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Bem-aventurado Urbano II, Papa E Confessor

Eudes, variante de Odon, Oton, Oto, depois Urbano II, nasceu em Chatillon-sur-Marne, diocese de Soissons, atualmente de Reims, em 1040, numa nobre família. Aluno daquele que seria o fundador da Cartuxa, São Bruno, Eudes, em 1064, era arcediago de Reims, e, logo, depois cônego. Em 1073, estava em Cluny, onde se formou sob a regra beneditina. Quando o grande Papa reformador São Gregório VII, solicitou de Santo Hugo, o Pai, o abade de Cluny, alguns caracteres de valor que os elevasse ao episcopado, Eudes foi-lhe apresentado e, em seguida, feito bispo de Óstia, em 1078. Depois duma legação na Alemanha, destinada a defender o Papado contra os desmandos do imperador Henrique IV, Eudes tornou à Itália. Pouco depois, o grande Papa desaparecia. Vítor III sucedeu ao Santo Padre morto. Todavia, logo deixou o mundo. A 12 de Março de 1088, Eudes foi eleito, assentando-se com muitíssima humildade na cátedra imperecível do Príncipe dos Apóstolos, para governar a cristandade. A Alemanha, então em guerra, era um fardo pesado para a Santa Sé. Henrique IV, com seu antipapa, Clemente III, provocava sérios embaraços na vida religiosa, mas o calmo Urbano eloqüente soube contornar as maquinações que se urdiram. A condessa Matilde, grande amida da Santa Sé, casou-se, em Agosto de 1089, com o jovem Welf, duque da Baviera. Esta aliança da Toscana e da Alemanha do Sul foi o maior obstáculo que se deparou ao imperador. No entanto, conseguiu invadir a Itália, mas em 1092 foi obrigado a retroceder. E o seu papa, que estava em Roma, deixou a cidade, indo-se para Ravena. Destarte, mais e mais, agrupou-se a Itália em torno de Urbano II, cada vez mais firme no posto supremo. Foi no concílio de Clermont, de 1095, convocado pelo Santo Papa, que a idéia da cruzada contra os infiéis triunfou. No século VII, com as conquistas árabes, tomada por eles a Palestina, as peregrinações dos cristãos europeus à Terra Santa não sofreram solução de continuidade. Todavia, os peregrinos que eram bem tratados por aquele povo, tiveram a situação invertida com a invasão dos turcos seldjúcidas, originários do Turquestão, ao norte da Pérsia. Maomé recomendara a guerra santa para a difusão da doutrina. Prometera recompensas aos que morressem combatendo pela fé. Espírito belicoso, os árabes seguiram, sem hesitar, as recomendações do profeta, e, desta maneira, ainda no ano da morte de Maomé, deram início à guerra santa. Em menos de um século de lutas, conquistaram a Palestina, a Síria, a Mesopotâmia, a Armênia, a índia, a Pérsia, todo o norte africano, a península Ibérica. A civilização árabe foi brilhantíssima. As ciências, a literatura, a história, a arquitetura, a indústria, o comércio e a agricultura tiveram grande desenvolvimento. Os novos conquistadores, porém, de espírito mais belicoso, que se tinham feito maometanos, fanáticos maometanos, não manifestaram para com os cristãos a mesma atitude tolerante dos árabes. Apoderando-se de Jerusalém em 1078, principiaram a perseguição aos peregrinos que para lá se dirigiam, perseguição essa que sempre cominava com as mais bárbaras atrocidades. E as crueldades que se perpetravam cresciam dia a dia. Logo a idéia de libertar a terra Santa do jugo infiel começou apoderar-se dos espíritos cristãos. A poesia épica medieval está repleta de versos onde transparece aquele grande desejo do mundo que abraçara a fé católica. Foi no Concílio de Clermont, de 1095, como dissemos, convocado por Urbano II, que tal desejo viu alçado às alturas da realização. A 27 de Novembro daquele ano mesmo de 1095, Urbano II deixou a igreja, onde o concílio terminara e, num vigorosíssimo discurso, solicitou aos cavaleiros do Ocidente que partissem para a libertação dos irmãos do Oriente, oprimidos pelo turco cruel, para a libertação da terra que Deus feito homem pisara e santificara. Não demorou muito, o brado ardoroso, entusiástico de “Deus o quer”! correu a terra. E o povo cristão, sequioso de alistar-se no exército que iria libertar o túmulo de Cristo, acorria em massa. Urbano II, ousadamente, tomou a direção daquela cruzada. A figura de Pedro Eremita impressionava a toda a cristandade, cristandade que jazia como tomada da febre do zelo. E a flor da cavalaria marchou com imensa alegria para a tomada de Jerusalém. Foi um êxito colossal. Bandos infindos de homens, mulheres e crianças rumara, desordenadamente, para a Terra Santa e foram morrendo pelo caminho, vítimas de fome, da sede, do cansaço e das doenças. Não poucos foram massacrados na Alemanha e na Hungria em represália às devastações que iam realizando à medida que passavam, qual nuvem de gafanhotos depredadores. O restante, melancolicamente, foi quase que totalmente exterminado pelos turcos depois da travessia do Bósforo. Mais felizes do que aqueles da primeira arrancada não foram os seiscentos mil infantes e cem mil cavaleiros organizados que partiram no afã sem par de mover guerra aos profanadores. Tomaram Nicéia, depois Antioquia defendida por quatrocentos e cinqüenta torres. Daquele exército, porém, só uma minoria conseguiu avistar Jerusalém. Caíram todos, então de joelhos. E, a soluçar de emoção, choraram de alegria. Era a 15 de Junho de 1099. Poucos dias depois, a 29 do mesmo mês, o grande Urbano II deixava a terra, indo-se para a “bem-aventurada Jerusalém, visão de paz”, sem saber do sucesso que lhe coroava os esforços despendidos. Morto o pontífice, atribuíram-lhe uma infinidade de milagres. Em 1881, a 14 de Julho, Leão XIII confirmou-lhe o culto, culto rendido desde os mais recuados tempos. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 419 à 425)     Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Bem-aventurado Urbano II, Papa E Confessor

Eudes, variante de Odon, Oton, Oto, depois Urbano II, nasceu em Chatillon-sur-Marne, diocese de Soissons, atualmente de Reims, em 1040, numa nobre família. Aluno daquele que seria o fundador da Cartuxa, São Bruno, Eudes, em 1064, era arcediago de Reims, e, logo, depois cônego. Em 1073, estava em Cluny, onde se formou sob a regra beneditina. Quando o grande Papa reformador São Gregório VII, solicitou de Santo Hugo, o Pai, o abade de Cluny, alguns caracteres de valor que os elevasse ao episcopado, Eudes foi-lhe apresentado e, em seguida, feito bispo de Óstia, em 1078. Depois duma legação na Alemanha, destinada a defender o Papado contra os desmandos do imperador Henrique IV, Eudes tornou à Itália. Pouco depois, o grande Papa desaparecia. Vítor III sucedeu ao Santo Padre morto. Todavia, logo deixou o mundo. A 12 de Março de 1088, Eudes foi eleito, assentando-se com muitíssima humildade na cátedra imperecível do Príncipe dos Apóstolos, para governar a cristandade. A Alemanha, então em guerra, era um fardo pesado para a Santa Sé. Henrique IV, com seu antipapa, Clemente III, provocava sérios embaraços na vida religiosa, mas o calmo Urbano eloqüente soube contornar as maquinações que se urdiram. A condessa Matilde, grande amida da Santa Sé, casou-se, em Agosto de 1089, com o jovem Welf, duque da Baviera. Esta aliança da Toscana e da Alemanha do Sul foi o maior obstáculo que se deparou ao imperador. No entanto, conseguiu invadir a Itália, mas em 1092 foi obrigado a retroceder. E o seu papa, que estava em Roma, deixou a cidade, indo-se para Ravena. Destarte, mais e mais, agrupou-se a Itália em torno de Urbano II, cada vez mais firme no posto supremo. Foi no concílio de Clermont, de 1095, convocado pelo Santo Papa, que a idéia da cruzada contra os infiéis triunfou. No século VII, com as conquistas árabes, tomada por eles a Palestina, as peregrinações dos cristãos europeus à Terra Santa não sofreram solução de continuidade. Todavia, os peregrinos que eram bem tratados por aquele povo, tiveram a situação invertida com a invasão dos turcos seldjúcidas, originários do Turquestão, ao norte da Pérsia. Maomé recomendara a guerra santa para a difusão da doutrina. Prometera recompensas aos que morressem combatendo pela fé. Espírito belicoso, os árabes seguiram, sem hesitar, as recomendações do profeta, e, desta maneira, ainda no ano da morte de Maomé, deram início à guerra santa. Em menos de um século de lutas, conquistaram a Palestina, a Síria, a Mesopotâmia, a Armênia, a índia, a Pérsia, todo o norte africano, a península Ibérica. A civilização árabe foi brilhantíssima. As ciências, a literatura, a história, a arquitetura, a indústria, o comércio e a agricultura tiveram grande desenvolvimento. Os novos conquistadores, porém, de espírito mais belicoso, que se tinham feito maometanos, fanáticos maometanos, não manifestaram para com os cristãos a mesma atitude tolerante dos árabes. Apoderando-se de Jerusalém em 1078, principiaram a perseguição aos peregrinos que para lá se dirigiam, perseguição essa que sempre cominava com as mais bárbaras atrocidades. E as crueldades que se perpetravam cresciam dia a dia. Logo a idéia de libertar a terra Santa do jugo infiel começou apoderar-se dos espíritos cristãos. A poesia épica medieval está repleta de versos onde transparece aquele grande desejo do mundo que abraçara a fé católica. Foi no Concílio de Clermont, de 1095, como dissemos, convocado por Urbano II, que tal desejo viu alçado às alturas da realização. A 27 de Novembro daquele ano mesmo de 1095, Urbano II deixou a igreja, onde o concílio terminara e, num vigorosíssimo discurso, solicitou aos cavaleiros do Ocidente que partissem para a libertação dos irmãos do Oriente, oprimidos pelo turco cruel, para a libertação da terra que Deus feito homem pisara e santificara. Não demorou muito, o brado ardoroso, entusiástico de “Deus o quer”! correu a terra. E o povo cristão, sequioso de alistar-se no exército que iria libertar o túmulo de Cristo, acorria em massa. Urbano II, ousadamente, tomou a direção daquela cruzada. A figura de Pedro Eremita impressionava a toda a cristandade, cristandade que jazia como tomada da febre do zelo. E a flor da cavalaria marchou com imensa alegria para a tomada de Jerusalém. Foi um êxito colossal. Bandos infindos de homens, mulheres e crianças rumara, desordenadamente, para a Terra Santa e foram morrendo pelo caminho, vítimas de fome, da sede, do cansaço e das doenças. Não poucos foram massacrados na Alemanha e na Hungria em represália às devastações que iam realizando à medida que passavam, qual nuvem de gafanhotos depredadores. O restante, melancolicamente, foi quase que totalmente exterminado pelos turcos depois da travessia do Bósforo. Mais felizes do que aqueles da primeira arrancada não foram os seiscentos mil infantes e cem mil cavaleiros organizados que partiram no afã sem par de mover guerra aos profanadores. Tomaram Nicéia, depois Antioquia defendida por quatrocentos e cinqüenta torres. Daquele exército, porém, só uma minoria conseguiu avistar Jerusalém. Caíram todos, então de joelhos. E, a soluçar de emoção, choraram de alegria. Era a 15 de Junho de 1099. Poucos dias depois, a 29 do mesmo mês, o grande Urbano II deixava a terra, indo-se para a “bem-aventurada Jerusalém, visão de paz”, sem saber do sucesso que lhe coroava os esforços despendidos. Morto o pontífice, atribuíram-lhe uma infinidade de milagres. Em 1881, a 14 de Julho, Leão XIII confirmou-lhe o culto, culto rendido desde os mais recuados tempos. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 419 à 425)     Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Bem-aventurado Urbano II, Papa E Confessor

Eudes, variante de Odon, Oton, Oto, depois Urbano II, nasceu em Chatillon-sur-Marne, diocese de Soissons, atualmente de Reims, em 1040, numa nobre família. Aluno daquele que seria o fundador da Cartuxa, São Bruno, Eudes, em 1064, era arcediago de Reims, e, logo, depois cônego. Em 1073, estava em Cluny, onde se formou sob a regra beneditina. Quando o grande Papa reformador São Gregório VII, solicitou de Santo Hugo, o Pai, o abade de Cluny, alguns caracteres de valor que os elevasse ao episcopado, Eudes foi-lhe apresentado e, em seguida, feito bispo de Óstia, em 1078. Depois duma legação na Alemanha, destinada a defender o Papado contra os desmandos do imperador Henrique IV, Eudes tornou à Itália. Pouco depois, o grande Papa desaparecia. Vítor III sucedeu ao Santo Padre morto. Todavia, logo deixou o mundo. A 12 de Março de 1088, Eudes foi eleito, assentando-se com muitíssima humildade na cátedra imperecível do Príncipe dos Apóstolos, para governar a cristandade. A Alemanha, então em guerra, era um fardo pesado para a Santa Sé. Henrique IV, com seu antipapa, Clemente III, provocava sérios embaraços na vida religiosa, mas o calmo Urbano eloqüente soube contornar as maquinações que se urdiram. A condessa Matilde, grande amida da Santa Sé, casou-se, em Agosto de 1089, com o jovem Welf, duque da Baviera. Esta aliança da Toscana e da Alemanha do Sul foi o maior obstáculo que se deparou ao imperador. No entanto, conseguiu invadir a Itália, mas em 1092 foi obrigado a retroceder. E o seu papa, que estava em Roma, deixou a cidade, indo-se para Ravena. Destarte, mais e mais, agrupou-se a Itália em torno de Urbano II, cada vez mais firme no posto supremo. Foi no concílio de Clermont, de 1095, convocado pelo Santo Papa, que a idéia da cruzada contra os infiéis triunfou. No século VII, com as conquistas árabes, tomada por eles a Palestina, as peregrinações dos cristãos europeus à Terra Santa não sofreram solução de continuidade. Todavia, os peregrinos que eram bem tratados por aquele povo, tiveram a situação invertida com a invasão dos turcos seldjúcidas, originários do Turquestão, ao norte da Pérsia. Maomé recomendara a guerra santa para a difusão da doutrina. Prometera recompensas aos que morressem combatendo pela fé. Espírito belicoso, os árabes seguiram, sem hesitar, as recomendações do profeta, e, desta maneira, ainda no ano da morte de Maomé, deram início à guerra santa. Em menos de um século de lutas, conquistaram a Palestina, a Síria, a Mesopotâmia, a Armênia, a índia, a Pérsia, todo o norte africano, a península Ibérica. A civilização árabe foi brilhantíssima. As ciências, a literatura, a história, a arquitetura, a indústria, o comércio e a agricultura tiveram grande desenvolvimento. Os novos conquistadores, porém, de espírito mais belicoso, que se tinham feito maometanos, fanáticos maometanos, não manifestaram para com os cristãos a mesma atitude tolerante dos árabes. Apoderando-se de Jerusalém em 1078, principiaram a perseguição aos peregrinos que para lá se dirigiam, perseguição essa que sempre cominava com as mais bárbaras atrocidades. E as crueldades que se perpetravam cresciam dia a dia. Logo a idéia de libertar a terra Santa do jugo infiel começou apoderar-se dos espíritos cristãos. A poesia épica medieval está repleta de versos onde transparece aquele grande desejo do mundo que abraçara a fé católica. Foi no Concílio de Clermont, de 1095, como dissemos, convocado por Urbano II, que tal desejo viu alçado às alturas da realização. A 27 de Novembro daquele ano mesmo de 1095, Urbano II deixou a igreja, onde o concílio terminara e, num vigorosíssimo discurso, solicitou aos cavaleiros do Ocidente que partissem para a libertação dos irmãos do Oriente, oprimidos pelo turco cruel, para a libertação da terra que Deus feito homem pisara e santificara. Não demorou muito, o brado ardoroso, entusiástico de “Deus o quer”! correu a terra. E o povo cristão, sequioso de alistar-se no exército que iria libertar o túmulo de Cristo, acorria em massa. Urbano II, ousadamente, tomou a direção daquela cruzada. A figura de Pedro Eremita impressionava a toda a cristandade, cristandade que jazia como tomada da febre do zelo. E a flor da cavalaria marchou com imensa alegria para a tomada de Jerusalém. Foi um êxito colossal. Bandos infindos de homens, mulheres e crianças rumara, desordenadamente, para a Terra Santa e foram morrendo pelo caminho, vítimas de fome, da sede, do cansaço e das doenças. Não poucos foram massacrados na Alemanha e na Hungria em represália às devastações que iam realizando à medida que passavam, qual nuvem de gafanhotos depredadores. O restante, melancolicamente, foi quase que totalmente exterminado pelos turcos depois da travessia do Bósforo. Mais felizes do que aqueles da primeira arrancada não foram os seiscentos mil infantes e cem mil cavaleiros organizados que partiram no afã sem par de mover guerra aos profanadores. Tomaram Nicéia, depois Antioquia defendida por quatrocentos e cinqüenta torres. Daquele exército, porém, só uma minoria conseguiu avistar Jerusalém. Caíram todos, então de joelhos. E, a soluçar de emoção, choraram de alegria. Era a 15 de Junho de 1099. Poucos dias depois, a 29 do mesmo mês, o grande Urbano II deixava a terra, indo-se para a “bem-aventurada Jerusalém, visão de paz”, sem saber do sucesso que lhe coroava os esforços despendidos. Morto o pontífice, atribuíram-lhe uma infinidade de milagres. Em 1881, a 14 de Julho, Leão XIII confirmou-lhe o culto, culto rendido desde os mais recuados tempos. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 419 à 425)     Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

São Sansão – Século VI

Sansão nasceu ao sul do País de Gales, nas imediações de Dyved. Era filho de Ammon e de Ana, casal que estava a serviço do chefe da região. Desde muito jovem consagrado a Deus, Sansão iniciou a vida religiosa em Llantwit Major, mosteiro vizinho à aldeia em que nascera. Naquele tempo, Iltut era o abade da fundação, monge de grande renome, tal a santidade e o saber. Pela aplicação ao trabalho, bem como pelas virtudes, o jovem Sansão logo atraiu para si a atenção do bom abade, conquistando-lhe, num piscar de olhos, a afeição, e não só a do mestre, mas também a dos colegas, que o procuravam pela bondade, simplicidade e contagiante alegria de viver. Dois jovens monges, porém, sobrinhos de Iltut, maus religiosos, e invejosos, entraram a detestá-lo. E, um deles, enfermeiro do mosteiro, propôs-se envenenar o virtuoso e querido jovem. Apoiado pelo outro desalmado, preparou ao Santo uma tisana. Sabendo-a envenenada, Sansão disse ao que lha apresentara, com um sorriso: – Meu irmão, a tisana que me preparaste estava deliciosa. Possa Deus, em troca, curar-te do mal que te aflige. Tal caridosa exortação produziu tremendo efeito: o malvado, a soluçar, converteu-se. A impenitência do outro, porém, valeu-lhe severo castigo vindo de Deus. Promovido ao diaconato, dois anos mais tarde Sansão era ordenando padre pelo bispo Dubric, que viu uma pombinha branca pousada num dos ombros do virtuosíssimo jovem. Desde então, o Santo foi modelo em tudo. Tendo deixado o mosteiro, embora fosse deveras afeiçoado ao velho Iltut, buscou a ilha de Caldey, onde havia uma abadia, e ali ficou, primeiramente como ecônomo, depois como abade. De volta à terra natal, onde converteu quase todos os conterrâneos, levou vida eremítica por uns tempos. Passando à Armórica, para evangelizá-la, depois do apostolado entrou na Cornualha britânica, com o mesmo fim. Presenteado com umvasto terreno, por Privatus, um piedoso galo-romano, nele ergueu um mosteiro – ao redor do qual nasceu a cidadezinha de Dol. Pregador infatigável, São Sansão – depois de fundar outros mosteiros, de tomar o partido do príncipe Judwal, filho do rei Iona, assassino pelo usurpador Conomor, para o qual príncipe conseguiu a ajuda dos francos, em Paris – faleceu em paz. Dol mostrou-se a mais ardente defensora da lembrança do Santo. Durante muitos séculos, reivindicou mesmo, em face de Tours, o título de metrópole da Bretanha, sempre a cultuar o santo confessor do velho mosteiro surgido nas terras do piedoso galo-romano Privatus. Foto: santiebeati,it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 396 à 399) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

BEATO NEVOLON, Operário

O Bem-aventurado Nevolon, nascido no século XIII, em Faença, na Romanha, exercia o mister de sapateiro. Teve a infelicidade de se afastar na juventude das santas veredas do Evangelho; uma doença grave que sofreu na idade de vinte e quatro anos foi um meio da graça para o reconduzir à virtude. Reconquistando a saúde, deu provas de sincera conversão, primeiro, por uma mudança completa no procedimento, depois, pelo sacrifício do pouco que possuía, em favor dos pobres, aos quais consagrou todo o fruto de seu trabalho. Não contente com praticar as obras de misericórdia, o novo convertido, a fim de castigar o corpo, abraçou o gênero de vida mais austera; jejuava três vezes por semana, a pão e água, quando os jejuns eram ordenados pela Igreja. As peregrinações estavam muito em uso naquele século; por espírito de mortificação, Nevolon empreendeu a do túmulo dos Santos Apóstolos, a Roma e a de São Tiago, na Galícia; fê-las como verdadeiro penitente e terminou a segunda, descalço. De regresso à pátria, o servo de deus teve muito que sofrer do mau humor de sua esposa, que ao vê-lo ocupar-se unicamente de sua salvação e fazer abundantes esmolas, queixava-se amargamente. Ele suportava-lhe as queixas com paciência e continuava a caminhar com coragem na estrada da perfeição. Um dia, um mendigo lhe pediu uma esmola e ele disse à esposa que lhe desse um pedaço de pão. Não temos mais nada no armário, respondeu ela. Como ele insistisse, ela deu-lhe várias vezes a mesma resposta. – Em nome do Senhor, vai, disse ele por fim, e dá esmola a esse pobre. – Comovida por tais palavras, ela abriu o armário, e qual não foi o seu espanto! Encontrou lá uma grande quantidade de pão. Aquele prodígio a comoveu de tal modo, que mudou de sentimento sobre seu santo esposo, e o acompanhou, desde então, em suas viagens de devoção. Ela morreu, de volta de uma dessas peregrinações, e Nevolon que não deixava passar nenhuma ocasião para aliviar os indigentes, distribuiu às viúvas, aos órfãos e aos pobres, todos os objetos que constituíam a herança recolhida de sua esposa. Sua generosidade para com os pobres, o reduziu também à extrema indigência e ele abrigou-se na casa do irmão Lourenço, assim chamado, porque um eremita desse nome, da ordem de Valumbrosa, morava lá com cinco irmãos e levava um gênero de vida muito austera. Nevolon dormia sobre uma tábua ou sobre a terra nua, dava pouco tempo ao sono e o tomava de maneira que aquele descanso se tornava para ele, um ato de mortificação. Ele deixava às vezes esse lugar, para fazer peregrinações. Um dia, quando estava a caminho e sentia fome, pediu inutilmente a um hoteleiro que lhe desse um pedaço de pão; não o pode conseguir, porque não tinha dinheiro e aquele homem disse-lhe que o fosse pedir de porta em porta. A essas palavras o servo de Deus, ergueu os olhos ao céu e rogou ao Senhor que o socorresse na sua necessidade. Depois os abaixou e viu a seus pés uma moeda que lhe serviu para pagar o pão que antes tinha pedido por esmola. O socorro inesperado da Providência comoveu o hoteleiro que, lembrando-se de que Deus lhe pedira contas um dia, em seu juízo, se tinha auxiliado os pobres, tornou-se daquele momento menos insensível às suas necessidades. O bem-aventurado Nevolon, chegou à mais provecta velhice, morreu santamente em Faença a 27 de Julho de 1280. Afirma-se que os sinos da igreja na qual ia rezar, tocaram sozinhos, para anunciar sua morte. Admirado com aquele prodígio, o vigário da igreja foi com várias testemunhas à pequena casa onde morava os ervo de Deus e o encontrou de joelhos, pensando que estava em oração; mas logo, examinando-o, de perto viu que estava morto. O vigário procurou informar de tudo o Bispo. O prelado acompanhado por uma grande multidão de povo, veio buscar o santo corpo e o depositou em sua catedral, onde lhe foi erguido um monumento de mármore. A confiança dos fiéis nesse bem-aventurado foi autorizada por vários milagres, que ele operou. Seu culto foi aprovado pelo Papa Pio VII, a 31 de Maio de 1817. Foto: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 373 à 375) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

São Joaquim E Santa Ana, Pais De Nossa Senhora

Desde os primeiros séculos, a mãe da Santíssima Virgem Maria foi venerada na Igreja Oriental. Na liturgia romana a festa foi introduzida no século XII, propagada pelas cruzadas, e teve o apogeu nos séculos XIV e XV, em correlação com a devoção à Imaculada Conceição de Maria. Sobre os pais de Maria, não nos dizem nada os evangelhos canônicos. Sobre tal questão, diz muito sutilmente o Padre Luís Francisco de Argentan, capuchinho do século XVII: Se as grandezas de Maria tiveram o pai e a mãe como fontes, era necessário que aparecessem como primeiros, a fim de que espalhassem os raios da própria glória sobre ela, como o sol comunica a Luz aos astros que o rodeiam; todavia esta ordem é invertida, porque a Santa Virgem recebeu toda a glória de Jesus Cristo, seu Filho e, pois, São Joaquim e Santa Ana receberam muito maior glória da filha, pela qual levam esta incomparável vantagem sobre o resto dos santos, de ser os mais próximos parentes, segundo a carne, do Salvador do mundo, uma vez que são verdadeiramente pai e mãe da Virgem Maria. Se os quatro inspirados evangelistas não se referiram a Santa Ana e a São Joaquim, não ficaram os pais de Maria, entretanto, totalmente apagados: três evangelhos apócrifos falam dos dois bem-aventurados Santos: o Proto-Evangelho de Tiago, o Evangelho do pseudo-Mateus e o Evangelho da Infância. Segundo o primeiro deles, cuja composição é olhada como muitíssimo antiga, Joaquim e Ana eram de piedosos e ricos israelitas da tribo de Judá, possuidores de grandes rebanhos. Não tinham filhos, e isto, para os judeus era motivo de ignomínia. Um dia, Joaquim, que foi ao templo apresentar uma oferenda, viu-a, tristíssimo, ser recusada pelo sacerdote, justamente por causa da esterilidade da esposa. Arrasado pelo sucesso, o bom homem, ao invés de voltar para casa, com os rebanhos buscou a montanha, desesperado. Durante cinco meses,, ninguém, nem mesmo a esposa, ouviu falar de Joaquim. Desaparecera, e dele, notícia alguma chegava ao lugar em que vivia. A dor de Ana foi imensa. Dir-se-ia que enviuvara. Mas, um dia, quando, como de costume, fazia suas preces, um anjo apareceu-lhe, para enchê-la de alegria: Joaquim, muito breve, tornaria, e ambos, novamente juntos, haveriam de ter o que tanto desejavam – um filho. Joaquim na montanha, também recebeu aquele enviado de Deus, que lhe prometeu a mesma alegria e lhe ordenou que descesse e voltasse para a esposa. Quando o Santo se aproximava, tornou o anjo a visitar Ana, dizendo-lhe que o marido se avizinhava e, pois, fosse-lhe aoencontro, na Porta Dourada. Ana, deslumbrada, toda numa alegria sem par, deixou a casa correndo e se precipitou nos braços do esposo. Assim, exultando, voltaram para o lar, a bendizer a Deus incessantemente. Nove meses mais tarde, nasceu-lhes uma filha – a qual deram o nome de Maria. Nasceu-lhes aquela Maria sublime, pela qual “grande coisas dez Aquele que é poderoso”, aquela Maria sublime que “resplandeceu de tal abundância de dons celestes, de tal plenitude de graça e de tal inocência, que se tornou como que o milagre de Deus por excelência, ante a culminância de todos os seus milagres, e digna Mãe de Deus – de modo que, colocada tanto quanto é possível a uma criatura, como a mais próxima de Deus, ela se tornou superior a todos os louvores dos homens e dos Anjos”, a Maria sublime que, com o auxílio divino, quebrou, inutilizou a violência e o poder da serpente. Nasceu-lhes o Lírio entre os espinhos, a Terra absolutamente intacta, virginal, ilibada, imaculada, sempre abençoada e livre de todo contágio de pecado – “da qual foi formado o novo Adão”. Nasceu-lhes o Jardim “ordenadíssimo, esplêndido, ameníssimo, de inocência e de imortalidade, delicioso, plantado por Deus mesmo e defendido de todas as insídias da serpente venenosa”. Nasceu-lhes o Lenho imarcescível “que o verme do pecado jamais corroeu”. Nasceu-lhes a Fonte sempre límpida, o Templo diviníssimo, o Escrínio da imortalidade. Nasceu-lhes a Co-redentora dos homens, a Medianeira poderosíssima, o Caminho mais seguro e mais fácil para Jesus, a que sofre por nossa causa, a Mulher vestida do sol, que tinha a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça, de São João, a qual, estando grávida, clamava com dores de parto e sofria tormentos para dar à luz (Apoc. 12, 1-2) Que parto? “Por certo o nosso, pois que, retidos neste degredo, carecemos de nascer para o perfeito amor de Deus e felicidade eterna. As dores do parto que nos estão a demonstrar o amor ardente com que Maria zela e trabalha, lá no céu, por suas preces incessantes para levar o número dos eleitos à sua plenitude. (Pio X)                                                                       **** Quando a menina completou dois anos, Joaquim disse a Ana: – Conduzamo-la ao Templo do Senhor, a fim de cumprir o voto que formulamos.  Ana respondeu: – Esperemos até o terceiro ano, porque talvez a menina venha a procurar o pai e a mãe. Joaquim concordou, dizendo: – Esperemos. Quando Maria entrou nos três anos de vida, foi desmamada, e Joaquim disse? – Chamai as jovens virgens santas de Israel. Que casa qual tome uma lâmpada e a tenha acessa, para que a menina não volte atrás e seu coração não se apegue às coisas de fora do Templo do Senhor. E assim foi feito.                                                                    **** A glória maior de Santa Ana reside no fato de ter sido mãe da Imaculada. Foi esposa modelo, humilde, casta, submissa a deus em tudo, e ao marido. Devotadíssima à filha, colaborou com a obra do Espírito Santo, para fazer frutificar os dons maravilhosos daquela alma. Avó de Jesus! Eis uma nova, imensa glória porque de Santa Ana veio o ser humano de Maria, e de Maria todo o ser humano de Jesus. E não foi no seio de Santa Ana que se cumpriu o mistério da imaculada conceição, que se deu o prelúdio da Encarnação e da Redenção? Maria, por uma aplicação antecipada do sacrifício de Jesus, não foi a primeira alma resgatada,

São Cristóvão, Mártir

São Cristóvão, que teve a sublime ventura de transportar Jesus às costas, o bom gigante inabalavelmente daria a vida, sem se importar com a crueldade dos algozes. São Cristóvão é o padroeiro dos motoristas e, por extensão, dos viajantes. Segundo a lenda grega, São Cristóvão era um bárbaro antropófago, da tribo dos cinocéfalos – homens com cabeça de cão – que se converteu, foi engajado nos exércitos imperiais e se recusou a apostatar, morrendo sob inomináveis torturas. A lenda ocidental, apresenta-o diferentemente: um gigante com mania de grandezas. Servindo um rei poderoso, que, supunha, fosse o maior da terra, deixou-o, quando soube que Satanás era maior e mais poderoso. Ouvindo qualquer coisa a respeito de Jesus, muitíssimo superior a Satanás, Cristóvão procurou informar-se. Buscou elucidações com um ermitão, e ficou sabendo que Nosso Senhor era absolutamente o reverso do demônio, apreciando os homens pela bondade para com o próximo, não pela grandeza. Tendo-se fixado à beira de um rio caudaloso, para fazer bem aos semelhantes, propôs-se atravessar de uma margem a outra aqueles que disso necessitavam, valendo-se da força imensa de que era dotado. Uma noite, um belo menino solicitou os préstimos do gigante. Cristóvão tomou-o nos ombros e iniciou a travessia da corrente. À medida que avançava pelas águas, mais aquela tenra criaturinha lhe pesava assustadoramente. Que significava aquilo? Como pesava! Era de derrear! Dir-se-ia que levava aos ombros o peso do mundo! E o gigante, arfando e bufando, arrimado no bordão que arcava ao estranho peso, depois de lutar contra a fadiga, todo cansaço, conseguiu atingir a margem oposta, que levara um tempo infindo para ser alcançada. Limpando o suor do rosto afogueado, Cristóvão, de narinas dilatadas, sorvendo sofregamente o ar que lhe fugia dos pulmões, exclamou ao menino, já em terra firme: – O mundo não é mais pesado do que tu! E o menino, sorrindo-lhe muito docemente, retrucou: – Tu levaste sobre os ombros, mais do que o mundo todo – levaste o seu Criador! Eu sou o Jesus que tu serves! Mais tarde, por aquele Jesus que teve a sublime ventura de transportar às costas, o bom gigante inabalavelmente daria a vida, sem se importar com a crueldade dos algozes. São Cristóvão, logo, passou a ser invocado pelos condutores de veículos e pelos viajantes, E a fórmula Christophorum videas, postea tutus eas tornou-se comum através dos tempos. E aos que iam viajar, para que o fizessem com segurança e sem atrapalhações, aconselhava-se: – Olha São Cristóvão e vai tranqüilo! Diz o martirológio, numa síntese: Na Lícia, São Cristóvao, mártir, que, sob o imperador Décio, tendo sido ferido com varas de ferro e preservado da violência do fogo pelo poder de Jesus Cristo, foi, afinal, atravessado de flechas e recebeu o martírio, pela decapitação (III Século?) (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIII, p. 341 à 343) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

São Charbel Makhlouf: Paz De Alma, Silêncio E Solidão

No Líbano, cujos majestosos cedros e míticas montanhas foram tantas vezes louvados pela Sagrada Escritura, brilhou, em pleno século XIX, um dos maiores anacoretas da história da Igreja. Raphaela Nogueira Thomaz Desde os primórdios do Cristianismo, reluziram no firmamento da Igreja homens e mulheres orantes que passavam a vida na contemplação e no silêncio, absortos somente em Deus. Despojados por completo das preocupações terrenas, tinham a alma fixada num único fim: vacare Deo – descansar em Deus, dar-se a Deus. Retrocedamos quase dois séculos e viajemos, em busca de uma dessas almas, a um país de escarpados montes cujas maravilhas foram inúmeras vezes proclamadas nos L ivros Sagrados: o Líbano. Foi ali onde, em 1828, na aldeia de Beqaa Kafra, nascera à sombra dos cedros centenários o pequeno Youssef Makhlouf. Deus começa a lhe falar ao coração Já nos tenros anos de sua infância, morreu seu pai, Antun Za’rur Makhlouf, submetido pelo exército otomano a um regime de trabalhos forçados. Sua mãe, Brígida, contraíra novas núpcias, deixando a casa e as pequenas propriedades de Antun para os filhos, que passaram a ser tutelados pelo tio paterno, Tannus. Inclinado à piedade e à devoção, coube ao pequeno Youssef, sendo embora o caçula de cinco irmãos, dar-lhes bom exemplo na piedade e no cumprimento dos deveres. Dotado de um espírito piedoso e altamente submisso, recitava diariamente as orações com a família, bem como desempenhava com grande esmero a tarefa de vigiar os animais no pasto. Suas virtudes logo se tornaram manifestas a todos os habitantes da aldeia. Gostava da solidão, era prudente e inteligente. Na igreja, mantinha-se recolhido, sem sequer olhar ao redor de si. De tal forma seu bom comportamento chamava a atenção, que os rapazes da região a ele se referiam como “o Santo”. A Providência foi preparando aos poucos a alma desse seu filho eleito até o ponto de que, vivendo ainda no mundo, dele se utilizava apenas para cumprir o que era a única aspiração de sua vida. “Quando Deus quer se unir intimamente a um homem e lhe falar ao coração, Ele o conduz à solidão. Se se trata de um homem chamado à vida religiosa contemplativa, Deus, para realizar o seu desejo, começa por separá-lo do mundo”.1 Foi assim que, no ano de 1851, aos 23 anos de idade, Youssef deixou o lar materno e ingressou no Mosteiro de Nossa Senhora, em Maïfuq, onde adotou o nome de Charbel, em louvor ao mártir de Edessa, do segundo século. De Maifouk a São Maron de Annaya Porém, com esse desejo de isolar- se do mundo ardendo-lhe na alma, Maifouk certamente não era o ambiente mais propício para a realização de seu ideal. Embora ali levasse uma vida de oração e trabalho, como a santa Regra pedia, o contato com os camponeses vizinhos prejudicava-lhe muito o recolhimento. Certo dia em que os noviços se ocupavam de sua tarefa diária de tirar as folhas e cascas das amoreiras, para a criação do bicho-da-seda, uma mocinha que trabalhava ao lado, querendo pôr à prova o silêncio e a seriedade de Charbel, lançou-lhe ao rosto um casulo. Não obtendo resultado, lançou outro. O jovem noviço permaneceu impassível, mas naquela mesma noite saiu do mosteiro de Maifouk, sem dizer nada a ninguém, e foi recolher-se ao convento de São Maron de Annaya, situado a quatro horas de marcha. Ali reiniciou o noviciado, separado do mundo por uma severa clausura, observando a regra que o guiava nas vias da contemplação, do recolhimento, da oração e da obediência. Dois anos depois recebeu o hábito dos maronitas – túnica preta, capuz em forma de cone e cordão feito de pele de cabra – e pronunciou os votos de pobreza, castidade e obediência. Desde então, foi um monge submergido no anonimato e nos seus colóquios com Deus. Embora tudo fizesse para lançar sua pessoa ao olvido, sua santidade tornou-se notória para os outros religiosos. Por decisão do superior e do conselho da comunidade, foi admitido às ordens sacras e, após fazer os necessários estudos, recebeu a ordenação presbiteral em 1859. Charbel celebrava o Santo Sacrifício com a máxima dignidade e com uma fé tão viva, que, com frequência, durante a Consagração, as lágrimas corriam-lhe dos olhos escuros e profundos, os quais eram como duas janelas abertas para o Céu. E, na contemplação, ficava de tal modo absorto que não prestava atenção alguma a eventuais ruídos ou rumores. Modelo de obediência e pureza Desde o tempo de noviciado até seu último alento, destacou-se como monge exemplar na obediência e na observância da Regra. Ao ponto de que, quando o Superior ordenava a um monge fazer algo muito penoso, era frequente ouvir uma resposta do tipo: – Pensa o senhor, por acaso, que sou o padre Charbel? Certa ocasião, sendo ele ainda noviço, um sacerdote resolveu pôr à prova sua paciência. Na hora de transportar de um campo para outro os instrumentos agrícolas, começou a amontoar sobre seus ombros sacos de sementes, peças de arados, ferramentas e outros materiais… Quando terminou, via-se no meio da carga o rosto sorridente de Charbel que repetia a censura de Jesus aos doutores da Lei: “Ai de vós, que carregais os homens com pesos que não podem levar…” (Lc 11, 46). Todos riram desse dito espirituoso e apressaram-se em livrá-lo do excesso de carga. Brilhou também de modo especial na luta para preservar a virtude da castidade, com atos de heroísmo extremos, sem jamais demonstrar aos outros as mortificações que fazia. A Regra da Ordem incita os monges a refrear com todo empenho os próprios sentidos. Entre outras atitudes de vigilância, exorta-os a evitar qualquer conversa com pessoas do sexo feminino, mesmo tratando- se de parentes. São Charbel foi mais longe: ele fez, e cumpriu, o propósito de jamais olhar para o rosto de uma mulher. O dom de fazer milagres Teve o dom de fazer milagres, e o exerceu com sua costumeira humildade. Certa vez, uma pobre mulher hemorroíssa, cuja enfermidade resistia a todos os tratamentos, encarregou um mensageiro de

São Charbel Makhlouf: Paz De Alma, Silêncio E Solidão

No Líbano, cujos majestosos cedros e míticas montanhas foram tantas vezes louvados pela Sagrada Escritura, brilhou, em pleno século XIX, um dos maiores anacoretas da história da Igreja. Raphaela Nogueira Thomaz Desde os primórdios do Cristianismo, reluziram no firmamento da Igreja homens e mulheres orantes que passavam a vida na contemplação e no silêncio, absortos somente em Deus. Despojados por completo das preocupações terrenas, tinham a alma fixada num único fim: vacare Deo – descansar em Deus, dar-se a Deus. Retrocedamos quase dois séculos e viajemos, em busca de uma dessas almas, a um país de escarpados montes cujas maravilhas foram inúmeras vezes proclamadas nos L ivros Sagrados: o Líbano. Foi ali onde, em 1828, na aldeia de Beqaa Kafra, nascera à sombra dos cedros centenários o pequeno Youssef Makhlouf. Deus começa a lhe falar ao coração Já nos tenros anos de sua infância, morreu seu pai, Antun Za’rur Makhlouf, submetido pelo exército otomano a um regime de trabalhos forçados. Sua mãe, Brígida, contraíra novas núpcias, deixando a casa e as pequenas propriedades de Antun para os filhos, que passaram a ser tutelados pelo tio paterno, Tannus. Inclinado à piedade e à devoção, coube ao pequeno Youssef, sendo embora o caçula de cinco irmãos, dar-lhes bom exemplo na piedade e no cumprimento dos deveres. Dotado de um espírito piedoso e altamente submisso, recitava diariamente as orações com a família, bem como desempenhava com grande esmero a tarefa de vigiar os animais no pasto. Suas virtudes logo se tornaram manifestas a todos os habitantes da aldeia. Gostava da solidão, era prudente e inteligente. Na igreja, mantinha-se recolhido, sem sequer olhar ao redor de si. De tal forma seu bom comportamento chamava a atenção, que os rapazes da região a ele se referiam como “o Santo”. A Providência foi preparando aos poucos a alma desse seu filho eleito até o ponto de que, vivendo ainda no mundo, dele se utilizava apenas para cumprir o que era a única aspiração de sua vida. “Quando Deus quer se unir intimamente a um homem e lhe falar ao coração, Ele o conduz à solidão. Se se trata de um homem chamado à vida religiosa contemplativa, Deus, para realizar o seu desejo, começa por separá-lo do mundo”.1 Foi assim que, no ano de 1851, aos 23 anos de idade, Youssef deixou o lar materno e ingressou no Mosteiro de Nossa Senhora, em Maïfuq, onde adotou o nome de Charbel, em louvor ao mártir de Edessa, do segundo século. De Maifouk a São Maron de Annaya Porém, com esse desejo de isolar- se do mundo ardendo-lhe na alma, Maifouk certamente não era o ambiente mais propício para a realização de seu ideal. Embora ali levasse uma vida de oração e trabalho, como a santa Regra pedia, o contato com os camponeses vizinhos prejudicava-lhe muito o recolhimento. Certo dia em que os noviços se ocupavam de sua tarefa diária de tirar as folhas e cascas das amoreiras, para a criação do bicho-da-seda, uma mocinha que trabalhava ao lado, querendo pôr à prova o silêncio e a seriedade de Charbel, lançou-lhe ao rosto um casulo. Não obtendo resultado, lançou outro. O jovem noviço permaneceu impassível, mas naquela mesma noite saiu do mosteiro de Maifouk, sem dizer nada a ninguém, e foi recolher-se ao convento de São Maron de Annaya, situado a quatro horas de marcha. Ali reiniciou o noviciado, separado do mundo por uma severa clausura, observando a regra que o guiava nas vias da contemplação, do recolhimento, da oração e da obediência. Dois anos depois recebeu o hábito dos maronitas – túnica preta, capuz em forma de cone e cordão feito de pele de cabra – e pronunciou os votos de pobreza, castidade e obediência. Desde então, foi um monge submergido no anonimato e nos seus colóquios com Deus. Embora tudo fizesse para lançar sua pessoa ao olvido, sua santidade tornou-se notória para os outros religiosos. Por decisão do superior e do conselho da comunidade, foi admitido às ordens sacras e, após fazer os necessários estudos, recebeu a ordenação presbiteral em 1859. Charbel celebrava o Santo Sacrifício com a máxima dignidade e com uma fé tão viva, que, com frequência, durante a Consagração, as lágrimas corriam-lhe dos olhos escuros e profundos, os quais eram como duas janelas abertas para o Céu. E, na contemplação, ficava de tal modo absorto que não prestava atenção alguma a eventuais ruídos ou rumores. Modelo de obediência e pureza Desde o tempo de noviciado até seu último alento, destacou-se como monge exemplar na obediência e na observância da Regra. Ao ponto de que, quando o Superior ordenava a um monge fazer algo muito penoso, era frequente ouvir uma resposta do tipo: – Pensa o senhor, por acaso, que sou o padre Charbel? Certa ocasião, sendo ele ainda noviço, um sacerdote resolveu pôr à prova sua paciência. Na hora de transportar de um campo para outro os instrumentos agrícolas, começou a amontoar sobre seus ombros sacos de sementes, peças de arados, ferramentas e outros materiais… Quando terminou, via-se no meio da carga o rosto sorridente de Charbel que repetia a censura de Jesus aos doutores da Lei: “Ai de vós, que carregais os homens com pesos que não podem levar…” (Lc 11, 46). Todos riram desse dito espirituoso e apressaram-se em livrá-lo do excesso de carga. Brilhou também de modo especial na luta para preservar a virtude da castidade, com atos de heroísmo extremos, sem jamais demonstrar aos outros as mortificações que fazia. A Regra da Ordem incita os monges a refrear com todo empenho os próprios sentidos. Entre outras atitudes de vigilância, exorta-os a evitar qualquer conversa com pessoas do sexo feminino, mesmo tratando- se de parentes. São Charbel foi mais longe: ele fez, e cumpriu, o propósito de jamais olhar para o rosto de uma mulher. O dom de fazer milagres Teve o dom de fazer milagres, e o exerceu com sua costumeira humildade. Certa vez, uma pobre mulher hemorroíssa, cuja enfermidade resistia a todos os tratamentos, encarregou um mensageiro de

São Charbel Makhlouf: Paz De Alma, Silêncio E Solidão

No Líbano, cujos majestosos cedros e míticas montanhas foram tantas vezes louvados pela Sagrada Escritura, brilhou, em pleno século XIX, um dos maiores anacoretas da história da Igreja. Raphaela Nogueira Thomaz Desde os primórdios do Cristianismo, reluziram no firmamento da Igreja homens e mulheres orantes que passavam a vida na contemplação e no silêncio, absortos somente em Deus. Despojados por completo das preocupações terrenas, tinham a alma fixada num único fim: vacare Deo – descansar em Deus, dar-se a Deus. Retrocedamos quase dois séculos e viajemos, em busca de uma dessas almas, a um país de escarpados montes cujas maravilhas foram inúmeras vezes proclamadas nos L ivros Sagrados: o Líbano. Foi ali onde, em 1828, na aldeia de Beqaa Kafra, nascera à sombra dos cedros centenários o pequeno Youssef Makhlouf. Deus começa a lhe falar ao coração Já nos tenros anos de sua infância, morreu seu pai, Antun Za’rur Makhlouf, submetido pelo exército otomano a um regime de trabalhos forçados. Sua mãe, Brígida, contraíra novas núpcias, deixando a casa e as pequenas propriedades de Antun para os filhos, que passaram a ser tutelados pelo tio paterno, Tannus. Inclinado à piedade e à devoção, coube ao pequeno Youssef, sendo embora o caçula de cinco irmãos, dar-lhes bom exemplo na piedade e no cumprimento dos deveres. Dotado de um espírito piedoso e altamente submisso, recitava diariamente as orações com a família, bem como desempenhava com grande esmero a tarefa de vigiar os animais no pasto. Suas virtudes logo se tornaram manifestas a todos os habitantes da aldeia. Gostava da solidão, era prudente e inteligente. Na igreja, mantinha-se recolhido, sem sequer olhar ao redor de si. De tal forma seu bom comportamento chamava a atenção, que os rapazes da região a ele se referiam como “o Santo”. A Providência foi preparando aos poucos a alma desse seu filho eleito até o ponto de que, vivendo ainda no mundo, dele se utilizava apenas para cumprir o que era a única aspiração de sua vida. “Quando Deus quer se unir intimamente a um homem e lhe falar ao coração, Ele o conduz à solidão. Se se trata de um homem chamado à vida religiosa contemplativa, Deus, para realizar o seu desejo, começa por separá-lo do mundo”.1 Foi assim que, no ano de 1851, aos 23 anos de idade, Youssef deixou o lar materno e ingressou no Mosteiro de Nossa Senhora, em Maïfuq, onde adotou o nome de Charbel, em louvor ao mártir de Edessa, do segundo século. De Maifouk a São Maron de Annaya Porém, com esse desejo de isolar- se do mundo ardendo-lhe na alma, Maifouk certamente não era o ambiente mais propício para a realização de seu ideal. Embora ali levasse uma vida de oração e trabalho, como a santa Regra pedia, o contato com os camponeses vizinhos prejudicava-lhe muito o recolhimento. Certo dia em que os noviços se ocupavam de sua tarefa diária de tirar as folhas e cascas das amoreiras, para a criação do bicho-da-seda, uma mocinha que trabalhava ao lado, querendo pôr à prova o silêncio e a seriedade de Charbel, lançou-lhe ao rosto um casulo. Não obtendo resultado, lançou outro. O jovem noviço permaneceu impassível, mas naquela mesma noite saiu do mosteiro de Maifouk, sem dizer nada a ninguém, e foi recolher-se ao convento de São Maron de Annaya, situado a quatro horas de marcha. Ali reiniciou o noviciado, separado do mundo por uma severa clausura, observando a regra que o guiava nas vias da contemplação, do recolhimento, da oração e da obediência. Dois anos depois recebeu o hábito dos maronitas – túnica preta, capuz em forma de cone e cordão feito de pele de cabra – e pronunciou os votos de pobreza, castidade e obediência. Desde então, foi um monge submergido no anonimato e nos seus colóquios com Deus. Embora tudo fizesse para lançar sua pessoa ao olvido, sua santidade tornou-se notória para os outros religiosos. Por decisão do superior e do conselho da comunidade, foi admitido às ordens sacras e, após fazer os necessários estudos, recebeu a ordenação presbiteral em 1859. Charbel celebrava o Santo Sacrifício com a máxima dignidade e com uma fé tão viva, que, com frequência, durante a Consagração, as lágrimas corriam-lhe dos olhos escuros e profundos, os quais eram como duas janelas abertas para o Céu. E, na contemplação, ficava de tal modo absorto que não prestava atenção alguma a eventuais ruídos ou rumores. Modelo de obediência e pureza Desde o tempo de noviciado até seu último alento, destacou-se como monge exemplar na obediência e na observância da Regra. Ao ponto de que, quando o Superior ordenava a um monge fazer algo muito penoso, era frequente ouvir uma resposta do tipo: – Pensa o senhor, por acaso, que sou o padre Charbel? Certa ocasião, sendo ele ainda noviço, um sacerdote resolveu pôr à prova sua paciência. Na hora de transportar de um campo para outro os instrumentos agrícolas, começou a amontoar sobre seus ombros sacos de sementes, peças de arados, ferramentas e outros materiais… Quando terminou, via-se no meio da carga o rosto sorridente de Charbel que repetia a censura de Jesus aos doutores da Lei: “Ai de vós, que carregais os homens com pesos que não podem levar…” (Lc 11, 46). Todos riram desse dito espirituoso e apressaram-se em livrá-lo do excesso de carga. Brilhou também de modo especial na luta para preservar a virtude da castidade, com atos de heroísmo extremos, sem jamais demonstrar aos outros as mortificações que fazia. A Regra da Ordem incita os monges a refrear com todo empenho os próprios sentidos. Entre outras atitudes de vigilância, exorta-os a evitar qualquer conversa com pessoas do sexo feminino, mesmo tratando- se de parentes. São Charbel foi mais longe: ele fez, e cumpriu, o propósito de jamais olhar para o rosto de uma mulher. O dom de fazer milagres Teve o dom de fazer milagres, e o exerceu com sua costumeira humildade. Certa vez, uma pobre mulher hemorroíssa, cuja enfermidade resistia a todos os tratamentos, encarregou um mensageiro de