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São Pamáquio, Confessor

Pamáquio era um nobre romano, riquíssimo, da ordem sanatorial. Nós o conhecemos, principalmente, através de São Jerônimo, seu contemporâneo e condíscipulo, do qual o Doutor, numa carta, diz: “Meu velho condiscípulo, camarada e amigo. Primo de Marcelo, que seria discípulo de São Jerônimo, Pamáquio, que pertencia à família dos Furii, ligada aos mais belos nomes cristãos de então, casou-se com Paulina, e segunda filha de Santa Paulo, “ilustre dirigida de Jerônimo”. Morta a esposa, fervente cristã, Jerônimo escreveu-lhe, consolando-o. E Pamáquio, tendo adotado um costume e um gênero de vida monásticos, embora permanecendo no mundo, acabou por transformar o palazzo em que vivia, no Célio, em ponto de reunião de cristãos. No século IX, podia ler-se no frontal da vastíssima residência, depois basílica, porque Pamáquio engrandeceu-a com uma abside e edifícios anexos, o seguinte: Quem fundou pelo Cristo Tal casa, e tão vasta, Tão venerável? Tu queres saber? Foi Pamáquio, No seu culto da fé Cultor Pammachius fidei: esta expressão acha-se no princípio do cânon da missa: catholicae et apostolicae fidei cultoribus. O atual título dos Santos João e Paulo chamava-se, outrora, Titulus Pammachii. Dizia, numa carta, São Jerônimo: Pamáquio, meu caríssimo Pamáquio: se eu te interpretar o nome, revelar-se-á verdadeiramente profético, e tu te mostrarás combatendo de todas as maneiras contra o diabo e a potências adversas. Com efeito, Pamáquio foi tenaz adversário de donatistas, levando mesmo muitos deles à conversão: em fins do ano 401, Santo Agostinho escrevia-lhe uma ardorosa carta, na qual lhe felicitava o feito. São Pamáquio, confessor, faleceu em 410, quando da tomada de Roma pelos bárbaros, pelas hordas loucas de Alarico na noite de 24 de Agosto. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XV, p. 345-346) The post São Pamáquio, Confessor appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

São Pamáquio, Confessor

Pamáquio era um nobre romano, riquíssimo, da ordem sanatorial. Nós o conhecemos, principalmente, através de São Jerônimo, seu contemporâneo e condíscipulo, do qual o Doutor, numa carta, diz: “Meu velho condiscípulo, camarada e amigo. Primo de Marcelo, que seria discípulo de São Jerônimo, Pamáquio, que pertencia à família dos Furii, ligada aos mais belos nomes cristãos de então, casou-se com Paulina, e segunda filha de Santa Paulo, “ilustre dirigida de Jerônimo”. Morta a esposa, fervente cristã, Jerônimo escreveu-lhe, consolando-o. E Pamáquio, tendo adotado um costume e um gênero de vida monásticos, embora permanecendo no mundo, acabou por transformar o palazzo em que vivia, no Célio, em ponto de reunião de cristãos. No século IX, podia ler-se no frontal da vastíssima residência, depois basílica, porque Pamáquio engrandeceu-a com uma abside e edifícios anexos, o seguinte: Quem fundou pelo Cristo Tal casa, e tão vasta, Tão venerável? Tu queres saber? Foi Pamáquio, No seu culto da fé Cultor Pammachius fidei: esta expressão acha-se no princípio do cânon da missa: catholicae et apostolicae fidei cultoribus. O atual título dos Santos João e Paulo chamava-se, outrora, Titulus Pammachii. Dizia, numa carta, São Jerônimo: Pamáquio, meu caríssimo Pamáquio: se eu te interpretar o nome, revelar-se-á verdadeiramente profético, e tu te mostrarás combatendo de todas as maneiras contra o diabo e a potências adversas. Com efeito, Pamáquio foi tenaz adversário de donatistas, levando mesmo muitos deles à conversão: em fins do ano 401, Santo Agostinho escrevia-lhe uma ardorosa carta, na qual lhe felicitava o feito. São Pamáquio, confessor, faleceu em 410, quando da tomada de Roma pelos bárbaros, pelas hordas loucas de Alarico na noite de 24 de Agosto. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XV, p. 345-346) The post São Pamáquio, Confessor appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Martírio De São João Batista

João, cujo nascimento celebramos a 24 de Junho, deixa o mundo desde sua primeira infância; deixa mesmo a casa paterna que era todavia uma casa de santos e retira-se para o deserto, longe do bulício dos homens, para só conversar com Deus. Tem como veste apenas um rude cilício de pele de camelo, um cinto também tão espantoso sobre os rins; como alimento, gafanhotos e mel silvestre; e na sede, água pura. Exposto às intempéries e não tendo outro retiro que os rochedos, sem recurso, sem servidores, e sem outra manutenção; essa a vida que leva João Batista, desde a infância. Queixamo-nos ainda agora! Mas eis aqui uma privação bem mais surpreendente. João Batista tinha sentido sobre a terra o Verbo Encarnado, desde o seio de sua mãe; o pai tinha-lhe predito que ele seria o profeta e devia preparar-lhe o caminho. Entretanto, ele não deixa o deserto para o ir ver entre os homens; ele o conhece tão pouco, que será necessário que o Espírito Santo lhe dê um sinal, para o conhecer, quando chegar o tempo de o manifestar ao mundo. Todavia, ele ocupa-se sem cessar de Jesus, sem cessar ele medita em sua grandeza, sem cessar ele o adora em silêncio, sem cessar o escuta dentro de si. Ele não tem curiosidade de o ver com os olhos do corpo: é que ele sabe que Jesus opera invisivelmente, de longe como de perto. Eis quem deve servir e amar a Jesus, não mais como criança, que é preciso nutrir de leite, de consolações sensíveis, mas como homem feito, que se nutre de alimento sólido, que se nutre de privações e de sofrimentos. Somos assim? Morrei, delicadeza no beber e no comer, delicadeza nas vestes, delicadeza no dormir; morreu, orgulho humano; morrei, curiosidade, ambição, desejo de aparecer. Se, como João Batista, queremos preparar os caminhos para Jesus, introduzi-los nos nossos corações e nos corações dos outros, como João Batista, morramos a toda vista humana, a todo afeto da carne e do sangue. Há quinhentos anos não aparecia mais profeta. Mas uma grande novidade se espalha: um profeta veio do deserto e prega nas margens do Jordão. É o filho de Zacarias e de Isabel; seu nome é João; seu nascimento foi maravilhoso; sua vida é ainda mais maravilhosa. Não come, não bebe, por assim dizer; vive de gafanhotos e de mel silvestre. Seu vestuário é um rude cilício com um cinto de couro. Fazei frutos dignos de penitência, diz, porque o reino de Deus está próximo e o Messias vai aparecer. Toda a Judéia, toda Jerusalém para lá acorre e recebe o batismo de penitência, confessando os pecados. Corramos nós também à pregação desse admirável missionário; nós também confessemos os pecados e recebamos o batismo da penitência, para nos prepararmos à vinda de Jesus Cristo, a nossos corações. Que multidão de pecadores abraça a penitência! João dizia-lhes: Já o machado está posto à raiz das árvores; toda árvore que n]ao der bons frutos será cortada e atirada ao fogo. Que faremos então? Perguntava a multidão do povo. Mestre, que faremos? Perguntavam os publicanos. E nós também, perguntavam os soldados, que faremos? E ele dizia a cada um o que devia fazer, e todos o faziam. Os maiores pecadores, as mulheres de má vida, acreditavam na pregação, convertiam-se e ganhavam o céu. Os fariseus ao contrário, os escribas, aqueles que se consideravam sábios e justos, não acreditavam e não se convertiam. Temamos que, em nos ocupando de ciência, observando uma regularidade exterior, nos não enchamos de orgulho, como os escribas e os fariseus, e não percamos, como eles, o espírito de penitência e de compunção. Talvez os pecadores do mundo, cujos escândalos deploramos, se convertam e nos precedam no céu, ao passo que, árvores cheias de flores e de folhas, mas sem bons frutos, seremos cortados e atirados ao fogo. Deus nos livre de tal calamidade! A admiração que se teve pelo santo precursor foi logo tão grande, que o povo tinha o espírito suspenso e todos pensavam se João não seria Cristo. Mas João respondeu a todos: Eu vos batizo na água para a penitência; mas aquele que deve vir depois de mim é mais poderoso que eu e não sou digno de lhes desatar as correias das sandálias (como faria um escravo ao senhor). Não, não sou digno de me prostrar diante dele, para lhe desatar a correia da sandália. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo. Tem o abano na mão e limpará a eira; ajuntará o trigo no celeiro e queimará a palha num fogo que jamais se extinguirá. Não somente o povo tinha de João tão alta idéia. A cidade de Jerusalém manda-lhe uma solene delegação de padres e de levitas, para lhe perguntar se era o Messias. Ele respondeu claramente: Não sou Cristo. – Como então? Sois Elias? – Não. – Sois um profeta? – Não. – Que sois, então? Que dizeis de vos mesmo? – Eu sou a voz daquele que clama no deserto: Endireitai os caminhos do Senhor, como disse o profeta Isaías. – Mas, se não sois nem Cristo, nem Elias, nem profeta, porque, então, batizais? – Eu vos batizo, respondeu ele, na água, mas há no meio de vós quem não conheceis; deve vir depois de mim; e não sou digno de lhes desatar os cordões das sandálias. – Esse era João Batista. Quanto mais o elevam, mais ele se abaixa, mais atribui a Jesus somente toda sua glória. Entretanto, como o Senhor mesmo nos afirma, João era Elias em espírito e em virtude, se não o era em pessoa, era profeta e mais que profeta, porque devia não somente anunciar o Cristo futuro, mas mostrá-lo já vindo, batizá-lo com suas mãos. E com isso se julga indigno de lhes prestar os mais humildes serviços, de desatar-lhe as sandálias. Ó minha alma, ousaremos ainda glorificarmo-nos de alguma coisa? Orgulhamo-nos de vãos louvores que se nos dão, cobiçar os que nos não dão! Quem somos, perto de

Santo Agostinho, Bispo De Hipona

Nasceu a 13 de novembro de 354, na pequena cidade de Tagaste, perto de Madaura e de Hipona, na Numídia, a Argélia atual. Seus pais eram de condição honesta; o pai, membro do corpo municipal, chamava-se Patrício, a mãe Mônica. Tiveram grande cuidado em o fazer instruir nas letras humanas e todos notavam nele um espírito excelente e disposições maravilhosas para as ciências. Tendo caído doente na infância, e em perigo de morte, pediu o batismo sendo logo catecúmeno, pelo sinal da cruz e pelo sal. Sua mãe, piedosa e fervorosa cristã, dispunha tudo para a cerimônia. Mas de repente ele melhorou e o batismo foi adiado. Estudou primeiro em Madaura, gramática e retórica até à idade de dezesseis anos, quando o pai o fez voltar a Tagaste e aí ficou um ano, enquanto se preparavam as coisas necessárias para que fosse terminar os estudos em Cartago; a paixão de mandar esse filho estudar obrigava o pai a esforços superiores à sua fortuna, que era medíocre. Durante a permanência em Tagaste, o jovem Agostinho, desprezando os sábios conselhos de sua mãe, começou por se deixar levar a amores desonestos, convidado pela ociosidade e pela complacência do pai, que ainda não era cristão. Mas o foi antes da morte, que aconteceu pouco tempo depois. Agostinho chegou a Cartago e afundou-se cada vez mais no amor das mulheres, que fomentava com espetáculos dos teatros. Não deixava de pedir a Deus a castidade, mas, acrescenta, que não seja agora. Entretanto caminhava com grande êxito nos estudos, que tinham por objetivo chegar aos cargos e à magistratura, pois a eloqüência lhes era então o caminho. Entre as obras de Cícero, que estudava, leu o Hortensius que não temos mais e que era uma exortação à filosofia. Ele ficou encantado e começou então, na idade de dezenove anos, a desprezar as vãs esperanças do mundo e a desejar a sabedoria e os bens imortais. Foi o primeiro movimento de sua conversão. A única coisa que o desgostava nos filósofos é que neles não encontrava o nome de Jesus Cristo que tinha recebido com o leite de mãe e que tinha causado profunda impressão em seu coração. Quis então ler as Sagradas Escrituras, mas a simplicidade do estilo desagradou-lhe, habituado como estava à elegância de Cícero. Depois, caiu nas mãos dos maniqueus que, falando somente de Jesus Cristo, do Espírito Santo e da verdade, o seduziram com seus discursos pomposos, deram-lhe o gosto por suas ilusões e aversão pelo Novo Testamento. Entretanto, sua mãe, mais aflita do que se o tivesse visto morto, não queria mais comer com ele; veio consolá-la este sonho: Ela estava num bosque e um jovem resplandecente vinha a ela, sorrindo, perguntando-lhe a causa de suas penas; ela respondeu-lhe que chorava a perda do filho. Vede, disse ele, esta convosco! De fato, viu-o junto de si, no mesmo lugar. Contou depois o sonho a Agostinho, que lhe disse: Vós sereis o que Eu sou. Mas ela respondeu sem hesitar: Não! Porque não me disseram: Tu estarás onde ele está mas ele estará onde tu estás. Desde aquele tempo, viveu e comeu com ele, como antes. Dirigiu-se a um santo bispo e rogou-lhe falasse ao filho. O bispo respondeu: ainda é muito indócil e está muito cheio daquela heresia, que lhe é nova. Deixai-o, e contentai-vos de rogar por ele; ele verá, lendo, qual é seu erro. Eu que vos falo, na minha infância fui entregue aos maniqueus por minha mãe, que tinham seduzido; não somente li, mas transcrevi quase todos os seus livros e eu mesmo me enganei. A mãe não se contentou com as palavras do santo bispo; chorando abundantemente, continuou a insistir que falasse com o filho; o bispo respondeu com certo humor: Ide, é impossível que o filho de tantas lágrimas pereça! O que ela ouviu como um oráculo do céu. Seu filho, todavia, ficou nove anos maniqueu desde os dezenove até os vinte e oito anos. Tendo terminado os estudos, ensinou, na sua cidade de Tagaste, gramática e depois retórica. Um arúspice se ofereceu para fazê-lo ganhar o prêmio numa disputa de poesia, por meio de alguns sacrifícios de animais; mas ele rejeitou-o com horror não querendo ter relação alguma com demônios. Todavia, não fazia dificuldade em consular os astrólogos e ler-lhes os livros. Mas disso foi dissuadido por um sábio ancião, chamado Vindiciano, médico famoso, que tinha reconhecido, por experiência, a vaidade desse estudo, Agostinho tinha então um amigo íntimo que ele também fizera maniqueu, pois cuidava de seduzir os outros. O amigo caiu doente e ficou muito tempo fora de si: como se perdera a esperança de o salvar, deram-lhe o batismo, Quando voltou a si, Agostinho quis zombar do batismo que tinha recebido naquele estado: mas o doente repeliu as palavras com horror e disse-lhe, com inesperada liberdade, que, se queria ser seu amigo, não lhe devia nunca mais falar daquele modo. Morreu poucos dias depois, fiel à graça. Agostinho, que o amava como a si mesmo, ficou inconsolável com a morte. Tinha mais ou menos vinte e seis anos, quando escreveu dois ou três livros: – Da Beleza e da Decência – que não chegaram até nós. Descobriu, nesse tempo, que sob a máscara de piedade os maniqueus, que se chamavam de santos e eleitos, ocultavam os costumes mais depravados. Cita vários escândalos públicos. Ao mesmo tempo começava a se aborrecer com as lendas que contavam, principalmente sobre o sistema do mundo, a natureza dos corpos e dos elementos. Tais conhecimentos, dizia, não são necessários à religião; é preciso não mentir e não se vangloriar de saber o que não se sabe, principalmente quando se quer passar, como Manés, por ser guiado pelo Espírito Santo. Gostava muito mais das razões que os matemáticos e os filósofos davam dos eclipses, dos solstícios e do curso dos astros. (…) Naquele tempo persuadiram-se a ensinar em Roma, onde os alunos eram mais razoáveis que em Cartago. Embarcou contra a vontade de sua mãe e a enganou

Santo Agostinho, Bispo De Hipona

Nasceu a 13 de novembro de 354, na pequena cidade de Tagaste, perto de Madaura e de Hipona, na Numídia, a Argélia atual. Seus pais eram de condição honesta; o pai, membro do corpo municipal, chamava-se Patrício, a mãe Mônica. Tiveram grande cuidado em o fazer instruir nas letras humanas e todos notavam nele um espírito excelente e disposições maravilhosas para as ciências. Tendo caído doente na infância, e em perigo de morte, pediu o batismo sendo logo catecúmeno, pelo sinal da cruz e pelo sal. Sua mãe, piedosa e fervorosa cristã, dispunha tudo para a cerimônia. Mas de repente ele melhorou e o batismo foi adiado. Estudou primeiro em Madaura, gramática e retórica até à idade de dezesseis anos, quando o pai o fez voltar a Tagaste e aí ficou um ano, enquanto se preparavam as coisas necessárias para que fosse terminar os estudos em Cartago; a paixão de mandar esse filho estudar obrigava o pai a esforços superiores à sua fortuna, que era medíocre. Durante a permanência em Tagaste, o jovem Agostinho, desprezando os sábios conselhos de sua mãe, começou por se deixar levar a amores desonestos, convidado pela ociosidade e pela complacência do pai, que ainda não era cristão. Mas o foi antes da morte, que aconteceu pouco tempo depois. Agostinho chegou a Cartago e afundou-se cada vez mais no amor das mulheres, que fomentava com espetáculos dos teatros. Não deixava de pedir a Deus a castidade, mas, acrescenta, que não seja agora. Entretanto caminhava com grande êxito nos estudos, que tinham por objetivo chegar aos cargos e à magistratura, pois a eloqüência lhes era então o caminho. Entre as obras de Cícero, que estudava, leu o Hortensius que não temos mais e que era uma exortação à filosofia. Ele ficou encantado e começou então, na idade de dezenove anos, a desprezar as vãs esperanças do mundo e a desejar a sabedoria e os bens imortais. Foi o primeiro movimento de sua conversão. A única coisa que o desgostava nos filósofos é que neles não encontrava o nome de Jesus Cristo que tinha recebido com o leite de mãe e que tinha causado profunda impressão em seu coração. Quis então ler as Sagradas Escrituras, mas a simplicidade do estilo desagradou-lhe, habituado como estava à elegância de Cícero. Depois, caiu nas mãos dos maniqueus que, falando somente de Jesus Cristo, do Espírito Santo e da verdade, o seduziram com seus discursos pomposos, deram-lhe o gosto por suas ilusões e aversão pelo Novo Testamento. Entretanto, sua mãe, mais aflita do que se o tivesse visto morto, não queria mais comer com ele; veio consolá-la este sonho: Ela estava num bosque e um jovem resplandecente vinha a ela, sorrindo, perguntando-lhe a causa de suas penas; ela respondeu-lhe que chorava a perda do filho. Vede, disse ele, esta convosco! De fato, viu-o junto de si, no mesmo lugar. Contou depois o sonho a Agostinho, que lhe disse: Vós sereis o que Eu sou. Mas ela respondeu sem hesitar: Não! Porque não me disseram: Tu estarás onde ele está mas ele estará onde tu estás. Desde aquele tempo, viveu e comeu com ele, como antes. Dirigiu-se a um santo bispo e rogou-lhe falasse ao filho. O bispo respondeu: ainda é muito indócil e está muito cheio daquela heresia, que lhe é nova. Deixai-o, e contentai-vos de rogar por ele; ele verá, lendo, qual é seu erro. Eu que vos falo, na minha infância fui entregue aos maniqueus por minha mãe, que tinham seduzido; não somente li, mas transcrevi quase todos os seus livros e eu mesmo me enganei. A mãe não se contentou com as palavras do santo bispo; chorando abundantemente, continuou a insistir que falasse com o filho; o bispo respondeu com certo humor: Ide, é impossível que o filho de tantas lágrimas pereça! O que ela ouviu como um oráculo do céu. Seu filho, todavia, ficou nove anos maniqueu desde os dezenove até os vinte e oito anos. Tendo terminado os estudos, ensinou, na sua cidade de Tagaste, gramática e depois retórica. Um arúspice se ofereceu para fazê-lo ganhar o prêmio numa disputa de poesia, por meio de alguns sacrifícios de animais; mas ele rejeitou-o com horror não querendo ter relação alguma com demônios. Todavia, não fazia dificuldade em consular os astrólogos e ler-lhes os livros. Mas disso foi dissuadido por um sábio ancião, chamado Vindiciano, médico famoso, que tinha reconhecido, por experiência, a vaidade desse estudo, Agostinho tinha então um amigo íntimo que ele também fizera maniqueu, pois cuidava de seduzir os outros. O amigo caiu doente e ficou muito tempo fora de si: como se perdera a esperança de o salvar, deram-lhe o batismo, Quando voltou a si, Agostinho quis zombar do batismo que tinha recebido naquele estado: mas o doente repeliu as palavras com horror e disse-lhe, com inesperada liberdade, que, se queria ser seu amigo, não lhe devia nunca mais falar daquele modo. Morreu poucos dias depois, fiel à graça. Agostinho, que o amava como a si mesmo, ficou inconsolável com a morte. Tinha mais ou menos vinte e seis anos, quando escreveu dois ou três livros: – Da Beleza e da Decência – que não chegaram até nós. Descobriu, nesse tempo, que sob a máscara de piedade os maniqueus, que se chamavam de santos e eleitos, ocultavam os costumes mais depravados. Cita vários escândalos públicos. Ao mesmo tempo começava a se aborrecer com as lendas que contavam, principalmente sobre o sistema do mundo, a natureza dos corpos e dos elementos. Tais conhecimentos, dizia, não são necessários à religião; é preciso não mentir e não se vangloriar de saber o que não se sabe, principalmente quando se quer passar, como Manés, por ser guiado pelo Espírito Santo. Gostava muito mais das razões que os matemáticos e os filósofos davam dos eclipses, dos solstícios e do curso dos astros. (…) Naquele tempo persuadiram-se a ensinar em Roma, onde os alunos eram mais razoáveis que em Cartago. Embarcou contra a vontade de sua mãe e a enganou

Santa Mônica, Mãe De Santo Agostinho

Nasceu de família cristã, da qual recebeu boa educação. Submetera-se inteiramente ao marido, suportando os seus escárnios e transportes de cólera com uma paciência que servia de exemplo às outras mulheres, e conquistou-o, assim, para Deus, no fim da vida. Tinha o talento particular de reunir as pessoas divididas. Depois que enviuvou, dedicou-se inteiramente às obras de piedade. Dava grandes esmolas, servia aos pobres, não faltava nenhum dia à oblação do santo altar, nem de vir duas vezes à igreja, na manhã e à tarde, para ouvir a palavra de Deus e fazer preces, em que consistia toda sua vida. Deus comunicava-se com ela por meio de visões e de revelações; ela sabia distingui-las dos sonhos e dos pensamentos naturais. Tal era Santa Mônica, na narração de Santo Agostinho. Quando viu o filho envolvido nas peias da heresia dos maniqueus, afligiu-se mais do que se morto o visse, e não queria mais tomar as refeições com ele: mas foi consolada por um sonho. Viu-se sobre uma prancha de madeira e ao jovem homem resplandecente que lhe vinha ao encontro e lhe perguntava a causa de sua dor, respondeu que chorava a perda de seu filho. “Olhai, disse ele, ele está convosco!” Com efeito, ela o viu ao pé de si, na mesma prancha. Contou o sonho a Agostinho, que lhe respondeu: “É que sereis o que sou agora”. Mas ela replicou sem hesitar: “Não; porque não me disse?: Será o que ele é, mas ele irá para onde tu estás.” Depois disto ela morou e tomou suas refeições com ele, como anteriormente. Dirigiu-se a um santo bispo e solicitou-lhe que falasse ao filho. O bispo respondeu: “Ainda é demasiadamente indócil e demasiadamente imbuído desta heresia, que lhe é nova. Deixai-o, e contentai-vos em pedir por ele; ele verá, com leituras, qual é o erro. Eu, que vos falo, em minha infância, fui entregue aos maniqueus por minha mãe, que eles haviam seduzido; não somente li, mas transcrevi quase todos os seus livros, e, por mim mesmo, desenganei-me.” A mãe não se satisfez com estas palavras, e continuou a instar para que falasse ao seu filho. O bispo respondeu-lhe então com certo humor: “Ide, é impossível que o filho de tantas lágrimas pereça!” Isso ela recebeu como um oráculo do céu. Seu filho, todavia, permaneceu nove anos maniqueu, desde a idade de dezenove anos até os vinte e oito. No ano 384, Agostinho veio a Milão ensinar retórica, e conheceu Santo Ambrósio, que o desiludiu paulatinamente do maniqueísmo. Resolveu definitivamente abandonar os maniqueus e permanecer na Igreja, na qualidade de catecúmeno, como dizia ele, na Igreja que os pais lhe haviam recomendado, isto é, na católica, até que a verdade se lhe revelasse mais claramente. Santa Mônica veio da África encontrá-lo em Milão, com tão viva fé, que atravessando o mar, consolava os marinheiros, mesmo nos maiores perigos, pela certeza que Deus lhe havia que chegaria até seu filho. Quando ele lhe disse que não era mais maniqueu, mas que ainda não era católico, ela não se surpreendeu; respondeu-lhe tranquilamente que estava certa de vê-lo fiel católico antes de deixar esta vida. Entrementes, continuava com as preces e atenta às prédicas de Santo Ambrósio, a quem amava como anjo de Deus, sabendo que havia levado seu filho a esse estado de dúvida, que deveria ser a crise de seu mal. Como tivesse o costume, na África, de levar às igrejas dos mártires pão, vinho e carnes, queria fazer o mesmo em Milão; mas o porteiro da igreja lhe impediu e lhe disse que o bispo o havia proibido. Ela obedeceu imediatamente, sem que nenhum apego ao costume. Santo Ambrósio, de resto, havia abolido esses repastos nas igrejas, porque, em lugar dos antigos ágapes sóbrios e modestos, não ofereciam senão oportunidade para devassidão. Amava, por seu lado, Santa Mônica pela piedade e boas obras, e sempre felicitava Agostinho de ter mãe como aquele; porque toda sua vida fora virtuosa. Santo Agostinho, após o batismo, tendo examinado em que lugar poderia servir a Deus mais utilmente, resolveu voltar para a África com a mãe, o filho, o irmão e um jovem chamado Evódio. Ele era também de Tagasta; sendo agente do imperador, converteu-se, recebeu o batismo antes de Santo Agostinho, e deixou o cargo para servir a Deus. Quando chegaram a Óstia, descansaram do longo caminho que haviam feito desde Milão e se prepararam para o embarque. Um dia, Santo Agostinho e sua mãe, debruçados ambos sobre uma janela que dava para o jardim da casa, entretinham-se com uma doçura extrema, esquecendo todo o passado e conduzindo o pensamento para o futuro. Buscavam saber qual seria a vida eterna dos santos. Elevaram-se acima de todos os prazeres dos sentidos; percorreram gradativamente todos os corpos, o próprio céu e os astros. Chegaram até as almas, e, passando por todas as criaturas, mesmo espirituais, alcançaram a sabedoria eterna, pela qual elas são, e que é sempre, sem diferença de tempo. Ali permaneceram um momento no auge da satisfação espiritual, e suspiraram contrafeitos ao serem obrigados a voltar ao ruído da voz, onde a palavra começa e acaba. Então a mãe lhe disse; “Meu filho, pelo que me diz respeito, já nenhum prazer me prende a esta vida. Não sei o que faço aqui, nem porque existo. O que me fazia ansiar aqui permanecer era ver-vos cristão católico antes de morrer. Deus concedeu-me mais; vejo-vos consagrado a seu serviço, após haverdes desprezado a felicidade terrena.” Aproximadamente cinco anos após, caiu doente com febre. Um dia perdeu os sentidos; ao voltar a si, encarou Agostinho e seu irmão Navígio, e lhes disse: “Onde estava eu?” Depois, vendo-os compungidos de dor, ajuntou: “Deixareis vossa mãe aqui.” Navígio manifestou o desejo de que ela morresse de preferência no seu país. Mas ela encarou-o com olharsanto Agostinho e severo, como a repreendê-lo e disse a Agostinho: “Vê o que ele diz!” Enfim, dirigindo-se a ambos: Colocai este corpo onde vos aprouver; não vos inquieteis. Peço-vos somente que vos lembreis

Nossa Senhora De Czestochowa

A milagrosa imagem, foi colocada na Igreja da Assunção e dada aos cuidados dos monges. Desta pequena igreja, foi construído o Mosteiro, o Santuário de Nossa Senhora de Czestochowa e o príncipe Ladislaus confiou a guarda aos Eremitas de São Paulo. Ficando o quadro em Czestochowa, por vontade de Maria Santíssima, deram-lhe um novo título: Nossa Senhora de Czestochowa. Em 1430, os hussitas saquearam o mosteiro e carregaram todos os tesouros de Jasna Gora em vagões. Mas, os cavalos que puxavam o vagão onde estava a pintura não se moviam. Os hussitas então jogaram a pintura fora do vagão, e os cavalos moveram-se. Um dos incursores cortou duas vezes com a espada a pintura no mordente direito de Maria, e quando foi golpear pela terceira vez caiu à terra agonizando até morrer. Ao verem o que ocorreu, os demais incursores fugiram com medo. Apesar da destruição, o santuário foi em pouco tempo restaurado (conta-se que em 15 dias). Inúmeras foram as tentativas de reparar os dois cortes no mordente da Virgem Maria e no ferimento da garganta, mas estes reapareciam sempre. Acredita-se que por vontade de Maria as cicatrizes devem permanecer. Assim, o milagroso quadro não escapou da desecração e da mutilação, bem como de sensíveis alterações, tanto que é chamado de “Madonna Preta”, pois a pintura original foi escurecida pelo resíduo acumulado das velas e pelas flamas do fogo no incêndio ocorrido. O mosteiro, transformou-se em uma fortaleza e em um ponto de referência do nacionalismo polonês. Suportou o ataque do poderoso exército sueco, em 1655. No ano seguinte, o rei Casimiro proclamou Nossa Senhora de Czestochowa a Rainha da Polônia e o Santuário de Jasna Gora capital espiritual da Polônia. Em 1683, resistiu aos ataques dos Turts. Em 1920, os Boshevids foram dispersados através de uma aparição de Nossa Senhora de Czestochowa no rio Vistula. Durante os anos de divisão da Polônia (1772 – 1918), o Santuário de Jasna Gora transformou-se em um local de união para os povos poloneses. A sagrada pintura irradia como um farol de esperança durante os dolorosos anos de sofrimento e derrotas nacionais. Com a restauração da independência nacional em 1918, os peregrinos no Santuário polonês eram milhares em um culto constante e fervoroso. E quando a segunda guerra terminou, a nação devastada pelo sofrimento da guerra encontrou força e coragem no Santuário. O Papa São Pio X concedeu favores espirituais aos peregrinos que visitam o Santuário, enriquecendo-os com muitos privilégios. Anualmente afluem ao santuário nacional mais de um milhão de peregrinos. Cópias do milagroso quadro espalharam-se por toda a cristandade, e em muitas igrejas de outros países ficaram expostas e foram veneradas. O saudoso Papa João Paulo II, era da Polônia; visitou o Santuário em Jasna Gora e orou junto ao milagroso quadro de Nossa Senhora de Czestochowa durante sua histórica visita em 1979, meses depois de sua eleição à cadeira de Pedro, e em visita no ano de 1983 e em outra no ano de 1991. Oremos à Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora de Czestochowa, que rogue por nós junto ao seu Filho. Que nossa fé seja rica e amadurecida, a fim de podermos irradiá-la e testemunhá-la; uma fé viva que se expressa na vida e no cotidiano; uma fé criativa, capaz de transformar a nós mesmos e ao mundo em que vivemos. Que seja completa com o amor e a torne sensível aos sinais dos tempos e às necessidades dos irmãos. Imploremos à Mãe do Filho de Deus e nossa Mãe, que nos conceda a graça da fidelidade a Deus, à Cruz, ao Evangelho e à Igreja. Confiamo-nos à sua proteção, a fim de podermos conservar por todos os séculos o tesouro da santa fé. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

São Bartolomeu, Apóstolo

Seu nome vem do aramaico, com uma referência patronímica: Bar Talmay – filho de Talmay. Foi um dos apóstolos de Jesus Cristo. Nenhuma narração bíblica lhe enfoca especialmente e seu nome consta apenas nas listas dos doze. No entanto, segundo a tradição, ele é o Natanael de que falam outras passagens, e isso fica evidente através da comparação entre os quatro Evangelhos. Natanael significa “Deus deu” – o significado desse nome fica claro levando-se em conta que ele vinha de Caná, onde deve ter testemunhado a ação de Jesus nas Bodas de Caná (Jo 2, 1-11). Como narra a Bíblia, São Filipe comunicou a Natanael (São Bartolomeu) que havia encontrado o Messias, e que esse provinha de Nazaré, ao que Natanael responde dura e preconceituosamente: “De Nazaré pode vir alguma coisa boa?” (Jo 1, 46a). Essa observação é importante indicador das expectativas judaicais quanto à vinda do Messias, então tidas. No seu primeiro encontro com Jesus, recebe um elogio: “Aqui está um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento” (Jo 1, 47), ao qual o apóstolo responde: “Como me conheces?”. Jesus responde de forma que não podemos compreender claramente somente através das Escrituras: “Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira”. Com certeza se tratava de um momento crítico e decisivo na vida de Natanael. Após essa revelação de Jesus, Natanael faz a sua adesão ao Mestre com a seguinte profissão de fé: “Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel”. Segundo fontes históricas, São Bartolomeu teria pregado o cristianismo até na Índia. Outra tradição diz que o apóstolo morreu por esfolamento em Albanópolis, atual Derbent, Cáucaso, a mando do governador, tanto que na Capela Sistina ele é pintado segurando a própria pele na mão esquerda e na outra o instrumento de seu suplício, um alfange. Segundo a Igreja Católica, mais tarde suas relíquias foram levadas para a Europa e jazem em Roma, na Igreja a ele dedicada. O Santo Padre o Papa, na audiência do dia 4 de outubro de 2006, disse estas palavras que concluem o ensinamento da vida de São Bartolomeu: “Para concluir, podemos dizer que a figura de São Bartolomeu, mesmo sendo escassas as informações acerca dele, permanece contudo diante de nós para nos dizer que a adesão a Jesus pode ser vivida e testemunhada também sem cumprir obras sensacionais. Extraordinário é e permanece o próprio Jesus, ao qual cada um de nós está chamado a consagrar a própria vida e a própria morte”. Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Bartolomeu     Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Santa Rosa De Lima

Santa Rosa de Lima (Lima, 30 de abril de 1586 – 24 de agosto de 1617), foi uma mística da Ordem Terceira Dominicana canonizada pelo Papa Clemente X em 1671. É a primeira santa da América e padroeira do Peru e da América. Nascida em Quives, província de Lima no ano de 1586, era descendente de conquistadores espanhóis. Seu nome de batismo era Isabel Flores y Oliva, mas a extraordinária beleza da criança motivou a mudança do nome de Isabel para Rosa, ao que ela acrescentou o de Santa Maria. Seus pais eram Gaspar de Flores, espanhol arcabuz do Vice-Rei e Maria Oliva, limenha. Era a terceira dos onze filhos do casal. Seus pais antes ricos tornaram-se pobres devido ao insucesso numa empresa de mineração e ela cresceu na pobreza, trabalhando na terra e na costura até altas horas da noite para ajudar no sustento da família. Cultivava as rosas de seus próprio jardim e as vendia no mercado e por isso é tida como patrona das floristas. Diz-se que tangia graciosa a viola e a harpa e tinha voz doce e melodiosa. Além de muito bela, Rosa era tida como a moça mais virtuosa e prendada de Lima. Foi pretendida pelos jovens mais ricos e distintos de Lima e arredores, mas a todos rejeitou, por amar a Cristo como esposo. Em idade de casar, fez o voto de castidade e tomou o hábito da Ordem Terceira Dominicana, após lutar contra o desejo contrário dos pais. Construiu uma cela estreita e pobre no fundo do quintal da casa dos pais e começou a ter vida religiosa, penitenciando seu corpo com jejuns e cilíciosdolorosos e conta-se que utilizava muitas vezes um aro de prata guarnecido com fincos, semelhante a uma coroa de espinhos. Foi extremamente bondosa e caridosa para com todos, especialmente para com os índios e negros, aos quais prestava os serviços mais humildes em caso de doença. Segundo os relatos de seus biógrafos e dos amigos que a acompanharam, dentre eles seu confessor Frei Juan de Lorenzana, por sua piedade e devoção Santa Rosa recebeu de Deus o dom dos milagres. Era constantemente visitada pela Virgem Maria e pelo Menino Jesus, que quis repousar certa vez entre seus braços e a coroou com uma grinalda de rosas, que se tornou seus símbolo. Também é afirmado que tinha constantemente junto a si seu Anjo da Guarda, com quem conversava. Ainda em vida lhe foram atribuídos muitos favores; milagres de curas, conversões, propiciação das chuvas e até mesmo o impedimento da invasão de Lima pelos piratas holandeses em 1615. Apesar de agraciada com experiências místicas fora do comum, nunca lhe faltou a cruz, a fim de que compartilhasse dos sofrimentos do Divino Mestre: sofrimentos provindos de duras incompreensões e perseguições e, nos últimos anos de vida, de sofrimentos físicos, agudas dores devidas à prolongada doença que a levou à morte em 24 de agosto de 1617, aos 31 anos de idade. Suas últimas palavras foram ” Jesus está comigo!” Seu sepultamento foi apoteótico e pranteado por todo o Vice Reino do Peru e seu túmulo tornou-se palco de milagres, bem como também os lugares onde viveu e trabalhou pela causa da Igreja. Foi a primeira santa canonizada da América e proclamada padroeira da América Latina. Conta-se que o Papa Clemente relutava em elevá-la aos altares, mas foi convencido após presenciar uma milagrosa chuva de pétalas de rosa que caiu sobre ele, vinda do céu e que atribuiu a Santa Rosa de Lima. Dela disse o Cardeal Ratzinger: De certa forma, essa mulher é uma personificação da Igreja da América Latina: imersa em sofrimentos, desprovida de meios materiais e de um poder significativos, mas tomada pelo íntimo ardor causado pela proximidade de Jesus Cristo. (Homilia no Santuário de Santa Rosa de Lima, Peru, em 19 de julho de 1986). No Brasil, alguns municipios, como Nova Santa Rosa, no Paraná, a adotam como Padroeira. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Nossa Senhora Rainha

São antiqüíssimas e sempre rezadas e cantadas pelo povo cristão as antífonas marianas que invocam Maria como Rainha do céu e da terra, dos anjos e das criaturas. Durante o tempo pascal, a mais conhecida antífona que celebra a ressurreição de Jesus começa com estas palavras: “Rainha do céu, alegrai-vos, porque o Senhor ressuscitou como disse!”. Uma das orações aprendidas em criança ao lado da Ave-Maria, é a “Salve Rainha, Mãe de misericórdia”, que a Liturgia das Horas canta na Oração da Noite e a piedade popular com ela encerra a oração do Rosário. Uma terceira antífona, também cantada na Oração da Noite, começa com estes versos: “Ave, Rainha do céu! Ave, dos anjos Senhora!”. Quantas vezes invocamos Maria como Rainha na Ladainha: Rainha dos Patriarcas e dos Profetas, Rainha dos Confessores, das Virgens e dos Mártires, Rainha dos Anjos e dos Santos! Também as liturgias bizantina, copta, armena e outras do Oriente celebram festivamente a realeza de Maria. Lemos, por exemplo, no longo hino “Akátistos”: “Vou elevar um hino à Rainha e Mãe, de quem, ao celebrar, me aproximarei com alegria, para cantar com exultação as suas glórias… Ó Senhora, a nossa língua não te pode louvar dignamente, porque tu, que deste à luz a Cristo nosso Rei, foste exaltada acima dos Serafins… Salve, Rainha do mundo, salve, Maria, Senhora de todos nós!”. Desde os primeiros séculos, a poesia cristã e a liturgia cantaram a dignidade régia da Mãe de Deus. Como a luz do dia vem do sol, a realeza de Maria vem de sua maternidade divina. Já na Anunciação o Arcanjo falava do reinado sem fim do menino que lhe nasceria por obra e graça do Espírito Santo (Lc 1,33). Para a piedade popular, há uma lógica: rei o filho, rainha a mãe. Por que não haveria de ser rainha aquela que o próprio Deus escolhera para ser a mãe do “Rei dos reis e senhor dos senhores” (Ap 19,16) e que, por isso mesmo, a preservara imaculada desde a conceição, a fizera “cheia de graça” (Lc 1,28) e a mantivera virgem durante e depois do parto? Com a proclamação do dogma da Assunção corporal de Maria ao céu, o título de Rainha e Senhora do universo, vem espontâneo aos teólogos, aos pregadores e aos papas. Para encerrar o Ano Santo de 1954, decretado pelo Papa Pio XII para celebrar o primeiro centenário do dogma da Imaculada Conceição, o Santo Padre escreveu a encíclica “Ad caeli Reginam” sobre a realeza de Maria e instituiu para toda a Igreja a festa de Nossa Senhora Rainha. Mais tarde, o Papa Paulo VI escreveria na excepcional Exortação Apostólica sobre o Culto à Virgem Maria: “A solenidade da Assunção tem um prolongamento festivo na celebração da Realeza da bem-aventurada Virgem Maria, que ocorre oito dias mais tarde, e na qual se contempla aquela que, sentada ao lado do Rei dos Séculos, resplandece como Rainha e intercede como Mãe” (n.6). Na encíclica, o Papa Pio XII cita, logo no início, ao menos doze Santos Padres que se referem à soberania da Mãe de Deus sobre toda a criação, com diferentes expressões, mas todas querendo dizer a plenitude de glória e poder de Maria: Senhora, Senhora de todos os que habitam os céus e a terra, Senhora de todas as criaturas, Senhora coroada com um diadema de ouro, Rainha, Rainha do gênero humano, Rainha eterna junto ao Filho do Rei, Rainha do mundo, Rainha do universo, mais eminente que todos os reis. Em seguida, o Santo Padre passa os olhos nas expressões usadas por seus antecessores, começando pelo Papa Martinho I (+654), que chamou Maria de “gloriosa Senhora nossa, sempre Virgem”. Numa de suas bulas, o Papa Xisto IV chamou Maria de “Rainha sempre vigilante, a interceder junto do Rei, que ela gerou”. Lembra ainda o Papa Bento XIV, que afirmou que o Sumo Rei confiou a Maria, em certo modo, seu próprio império. Depois, o Papa lembra alguns Santos, conhecidos por sua teologia mariana. Cito apenas Santo Afonso de Ligório (1787), que escreveu no clássico livro sobre as Glórias de Maria: “Porque a Virgem Maria foi elevada até ser a Mãe do Rei dos Reis, com justa razão a distingue a Igreja com o título de Rainha”. Escreveu Pio XII na mesma encíclica de 1954 que Maria é Rainha não só por ser a Mãe de Deus, mas também por ter sido associada, pela vontade de Deus, a Jesus Cristo na obra da salvação. Isenta de qualquer culpa pessoal ou hereditária, e sempre estreitissimamente unida ao Filho, ela o ofereceu no Calvário ao Eterno Pai, sacrificando seu amor de mãe em benefício de toda a humanidade manchada pelo pecado. Por isso, assim como Jesus é Rei não só por ser o Filho de Deus, mas também por ser o nosso Redentor, assim pode-se afirmar que Maria é Rainha não só por ser a Mãe de Deus, mas também porque associou-se a Cristo na redenção do gênero humano. “Maria participa da dignidade real – ensina Pio XII – porque desta união com Cristo Rei deriva para ela tão esplendente sublimidade, que supera a excelência de todas as coisas criadas. Desta mesma união com Cristo nasce aquele poder real, pelo qual ela pode dispor dos tesouros do Reino do Redentor divino”. O Reino de Maria é vasto como o de seu Filho, porque nada se exclui de seu domínio. Pio XII cita ainda uma belíssima passagem da bula “Ineffabilis Deus” da proclamação do dogma da Imaculada Conceição por Pio IX: “Deus fez a maravilha de a enriquecer, acima de todos os anjos e santos, de tal abundância de todas as graças celestiais hauridas dos tesouros da divindade, que ela – imune de toda a mancha do pecado e toda bela – apresenta tal plenitude de inocência e santidade, que não se pode conceber maior abaixo de Deus, nem ninguém a pode compreender plenamente senão Deus”. Ao instituir a festa da realeza de Maria, Pio XII, em boa hora, chamou a atenção para um