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São Godofredo, Bispo De Amiens

São Godofredo, abade de Nogent-sous-Couci, e depois bispo de Amiens, mostrou no convento de São Quentin os sentimentos de piedade que o fizeram um dos mais santos abades e um dos maiores bispos de seu tempo. Como os pais haviam encomendado seu nascimento às orações daquela comunidade tão piedosa, levaram-no ao monte São Quentin para que ali recebesse o batismo. Aos cinco anos, ingressou no mosteiro. O pai, Frodon, abraçou a vida monástica no convento de Nogent, e um dos irmãos, Odon, retirou-se ao monte de São Quentin, onde se distinguiu por grande austeridade e por tão exata observância do silêncio, que, durante a quaresma, não proferia uma única palavra. A não ser quando se confessava. Godofredo revelava mais virtude ainda, considerando-se a tenra idade. O amor pela pobreza e o recolhimento levaram-no a ser procurador da comunidade. A prudência de Godofredo fazia as vezes da experiência. Amava a poupança e não era avarento. Por sua aplicação, pôs em ordem, em pouco tempo, os negócios do convento, que jaziam em mau estado, pagou dívidas, sendo, então agradável aos religiosos e aos seculares. Fazendo-se, em 1095, abade de Nogent-sous-Couci, pela resignação do predecessor, logo floriu a piedade. Era um mosteiro fundado recentemente no lugar onde havia uma velha igreja da Virgem, muito freqüentada por fiéis. Os monges eram poucos e não eram metódicos. E Godofredo não encontrou em Nogent mais que seis religiosos com dois meninos criados entre eles. Em pouco tempo, o mosteiro floresceu e recebeu excelentes almas. Aplicando-se mesmo à direção dos seculares, sem negligenciar a dos religiosos, Godofredo conduziu a uma grande perfeição, piedosas damas que lhe haviam demonstrado confiança. Em 1103, foi eleito bispo de Amiens. E foi necessária violência para que aceitasse a eleição. Entrou descalço na cidade. Quando chegou à igreja de São Firmino, dirigiu, ao povo que estava presente, um discurso fortemente patético. Achava-se-lhe no palácio a casa dum verdadeiro discípulo de Jesus Cristo. Todos os dias, lavava os pés de treze pobres, e servia-os à mesa. Opunha-se com zelo inflexível às usurpações dos grandes, obstinadamente presos às desordens. Atacava com vigor os abusos que reinavam no clero; depois de ter experimentado grandes dificuldades, restabeleceu a reforma no mosteiro de São Valeri. Celebrando os santos mistérios do Natal, em presença de Roberto, conde de Artois, que tinha a corte em Saint-Omer, não quis receber oferendas dos príncipes, porque o seu exterior, era assaz mundano. Então muitos deixaram a igreja e retornaram mais simplesmente vestidos, porque não queriam ficar privados da benção do santo bispo. Em 1112, o santo bispo de Amiens, de acordo com os habitantes, estabeleceu gratuitamente uma comuna ou burguesia na cidade episcopal. O governo dessa comuna, composto de vinte e quatro almocatéis, sob a presidência dum administrador, foi instalada sem qualquer perturbação em meio à alegria popular. A cidade de Amiens estava repartida entre quatro pessoas: o bispo, o vidama, o castelão ou proprietário abastado e, finalmente, o conde, que era Engebran de Boves, pai de Tomás de Marle, homem muito maldoso. O vidama deu sua aprovação à comuna mediante certas condições, mas o castelão e o conde não lhe deram ouvidos – daí a guerra entre eles e os burgueses. Com o concurso do rei Luís, o Gordo, e com a mediação do bispo, os burgueses obtiveram, a peso de dinheiro, a aprovação real dos regulamentos municipais. Nessa guerra, Tomás de Marle atacou ferozmente a comuna de Amiens, enquanto a de Laon, a apoiava francamente. A desolação tomou conta de Godofredo. Os crimes, dos quais fora causa, abateram-no tanto, que decidiu deixar o episcopado, para se retirar a Chartreuse de Grenoble com os santos capuchos solitários, cuja reputação já se espalhara por toda a França. Guigues, o prior, com grande alegria recebeu o santo bispo, e designou-lhe uma cela. E Godofredo, na solidão, sonhava somente com reunir as doçuras da contemplação aos rigores da penitência. Sabendo que Cônon, legado da Santa Sé, ia abrir concílio de Beauvais, enviou-lhe carta, na qual dizia renunciar ao bispado. Reunido o concílio, os cidadãos de Amiens enviaram-lhe deputados com o fito de se queixarem do abandono em que se viam, privados que estavam do bispo. E novo prelado exigiram. Radulfo, arcebispo de Reims, disse; – Como ousais agir desta maneira? Que autoridade tendes? Não fostes vós, com vossa indocilidade, que afugentastes da sede um homem ornado de todas as virtudes? Desejais, porventura, somente aqueles que vos sejam favoráveis aos interesses e prazeres? Os deputados ouviam calados. E o arcebispo continuou: – Ide, pois. Trazei-o de volta e que permaneça entre vós, porque Nosso Senhor Jesus Cristo, outro bispo não tereis enquanto Godofredo viver. Ao mesmo tempo, chegaram enviados de Godofredo, trazendo a carta da renúncia, onde declarava que declinava daquele bispado e exortava os diocesanos a buscar outro pastor, assegurando-lhes que jamais voltaria, incapaz que se sentia de desincumbir-se das funções episcopais. À leitura daquela carta tão humilde, os bispos do concílio não conseguiram conter as lágrimas: um homem tão capaz, virtuoso e talhado para as funções a dizer-te inoperante! E resolveram deixar a questão para ser tratada no concílio que se daria em Soissons, pela Epifania do ano seguinte, 1115. Naquele concílio, ficou resolvido que se enviassem dois deputados em nome do rei, com cartas do concílio, que ordenassem ao santo homem voltar para ocupar o posto. Godofredo, ao ler as cartas, caiu de joelhos aos pés dos monges com os quais vivia, e, chorando, implorou-lhes não permitissem que deles se afastasse. Os cartuxos, comovidos, choraram com ele, procurando consolá-lo. – Que podemos nós contra uma ordem do rei? Que fazer diante da autoridade real e episcopal? E Godofredo, tendo ficado mais algum tempo com os cartuxos de Grenoble, da festa de São Nicolau até a quaresma, partiu. Antes de ir a Amiens, passou por Amiens, onde o legado Cônon estava num novo concílio. O arcebispo Radulfo apresentou-o aos prelados reunidos. E Godofredo causava dó, tão macerado estava, castigado e fraco, que mal se sustinha em pé. O legado, que presidia o

São Vilibrodo, Bispo De Utrecht, Apóstolo Da Frísia

Os ingleses, vindos da Germânia, e convertidos à fé católica pelos missionários do Papa Gregório, encheram-se de zelo e puseram-se a converter os povos dos quais se originaram, a começar pelos frisões, que eram os mais próximos. Santo Egberto, nobre inglês, que se retirara para a Irlanda, e abraçara a vida monástica, em 686, resolveu ir à Frísia, mas, à última hora, abandonou o projeto, pondo-se a trabalhar ativa e utilmente na reunião dos irlandeses cismáticos. Wilgberto, um dos companheiros de Egberto, que vivia desde muito na Irlanda, levou a vida de anacoreta numa grande perfeição, embarcou para a Frísia, e durante dois anos pregou o Evangelho àquela nação e ao rei Radbod. Percebendo que fruto algum lhe vinha do imenso trabalho, tornou à Irlanda, para, em silêncio, servir a Deus e aproveitar, pelo menos aos seus, o exemplo. Santo Tgberto, vendo que o companheiro conseguira da Frísia, experimentou enviar para lá homens zelosos e virtuosos. E escolheu doze, dos quais o principal era São Vilibrodo, inglês, nascido na Nortúmbria, em 658. O pai chamava-se Wilgis e era extremamente piedoso, tendo deixado o século e abraçado o estado monástico, fazendo-se ermitão mais tarde. Na velhice, tendo fundado uma pequena comunidade entre o oceano e Humbert, passou a dirigi-la. Honrado entre os santos, no mosteiro de Epternach, na diocese de Tréveris, é nomeado no calendário inglês. Alcuíno, amigo de Carlos Magno, deu-nos sua vida, bem como a do filho Vilibrodo. Vilibrodo ainda não completara sete anos e já o pai o enviava ao convento de Ripon, onde ficou sob a direção de São Wilfrido e abraçou a vida monástica. Assim, aos vinte anos, com o consentimento do abade de Ripon, conseguiu permissão para ir à Irlanda: queria aperfeiçoar-se ao pé de Santo Egberto. Era padre, e estava com trinta anos, quando foi enviado à Frísia por aquele santo, que viveu até o ano 729 e morreu com 90 anos, aos 24 de abril, dia em que a Igreja lhe honra a memória. Chegados que foram à Frísia is doze missionários, em 690, foram otimamente recebidos por Pepino, duque dos francos e presidente do palácio, cognominado de Héristal, que ganhara de Radbord as graças e uma parte da Frísia, parte que ficava entre o reino e o Mosa. Foi por isso que os enviou, aos doze, para ali pregar, dando-lhe a proteção de que necessitavam, concordando que chamassem à fé quem quer que fosse: pouco depois, um grande número de idólatras era convertido. Com o tempo, os missionários escolheram Swidberto, um dentre eles, para ser ordenado bispo. E, na Inglaterra, por São Wilfrido, então arcebispo de York, foi elevado àquela dignidade. Ao retornar, na Germânia esteve o novo prelado entre os povos das vizinhanças de Colônia, e a muita gente converteu. Pouco tempo depois, todavia, aqueles convertidos se viram obrigados a dispersar-se, pela pressão saxônia, e São Swidberto foi ter com Pepino, que lhe deu, para retiro, uma ilha no Reno, onde, então, o bispo ergueu um convento, a que chamou Verden, e depois Keiserswert, que quer dizer Ilha do Imperador. São Swidberto morreu no ano de 713. São Vilibrodo, com os demais missionários ingleses, trabalhava com sucesso na conversão dos frisões, sob a benéfica sombra de Pepino. Lá pelo ano de 692, por Pepino mesmo, foi o santo enviado a Roma, para receber do Papa Sérgio a benção apostólica e trazer santas relíquias. Ao regressar, continuou pregando aos frisões, submetidos aos francos, e, pouco mais tarde, tornou a Roma com presentes e cartas de Pepino, que rogava ao Papa lhe ordenasse Vilibrodo bispo de seu povo. O Papa Sérgio consagrou-o arcebispo dos frisões, na igreja de Santa Cecília, no dia mesmo da festa desta santa, aos 22 de novembro de 696. E, dando são novo arcebispo o pallium, deu-lhe também novo nome, o de Clemente, em lugar daquele Vilibrodo bárbaro, nome pelo qual, todavia, é mais conhecido até hoje. Enviado pelo Papa ao seio do seu povo, não ficou o santo mais do que quatorze dias em Roma. De Pepino, recebeu o lugar onde, então estabeleceu a sede episcopal, na cidade hoje denominada Utrecht. São Vilibrodo ali erigiu uma igreja, a igreja de São Salvador, que passou a ser o centro do episcopado. Como convertera grande número de fiéis, de todas as partes, durante cinqüenta anos de pregação, acabou fundando muitos conventos, erigindo várias igrejas e fez com que se ordenassem novos bispos. Um dia, resolveu pregar o Evangelho na parte da Frísia que vivia sob o governo de Radbod, e o príncipe recebeu-o com muitas honras. Dali, passou São Vilibrodo à Dinamarca, cujo povo, muito feroz, era comandado por Ongende, mais cruel que a mais cruel das feras. Ongente recebeu-o com certa complacência, mas por pouco entre os dinamarqueses esteve o santo, vendo que fruto poderia esperar daquele país. Contentou-se, então, com a boa vontade de trinta jovens, reuniu-os e retornou à França. E, pensando nos acidentes que pudessem surgir de tão longa viagem, instruiu-os e batizou-os em caminho. Nos confins da Dinamarca e da Frísia, há uma ilha, na embocadura do Elba, que agora tem o nome do seu deus Fosite. Os pagãos veneram-na e não ousam tocar em animal algum que ali vive; nem falar sequer de tirar água duma fonte que irriga aquelas terras. Ora, aconteceu que São Vilibrodo, atirado por uma tempestade, ali foi ter e passou alguns dias, à espera de tempo favorável para reiniciar a viagem. Três homens, batizou-os na fonte, e pediu que lhe matassem qualquer caça para a alimentação. E os pagãos ficaram na expectativa: ao comer daquela carne, se o santo homem não morresse subitamente, de ficar louco furioso na escaparia. Nada disso, porém, sucedeu. Maravilhados, fizeram chegar a Radbod, o acontecido. O príncipe, querendo vingar os deuses, fez lançar a sorte três vezes por dia, durante três dias, segundo velha superstição dos germanos, sobre o santo bispo e os companheiros. Como a sorte lhe foi desfavorável, livrando o santo do martírio, limitou-se a recriminá-lo, dizendo-lhe que só fizera por

São Leonardo, Eremita

Leonardo, companheiro de Clóvis, converteu-se ao cristianismo por influência de São Remi, apóstolo dos francos. Vivendo ainda no século, e freqüentando a corte, era grandemente caridoso para com os cativos e prisioneiros de guerra, trabalhando com afinco, cheio dum zelo infatigável, para lhes proporcionar todo o alívio de que necessitavam, sobretudo esforçando-se para livrá-los dos vícios. Para muitos deles, conseguiu mesmo a liberdade. Tais obras de caridade lhe aumentaram a fé. E, um dia, resolveu abandonar o mundo, retirar-se da corte, para seguir mais de perto as lições e os exemplos de São Remi. Nessa altura, pregava o Evangelho aos companheiros de armas. Acreditando, porém, que pudesse ser trazido à corte, e desejando renunciar inteiramente a si mesmo, secretamente retirou-se ao mosteiro de Mici, a duas léguas de Orleans, sob a direção de São Maximino. Encontrou, então, em Mici, um modelo e um êmulo de virtude em São Lé, nascido em Berry, e que, mais tarde, levou vida de anacoreta numa floresta de Bauce. São Leonardo, que suspirava igualmente por uma solidão mais perfeita, deixou, por sua vez, Mici, ali pelo ano de 520. Passando por Berry, converteu inumeráveis idólatras. Chegando a Limosino, fixou-se numa floresta, longe de Limoges quatro léguas, construindo seu oratório num lugar chamado Noblac. Ervas e frutas eram-lhe toda a alimentação. E foi, durante algum tempo, desconhecido dos homens, sendo-lhe apenas Deus testemunha da austeridade da penitência que se impunha. O zelo levou-o a instruir as gentes da vizinhança; muitos dos que o ouviam foram tocados singularmente pelas pregações que lhes fazia: e alguns se sentiram mesmo animados a imitá-lo naquele gênero de vida. E foram à procura do santo, ao deserto em que vivia: nasceu o mosteiro, depois célebre, de São Leonardo de Noblac. O rei Teodeberto d’Austrásia, em reconhecimento de que a rainha, num parto muito laborioso, obtivera pelas orações do santo, um feliz desfecho doou ao mosteiro uma parte considerável da floresta onde Leonardo e os discípulos viviam. A primeira caridade de São Leonardo pelos cativos não e mais que aumentar com a perfeita conversão. Mais de um prisioneiro se viu livre das prisões pelas orações do santo. O rei concedeu-lhe mesmo, por um especial privilégio, libertar quem achasse que tal merecia. Daí São Leonardo, que morreu aos 6 de novembro de 559, ser invocado, particularmente, em favor dos prisioneiros e das parturientes. (Vida dos Santos, Padre Rohbacher, Volume XIX, p. 218-219) The post São Leonardo, Eremita appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Santa Bertila, Abadessa

Santa Bertila, nascida na região de Soissons, uma das dirigidas de Santo Ouen, bispo de Ruão, foi a primeira abadessa de Chelles. Bem jovem, já vivia sob a regra de São Columbano, no mosteiro de Jouarre, perto de Meaux, que se alevantara entre 658 e 660. Debaixo da abadessa Teodechilda, Bertilda foi uma das melhores monjas da fundação. Quando a Rainha Batilda, assentou que organizaria um mosteiro em Chelles, recorrreu a Jouarre, e Bertila foi encarregada de presidir os trabalhos da nova casa. Ali, mais tarde, a própria soberana passou o resto da vida, submissa à doce abadessa. Santa Batilda faleceu em 680, e Bertila trinta e três anos depois, isto é, em 713. Um dia quando Santa Bertila ainda vivia no mosteiro de Jouarre, conta-se que uma irmã, depois de lhe falar com ira, faleceu. A Santa tremeu. Que aconteceria àquela alma que assim se fora, toda em cólera contra ela? Achegou-se, depois de muita mortificação, ao lado do cadáver, e pousou, delicadamente sobre o peito da morta, uma das mãos, e rogou a Nosso Senhor que não a deixasse ir antes dum perdão formal. No mesmo instante, a irmã abriu os olhos e fitou a companheira. Perguntou: – Por que me fizeste voltar do caminho tão brilhante que se me estendia pela frente? Que fizeste, irmã? Bertila, humildemente, rogou-lhe que não se fosse sem que a perdoasse; que se esquecesse do acontecido entre ambas. – Que Deus te dê indulgência, disse então a irmã. Não guardei qualquer rancor de ti. Pelo contrário, amo-te muito, e quero convidar-te que peças a Deus por mim. Agora, deixa-me partir em paz, não me retardes mais, porque o brilhante caminho está perto. Sem tua permissão, não o ganharei. Santa Bertila respondeu: – Vai, então. Vai na paz de Nosso Senhor e roga por mim, doce e amável irmã. A outra fechou os olhos e deixou de viver. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIX, p. 205-206) The post Santa Bertila, Abadessa appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

São Carlos Borromeu, Bispo

Um príncipe passava por Milão: para homenageá-lo, celebraram-se divertimentos públicos. De repente, uma notícia sinistra se espalhou celeremente: manifestara-se a peste em dois lugares da cidade. O príncipe, imediatamente, e com precipitação retirou-se, seguido do governador e de grande parte da nobreza e dos magistrados. Ficaram na cidade apenas o povo e os pobres com um pequeno número de magistrados e alguns bons padres ou religiosos, num terror e desolação inenarráveis. O santo arcebispo Carlos fora administrar os últimos sacramentos a um bispo da província. Quando regressou, toda a agente se lhe reuniu ao redor, a gritar, consternada, e a chorar: – Misericórdia, Senhor, misericórdia! A peste aqui ficará por seis meses! Carlos foi o salvador do povo. Secundado por padres e religiosos, que animava à caridade, proveu as necessidades corporais e espirituais dos doentes, visitando-os e administrando-lhes, ele mesmo, os sacramentos. Para alimentá-los ou vesti-los, vendia tudo aquilo que tinha, até a cama, resignando-se a dormir sobre tábuas. E jejuando e orando, sofrendo pela saúde de todos, procurou afastar a ira de Deus. Orava e jejuava, sem cessar. Nascido duma ilustre família, sobrinho do Papa Pio IV, cardeal e arcebispo, empregou toda a superioridade para melhor servir a Igreja, secundar os sábios regulamentos do santo concílio de Trento, que vinha de concluir-se por seu desvelo, reprimir as heresias, reformar os costumes do clero e do povo, reanimar o fervor dos claustros, renovar, numa palavra, a face da terra. Por si mesmo, viveria com mais austeridade, que um trapista. Muitos anos antes de sua morte, que se deu em 1584, propôs a si mesmo uma lei: jejuar todos os dias, passar a pão e água, excetuando os domingos e dias de festas, nos quais comia um pouco deste ou daquele legume ou fruta. Continuamente fazia uso do cilício, dormia muito pouco, passando em orações as vigílias das grandes festas. Quem quer que rogasse a São Carlos lhe traçasse as regras a seguir, para progredir na virtude, dava-lhe o santo, invariavelmente, esta resposta: – Aquele que deseja progredir no serviço de Deus, deve começar cada dia da vida com um novo ardor, ater-se na presença de Deus o mais possível e tudo fazer para que as ações que praticar sejam para a glória do Senhor. E o que São Carlos Borromeu dizia, cumpria-o. Quanto a nós, façamos o que nos diz. De resto, o que São Carlos fez durante a peste de Milão, fê-lo durante toda a vida, nada aspirando, senão à glória de Deus e à salvação do próximo. Na diocese toda, vêem-se monumentos vários que lhe exaltam a caridade. Em Milão, fundou um convento de capuchinhos, onde a filha de João Batista Borromeu, seu tio, professou e morreu com reputação de santidade. Um mosteiro de Ursulinas, para instrução de órfãs, um hospital para pobres, onde eram recebidos todos os que estavam necessitados, outro para convalescentes, etc. Os oblatos tiveram a direção dos colégios e seminários diocesanos. Quanto ao colégio que fundou em Pavia, entregou-o São Carlos à direção dos cleros regulares de Somasque. Além do governo-geral da província e da diocese, ocupava-se ainda com a direção particular das almas. Gostava imensamente de assistir aos moribundos. Ao ter conhecimento de que, isso em 1583. O duque de Sabóia, adoecera em Vercelli, e os médicos estavam desesperançados, para lá partiu, chegando ainda com tempo para o encontrar vivo. O duque, ao pressentir o santo arcebispo no quarto, exclamou: – Estou curado! São Carlos, administrou-lhe a comunhão, no dia seguinte e ordenou orações para que se restabelecesse. O duque viveu persuadido de que, depois de Deus, devia a cura aos méritos do santo. Quando, afinal, veio a falecer, deixou ordenado lhe acendessem uma lâmpada de prata no túmulo, em, sinal de agradecimentos por aquele benefício. Ia São Carlos, de quando em quando, fazer retiros em Camaldules e noutros lugares solitários. Apreciava, especialmente, fazê-lo em Monte-Varalli, na diocese de Novara, nas fronteiras da Suíça. Ali os mistérios da paixão eram representados nas diferentes capelas. Em 1584, reuniu-se com seu confessor, para preparar-se para a morte, que dizia, já estava próxima. E passou, então, a redobrar as austeridades. Neste último retiro, parecia mais embevecido em Deus do que nunca, livre de todas as coisas terrenas, bem longe de tudo o que formigava cá embaixo. A abundância de lágrimas, tanto chorava, obrigava-o a interromper, constantemente, a celebração as santa missa. Passava a maior parte do tempo na capela chamada Súplica do Jardim, e naquela Do Sepulcro. Dir-se-ia um morto, tão engolfado vivia no Salvador, para reconhecer a si mesmo. Aos 24 de outubro, terça-feira, foi tomado por uma grande febre. Aos 29, tendo terminado o retiro, partiu para Arona. A febre aumentava, e o que era pior, era contínua. No dia dos mortos, foi levado para Milão, em liteira. A doença que o acometera foi julgada gravíssima. Havia momentos de melhora, mas em breve, o recrudescimento da febre anunciou-se por sintomas tão incômodos, que os médicos que a ele assistiam perderam toda a esperança que, havia bem pouco, ainda nutriam de o salvar. Carlos, que não interrompera os exercícios de devoção, recebeu o julgamento dos médicos com uma serenidade sobrenatural, com uma tranqüilidade difícil de se acreditar, e pediu os sacramentos da Igreja, sacramentos que recebeu com o maior fervor e unção. De tarde, principiava docemente a noite de 4 de novembro, morria, pronunciando estas palavras: – Ecce venio – Eis que eu venho. Por testamento, deixou para a catedral uma baixela, a biblioteca para o cabido, os manuscritos para o bispo de Vercelli, instituindo o hospital geral, seu herdeiro. Quanto aos funerais, deixou ordens explícitas para que se fizessem com a maior simplicidade. Escolhera como sepultura um recanto existente perto do coro, e não queria outra inscrição senão aquela que ainda hoje se lê numa pequena placa de mármore, que diz assim: “Carlos, Cardeal com o título de São Praxédes, arcebispo de Milão, que implora o socorrro das orações do clero, do povo e dos devotos em geral, escolheu esta tumba, quando em

São Martinho De Porres, Religioso

São Martinho de Porres nasceu em Lima, Peru em 9 de Dezembro de 1579. Era filho ilegítmo de João de Porres, nobre espanhol pertencente à Ordem de Alcântara e de Ana Velásquez, negra alforriada. Ainda na infância foi reconhecido pelo pai, bem como a sua irmã Joana, tendo ambos siso levados para Guayaquil, onde ocupava um cargo na administração local. Quatro anos depois, foi o seu pai nomeado governador do Panamá, pelo que enviou o filho à mãe, em Lima (actual Peru), deixando a filha sob os cuidados de outros parentes. Martinho de Porres tornou-se aprendiz de Mateo Pastor, que exercia o ofício de cirurgião, dentista e barbeiro. Foi ali que o jovem mestiço aprendeu os rudimentos de medicina, que depois lhe seriam tão úteis no convento. Aos 15 anos, resolveu dedicar-se à vida religiosa, tentando entrar num convento da Ordem de São Domingos, o que não foi fácil dada a sua condição de pobre e mestiço. Foi no convento de Nossa Senhora do Rosário que Martinho quis entrar na qualidade de doado, isto é, quase escravo, aceitando servir, não como frade, mas como irmãos cooperador, o lugar mais baixo na hierarquia da Ordem. Comprometeu-se a servir toda a vida, sem nenhum vínculo com a comunidade, e com o único benefício de vestir o hábito religioso. Após o primeiro ano de prova, recebeu o hábito de cooperador. Mas isso não agradou ao orgulhoso pai, de quem levava o sobrenome. Dom João pediu aos superiores dominicanos que recebessem Martinho, de tão ilustre estirpe pelo lado paterno, ao menos na qualidade de irmão leigo. Ora, isso era contra as constituições da época, que não permitiam receber na Ordem pessoas de cor. O Superior quis que o próprio Martinho decidisse. “Eu estou contente neste estado – respondeu ele – porque no serviço de Deus não há inferiores nem superiores, e é meu desejo imitar o mais possível a Nosso Senhor, que se fez servo por nós”. Tal atitude encerrou a questão. A santidade estava impregnada nele, que além do talento especial para a medicina foi agraciado com dons místicos. Possuía muitos dons, como da profecia, da inteligência infusa, da cura, do poder sobre os animais e de estar em vários lugares ao mesmo tempo. Segundo a tradição, embora nunca tenha saído de Lima, há relatos de ter sido visto aconselhando e ajudando missionários na África, no Japão e até na China. Como são Francisco de Assis, dominava, influenciava e comandava os animais de todas as espécies, mesmo os ratos, que o seguiam a um simples chamado. A fama de sua santidade ganhou tanta força que as pessoas passaram a interferir na calma do convento, por isso o superior teve de proibi-lo de patrocinar os prodígios. Mas logo voltou atrás, pois uma peste epidêmica atingiu a comunidade e muitos padres caíram doentes. Então, Martinho associou às ervas a fé, e com o toque das mãos curou cada um deles. Encarregado da enfermaria do convento, auxiliava todos quantos se lhe dirigiam, fossem seus irmãos da comunidade, fosse pessoas da cidade. Além de cuidar da enfermaria, varria todo o convento, cuidava da rouparia, cortava o cabelo dos duzentos frades, e era o sineiro, dispensando ainda de seis a oito horas por dia à oração. Quando uma epidemia atingiu Lima, no convento do Rosário sessenta religiosos ficaram enfermos e muitos estavam numa seção fechada do convento. São Martinho teria passado a portas fechadas para cuidar deles, um fenômeno que encontraria residência. Martinho levava doentes para o convento, até que o Superior provincial, alarmado com o contágio, proibiu-o de continuar a fazê-lo. Sua irmã, que morava no país, ofereceu sua casa para alojar todos aqueles que a residência do religioso não poderia. Um dia ele encontrou na rua um pobre índio, sangrando até a morte por uma punhalada, e levou-o ao seu próprio quarto. O Superior, quando soube tudo isto, o repreendeu por desobediência. O Superior foi extremamente edificado pela sua resposta: “Perdoa meu erro, e por favor me instrui, porque eu não sabia que o preceito da obediência se sobrepõe ao da caridade.” Então o Superior deu-lhe liberdade para seguir as suas inspirações posteriormente no exercício da misericórdia. Tinha uma horta na qual ele mesmo cultivava as plantas que utilizava para suas medicinas. Estando doente o Bispo de La Paz, de passagem por Lima mandou que chamassem Frei Martinho para que o curasse. O simples contato da mão do doado em seu peito o livrou de grave moléstia que o levava ao túmulo. Foi um precioso amigo e colaborador de Santa Rosa de Lima e de Juan Macias, igualmente dominicanos. Além de todas essas atividades, Martinho saía também do convento para pedir esmolas para os mais necessitados. Martinho, com o corpo gasto pelo excesso de trabalho, jejum contínuo e penitência, faleceu aos 60 anos de idade, em 1639. Martinho foi beatificado em 1837 pelo Papa Gregório XVI e canonizado pelo Papa João XXIII em 1962. A sua festa litúrgica celebra-se a 3 de novembro. Fonte: http://bit.ly/2P5hWvr   The post São Martinho de Porres, religioso appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Dia De Finados

A caridade, mais forte do que a morte, uniu-as do céu à terra, e da terra ao purgatório, e é pelo mesmo sacrifício que nós agradecemos a Deus, a glória com a qual cumula os santos do céu, e imploramos a misericórdia para os santos do purgatório, santos ainda não perfeitos. A Igreja triunfante do céu, a Igreja militante da terra e a Igreja sofredora do purgatório, paciente, nada mais são que uma só mesma Igreja; que a caridade, mais forte que a morte as uniu do céu à terra, e da terra ao purgatório. São como três partes duma só e mesma procissão de santos, procissão que avança da terra ao céu. As almas do purgatório participarão daquela procissão um dia. Sim, porque ainda não tem, bem brancas, as vestimentas de festa, a roupa nupcial ainda guarda nódoas, aquelas nódoas que somente o sofrimento limpa. Então, como os contemporâneos de Noé, aqueles que não fizeram penitência senão no momento do dilúvio foram encerrados em prisões subterrâneas, até que Jesus Cristo lhes aparecesse, anunciando-lhes a libertação, quando de sua descida aos infernos. Como os fiéis da Igreja triunfante, os fiéis da Igreja militante e os fiéis da Igreja sofredora e paciente, são membros dum mesmo corpo – que é Jesus Cristo – e tanto uns como outros participam, interessam-se, condoem-se da glória, dos perigos, dos sofrimentos duns e doutros, tal qual os membros do corpo humano. Vejamos um exemplo: o pé está em perigo de saúde ou sofre dores: todos os membros do corpo jazem em comoção. Os olhos olham-no, as mãos protegem-nos, a voz chama por socorro, para afastar o mal ou o perigo. Uma vez afastado o mal, regozijam-se todos os membros. É o que acontece com o corpo vivo da Igreja universal. E vemos os heróis da Igreja militante, os ilustres Macabeus, assistidos pelos anjos e santos de Deus, especialmente pelo grande sacerdote Onias e pelo profeta Jeremias, rogar e oferecer sacrifícios por esses irmãos que estavam mortos pela causa de Deus, mas culpados desta ou daquela falta. No dia seguinte, depois duma vitória, Judas Macabeu e os seus surgiram para retirar os mortos e depositá-los no sepulcro dos antepassados e encontraram sobre as túnicas dos que estavam mortos coisas que haviam sido consagradas aos ídolos de Jamnia, que a lei proibia aos judeus tocar. Foi, pois, manifesto a todos que era por isso que haviam sido mortos. E todos louvaram o justo julgamento do Eterno, que descobre o que está escondido, e suplicaram-lhe que fosse esquecido o pecado cometido. Judas exortou o povo a que se preservasse do pecado, tendo diante dos olhos o que viera pelo pecado dos que haviam sucumbido. E, depois de ter feito uma coleta, enviou a Jerusalém duas mil dracmas de prata, para que fosse oferecido um sacrifício pelo pecado dos mortos, agindo muito bem, pensando que estava na ressurreição. Porque se não tivesse esperança de que os que vinham de sucumbir ressuscitassem um dia, seria supérfluo e tolo rogar pelos mortos. Judas, porém, considerava que uma grande misericórdia estava reservada aos que estão adormecidos na piedade. Santo e piedoso pensamento! Foi por isso que ofereceu um sacrifício de expiação pelos defuntos, para que fossem livres dos pecados. Tais são as palavras e reflexões da Escritura santa, segundo o texto grego, e as mesmas, mais ou menos, no latino. Nosso Senhor mesmo adverte, bastante claramente, que há um purgatório, quando nos recomenda em São Mateus e São Lucas: “Conciliai-Vos com vossos inimigos (a lei de Deus e a consciência) enquanto estais em caminho para irdes ao príncipe, não seja que este inimigo vos entregue ao juiz, o juiz ao executor, e que sejais metido numa prisão. Em verdade vos digo, dela não saireis, enquanto não pagardes o último óbolo.” Segundo essas palavras, está bem claro que há uma prisão de Deus, onde se é arrojado por dívidas para a com sua justiça, e donde não se sai – senão quando tudo estiver pago. Nosso Senhor, em São Mateus, disse-nos ainda: “Todo pecado e blasfêmia será perdoado aos homens, porém, a blasfêmia contra o Espírito Santo não será perdoada, nem neste século nem no futuro”. Onde se vê que os outros pecados podem ser perdoados neste século e no futuro, como o livro dos Macabeus diz expressamente dos pecados daqueles que estavam mortos pela causa de Deus. Do mesmo modo, no sacrifício da missa, a santa Igreja de Deus lembra os santos que com Ele reinam no céu, a fim de lhes agradecer pela glória e nos recomendar à sua intercessão. Doutro lado, suplica a Deus que se lembre dos servidores e servidoras que nos precederam no outro mundo com a chancela da fé, dignando-se conceder-lhes a estadia no refrigério na luz e na paz. A crença do purgatório e a oração pelos mortos acham-se em todos os doutores da Igreja, bem como nos atos dos mártires, notadamente nos atos de São Perpétuo, escritos por ele mesmo. Todos os santos rogaram pelos mortos. Santo Odilon, abade de Cluny, no século XI, tinha um zelo particular pelo que dizia respeito ao refrigério das almas do purgatório. Foi movido pela compaixão, pensando no sofrimento das almas do purgatório que, adiantando-se à Igreja, ordenou se rogasse pelas almas, tendo, destinado para isso um dia especial. Eis como Santo Odilon animou tal instituição, começando pelas terras que lhes estavam afetas ao sacerdócio. (…) Quanto ao purgatório, nada de certo se sabe. Eis porém, o que se lê nas revelações de Santa Francisca de Roma, revelações que a Igreja autoriza a crer, sem, entretanto, a elas nos obrigar. Numa visão, a santa foi conduzida do inferno ao purgatório, que, igualmente está dividido em três zonas ou esferas, uma sobre a outra. Ao entrar, Santa Francisca leu esta inscrição: Maria, Mãe de Misericórdia, intercede por aquelas almas, que estão à espera da liberação Nossa Senhora do Purgatório, Igreja de Sta. Brígida, Montreal Aqui é o purgatório, lugar de esperança, onde se faz um intervalo. A zona inferior é toda

Dia De Todos Os Santos E Fiéis Defuntos

UM LUGAR DE PURIFICAÇÃO Que local misterioso é esse entre a terra e o Céu, cujos “habitantes” pedem veementemente nossa ajuda e também podem nos beneficiar? Carlos Werner Benjumea Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás em caminho com ele, para não suceder que te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao seu ministro e sejas posto em prisão. Em verdade te digo: dali não sairás antes de teres pago o último centavo” (Mt 5, 25-26). Jesus estava falando aos Apóstolos a respeito das punições que esperam os pecadores após a morte. Antes se referira ao fogo da geena – o Inferno -, uma prisão perpétua, eterna. Mas aqui Ele fala de um cárcere do qual se poderá sair, desde que seja pago o débito, até o último centavo. Essa prisão temporária, um estado de purificação para os que morrem cristãmente sem terem atingido a perfeição, é o Purgatório. Lugar misterioso, mas onde reina a esperança e os gemidos de dor são entremeados por cânticos de amor a Deus. Caro leitor, eis um assunto do qual se fala pouco, mas cujo conhecimento é vital para nós e para nossos entes querido s que já partiram desta vida. Convido-o a repassar comigo diversos aspectos desse importante tema. A festa de Finados No dia 2 de novembro, a sagrada Liturgia se lembra de modo especial dos fiéis defuntos. Depois de ter celebrado – n Santo Odilon instituiu no calendário cluniacense a “Festa dos Mortos” (Vitral do museu de Cluny) o dia anterior, festa de Todos os Santos – os triunfos de seus filhos que já alcançaram a glória do Céu, a Igreja dirige seu maternal desvelo para aqueles que sofrem no Purgatório e clamam com o salmista: “Tirai-me desta prisão, para que possa agradecer ao vosso nome. Os justos virão rodear-me, quando me tiverdes feito este benefício” (Sl 141, 8). A gênese dessa celebração está na famosa abadia de Cluny, quando seu quinto Abade, Santo Odilon, instituiu no calendário litúrgico cluniacense a “Festa dos Mortos”, dando especial oportunidade a seus monges de interceder pelos defuntos, ajudando-os a alcançarem a bemaventurança do Céu. A partir de Cluny, essa comemoração foi-se estendendo entre os fiéis até ser incluída no Calendário Litúrgico da Igreja, tornando- se uma devoção habitual, em todo o mundo católico. Talvez o leitor, como milhares de outros fiéis, tenha o costume de visitar o cemitério nesse dia, para recordar os familiares e amigos falecidos, e por eles orar. Muitos cristãos, porém, não prestam ouvidos aos apelos de seu coração, que os move a sentir saudades de seus entes queridos e a aliviálos com uma prece. Talvez por falta de cultura religiosa, ou por falta de alguém que as incentive ou oriente, muitas pessoas nem vêem a necessidade de rezar pelas almas dos falecidos. A inúmeras outras, a existência do Purgatório causa estranheza e antipatia. Seja como for, tanto por amor às almas que esperam ver-se livres de suas manchas para entrarem no Paraíso, quanto para estimular em nós a caridade para com esses irmãos necessitados, como também para nosso próprio proveito, vejamos o “porquê” e o “para quê” da existência do Purgatório. Purificação necessária para entrar no Céu Sabemos que a Igreja Católica é una. É o que rezamos no Credo. Entretanto, os membros da Igreja não estão todos aqui, entre nós, mas em lugares diversos, como diz o Concílio Vaticano II. Alguns “peregrinam sobre a terra, outros, passada esta vida, são purificados, outros, finalmente, são glorificados” (Lumen Gentium, 49). Entre a terra e o Céu não é raro acontecer, no itinerário da alma fiel, um estágio intermediário de purificação. Segundo nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, por aí passam “os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão perfeitamente purificados”. Por isso “passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu” (nº 1030). Esse estado de purificação nada tem a ver com o castigo dos condenados ao Inferno, pois as almas do Purgatório têm a certeza de haver conquistado o Céu, mesmo que sua entrada ali tenha sido adiada por causa de seus resíduos de pecado. A primeira epístola aos Coríntios faz referência ao exame a que serão submetidos os cristãos, os quais, havendo recebido a Fé, devem continuar em si a obra de sua santificação. Cada um será examinado no respeitante ao grau de perfeição que atingiu: “Se alguém edifica sobre este fundamento, com ouro, ou com prata, ou com pedras preciosas, com madeira, ou com feno, ou com palha, a obra de cada um aparecerá. O dia (do julgamento) demonstrá- lo-á. Será descoberto pelo fogo; o fogo provará o que vale o trabalho de cada um. Se a construção resistir, o construtor receberá a recompensa. Se pegar fogo, arcará com os danos. Ele será salvo, porém passando de alguma maneira através do fogo” (1Cor 3, 12-15). “Ele será salvo”, diz o Apóstolo, excluindo o fogo do Inferno, no qual ninguém pode ser salvo, e se referindo ao fogo temporário do Purgatório. Comentando este e outros trechos da Sagrada Escritura, a Tradição da Igreja nos fala do fogo destinado a limpar a alma, como explica São Gregório Magno em seus Diálogos: “Com relação a certas faltas leves, é necessário crer que, antes do Juízo, existe um fogo purificador, como afirma Aquele que é a Verdade, ao dizer que, se alguém pronunciou uma blasfêmia contra o Espírito Santo, essa pessoa não será perdoada nem neste século nem no futuro (Mt 12, 31). Por essa frase, podemos entender que algumas faltas podem ser perdoadas neste século, mas outras no século futuro”. Por que existe o Purgatório? Será Deus tão rigoroso a ponto de não tolerar nem mesmo a menor imperfeição, limpando-a com penas severas? Esta pergunta facilmente pode nos vir à mente. Em primeiro lugar, devemos nos lembrar desta verdade: depois de nossa morte, não seremos julgados segundo nossos próprios critérios, pois “o que o homem vê não

Santo Afonso Rodríguez, Jesuíta, Porteiro De Colégio

Afonso Rodríguez exerceu a princípio a profissão de mercador de tecidos na cidade de Segóvia, onde nasceu no dia 25 de julho de 1531. Deus, porém, que o chamava a uma vida mais perfeita, permitiu-lhe padecer uma série de provações, destinadas a desapegá-lo completamente do mundo. Sofreu alguns prejuízos consideráveis no negócio, depois que a morte lhe levou a esposa e uma filha, às quais amava ternamente. Contudo, restava-lhe um filho, poderoso consolo para tão aflito coração; mas este morreu pouco tempo depois de sua mãe e de sua irmã. Afonso, adorando a mão de Deus que o feria, desde então se dedicou totalmente às obras de mortificação cristã, e entregou-se à prática de grandes austeridades. Assim passou três anos, consultando Deus e suplicando-lhe que lhe desse a conhecer a sua vontade. Foi então que se decidiu pela Companhia de Jesus, na qual entrou no ano de 1509, e pronunciou os votos finais em 5 de abril de 1585. Seus superiores confiaram-lhe o cargo de porteiro do colégio de Maiorca, humilde função que o santo religioso desempenhou até o fim de sua vida, durante numerosos anos. Foi neste posto, aparentemente tão insignificante, que se elevou à mais alta santidade, conservando a idéia de Deus continuamente presente no seu espírito, vivendo em permanente mortificação, obedecendo com humildade perfeita aos seus superiores, e dando provas de uma ilimitada caridade, de uma complacência e uma mansuetude inalteráveis, fosse em relação a seus irmãos, fosse em relação aos alunos e aos estrangeiros que freqüentavam o colégio. Várias vezes, viram-no arrebatado em êxtase enquanto orava, mas os dons de Deus não lhe enchiam de vaidade o coração. Afonso Rodríguez considerava-se o maior dos pecadores e os favores que recebia do Senhor só serviam para incutir nele sentimentos da mais profunda humildade. Esse santo religioso morreu no dia 31 de outubro de 1617, com a idade de oitenta e seis anos, e foi considerado objeto de uma veneração toda especial, tanto por parte do povo do lugar, como por parte de seus irmãos. No ano de 1627, o Papa Urbano VIII começou a informar-se sobre as suas virtudes. Foi beatificado por Leão XII, em 20 de setembro de 1828, e canonizado por Pio IX. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 94-95) The post Santo Afonso Rodríguez, Jesuíta, Porteiro de Colégio appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

São Marcelo, Centurião – Mártir

I Aos 5 das calendas de agosto, sob o consulado de Fausto e de Galo, Marcelo, centurião, tendo comparecido diante do governador Astásio Fortunato, este lhe perguntou: – É verdade que julgas bom, contra a disciplina, tirar o centurião e arrojar por terra a espada e a cepa de vinho? São Marcelo respondeu: – Sim a 12 das calendas de agosto, quando celebraste a festa do teu imperador, eu já havia declarado em alta voz que era cristão e que não o poderia mais servir como oficial. Não sirvo senão a Jesus Cristo, o Filho de Deus Todo-poderoso. – Fortunato replicou: – Causaste um escândalo. Não posso abafar o sucedido. Sou obrigado a encaminhar-se aos nossos senhores Augustos e Césares. Tu serás, pois, enviado ao tribunal de meu senhor Agricolano.   II Manílio Fortunato, ao seu querido Agricolano, saudações. Quando celebramos o dia tão bem-aventurado e tão jubiloso para todo o universo do próprio nascimento de nossos Augustos e Césares, eu te informo, Senhor Aurélio Agricolano, que Marcelo, centurião ordinário, presa de não sei que loucura, despojou-se espontaneamente do seu boldrié e achou bom arrojar diante das tropas de nossos senhores a espada e a cepa que trazia. Vi-me, então, na necessidade de enviar o caso à tua jurisdição, e de te conduzir o inculpado. III Sob o consulado de Fausto e de Galo, aos 3 das calendas de novembro, em Tingi, Marcelo, centurião, foi introduzido diante do juiz. Leitura foi feita das peças pelo escrivão. O governador Fortunato conferiu a tua jurisdição a Marcelo aqui presente. Eis a carta escrita a este respeito e a qual vai ser lida, se tu o ordenares. Agricolano pronunciou: – Que seja lida. – Depois da leitura, Agricolano perguntou ao acusado: – Disseste o que foi consignado na ata? – Eu o disse. – Cada uma destas palavras? – Sim. – Tu servias como centurião ordinário? – Sim. – Que loucura furiosa te possuiu, para repudiares teus juramentos e seguires estas aberrações? – Não há loucura no temor de Deus. – Tu te despojastes das armas? – Sim. Não convém a um cristão aplicar-se nos serviços do século. Ele serve o Cristo Senhor. Agricolano concluiu: – O caso de Marcelo é o dos que sanciona a disciplina. Ouvimos que Marcelo, que servia na qualidade de centurião ordinário, publicamente repudiou, e em termos infamantes, o juramente militar, e que, ademais, como consta da ata do governador, valeu-se de palavras furiosas; fica, pois, decidido que será castigado pela espada. Quando o levavam para o suplício, o mesmo Marcelo disse: – Agricolano, Deus te abençoe! Era bem assim que Marcelo, o mártir glorioso, devia deixar o mundo. Resumo do martirológio: Em Tanger, na Mauritânia, a paixão de São Marcelo, centurião, pai dos santos mártires Claudio, Lupércio e Vitório: teve a cabeça cortada e assim consumiu o martírio sob Agricolano, lugar-tenente do prefeito do pretório em 298. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVIII, p. 80 à 82)     The post São Marcelo, Centurião – Mártir appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho