São Narciso, Bispo

Bispo de Jerusalém, São Narciso ocupou a sede por volta de 195, quando devia estar perto dos cem anos. Era costume de Jerusalém escolher candidatos bastante idosos, daí a brevidade dos episcopados. Conta-se dele que, duma feita, tendo faltado óleo para as lâmpadas da igreja, justamente na Páscoa, quando os fiéis tomavam literalmente o templo, ordenou aos diáconos que lhe trouxessem água. Tendo-a benzido, mandou que a utilizassem nas lâmpadas. Quando a verteram, transformara-se em óleo. Homem de grande santidade, refere-se ainda que, certa vez, três devassos da cidade, porque o santo bispo os repreendia severamente, lançaram-lhe terrível calúnia. E fizeram mais, temerariamente: confirmaram por falsos juramentos o que afiançavam. Assim, um declarou que desejava morrer queimado, caso fosse mentira o que asseverava; outro, que a lepra o cobrisse; quanto ao terceiro, atraía para si a cegueira, se dizia alguma inverdade. O povo que, por um instante sequer, acreditara na afirmação, porque conhecia donde vinha a acusação, ficou totalmente do lado de São Narciso, mas o santo bispo, que de longa data vinha desejando levar vida de solitário, aproveitou-se daquela oportunidade, deixou a cidade, indo-se para lugar ignorado. E eis que os caluniadores, pouco depois, eram castigados com as próprias temeridades: o primeiro morreu queimado, quando do incêndio da casa em que vivia; o segundo, duma hora para outra, viu-se coberto duma só chaga, feiíssima, da cabeça aos pés; e o último, diante daqueles sucessos, tanto chorou, de terror, que acabou ficando cego para todo o sempre. Tempos mais tarde, São Narciso apareceu por Jerusalém, sendo recebido triunfalmente. E retomou o cargo. Idoso, incapaz já de continuar as atividades que encetara, pouco depois deixava as funções episcopais. Desconhecemos o ano em que faleceu o santo bispo de Jerusalém. Morreu em idade muito avançada. Santo Epifânio quer que tenha sido em 222, ou um pouco antes. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 72-73) The post São Narciso, Bispo appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Faro, Bispo

São Faro, bispo de Meaux, era filho de Agnérico e irmão de Walberto, que foi bispo daquela cidade antes dele, de Burgondofara, ou Fara, e de Chagnoaldo, bispo de Laon. Muito querido na corte do rei Teodeberto, foi escolhido para padrinho do futuro Clotário II, o qual, feito rei seguiu à risca os conselhos do Santo. Com a esposa, São Faro levou vida edificantíssima. Resolvendo dedicar-se inteiramente a Deus, de acordo com a mulher, separaram-se. Ela foi para um mosteiro e ele recebeu a tonsura. Morto o irmão Walberto, sucedeu-o no episcopado, surpreendendo o povo com a atitude e os milagres que operou. Tendo fundado em Meaux um mosteiro em honra da Santa Cruz, nele, quando faleceu, foi enterrado. A casa, então, passou a chamar-se de São Faro. Foi durante o longo episcopado deste santo bispo que prosperaram as fundações da sua diocese. Erigidas por São Colombano, que fora grande amigo de seu pai, e pelos discípulos daquele decantado Santo, alçaram-se grandemente, tanto espiritual como materialmente. São Faro faleceu por volta do ano de 670 e a sua vida foi escrita por Hildegário, também bispo de Meaux, mais ou menos em 870, mas nunca a editaram no todo. Conta-se que, quando os saxões se revoltaram contra Clotário II, o rei Bertoaldo enviou àquele soberano uma embaixada, com a seguinte mensagem, que foi transmitida ironicamente: – Vejo que tu não tens nem a força, nem a esperança de te sublevares contra o meu poder. Assim, quero usar de doçura, e te peço que venhas servir-me de guia nesta terra que não conheço! Clotário, rubro de cólera, no mais terrível furor, quis, na hora, massacrar os que lhe falavam tão despudoradamente, mas Faro soube contê-lo, e os embaixadores foram poupados. Todavia, viram-se metidos na prisão. À noite, o santo bispo foi procurá-los, exortando-os a abraçar o cristianismo, para que, batizados, pudessem salvar a vida e, ao mesmo tempo, escapar à morte eterna, Ouviram-lhe os conselhos. No dia seguinte, quando Clotário, decidia da sorte daqueles enviados de Bertoaldo, São Faro apareceu-lhe, dizendo-lhe que os prisioneiros não eram mais dos saxões e, tendo sido batizados por um fiel, vestiam agora os brancos trajos dos neófitos. Clotário e os conselheiros ficaram admirados do acontecido, e os presos, cumulados de presentes, ganharam a liberdade. O grande gesto de São Faro foi cantado pelas mulheres da cidade, numa canção que falava da sua clemência e na qual o honravam por ler, debaixo do incógnito, salvo os embaixadores de Bertoaldo. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 65-66) The post São Faro, Bispo appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santo Evaristo, Papa E Mártir

É o quinto Papa da Igreja Católica a receber, como seus predecessores, a coroa do Martírio. Foi em Roma, numa época em que as perseguições contra a Santa Igreja de Deus eram implacáveis. Tempos muito aflitivos para os cristãos que pagavam com a própria vida sua recusa em abjurar a fé. Santo Evaristo era judeu-grego de nascimento. Seu pai chamava-se Judas, originário de Belém, mas acabou fixando residência na Grécia. Educou seu filho na doutrina e princípios judaicos. Evaristo manifestou, desde a mais tenra infância, boas disposições pela virtude e pelas letras, fato que seu pai observou e cuidou de cultivar com dedicação. Assim foi progredindo Evaristo nas ciências, de forma que tornou-se pessoa de excelentes talentos, dentro dos seus puros e inocentes costumes. Não se sabe as circunstâncias e a época em que se converteu ao cristianismo e nem a época precisa em que foi para Roma, mas passou a ser conhecido como um membro do clero que destacou-se rapidamente em santidade, reconhecida por toda a Roma. Era um presbítero conhecido por acender o fervor e devoção no coração dos seus fiéis, pelos seus exemplos de virtude e caridade cristã. Sucedeu a São Clemente no trono pontifício. Apesar de resistir em assumir o cargo, após declarar publicamente sua indignidade, acabou sendo aclamado pelo clero e pelo povo como merecedor de tão nobre missão. A unanimidade de opiniões, portanto, fez com que fosse consagrado Papa no ano de 101. Logo que assumiu a cadeira de São Pedro, aplicou todo o seu desvelo para remediar as necessidades da Santa Igreja, perseguida por toda a parte, num calamitoso tempo em que a chama da heresia tentava debelar-se em território sagrado. O espírito das trevas valia-se de todos os artifícios para derramar o veneno de seus erros, particularmente, entre os fiéis de Roma. Porém, como o Divino Mestre tinha empenhado sua palavra, de que as portas do inferno jamais prevaleceriam contra Sua Igreja, dispôs, em sua amorosa providência, que ocupasse Santo Evaristo a cátedra da verdade, a fim de deter a inundação de iniqüidade e para dissipar esta multidão de inimigos. Com efeito, tão bem cuidou do aprisco que o Senhor lhe havia confiado, que todos os fiéis de Roma, conservaram sempre a pureza da fé. Ainda que a maior parte dos heresiarcas tenham concorrido para perverter a capital, o zelo, as instruções e a solicitude pastoral do Santo Padre foram preservativos tão eficazes, que o veneno do erro jamais pôde seduzir o coração de um só fiel sequer. Além da luta contra a heresia, empenhou-se também no aperfeiçoamento da disciplina eclesiástica, por meio de prudentíssimas regras e decretos. Foi por sua determinação que Roma foi dividida em paróquias. Essas paróquias, confiadas a diversos presbíteros, não eram na época igrejas públicas, mas oratórios de casas particulares, onde se congregavam os cristãos para ouvir a Palavra de Deus e para assistir à celebração dos divinos mistérios. Nas portas destes oratórios, eram afixadas cruzes para que fossem diferenciados dos locais profanos públicos, que eram distinguidos por estátuas de imperadores. Também, por decreto, definiu que o matrimônio fosse celebrado publicamente pelo sacerdote. Seu infatigável zêlo, fazia com que visitasse as paróquias pessoalmente, sempre preocupado com a conservação de seu rebanho na pureza da fé. Laboriosamente cuidava da causa das crianças e dos escravos, com solicitude e empenho. Ainda que o imperador Trajano fosse um dos melhores príncipes dos gentios, quer por sua paciência como por sua moderação, nem por isto receberam os cristãos melhor tratamento. Apesar de não ter firmado novo edito contra a Santa Religião, nutria mortal aversão aos cristãos, não porque os conhecesse, senão pelos horrorosos retratos que cortesãos idólatras e sacerdotes de ídolos, pintavam na mente do imperador. E bastava esta aversão para excitar contra os cristãos, o povo e os magistrados. O trabalho apostólico de Santo Evaristo continuava com vigor, de forma que o número de fiéis crescia palpavelmente, para insatisfação dos inimigos de Cristo. A vinha do Senhor era regada com o sangue dos Mártires, ostentando-se cada vez mais florida e fecunda. Os pagãos concluíram que essa fecundidade era efeito do zelo ardentíssimo do Santo Pontífice. Após arquitetarem diversas artimanhas, para pôr têrmo ao crescimento da religião de Cristo, decidiram que o meio mais eficaz para dispersar o rebanho, seria ferir o pastor. E assim foi feito! Fecharam-no com cadeias e conduziram-no ao cárcere para ser julgado. Conduzido ao tribunal, demonstrou tanta alegria ao receber sentença de morte por amor a Jesus Cristo, que os magistrados quedaram atônitos, não conseguindo compreender como cabia tanto valor e tanta constância em um pobre velho, acabrunhado pelo peso dos anos. Enfim, foi condenado à morte como o cabeça dos cristãos, no dia 26 de outubro do ano 107, recebendo a honra de ser mais um mártir da Igreja Universal. Fonte: http://www.paginaoriente.com/santos/evaristo1410papa.htm The post Santo Evaristo, Papa e Mártir appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Leonardo De Porto Maurício

São Leonardo de Porto Maurício nasceu na Itália em 1976 e durante 44 anos pregou 326 missões em 84 dioceses, apresentando-se assim como instrumento escolhido da Providência Divina, para a salvação de muitas almas. Sua história é extraordinária acumulando “títulos” como: “o santo da via-sacra”, “o frade que salvou o Coliseu de ruína total”, “o pregador inflamado da Paixão de Cristo”, “patrono dos sacerdotes que se consagram às missões populares Católicas” (constituído patrono pelo Papa Pio XI). Filho de capitão da marinha, Domingos Casanova, foi deixado órfão ainda muito novo. Levado a Roma, fez os seus estudos no Colégio Romano e depois entrou no retiro de São Boaventura. Aos 26 anos já era padre, participando da ordem Franciscana. Possuidor do espírito de São Francisco, andava sempre descalço, não usava hábito que não tivesse já servido a outros Irmãos da Ordem e bastante gasto. Presentes, que em quantidade lhe eram oferecidos, por ocasião das missões, Leonardo os rejeitava, preferindo manter o voto de pobreza. É considerado um grande orador, tanto que sacro Barberini, homem de muita experiência e virtude, disse no relatório ao Papa Clemente XII, em referência à pregação de Leonardo, que nunca ouvira um pregador mais eloqüente e zeloso. Bento XIV assistiu a diversas missões dirigidas por Leonardo, para ouvir-lhe as práticas. A eficácia de sua oratória pode ser constatada pelo evento em que pregando sobre a Paixão, na Córsega, os homens, endurecidos pelo ódio secular, descarregaram seus fuzis para cima e se abraçaram em sinal de paz. Trabalhador dedicado pelos interesses de Jesus, se destacava na prática da caridade principalmente no confessionário. Admirável era a sua dedicação no confessionário, durante as missões, que foi observado que permanecia no tribunal da penitência durante 30 horas, sem tomar alimento e sem se permitir um descanso. Admirável expressão de São Lourenço é a seguinte: “De boa vontade ficaria na entrada do inferno, suportando os maiores tormentos, se com meu corpo pudesse obstruir a passagem e impossibilitar que lá alguém entrasse”. Em 1751, morreu em Roma, no retiro de São Boaventura e o próprio Papa foi ajoelhar-se ao lado de seu corpo. Fonte: http://www.ecclesiae.com.br The post São Leonardo de Porto Maurício appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Gaudêncio, Bispo De Bréscia, Itália

São Gaudêncio, bispo de Bréscia e sucessor de São Filastro, era contemporâneo de Santo Ambrósio, de São Jerônimo, de Santo Agostinho e de São Crisóstomo. Contudo, não se conhece ao certo a data do seu nascimento, nem o ano em que morreu. Só em seus discursos e sermões, em número de vinte e um, é que são encontradas algumas informações sobre a sua vida. No elogio que teceu sobre São Filastro, chama-o de pai, o que nos leva acreditar que também nascera em Bréscia, ou pelo menos, fora nessa cidade elevado ao clericato. Era sacerdote, mas ainda muito jovem, quando empreendeu a peregrinação a Jerusalém. Percorrendo as cidades da Capadócia, chegou a Cesaréia, metrópole de que São Basílio fora arcebispo. Lá encontrou um grande mosteiro de virgens, cujas superioras eram as sobrinhas de São Basílio, irmãs pela natureza, pela fé, pela pureza e pelo fervor. Tinham recebido de seu tio as relíquias dos quarenta mártires de Sebaste, cuja memória a Igreja cultua nos dias 9 e 10 de março. Havia muito tempo que pediam a Deus que lhes permitisse entregar aquele precioso tesouro a uma pessoa de confiança, que soubesse dar-lhes o devido valor, pois eram muito idosas, e esperavam morrer de um dia para outro. Tendo entrado em contato com São Gaudêncio e, informadas de que viera da província de Santo Ambrósio, de boa vontade lhe cederam as santas relíquias, convencidas de que seriam veneradas na Itália com a mesma piedade, ou ainda maior, do que o eram no Oriente. São Gaudêncio teve, pois, quarenta mártires como companheiros de peregrinação; de regresso, depositou-os numa nova igreja de Bréscia. Ainda não retornara de Jerusalém, quando faleceu São Filastro, bispo de Bréscia. Imediatamente o clero e o povo da cidade elegeram para substituí-lo o padre Gaudêncio, embora ausente. Protestaram, mesmo, sob juramente, que não aceitariam outro. Os bispos da província, encabeçados por Santo Ambrósio, escreveram a Gaudêncio, por emissários enviados pelo povo, pedindo-lhe que voltasse para a sua pátria. Ele regressou a Bréscia e malgrado todas as suas tentativas para subtrair-se à escolha, recebeu a consagração episcopal das mãos de Santo Ambrósio. Isso se deu no ano de 287. Chegou até nós o discurso que pronunciou na ocasião, e no qual fala de si mesmo com muita humildade: “Convencido da minha incapacidade, e esquivando-se por causa da minha idade, imatura para a dignidade do sacerdócio, supliquei aos soberanos sacerdotes que me permitissem permanecer em silêncio; pois temo em primeiro lugar que a virtude das palavras celestes perca a força através da linguagem da minha insuficiência. Em seguida, envergonho-me por não poder oferecer a tão grande espera o desejado fruto da doutrina. Assim, sentindo-me completamente incapaz de corresponder à vossa expectativa, esforcei-me para declinar este fardo. Mas o bem-aventurado padre Ambrósio e outros veneráveis pontífices, sujeitos ao juramento ao qual também vós temerariamente vos ligastes, escreveram-me, por intermédio de vossos emissários, cartas tais, que não me permitiram mais resistir. Sem perigo para a minha alma. Além disso, os bispos orientais recusar-me-iam a santa comunhão, se eu não prometesse voltar para vós. Cercado de todas as partes e subjugado pela autoridade dos santos aqui presentes, recebi o encargo do soberano sacerdócio, sem dele me julgar digno, nem pelos méritos, nem pela idade, nem pela doutrina. Considerai, pois, quanto sofro, eu que não sei falar, por não poder calar-me. Pela imposição dos mais antigos, sou obrigado a obedecer além de minhas forças, pois impossibilitado de guardar silêncio, e incapaz de proferir o que devo dizer. Porém ciente pela autoridade da lei divina de que as ordens de nossos pais espirituais são salutares, atrevo-me a falar, e a levar até os vossos ouvidos um insignificante sermão; talvez o acolhereis pacientemente, pela razão de que é útil ao povo de Cristo aprender, através do exemplo daquele que vos prega, a obediência, que é preferida ao sacrifício divino, e anteposta a todos os mandamentos de Deus”. São Gaudêncio assim termina a sua alocução: “Rogo a Ambrósio, nosso pai comum, que, após o insignificante orvalho do meu discurso, se digne regar vossos corações com os mistérios das Sagradas Escrituras; pois ele vos falará pelo Espírito Santo, que nele habita; rios de águas vivas irromperão de suas entranhas, e tal como um sucessor do apóstolo Pedro, ele será a boca de todos os pontífices aqui presentes; pois tendo o Senhor Jesus interpelado os apóstolos: “E vós, quem dizeis que eu seja? Unicamente Pedro respondeu, como órgão de todos: “Sois Cristo, Filho do Deus vivo”. Temos outro pequeno sermão que São Gaudêncio pronunciou mais tarde diante de Santo Ambrósio, em Milão, sobre a natividade ou nascimento de São Pedro e São Paulo, festejados àquele dia, isto é a natividade ou o nascimento para o céu pelo martírio. São Gaudêncio fazia todos os anos o panegírico de seu predecessor São Filastro que, como Abraão, deixara a pátria e a família para obedecer à vocação de Deus, percorrendo como apóstolo grande parte do universo, conquistando com seus ensinamentos os pagãos, os judeus, os heréticos, em particular os arianos de Milão. Tendo chegado a Bréscia, e eleito bispo, arroteou aquela terra, até então inculta, e transformou-a num campo abençoado. De todos os panegíricos que São Gaudêncio pronunciou todos os anos no dia 18 de julho, só nos ficou um, décimo-quarto. Os sermões de São Gaudêncio eram tão apreciados que havia quem os anotasse na própria igreja. Entre seus editores mais fiéis, encontrava-se Benévolo, um dos homens mais importantes de Bréscia, e até mesmo do império. Era chanceler do jovem imperador Valenciano, quando a mãe deste último, a Imperatriz Justina, começou a perseguir Santo Ambrósio e os católicos, para favorecer os arianos. Como o chanceler tinha a seu cargo escrever e selar as leis, ela tentou obrigá-lo a redigir uma em favor dos arianos, e contrária aos católicos. Ele se recusou. A Imperatriz prometeu-lhe ainda maiores honrarias. Benévolo ainda não fora batizado, era apenas catecúmeno. Insensível a todas as promessas, despojou-se dos símbolos da dignidade e retirou-se, como simples indivíduo, para Bréscia, sua
São Gaudêncio, Bispo De Bréscia, Itália

São Gaudêncio, bispo de Bréscia e sucessor de São Filastro, era contemporâneo de Santo Ambrósio, de São Jerônimo, de Santo Agostinho e de São Crisóstomo. Contudo, não se conhece ao certo a data do seu nascimento, nem o ano em que morreu. Só em seus discursos e sermões, em número de vinte e um, é que são encontradas algumas informações sobre a sua vida. No elogio que teceu sobre São Filastro, chama-o de pai, o que nos leva acreditar que também nascera em Bréscia, ou pelo menos, fora nessa cidade elevado ao clericato. Era sacerdote, mas ainda muito jovem, quando empreendeu a peregrinação a Jerusalém. Percorrendo as cidades da Capadócia, chegou a Cesaréia, metrópole de que São Basílio fora arcebispo. Lá encontrou um grande mosteiro de virgens, cujas superioras eram as sobrinhas de São Basílio, irmãs pela natureza, pela fé, pela pureza e pelo fervor. Tinham recebido de seu tio as relíquias dos quarenta mártires de Sebaste, cuja memória a Igreja cultua nos dias 9 e 10 de março. Havia muito tempo que pediam a Deus que lhes permitisse entregar aquele precioso tesouro a uma pessoa de confiança, que soubesse dar-lhes o devido valor, pois eram muito idosas, e esperavam morrer de um dia para outro. Tendo entrado em contato com São Gaudêncio e, informadas de que viera da província de Santo Ambrósio, de boa vontade lhe cederam as santas relíquias, convencidas de que seriam veneradas na Itália com a mesma piedade, ou ainda maior, do que o eram no Oriente. São Gaudêncio teve, pois, quarenta mártires como companheiros de peregrinação; de regresso, depositou-os numa nova igreja de Bréscia. Ainda não retornara de Jerusalém, quando faleceu São Filastro, bispo de Bréscia. Imediatamente o clero e o povo da cidade elegeram para substituí-lo o padre Gaudêncio, embora ausente. Protestaram, mesmo, sob juramente, que não aceitariam outro. Os bispos da província, encabeçados por Santo Ambrósio, escreveram a Gaudêncio, por emissários enviados pelo povo, pedindo-lhe que voltasse para a sua pátria. Ele regressou a Bréscia e malgrado todas as suas tentativas para subtrair-se à escolha, recebeu a consagração episcopal das mãos de Santo Ambrósio. Isso se deu no ano de 287. Chegou até nós o discurso que pronunciou na ocasião, e no qual fala de si mesmo com muita humildade: “Convencido da minha incapacidade, e esquivando-se por causa da minha idade, imatura para a dignidade do sacerdócio, supliquei aos soberanos sacerdotes que me permitissem permanecer em silêncio; pois temo em primeiro lugar que a virtude das palavras celestes perca a força através da linguagem da minha insuficiência. Em seguida, envergonho-me por não poder oferecer a tão grande espera o desejado fruto da doutrina. Assim, sentindo-me completamente incapaz de corresponder à vossa expectativa, esforcei-me para declinar este fardo. Mas o bem-aventurado padre Ambrósio e outros veneráveis pontífices, sujeitos ao juramento ao qual também vós temerariamente vos ligastes, escreveram-me, por intermédio de vossos emissários, cartas tais, que não me permitiram mais resistir. Sem perigo para a minha alma. Além disso, os bispos orientais recusar-me-iam a santa comunhão, se eu não prometesse voltar para vós. Cercado de todas as partes e subjugado pela autoridade dos santos aqui presentes, recebi o encargo do soberano sacerdócio, sem dele me julgar digno, nem pelos méritos, nem pela idade, nem pela doutrina. Considerai, pois, quanto sofro, eu que não sei falar, por não poder calar-me. Pela imposição dos mais antigos, sou obrigado a obedecer além de minhas forças, pois impossibilitado de guardar silêncio, e incapaz de proferir o que devo dizer. Porém ciente pela autoridade da lei divina de que as ordens de nossos pais espirituais são salutares, atrevo-me a falar, e a levar até os vossos ouvidos um insignificante sermão; talvez o acolhereis pacientemente, pela razão de que é útil ao povo de Cristo aprender, através do exemplo daquele que vos prega, a obediência, que é preferida ao sacrifício divino, e anteposta a todos os mandamentos de Deus”. São Gaudêncio assim termina a sua alocução: “Rogo a Ambrósio, nosso pai comum, que, após o insignificante orvalho do meu discurso, se digne regar vossos corações com os mistérios das Sagradas Escrituras; pois ele vos falará pelo Espírito Santo, que nele habita; rios de águas vivas irromperão de suas entranhas, e tal como um sucessor do apóstolo Pedro, ele será a boca de todos os pontífices aqui presentes; pois tendo o Senhor Jesus interpelado os apóstolos: “E vós, quem dizeis que eu seja? Unicamente Pedro respondeu, como órgão de todos: “Sois Cristo, Filho do Deus vivo”. Temos outro pequeno sermão que São Gaudêncio pronunciou mais tarde diante de Santo Ambrósio, em Milão, sobre a natividade ou nascimento de São Pedro e São Paulo, festejados àquele dia, isto é a natividade ou o nascimento para o céu pelo martírio. São Gaudêncio fazia todos os anos o panegírico de seu predecessor São Filastro que, como Abraão, deixara a pátria e a família para obedecer à vocação de Deus, percorrendo como apóstolo grande parte do universo, conquistando com seus ensinamentos os pagãos, os judeus, os heréticos, em particular os arianos de Milão. Tendo chegado a Bréscia, e eleito bispo, arroteou aquela terra, até então inculta, e transformou-a num campo abençoado. De todos os panegíricos que São Gaudêncio pronunciou todos os anos no dia 18 de julho, só nos ficou um, décimo-quarto. Os sermões de São Gaudêncio eram tão apreciados que havia quem os anotasse na própria igreja. Entre seus editores mais fiéis, encontrava-se Benévolo, um dos homens mais importantes de Bréscia, e até mesmo do império. Era chanceler do jovem imperador Valenciano, quando a mãe deste último, a Imperatriz Justina, começou a perseguir Santo Ambrósio e os católicos, para favorecer os arianos. Como o chanceler tinha a seu cargo escrever e selar as leis, ela tentou obrigá-lo a redigir uma em favor dos arianos, e contrária aos católicos. Ele se recusou. A Imperatriz prometeu-lhe ainda maiores honrarias. Benévolo ainda não fora batizado, era apenas catecúmeno. Insensível a todas as promessas, despojou-se dos símbolos da dignidade e retirou-se, como simples indivíduo, para Bréscia, sua
Santo Antônio Maria Claret, Fundador Dos Missionários Filhos Do Imaculado Coração De Maria

Antônio Claret nasceu na Catalunha, Espanha, a 23 de dezembro de 1807, quando Napoleão I, invadindo aquele país, ia atirá-lo a um longo período de crises, em que o catolicismo sofreria rudes golpes. Antônio Claret, então, seria um dos mais ativos defensores da fé. Quinto filho dos onze que João Claret e Josefina Clara tiveram, Antônio foi menino que deixou, precocemente, ver a piedade que sempre lhe foi característica. Tendo começado os estudos de latim com o cura, o pai, vendo-o entusiasmado, enviou-o, depois dos dezesseis anos, para Barcelona, para maiores vôos. Desejoso de vida cada vez mais perfeita, porque vivia modesta e castamente, fugindo do bulício e dos companheiros ruidosos, pensou Antônio em procurar os cartuxos. Antes, porém, buscou o conselho dos mais velhos, experimentados, piedosos e sensatos, que o inclinaram para o seminário de Vich, na diocese em que nascera. No seminário, ficou conhecendo Tiago Balmes, aquele Tiago que, embora vivendo tão pouco nesta terra, ensaiaria a renovação do pensamento cristão na Espanha. Antônio Claret foi seminarista perfeito. Tonsurado a 2 de fevereiro de 1832, a 20 de dezembro de 1834 era subdiácono. Padre a 13 de junho de 1835, pela festa de Santo Antônio de Pádua, justamente quando se iniciava a guerra carlista, imediatamente foi feito vigário, depois ecônomo da paróquia natal. Ali exerceu o ministério e terminou os estudos teológicos. Em 1839, viajou para Roma, a fim de, certo de sua verdadeira vocação, pôr-se à disposição da Congregação da Propaganda, para trabalhar nas missões. O cardeal prefeito, porém, estava ausente, de modo que foi seguir os Exercícios entre os jesuítas, atendendo-se a uma sua proposição. Uma chaga que lhe surgiu na perna obrigou-o a tornar à Espanha. Então, pelo bispo de Vich, foi nomeado cura de Viladrau. Pregando com ardor, Antônio Claret trazia em suspenso todo o auditório, desde o mais refinado até o mais modesto. Para completar as instruções orais, começou a escrever – e escreveu, pela vida a fora, mais de cento e cinqüenta livros. O seu Camino recto y seguro para llegar al Cielo apareceu em 1843. Antônio Claret não procurou expor uma doutrina original: seu objetivo era apresentar o Evangelho ao povo, insistindo sobre as grandes verdades e mostrando a afeição e a estima do dever do estado. Recomendava os exercícios de piedade clássicos, atribuindo grande importância à devoção à Santa Mãe de Deus. Pregando todos os dias, incansavelmente, a viajar, a pé, em busca dos mais longínquos sítios, ouvindo confissões à noite, piedoso, caridoso, sempre solícito e pronto para aliviar o pesado fardo dos homens, logo começaram a correr novas sobre milagres que teria operado. Dizia-se, insistentemente, que Nosso Senhor e sua Mãe Santíssima, lhe apareceram, duma feita. Naqueles tristes tempos, um homem assim era perigoso para os que procuravam valer-se da ignorância das gentes. Perseguido, achou-se muitíssimo exposto e, pois, transferiu-se para as Canárias. Ali, por quinze anos, Antônio pregou e pregou sem cessar. De volta à Espanha, em 1849, lançou as bases da Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado de Maria. Uma surpresa o esperava: o Papa Pio IX, a uma solicitação da rainha Isabel II, nomeou-o arcebispo de Santiago de Cuba, a 4 de agosto de 1849. Sagrado aos 6 de Outubro do ano seguinte, partiu para o novo posto a 28 de dezembro, chegando ao destino a 18 de fevereiro de 1851. Juntara, então, ao nome, o de Maria. A diocese não era nada edificante. Os padres eram poucos, viviam sem recursos e, o que era pior, tinham muito pouca instrução, O novo prelado logo organizou sessões de estudo no seminário e, para elevar o nível de vida daqueles sacerdotes, reduziu ao mínimo os gastos do arcebispado. Santo Antônio Maria Claret pregou a quaresma em Santiago e, em seguida, pôs-se a visitar a diocese, vasta diocese a sua. Um ano e meio depois, havia distribuído noventa e sete mil duzentos e dezessete livros, oitenta e três mil e quinhentas imagens, vinte mil e seiscentos terços e oito mil e trezentas medalhas. Em seis anos, havia pronunciado onze mil sermões, regularizou a situação de cerca de trinta casais mal casados e confirmou trezentas mil pessoas. Sem saber o que era cansaço, ignorando incidentes de viagem, que fazia a pé ou a cavalo, comendo o que podia encontrar pelo caminho, transpondo rios mansos ou perigosos, debaixo de sol ou de chuva, pelas noites frias ou cheias de assaltantes, destemidamente enfrentando gente atacada de cólera ou adversários do catolicismo, impávido, sereno, sem se queixar, calmo e doce, lá ia ele sempre para frente, para onde mais falta fazia aos filhos de Deus. Novamente a ser empecilho para os que vivem afastados da lei de Deus, reconciliando esposos perversamente separados, pregando a verdade que era funesta para funestos planos, grangeou Santo Antônio Maria Claret uma chusma de inimigos. Nada menos de quinze atentados, sofreu o bravo arcebispo sem medo. Uma noite, saindo da igreja, avançaram para ele de punhal. Vibraram-lhe tal golpe, que lhe abriram a face, no lado esquerdo, feíssima ferida, da qual, todos pensaram, viria morrer. Curou-se, porém, num instante, e aquela rápida cura foi tida como miraculosa. A 18 de março de 1857, a rainha Isabel chamava-o para a Espanha. Certo de que iria ser repreendido pela ação apostólica que vinha desenvolvendo à custa de sacrifícios, mesmo a expor a vida, apresentou-se à soberana assim que chegou no Velho Mundo, a 26 de Maio. E a rainha, que outra coisa não queria senão fazê-lo seu confessor, prendeu-o, malgrado seu, na Espanha. Nomeado arcebispo de Trajanópolis, continuou a administrar Cuba e, pouco tempo depois, também Madri. Muito influente no país, fez com que se designassem bons bispos, organizou centros de estudos eclesiásticos e, tendo lutado para que a corte se tornasse ,menos frívola, combatendo a indecência – formou novos inimigos, numerosos inimigos. Criticado, mostrado ridiculamente em romances, canções, comédias e caricaturas, Antônio Claret, com a sua santidade e amor de Deus, passava por cima de tudo, sem se apoquentar, sem se exaltar, porque combatia o bom combate.
São Caprásio, Mártir – Século III

São Caprásio foi o companheiro de martírio de Santa Fé. Segundo a muito célebre Paixão daquela santa e de São Caprásio, o santo mártir, que estava escondido numa caverna do norte de Agen, apareceu para apresentar-se ao juiz, quando viu um anjo que colocava uma coroa na cabeça da virgem, então estendida, numa vasta grelha, sobre o fogo. Rudemente agarrado, cruelmente rasgado, São Caprásio permaneceu firme na fé, sendo decapitado com Santa Fé. Ambos, sepultados no mesmo lugar, foram encontrados dois séculos mais tarde, talvez por Dulcídio ou Dulcício, bispo, o qual edificou uma basílica em honra da Santa, no lugar mesmo do martírio, e transferiu as relíquias de São Caprásio para uma igreja da cidade, que lhe tomou o nome. O resumo no martirológio, reza assim: “Em Agen, na Gália, São Caprásio, mártir: para evitar o rigor da perseguição, escondeu-se numa caverna. Sabendo, contudo, de que maneira a bem-aventurada virgem Fé combatia por Jesus Cristo, sentiu-se disposto a passar pelos suplícios. Dirigiu, então, um pedido a Nosso Senhor: caso fosse julgado digno da glória do martírio, fizesse brotar água límpida duma das pedras da caverna em que se enfurnara. Tendo assim sucedido, cheio de confiança, correu para o lugar do combate, onde suportou o ataque com tanta coragem que mereceu a palma do martírio, sob o imperador Maximiano. (Século III ?). (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 363-364) The post São Caprásio, Mártir – Século III appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Paulo Da Cruz, Fundador Da Congregação Dos Passionistas

Paulo era filho de Lucas Danei e de Ana Maria Massari. Lucas, de Castellazo, comerciava em Ovada, burgo da República de Gênova. O casal teve dezesseis filhos, mas muitos morreram quando ainda muito novos. Paulo nasceu no dia 3 de fevereiro de 1694. No ano seguinte, nasceria o irmão que lhe seria inseparável companheiro, João Batista. Em 1709, Lucas Danei, com toda a família, estava em Castellazo, com o seu comércio. Ali, as crianças, chegadas à idade conveniente, iam ajudá-lo. Paulo, em 1715, buscou a carreira das armas. Um ano depois, contudo, abandonou-a. Piedoso e quieto, desejando levar vida mais perfeita, procurou um tio padre, chamado Cristóvão, irmão de Lucas Danei, para aconselhar-se. Encaminhando a um capuchinho da cidade, o padre Jerônimo de Tortona, nada conseguiu, porque, provisoriamente em Castellazo, ia deixá-la brevemente. Depois de procurar este e aquele, o jovem viu-se diante de Francisco de Gattinara, bispo de Alexandria, que descobriu no bom filho de Lucas excepcionais qualidades e entrou a encorajá-los: é que Paulo, duns tempos àquela parte, vinha já pensando na congregação, em termos vagos, que lhe veio a mente decerto quando longamente ficava na igreja a adorar o Santíssimo Sacramento exposto, “pelo menos cinco horas de joelhos”. Paulo falou dos seus projetos ao bispo, da vida religiosa e do desejo que tinha de envergar uma túnica negra com um sinal especial: Jesu Christi Passio. Mais tarde havia de escrever: Quem me ler saiba que, quando me via levando a santa túnica, não a via a forma corporal, como a figura de um homem, isto não, mas de Deus; quero dizer que a alma conhecia que era Deus, porque a fazia compreender por movimentos interiores do coração e da inteligência infusa no espírito, e tão altamente, que é bem difícil de explicar … Entretanto, para que seja bem compreendido, direi de uma certa visão espiritual, que Deus, na sua infinita misericórdia, muitas vezes me concedeu, quando quis enviar-me alguma pena particular. Enquanto estava a orar, via um chicote, na mão de Deus, e este chicote tinha cordas como as disciplinas e sobre elas estava escrita a palavra Amor. No mesmo instante, Deus mostrava à alma, numa altíssima contemplação, que desejava chicoteá-la, mas por amor, e a alma corria depressa abraçar o chicote, dando-lhe beijos espirituais…. Ora, escrevi isto para explicar e para dizer, segundo a inteligência que Deus me deu, que o que vi em espírito com a luz altíssima da santa fé, que o tenho por mais verdadeiro do que se tivesse visto com meus olhos corporais, visto que estes me poderiam enganar com qualquer fantasma, enquanto que, pela outra via não há perigo, graças à inteligência que Deus me concedeu. Quando disse que tinha visto nas mãos de Deus, não vi, mas a alma tem uma altíssima inteligência, que é imensa, e assim me aconteceu com a túnica. Enfim, saiba que, depois que Deus me retirou dos exercícios de meditação, para me ocupar com o discorrer sobre os mistérios, indo disto para aquilo, não mais tive formas imaginárias. Tudo levado a bom termo, Paulo começou a usar a túnica negra com o sinal especial, com a autorização do bispo Gattinara: benzeu-o e entusiasmou-se com a alegria do moço. Era em 1720, aos vinte e dois dias de julho. Aos 23 de novembro daquele mesmo ano, Paulo retirava-se com a permissão do prelado, a uma pequena cela situada debaixo duma escada, ao lado da sacristia da igreja paroquial de São Carlos de Castellazo, onde fez um retiro de quarenta dias: descalço, ali permaneceu, presa do frio, da umidade e do desconforto, a dormir dobre sobre palhas, a alimentar-se de pão e água. Naquela celazinha escura e feia nasceu o primeiro esboço da futura Regra, a áspera, esboço que Gattinara aprovou ipsis-litteris. Imediatamente, pôs-se o Santo em ação, principiando a propagar o catecismo, exercendo-o, primeiramente, pelo campo, entre os humildes que viviam nos arredores da cidade. Da ermida da Santa Trindade, depois da de Santo Estevão, reunia grande auditório, e passava a falar sobre o fim daquilo que tão gratamente se propusera, Foi um sucesso, e, de início, dois discípulos juntaram-se a ele. Um, foi João Batista, o próprio irmão, que lhe seria inseparável, e o outro Paulo Sardi. Ao Santo, depois que pregou a quaresma, atraindo verdadeira multidão, todos, mesmo de longe, começaram a aparecer para ouvi-lo. E o desejo de Paulo de ver obtida uma aprovação pontifical para o que criara, partiu para Gênova, donde, embarcando num navio, buscou Civita Vechia. Foi quando retocou a regra, antes de alcançar Roma. Desconhecido, sem protetor, ia difícil a obtenção duma audiência com o Papa. Afinal triste, sem conseguir o desejado, tornou à terra natal, a pé, bordejando o mar. A 21 de setembro de 1721, Gattinara deu o hábito a João Batista, e os dois irmãos partiram para o Monte Argentário, lugar em que viveram uma vida difícil, dura, toda de oração e de penitência. Conhecidos, passaram a evangelizar as gentes de Orbetello, cidadezinha que se achava na raiz da montanha, poeticamente plantada à beira dum lago. Não tardou para que o bispo de Gaeta, Carlos Pignatelli, ouvisse referências sobre a atividade que os dois Danei estavam, ardorosamente, desenvolvendo. Quis, então, conhecê-los. E, para tal, convidou-os para ir pregar na diocese que governava. O mês de junho de 1723 estava a findar. Aceitaram, gostosamente, o convite. E foram. Recebidos com gentileza, hospedaram-se no palácio episcopal. Dali, pouco depois, passaram à ermida de Nossa Senhora da Cadeia. O bispo gostou dos dois. E, não satisfeito com vê-los a pregar pelas igrejas, confiou-lhes o cuidado do retiro dos ordenandos. No mês de outubro, Paulo e João Batista deixavam Gaeta e retornavam a Castellazo, mas, no ano seguinte, ou seja, em março de 1724, voltaram de novo para uma temporada ao pé de Pignatelli, E Paulo, inflamado, pregou a quaresma na catedral. Em agosto, para pregar, receberam o convite do bispo de Troja, e no ano seguinte, chegavam a Roma para o jubileu. Quando pregavam na basílica de São
São Lucas Evangelista

São Lucas começa o Evangelho nos seguintes termos: “Visto que muitos já empreenderam por em ordem a narração das coisas que entre nós se cumpriram, como no-las referiram os que, desde o princípio, as viram, e foram ministros da palavra; pareceu-me bom também a mim, excelentíssimo Teófilo, depois de ter investigado diligentemente tudo desde o princípio, escrever-te por ordem a sua narração para que conheças a verdade daquelas coisas em que foste instruído. O Evangelho de São Lucas é como que, o primeiro livro da sua história; os Atos dos Apóstolos constituem o segundo. Por isso, diz no prefácio dos Atos: “Na primeira narração, ó Teófilo, falei de todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar, até ao dia em que, tendo dado preceitos por meio do Espírito Santo aos Apóstolos que tinha escolhido, foi arrebatado ao céu; aos quais também se manifestou vivo, depois da sua Paixão, com muitas provas de que vivia, aparecendo-lhes por quarenta dias, e falando do reino de Deus. E, estando à mesa com eles, ordenou-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual ouvistes da minha boca; porque João na verdade batizou em água, mas vós sereis batizados no Espírito Santo.” Tal é, de acordo com o próprio São Lucas, o conjunto dos dois livros da sua autoria. Quanto ao primeiro, que compreende a história de Jesus Cristo até à sua Ascensão, nem a todos os fatos testemunhou, mas deles ouviu a narração da boca das pessoas que viram Jesus Cristo com os próprios olhos e viveram na sua intimidade. Entre essas testemunhas oculares, inclui-se a Santa Virgem em relação à vida privada do Salvador, e os apóstolos em relação à sua vida pública. Na vida oculta do Salvador se encontra a aparição do anjo Gabriel ao sacerdote Zacarias no santuário do Templo; a revelação de que nasceria de sua mulher Isabel um filho que seria o precursor do Messias; a aparição do anjo do Gabriel a Maria, na casa de Nazaré; a comunicação que ela conceberia do Espírito Santo e daria à luz o próprio Messias, que seria chamado Jesus: a visita de Maria à sua prima Isabel, que nela reconheceu a Mãe do seu Senhor; o Magnificat ou Cântico de Maria para bendizer Deus pelas grandes coisas que operaria nela e por ela; o nascimento de João Batista, o milagre de seu pai Zacarias, que recobrou a palavra para celebrar no Benedictus as misericórdias de Deus de Israel sobre os homens, em particular sobre a criança que acabava de nascer; a viagem da santa família de Nazaré, o nascimento do Salvador num estábulo; os anjos que o anunciam aos pastores e cantam a Glória in Excelsis; os pastores que vem adorá-lo no presépio; o nome de Jesus, que lhe foi dado no dia da Circuncisão; a apresentação ao templo, onde é resgatado por duas rolas e reconhecido pelo santo velho Simeão, que canta o Nume Dimitris; a peregrinação ao templo de Jerusalém com a idade de doze anos; sua permanência no templo, a volta a Nazaré, onde está sujeito a Maria e a José. São Lucas teve conhecimento pela própria boca da santa Virgem de todos esses divinos mistérios, cuja contemplação transporta de júbilo os anjos. É como se ela mesma os narrasse. Quanto à vida pública do Salvador, nem os evangelistas, nem os apóstolos a relataram inteiramente. O próprio São João diz no fim do seu Evangelho: “Muitas coisas há que fez Jesus, as quais, se fossem descritas uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros que seria preciso escrever. O que cada um dos evangelistas escreveu basta, não simplesmente para fazer-nos conhecer, mas, de acordo com a expressão do texto original de São Lucas, para fazer-nos superconhecer a verdade, a exatidão das coisas que já conhecemos de maneira certa através do ensinamento oral da Igreja. Eis alguns tocantes episódios que devemos a São Lucas: A história da pecadora que vai à casa do fariseu Simeão prosternar-se aos pés do Salvador, regá-los em lágrimas, e a quem é concedida a remissão dos pecados; a cura de Hemorroisse por haver tocado a fímbria do seu vestido, e a ressurreição da filha de Jair; a caridade do Samaritano; a parábola do filho pródigo; a história do mau rico e do pobre Lázaro; a oração do fariseu e a do publicano, a conversão pública de Zacarias, que o recebeu na sua casa, e que dá aos pobres a metade de seus bens. São Lucas conhecia esses episódios por intermédio daqueles que os tinham testemunhado com seus olhos e ouvidos; pois não pertencia ao número dos primeiros discípulos do Salvador, nem mesmo era judeu de origem, e sim, grego de Antioquia. Foi em grego que escrevei o Evangelho e os Atos dos Apóstolos; seu estilo lembra a elegante simplicidade de Xenofonte e Heródoto. De resto, um escritor inglês demonstrou que muitas locuções da Bíblia, em particular do Novo Testamento, consideradas hebraísmos, barbarismos, solecismos por certos críticos, são locuções próprias dos poetas e historiadores clássicos dos gregos. Teófilo, a quem São Lucas dedica seus dois livros, e ao qual dá o título de Excelente ou Excelência, parece ter sido cristão de alta posição social. Os Atos dos Apóstolos, iniciados por São Lucas com a Ascensão de Jesus Cristo, mostram-nos os discípulos e os apóstolos reunidos no cenáculo, cm Maria, Mãe de Jesus; São Pedro fazendo, pela primeira vez, uso da sua autoridade de Vigário de Jesus Cristo e de Chefe da Igreja, na eleição de um novo apóstolo para substituir Judas, o traidor; o Espírito Santo descendo sobre os apóstolos e os discípulos no dia de Pentecostes; São Pedro convertendo três mil almas com uma única pregação, curando um coxo de nascimento, e convertendo cinco mil almas; Pedro e João encarcerados; sua perseverança; nova efusão do Espírito Santo; vida edificante dos primeiros cristãos; Barnabé vende seu campo e dá o dinheiro aos pobres; punição de Ananias e Safira por terem