali enterrado. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 106-107) The post São Gomário, Confessor appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

São Paulino, Arcebispo De York

São Paulino foi o primeiro missionário cristão de Nortúmbria, o mais importante dos reinos da Inglaterra, no século VII. Monge de Santo André do Célio, São Gregório, o Grande, enviou-o com Santo Agostinho, mais a Melito, Justos e outros, à Inglaterra. São Paulino foi quem acompanhou Etelburga, irmã do rei Eadbaldo de Kent, quando aquela princesa se dirigiu à corte de Nortúmbria para desposar a rei Eduíno, que ainda era pagão. Convertido o rei, Paulino batizou-o pela Páscoa de 627, quando, então, grande número de súditos o imitou, convertendo-se e recebendo as águas salvadoras. Com o apoio de Eduíno, São Paulino estabeleceu a sede episcopal em York. Falecido em outubro de 644, onze anos depois da morte do rei, assassinado por Penda de Mércia, foi enterrado na catedral. (Vida dos Santos, Padre Rohbacher, Volume XVIII, p. 86-87) The post São Paulino, Arcebispo de York appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Santa Públia, Abadessa – Século IV

Públia era uma piedosa viúva da Antioquia, mãe de João. O qual teve importante papel na Igreja da cidade. Depois que o marido faleceu, buscou um convento, e logo foi escolhida para abadessa. Juliano, o Apóstata, constantemente passava por perto do convento, e Públia, aproveitando a ocasião, cantava alto, com as companheiras. “Os ídolos das nações nada mais são do que ouro e prata, obra das mãos dos homens. Os que os fazem e os que neles confiam, a eles mesmos são semelhantes.” Um dia, Juliano, furioso, ordenou às religiosas que se calassem, mas Públia, desprezando a ordem, encorajou as filhas para que continuassem a entoar o salmo, e depois, o Exurgat Deus. E cantaram: “Que Deus se alevante e seus inimigos sejam dispersos!. Juliano pediu a um dos comandados que lhe trouxessem a abadessa impertinente, e, quando a teve ao alcance, esbofeteou-a duramente. Públia, que considerou aquele ignominioso tratamento como uma grande glória, não cessou de cantar. Juliano, então, confundido, deixou-a e se retirou. Santa Públia faleceu em grande paz. Ignora-se o ano em que foi para Deus. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 69-70)     The post Santa Públia, Abadessa – Século IV appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Santa Pelágia, Virgem E Mártir

O martirológio romano apresenta-nos quatro santas com este nome de Pelágia. Esta, de hoje, era uma jovem de quinze anos, que, no princípio da perseguição do imperador Diocleciano, em 302, acusada de cristã, viu, um dia, os soldados do perseguidor varejarem-lhe a casa, dando-lhe voz de prisão. Pelágia recebeu-os bem e, quando se propuseram levá-la, pediu-lhes permissão para que fosse trocar de roupa, Dado o consentimento, pelo chefe da escolta, Pelágia dirigiu-se ao quarto: desejosa de escapar dos ultrajes que a esperavam, infalíveis, e a temer pela virgindade, que votara a Deus, não titubeou – ganhou o mais alto da casa em que vivia, em Antioquia e de lá se atirou ao chão, falecendo quase que instantaneamente. Santo Ambrósio de Milão, no seu tratado Das virgens, apresenta-nos esta Santa Pelágia como irmã dos mártires Bernicéia e Prosdocéia. Santa Pelágia se ligou àquelas santas porque Bernicéia e Prosdocéia também se tiraram a vida para escapar do horror, Presas, iam sendo levadas ao cárcere. Em dado momento, a meio caminho, quando chegaram perto dum rio, solicitaram licença aos soldados para afastar-se um pouco, o que lhes foi concedido. Destarte, sem que pudesse ser impedidas, atiraram-se, de comum acordo, à correnteza. Pergunta-se: cometeram o suicídio? Sem sombra de dúvida. Todavia, foram honradas com um culto público, porque aquele tirar-se a vida foi considerado como um ato de obediência a Deus. Muitas santas virgens assim agiram, como vimos e veremos no transcorrer dos dias e dos meses. Digna de Aquiléia, depois de Átila sujeitara a cidade, coubera a um capitão, como despojo, e ficaram alojados numa torre, altíssima torre, que se erguia à beira do rio Batizon. Disse a jovem ao capitão: – Se me queres lograr, segue-me. E, assim dizendo, do mais alto da torre, atirou-se ao rio, onde se afogou. “Salvou com a morte a sua castidade”. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVII, p. 421 à 423 The post Santa Pelágia, Virgem e Mártir appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Nossa Senhora Do Rosário

Por especial desígnio da infinita misericórdia de Deus, Maria Santíssima revelou ao grande São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Dominicanos, um meio fácil e seguro de salvação: o santo Rosário. Sempre que os homens o utilizam, tudo floresce na Igreja, na terra passa a reinar a paz, as famílias vivem em concórdia e os corações são abrasados de amor a Deus e ao próximo. Quando dele se esquecem, as desgraças se multiplicam, implanta-se a discórdia nos lares, o caos se estabelece no mundo… A Ave-Maria, base do Novo Testamento São Domingos viveu numa época de grandes tribulações para a Igreja. A terrível heresia dos albigenses se espalhara no sul da França e ameaçava toda a Europa. A profunda corrupção moral dela decorrente abalava os fundamentos da própria sociedade temporal. Por meio de ardorosas pregações, durante anos tentou ele reconduzir ao seio da Igreja aqueles infelizes que se tinham desviado da verdade. Mas suas eloqüentes e inflamadas palavras não conseguiam penetrar aqueles corações empedernidos e entregues aos vícios. O Santo intensificou suas orações… Aumentou suas penitências… Fundou um instituto religioso para acolher os convertidos… De pouco ou nada adiantaram seus esforços. As conversões eram poucas e de efêmera duração. O que fazer? Certo dia, decidido a arrancar de Deus graças superabundantes para mover à conversão aquelas almas, Frei Domingos entrou numa floresta perto de Toulouse e entregou-se à oração e à penitência, disposto a não sair dali sem obter do Céu uma resposta favorável. Após três dias e três noites de incessantes súplicas, quando as forças físicas já quase o abandonavam, apareceu- lhe a Virgem Maria, dizendo com inefável suavidade: – Meu querido Domingos, sabes de que meio se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo? – Senhora, sabeis melhor do – Eu te digo, então, que o instrumento mais importante foi a Saudação Angélica, a Ave-Maria, que é o fundamento do Novo Testamento. E, portanto, se queres ganhar para Deus esses corações endurecidos, reza meu Rosário. Raios e trovões para reforçar a pregação Com novo ânimo, o zeloso Dominicano dirigiu-se imediatamente à Catedral de Toulouse, para fazer uma pregação. Mal ele transpôs a porta do templo, os sinos começaram a repicar, por obra dos anjos, para reunir os habitantes da cidade. Assim que ele começou a falar, nuvens espessas cobriram o céu e desabou uma terrível tempestade, com raios e trovões, agravada por um apavorante tremor de terra. O pavor dos assistentes aumentou quando uma imagem de Nossa Senhora, situada em local bem visível, levantou os braços três vezes para pedir a Deus vingança contra eles, se não se convertessem e pedissem a proteção de sua Santíssima Mãe. O santo Pregador implorou a misericórdia de Deus, e a tempestade cessou, permitindo-lhe falar com toda calma sobre as maravilhas do Rosário. Os habitantes de Toulouse arrependeram- se de seus pecados, abandonaram o erro, e começaram a rezar o Rosário. Em conseqüência, grande foi a mudança dos costumes nessa cidade. A partir de então, São Domingos, em seus sermões, passou a pregar a devoção ao Rosário, convidando seus ouvintes a rezá-lo com fervor todos os dias. Assim, obteve que a misericórdia de Nossa Senhora envolvesse as almas e as transformasse profundamente. Maria foi a verdadeira vencedora dos erros dos albigenses. Um sermão escrito pela Santíssima Virgem Relata o Beato Alano uma aparição de São Domingos, na qual este lhe narrou o seguinte episódio: Rezando o Rosário, estava ele preparandose para fazer na Catedral de Notre Dame de Paris um sermão sobre São João Evangelista. Apareceu-lhe então Nossa Senhora e lhe entregou um pergaminho, dizendo: “Domingos, por melhor que seja o sermão que decidiste pregar, trago aqui outro melhor”. Muito contente, leu o pergaminho, agradeceu de todo coração a Maria e se dirigiu ao púlpito para começar a pregação.Diante dele estavam os professores e alunos da Universidade de Paris, além de grande número de pessoas de importância. Sobre o Apóstolo São João, apenas afirmou o quanto este merecera ter sido escolhido para guardião da Rainha do Céu. Em seguida, acrescentou: “Senhores e mestres ilustres, estais acostumados a ouvir sermões elegantes e sábios, porém, eu não quero dirigir-vos as doutas palavras da sabedoria humana, mas mostrar-vos o Espírito de Deus e sua virtude”. E então São Domingos passou a explicar a Ave-Maria, como lhe tinha ensinado Nossa Senhora, comovendo assim, profundamente, aquele auditório de homens cultos. O Beato Alano de la Roche As próprias graças e milagres concedidos por Deus através da recitação do Rosário encarregaram-se de propagá- lo por toda parte, tornando-se esta a devoção mais querida dos fiéis cristãos. Enquanto ela foi praticada, a piedade florescia nas Ordens religiosas e no mundo católico. Mas, cem anos depois de ter sido divulgada por São Domingos, já ela havia caído quase no esquecimento. Como conseqüência, multiplicaram-se os males sobre a Cristandade: a peste negra devastou a Europa, dizimando um terço da população, surgiram novas heresias, a Guerra dos Cem Anos espalhou desordens por toda parte, e o Grande Cisma do Ocidente dividiu a Igreja durante longo período. Para atalhar o mal e, sobretudo, preparar a Igreja para enfrentar os embates futuros, suscitou Deus o Beato Alano de la Roche, da Ordem Dominicana, com a missão de restaurar o antigo fervor pelo Rosário. Um dia em que ele celebrava Missa, em 1460, perguntou-lhe Nosso Senhor: “Por que me crucificas tu de novo? E me crucificas, não só por teus pecados, mas ainda porque sabes quanto é necessário pregar o Rosário e assim desviar muitas almas do pecado. Se não o fazes, és culpado dos pecados que elas cometem”. A partir de então, o Beato Alano tornou-se um incansável divulgador desta devoção, e assim converteu grande número de almas. Fator decisivo de grandes vitórias Foi, sobretudo, nos momentos de grandes perigos e provações para a Igreja, que o Rosário teve um papel decisivo, propiciou a perseverança dos católicos na Fé e levantou uma barreira contra o mal. Ao ver a Europa ameaçada pelos exércitos do império otomano, que avançavam por mar e