Santo Antelmo, Bispo

Nascido pelo ano de 1107, pertencia Antelmo à primera nobreza de Sabóia. Seus pais fizeram-no estudar desde a juventude, e lhe proporcionaram dois benefícios consideráveis, um em Gênova e outro em Belley: eram as principais dignidades dessas duas igrejas. Davam-lhe elas grande consideração e propiciavam-lhe vultosos rendimentos, dos quais usava magnificamente, tendo prazer em receber os que iam vê-lo e prestar-lhes toda a sorte de serviços; a circunstância granjeou-lhe muitos amigos. Era também muito liberal para com os pobres, e tinha vida pura, mas ocupada com os cuidados temporais. Passada a primeira juventude, dedicou-se a visitar os religiosos, particularmente os cartuxos, mais por curiosidade do que com o propósito de converter-se. Tendo se dirigido, certa vez, com outros jovens de sua idade, para o convento dos cartuxos das Portas, cujo prior era o venerável Bernardo, este santo, que já fizera grande número de conversões, exortou Antelmo a pensar na salvação; alguns outros cartuxos fizeram o mesmo. Antelmo não se deu por convencido, recomendando-se somente às suas orações e retirando-se. Chegando à casa logo abaixo do convento dos cartuxos, foi retido, para lá passar a noite, pelos irmãos conversos e o procurador Boson, que era seu parente, e homem de aplicação maravilhosa. No dia seguinte, subiu novamente ao convento, visitou os alojamentos dos monges, e ficou de tal maneira impressionado com o seu gênero de vida e palavras, que pediu para ser recebido entre eles. Exortaram-no a regular os negócios e marcar data para regressar; mas ele disse: Resolvi permanecer aqui desde hoje; deixarei o com que pagar minhas dívidas; tenho bons amigos para arranjar tudo. Pediu, então, o hábito, e abraçou a observância com grande fervor. Era ainda novo quando foi enviado ao grande convento de cartuxos, onde o número de monges era pequeno. Ali, entregou-se à oração, à meditação, aos trabalhos manuais, à mortificação, praticando todos os dias a disciplina; tinha um grande dom de lágrimas. Feito procurador, desincumbiu-se muito dignamente do encargo, seja pela conduta dos irmãos conversos, seja pela conduta dos irmãos conversos, seja pela esmolas e pelo cuidado do temporal. Em seguida, fizeram-no prior. O venerável Guigues, após haver exercido tal cargo durante vinte e sete anos, morreu em 1136, deixando tal reputação, que simplesmente o chamavam o bom prior. Seu sucessor foi Hugues, sexto prior do grande convento que, após ter governado dois anos, se demitiu e fez eleger em seu lugar Santo Antelmo, em 1138. Alguns anos antes, as avalanches de neve, caindo do alto das montanhas, e arrastando terras e pedras, haviam aniquilado vários conventos sob a ruína de suas celas. Esse acidente arrebatou num só dia a maior parte da santa comunidade, e aos poucos monges que restavam desleixaram a observância após a morte do bem-aventurado Guigues. Santo Antelmo emprenhou-se, pois, em restabelecê-la, segundo as constituições escritas do santo prior. Empregou a doçura e a severidade; expulsou alguns indóceis que lhe resistiam; ao mesmo tempo reparou as construções e recolocou o mosteiro em estado reflorescente. Um dos dois irmãos o havia precedido na comunidade santa; o segundo o seguiu, bem como o pai. Santo Antelmo recebeu ainda no número dos irmãos conversos um dos maiores senhores do tempo o conde Guilherme de Nevers, o mesmo que os bispos e senhores de França haviam designado, pela boca de São Bernardo, para governar o reino com o abade Suger, durante a viagem do rei Luís, o Jovem, ao oriente. Após haver governado doze anos o grande mosteiro, Santo Antelmo mandou colocar em seu lugar Basílio, que foi o oitavo prior, e reentrou para o silêncio de sua cela. Mas algum tempo após, Bernardo, prior do convento das Portas, pediu-lhe que lhe sucedesse, não se julgando mais em condições de governar a casa em virtude da idade avançada. Antelmo tornou-se prior das Portas. Encontrando dinheiro e trigo, fez grandes distribuições aos camponeses da vizinhança, para lhes dar de que semear em um ano de carestia, e não deixou de aumentar os rendimentos do mosteiro, derrubando matas. Nessa época, 1158, Gui, conde de Forez, havia assaltado a cidade de Lion, pilhando-a e fazendo sentir sua indignidade,ao menos a maior parte dela. Nessa ocasião o arcebispo Heráclio e os principais de seu clero refugiaram-se no mosteiro das Portas, onde o prior Antelmo os recebeu de braços abertos e os tranqüilizou liberalmente enquanto durou a tempestade. Havendo governado a casa durante dois anos, retirou-se novamente, e voltou à cela no grande mosteiro dos cartuxos. Tal era Santo Antelmo, quando teve ocasião a glória de combater corajosamente pela unidade católica, contra o anti-papa Otaviano que, cego pela ambição diabólica, invadiu a Sé do Príncipe dos Apóstolos, e, o que foi mais execrável ainda, entregou a Igreja ao poder imperial. Essas reflexões são do biógrafo contemporâneo de Santo Antelmo. Em 1163, o bispado de Belley, na Borgonha, ficou vago e o partido mais poderoso do capítulo elegeu um jovem nobre e o colocou na posse da casa episcopal; mas a outra parte elegeu um monge, e o enviou ao Papa Alexandre, que estava então em França, para confirmar a eleição. O Papa adiou a resposta aos deputados, não duvidando que a outra parte também mandaria os seus; foi o que aconteceu. Entretanto, alguns cônegos mais moderados, conquanto em pequeno número, querendo unir os dois partidos, propuseram a eleição de Antelmo. Todos concordaram com alegria, mesmo o que havia sido eleito anteriormente; porque era parente de Santo Antelmo. Mas sabiam todos que seria difícil tirá-lo da solidão; foram prontamente procurar o Papa Alexandre, que, cheio de alegria, os felicitou por haverem encontrado tão boa solução, e lhes disse que seriam felizes sob a direção de tal pastor. Fez com que os primeiros deputados, ainda que com dificuldade, também consentissem, e havendo-os, reunido, escreveu a Santo Antelmo, ordenando-lhe, pela autoridade da Santa Sé Apostólica, se encarregasse da Igreja de Belley, e mandou o prior e os religiosos do grande mosteiro de cartuxos entregá-lo aos que o pedissem, a constrangê-lo pela autoridade. Mas Santo Antelmo soube o que se passava, e, à
Santo Antelmo, Bispo

Nascido pelo ano de 1107, pertencia Antelmo à primera nobreza de Sabóia. Seus pais fizeram-no estudar desde a juventude, e lhe proporcionaram dois benefícios consideráveis, um em Gênova e outro em Belley: eram as principais dignidades dessas duas igrejas. Davam-lhe elas grande consideração e propiciavam-lhe vultosos rendimentos, dos quais usava magnificamente, tendo prazer em receber os que iam vê-lo e prestar-lhes toda a sorte de serviços; a circunstância granjeou-lhe muitos amigos. Era também muito liberal para com os pobres, e tinha vida pura, mas ocupada com os cuidados temporais. Passada a primeira juventude, dedicou-se a visitar os religiosos, particularmente os cartuxos, mais por curiosidade do que com o propósito de converter-se. Tendo se dirigido, certa vez, com outros jovens de sua idade, para o convento dos cartuxos das Portas, cujo prior era o venerável Bernardo, este santo, que já fizera grande número de conversões, exortou Antelmo a pensar na salvação; alguns outros cartuxos fizeram o mesmo. Antelmo não se deu por convencido, recomendando-se somente às suas orações e retirando-se. Chegando à casa logo abaixo do convento dos cartuxos, foi retido, para lá passar a noite, pelos irmãos conversos e o procurador Boson, que era seu parente, e homem de aplicação maravilhosa. No dia seguinte, subiu novamente ao convento, visitou os alojamentos dos monges, e ficou de tal maneira impressionado com o seu gênero de vida e palavras, que pediu para ser recebido entre eles. Exortaram-no a regular os negócios e marcar data para regressar; mas ele disse: Resolvi permanecer aqui desde hoje; deixarei o com que pagar minhas dívidas; tenho bons amigos para arranjar tudo. Pediu, então, o hábito, e abraçou a observância com grande fervor. Era ainda novo quando foi enviado ao grande convento de cartuxos, onde o número de monges era pequeno. Ali, entregou-se à oração, à meditação, aos trabalhos manuais, à mortificação, praticando todos os dias a disciplina; tinha um grande dom de lágrimas. Feito procurador, desincumbiu-se muito dignamente do encargo, seja pela conduta dos irmãos conversos, seja pela conduta dos irmãos conversos, seja pela esmolas e pelo cuidado do temporal. Em seguida, fizeram-no prior. O venerável Guigues, após haver exercido tal cargo durante vinte e sete anos, morreu em 1136, deixando tal reputação, que simplesmente o chamavam o bom prior. Seu sucessor foi Hugues, sexto prior do grande convento que, após ter governado dois anos, se demitiu e fez eleger em seu lugar Santo Antelmo, em 1138. Alguns anos antes, as avalanches de neve, caindo do alto das montanhas, e arrastando terras e pedras, haviam aniquilado vários conventos sob a ruína de suas celas. Esse acidente arrebatou num só dia a maior parte da santa comunidade, e aos poucos monges que restavam desleixaram a observância após a morte do bem-aventurado Guigues. Santo Antelmo emprenhou-se, pois, em restabelecê-la, segundo as constituições escritas do santo prior. Empregou a doçura e a severidade; expulsou alguns indóceis que lhe resistiam; ao mesmo tempo reparou as construções e recolocou o mosteiro em estado reflorescente. Um dos dois irmãos o havia precedido na comunidade santa; o segundo o seguiu, bem como o pai. Santo Antelmo recebeu ainda no número dos irmãos conversos um dos maiores senhores do tempo o conde Guilherme de Nevers, o mesmo que os bispos e senhores de França haviam designado, pela boca de São Bernardo, para governar o reino com o abade Suger, durante a viagem do rei Luís, o Jovem, ao oriente. Após haver governado doze anos o grande mosteiro, Santo Antelmo mandou colocar em seu lugar Basílio, que foi o oitavo prior, e reentrou para o silêncio de sua cela. Mas algum tempo após, Bernardo, prior do convento das Portas, pediu-lhe que lhe sucedesse, não se julgando mais em condições de governar a casa em virtude da idade avançada. Antelmo tornou-se prior das Portas. Encontrando dinheiro e trigo, fez grandes distribuições aos camponeses da vizinhança, para lhes dar de que semear em um ano de carestia, e não deixou de aumentar os rendimentos do mosteiro, derrubando matas. Nessa época, 1158, Gui, conde de Forez, havia assaltado a cidade de Lion, pilhando-a e fazendo sentir sua indignidade,ao menos a maior parte dela. Nessa ocasião o arcebispo Heráclio e os principais de seu clero refugiaram-se no mosteiro das Portas, onde o prior Antelmo os recebeu de braços abertos e os tranqüilizou liberalmente enquanto durou a tempestade. Havendo governado a casa durante dois anos, retirou-se novamente, e voltou à cela no grande mosteiro dos cartuxos. Tal era Santo Antelmo, quando teve ocasião a glória de combater corajosamente pela unidade católica, contra o anti-papa Otaviano que, cego pela ambição diabólica, invadiu a Sé do Príncipe dos Apóstolos, e, o que foi mais execrável ainda, entregou a Igreja ao poder imperial. Essas reflexões são do biógrafo contemporâneo de Santo Antelmo. Em 1163, o bispado de Belley, na Borgonha, ficou vago e o partido mais poderoso do capítulo elegeu um jovem nobre e o colocou na posse da casa episcopal; mas a outra parte elegeu um monge, e o enviou ao Papa Alexandre, que estava então em França, para confirmar a eleição. O Papa adiou a resposta aos deputados, não duvidando que a outra parte também mandaria os seus; foi o que aconteceu. Entretanto, alguns cônegos mais moderados, conquanto em pequeno número, querendo unir os dois partidos, propuseram a eleição de Antelmo. Todos concordaram com alegria, mesmo o que havia sido eleito anteriormente; porque era parente de Santo Antelmo. Mas sabiam todos que seria difícil tirá-lo da solidão; foram prontamente procurar o Papa Alexandre, que, cheio de alegria, os felicitou por haverem encontrado tão boa solução, e lhes disse que seriam felizes sob a direção de tal pastor. Fez com que os primeiros deputados, ainda que com dificuldade, também consentissem, e havendo-os, reunido, escreveu a Santo Antelmo, ordenando-lhe, pela autoridade da Santa Sé Apostólica, se encarregasse da Igreja de Belley, e mandou o prior e os religiosos do grande mosteiro de cartuxos entregá-lo aos que o pedissem, a constrangê-lo pela autoridade. Mas Santo Antelmo soube o que se passava, e, à
Santa Febrônia, Virgem E Mártir – Pelo Fim Do Século VI

Havia em Sibápolis, na Síria, um mosteiro de freiras, cuja piedade e vida penitente despertavam a admiração dos próprios pagãos. Contavam-se mais de cinqüenta religiosas, a maior parte pertencendo às principais famílias da sociedade. A superiora ali tinha introduzido, com a idade de três anos, uma de suas sobrinhas, chamada Febrônia, e a educara com os maiores cuidados no amor da virtude. A sobrinha, chegando aos dezenove anos, era das pessoas mais bem formadas de todo o império romano, seja pelos predicados exteriores, seja pelas qualidades de espírito. Mas o que lhe aumentava infinitamente o mérito era a humildade profunda, a modéstia admirável, a pureza e inocência de coração que dela faziam um anjo sobre a terra. Também renunciara solenemente às esperanças do mundo, e em boa hora havia resolvido não ter outro esposo senão Jesus Cristo. A tia, que nada de mais caro tinha no mundo que este precioso tesouro, jamais a deixava ser vista por estranhos; mas por mais precauções que tomasse, não deixavam de falar dela lá fora, e muitas pessoas haviam tentado, em vão, penetrar no mosteiro para julgar, por seus próprios olhos, do mérito da piedosa virgem. Entretanto, uma jovem viúva, de família muito distinta, que ainda não passava de catecúmena, solicitou à superiora com tanta insistência e lhe deu razões tão tocantes do desejo ardente que tinha de vê-la, que conseguiu entrar no convento, revestindo-se com hábito de religiosa, e aparecer em companhia das santas freiras: Febrônia, que jamais consentira em mostrar-se nem dirigir a palavra a pessoa alguma estranha, acolheu a pretensa religiosa com grandes mostras de caridade. Com ela se entreteve e descreveu com tanta unção a felicidade da vida religiosa, que Hierica (era o nome da mulher(, a qual estava a ponto de contrair segundas núpcias, renunciou imediatamente o mundo, e resolveu passar o resto da vida no retiro. Imediatamente quis receber o batismo, e a família impressionada com a mudança tão súbita em suas disposições, converteu-se também à religião cristã. Essa conquista de Febrônia devia, em breve, ser seguida de vitória mais brilhante ainda. Diocleciano perseguia então a Igreja com excessiva crueldade; milhões de mártires cimentavam com o sangue a fé de Jesus Cristo. O prefeito Lisímaco e Selene, seu tio, inimigo jurado dos cristãos, foram enviados a Sibápolis com ordens severíssimas da parte do imperador. À notícia de sua chegada, o alarme foi grande: casa qual procurava fugir ou esconder-se; a superiora do mosteiro declarou às companheiras que estavam livres de retirar-se se quisessem, para colocar em segurança a vida. Quanto a ela mesma, estava resolvida a esperar a morte no convento, muito feliz de terminar a vida com o martírio. “Toda a minha dificuldade é saber o que acontecerá com Febrônia. O que acontecerá comigo, respondeu imediatamente a santa jovem com firmeza! Ficarei aqui sob a proteção do meu divino esposo. Nada temo. Fiz a Jesus Cristo o sacrifício do coração; faço-lhe ainda o da vida. Nada desejo ardentemente do que derramar meu sangue por ele”. Entrementes, uma companhia de soldados enviados por Selene, e comandados por Primo, primo-irmão do prefeito Lisímaco, se apresentou às portas do convento. Arrombaram-nas com violência e lançaram-se sobre as religiosas. Já a superiora ia ser imolada quando Febrônia, lançando-se aos pés dos soldados, conjurou-os a fazê-la morrer primeiro. À vista da coragem e da ousadia de pessoa tão jovem e tão delicada, ficaram imóveis; detiveram-se, hesitaram, até que, vindo Primo, ordenou se retirassem, dizendo então a Febrônia: Por que não fugistes, como a maior parte das companheiras? Ide: dou-vos a liberdade; ponde-vos a coberto dos insultos que poderão advir-vos. Primo voltou a Lisímaco para prestar-lhe contas do que acabava de fazer, e disse-lhe: Encontrei no convento aquele que os deuses vos destinam por esposa. É uma jovem, que pelo aspecto, me parece de alta categoria; por outro lado, é de beleza incomparável. Mas, respondeu Lisímaco, ouvi minha mãe dizer que as jovens encerradas nos mosteiros são esposas de Jesus Cristo. Não poderia, pois, pensar em casar-me com aquele a que te referes. Enquanto Primo e Lisímaco confabulavam, um soldado que os havia escutado mandou dizer a Selene que Primo ia casaro sobrinho com uma jovem cristã. Selene encolerizou-se. Mandou trazer imediatamente Febrônia. Ela apareceu diante do juiz, mas com tal expressão de contentamento e de paz estampada no semblante, que o tirano permaneceu como que estatelado. – Sois livre ou escrava? Perguntou-lhe, primeiramente. – Sou escrava, respondeu a santa. – E quem é vosso senhor? – Jesus Cristo, meu Senhor e meu Deus, a quem me devotei desde o berço. – É pena que vos tenham impingido desde tão longo tempo os princípios da seita cristã. Despojai-vos, hoje, de todos esses erros. Sacrificai aos deuses e eles farão vossa felicidade. Desde hoje vos tornareis minha sobrinha, esposando Lisímaco, que está diante de vós, e que vos cumulará de honras e riquezas. Que lhe tirem as correntes! Acrescentou. Adotando um tom grave e sério que contrastava maravilhosamente com a candura e modéstia habituais, Febrônia segurou nas mãos as correntes que tão orgulhosa estava de carregar. – Peço-vos, senhor, disse ela, não me tireis um ornamento que faz minha felicidade e glória; e para não vos fatigar com longos discursos, sabei que não consentirei jamais na proposta que acabais de fazer-me. Não, jamais adorarei os demônios. E não acrediteis que, por ser eu mulher, consigais quebrantar-me a resolução com ameaças e tormentos. Estou pronta a sofrer os maiores suplícios, antes de renunciar a Jesus Cristo, meu único esposo para sempre. A essas palavras, Selene, fora de si de despeito e cólera, mandou dilacerar a golpes de azorragues a generosa Febrônia, cujo corpo sangrento em breve se transformou numa só chaga. Em seguida, ordenou fosse estendida sobre uma grelha de ferro e queimada a fogo lento. Os pagãos, testemunhas da barbaridade, afastavam com horror; mas Febrônia parecia insensível e não tinha voz senão para bendizer o Senhor porque a julgara digna de sofrer por ele; parecia no cúmulo da alegria em meio aos tormentos
São Rombaldo, Mártir

São Rombaldo era anglo-saxão. Tendo ido a Roma, o que fez a pregar o Evangelho pelo percurso todo, ali visitou com grande unção, o túmulo dos santos Apóstolos. De volta da Itália, através da Gália, penetrou na Bélgica, fixando-se numa ermida perto de Malines, sob a proteção do conde Adon, cuja mulher, ardentemente, desejava ter um filho. Rombaldo prometeu que o teria e, quando o filho de Adon nasceu, a esposa, escolheu o santo homem para batizá-lo. Liberto, o filho do conde, um dia, brincando perto de um curso de água, resvalou, afundou-se na corrente e morreu afogado. Desolados, o pai e a mão da criança desesperavam-se, quando Rombaldo, aproximando-se do pequeno, que haviam recuperado do rio, ressuscitou-o, restituindo-o aos pais atônitos. Em reconhecimento, o conde anexou à ermida um vasto domínio, onde se fundou um mosteiro. São Rombaldo foi assassinado por dois bandidos, aos quais repreendia, tais os vícios e desmandos, no dia 24 de Junho de 775. Atirado às águas do rio não tardaram descobri-lo. Enterrado na igreja do seu mosteiro, o corpo do santo mártir foi muitíssimo visitado. O mosteiro, que logo, se chamou de São Rombaldo, tornou-se um colegiado, sendo erigido em metrópole, quando o Papa Paulo IV, em 1559, criou o arcebispado de Malines. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XI, p. 173-174) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santa Maria D Oignies

Nascida em 1177, em Nivelle, Brabante, de uma família riquíssima, as riquezas jamais lhe impressionaram a alma, mesmo na mais tenra idade. Jamais ou raramente, a viram tomar parte nos brinquedos da infância, não pela morosidade do caráter, mas porque desde então a graça divina a atraía para as coisas do céu. Desde a infância, levantava-se de noite, punha-se de joelhos ao pé da cama, e repetia as orações que havia aprendido de cor. A misericórdia e a piedade pareciam ter nascido com ela e nela cresciam com os anos. Criança ainda, quando via passar religiosos cistercienses diante da casa do pai, seguia-os às escondidas, cheia de admiração e, não podendo fazer outra coisa, punha os pés nas suas pegadas. Os pais, como era costume das pessoas do mundo, quiseram adorná-la de vestes preciosas; ela usava-as com tristeza, como se lesse na alma o que os apóstolos São Pedro e São Paulo haviam dito contra os ornamentos femininos. Os pais surpresos, zombavam dela: “Mas que será de nossa filha?” Casaram-na com a idade de quatorze anos a um jovem que muito lhe convinha pela doçura da natureza. Afastada dos pais, seu fervor e austeridades não conheceram limites. Frequentemente, após haver empregado parte da noite no trabalho Manuel e em oração, repousava sobre tábuas que escondia sob o leito. Como não tinha liberdade de dispor do corpo abertamente, servia-se, em segredo, de uma corda rude que trazia sobre a carne. O marido, de nome João, vivia primeiramente com ela como esposa, mas em breve, conquistado por seu exemplo, não a considerava senão irmã e companheira na piedade. Desde então, não somente levou vida casta, mas foi o guardião fiel da castidade da esposa, cuidando do que lhe faltava, a fim de que nada a afastasse da contemplação e dos exercícios de piedade que ocupavam todas as horas de sua vida. Com ela, deu aos pobres o que possuía e juntou-se a ela na oração e em todas as obras da caridade às quais podia tomar parte. De sorte que, quando mais dela se separou corporalmente, renunciando a toda afeição carnal, mais se lhe unia pelos laços de uma sociedade toda espiritual. Não se contentaram em crucificar a carne em tão grande juventude; mas, esquecendo-se de si próprios, aplicaram-se em servir os leprosos na cidade de Nivelle. Os homens do século não tardaram em censurar conduta que lhes parecia surpreendente; e os parentes de um e outra não mais podiam vê-los senão com despeito. Parecia que houvesse tido uma conspiração geral em todo o país para zombar deles e deles fazer o objeto das zombarias públicas. Do mesmo modo que todos os respeitavam quando ricos, assim todos os desprezavam quando voluntariamente se tinham tornado pobres por amor de Jesus Cristo. Consideravam-nos pessoas insignificantes, e quanto mais humildes e pacientes os viam, mais procuravam ultrajá-los com injúrias. Maria, bem como o marido, recebia-as com alegria, no desejo ardente de participar das humilhações que Jesus Cristo havia sofrido na cruz. O princípio de sua conversão perfeita, a causa de seu amor sempre mais fervente por Deus, foi a cruz do Salvador. Um dia, a meditação dos sofrimentos a impressionou com tal compunção, que seu lugar na igreja se encontrou inundado de lágrimas. Depois, ela permaneceu longo tempo sem poder olhar uma imagem da cruz, nem falar ou ouvir falar de Jesus Cristo, sem que caísse em desmaio que ia até o êxtase. Havia recebido de Deus o dom das lágrimas a tal ponto, que não lograva a reter-lhes o curso. A magreza extrema, a que a tinham reduzido os longos jejuns e longas vigílias, não a impedia de derramá-las em abundância. Dizia aos que temiam que estivesse enferma que tais lágrimas eram o seu alimento; que longe de lhe fazerem mal, lhe aliviavam as penas. Quase sempre era a vista do que Cristo havia sofrido pelos pecados dos homens que a faziam derramá-las. Por seu turno, empenhava-se em nada fazer que pudesse obrigá-la a derramá-las por si própria. Vigiava com tanto cuidado a alma e os sentidos, e conservava o coração em tão grande pureza, que seu diretor jamais nela notou palavra indecente, olhar mal regrado, ação um tanto mais livre, nem riso imoderado, nem gesto que não fosse modesto. Quando, à noite, examinava severamente tudo o que havia feito durante o dia, e julgava haver-se excedido na menor coisa, confessava-se imediatamente ao padre, com viva contrição. O amor do Salvador a fazia amar a cruz. Tinha feito a deus o sacrifício dos bens, e fazia perpetuamente o sacrifício do corpo com mortificação contínua. Usava do alimento somente para não morrer; comia uma vez por dia e em pequena quantidade; no verão, na hora das vésperas, no inverno, na primeira hora da noite. Não bebia vinho e não comia carne; seus alimentos mais comuns eram frutas, ervas e legumes; por muito tempo costumava comer um pão negro, tão seco e duro, que lhe magoava a garganta, à medida em que o tomava. Três anos a fio jejuou a pão e água, desde a exaltação da santa cruz até a Páscoa, e isso sem em nada diminuir o trabalho manual. Algumas vezes, durante trinta e cinco dias, repousava afetuosamente com o Senhor, em doce e bem-aventurado silêncio, não tomando qualquer alimento corporal, e não proferindo mais que esta palavra: Quero o corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Havendo-o recebido, permanecia em silêncio com o Senhor. Nesses dias, sentia o espírito como que separado do corpo, encontrando-se como que num vaso de lama, tal era o seu desprendimento das coisas sensíveis, e arrebatada acima delas. Enfim, após cinco semanas de arrebatamento, para grande espanto de todos, voltava a si, falava aos presentes e tomava alimento. Quanto mais enfraquecia o corpo pelos jejuns, mais o espírito se lhe fortificava na prece. Orava de dia e de noite com assiduidade infatigável; orava sem cessar, ou no silêncio do coração sem emprego da palavra, ou exprimindo pela boca os sentimentos do coração. Mesmo quando fiava ou executava outro
São Paulino, Bispo De Nola

Santo Agostinho não era ainda mais que sacerdote, quando recebeu uma carta encantadora de suavidade, elegância, amizade e louvores, da parte de ilustre senador e cônsul romano, que, com a mulher, acabava de abraçar a vida monástica. A carta estava acompanhada de um pão bento, em sinal de união. No cabeçalho estava escrito: Ao Senhor Agostinho, irmão unânime e venerável, Paulino e Teresa, pecadores. Tratava-se de São Paulino, nascido em Bordéus, em 353. Contava uma longa lista de senadores na família, tanto do lado paterno como do lado materno. Seu pai, Pôncio Paulino, era prefeito do pretório nas Gálias, e primeiro magistrado do império do Oriente. A esta nobre nascença Paulino ajuntava um espírito elevado e penetrante, um gênio rico e fecundo, uma facilidade maravilhosa de exprimir-se. Cultivou tais predicados desde a infância, por um estudo assíduo dos diferentes ramos da literatura. Teve por mestre de eloqüência e de poesia o célebre Ausono, que foi cônsul em 379. Foi elevado, conquanto jovem aindam às mais altas dignidades, e declarado cônsul antes de Ausono, seu mestre. Desposou uma espanhola chamada Tereásia ou Teresa, que lhe trouxe vultuosos bens, que era sobretudo distinta pelo mérito pessoal e pela piedade. Fez grande número de amigos na Itália, na Espanha e nas Gálias, onde havia exercido durante o espaço de quinze anos os seus raros talentos e a maravilhosa capacidade para administração dos negócios, tanto públicos como particulares. Mas a morte de um irmão, as revoluções políticas que se seguiram ao assassínio do imperador Graciano, e mais ainda os entretenimentos que teve com Santo Ambrósio de Milão, com São Martinho de Tours, com São Victrício de Touen, com o Santo Delfim de Bordéus, da mão do qual recebeu o batismo pelo ano de 380, deram-lhe gosto pelo retiro e inspiraram nele o desejo sincero de levar uma vida mais cristã. Enfim, encorajado pela mulher, retiraram-se ambos para uma pequena propriedade que tinham na Espanha e ocuparam-se unicamente de sua santificação, desde o ano de 390 até 394. Foi lá que perderam o filho único que Deus lhes havia dado. Enterraram-no em Alcala, junto dos santos mártires Justo e Pastor. Desde esse tempo obrigaram-se, com sentimento mútuo, a viver em continência perpétua. Em breve, Paulino mudou o hábito, a fim de anunciar ao mundo a resolução de abandonar o senado, os pais, os bens, e ir sepultar-se num mosteiro ou no deserto. Os bens deviam ser consideráveis, pois Ausono testemunhou o pesar que sentia de ver partilhar entre cem pessoas diferentes os reinos de Paulino, seu pai. O santo vendeu todas as possessões e distribuiu o preço entre os infelizes. Abriu os celeiros e paióis a todos os necessitados. Não contente com aliviar os pobres da vizinhança, chamou-os de todas as partes para nutri-los e vesti-los. Resgatou uma infinidade de cativos e de pobres devedores reduzidos à escravidão por não terem o que pagar. Vendeu igualmente os bens da mulher, que não aspirava com menos fervor à prática da pobreza voluntária. Tal ação foi louvada e admirada por todos os santos que se viam então na Igreja. Mas asa pessoas do mundo tachavam-na de loucura. Paulino foi abandonado por todos, mesmo pelos parentes e escravos, que recusavam prestar-lhe os serviços mais comuns da humanidade. Ausono, seu mestre, que era cristão, mas apenas o suficiente para não ser pagão, queixou-se da transformação, por várias cartas em verso. O santo respondeu-lhe por diversos pequenos poemas transudando urbanidade delicada, onde lhe assegura que a sua conversão a Deus não fazia senão tornar mais íntima a antiga amizade. Todavia, em meio a essa censura geral, viu dois de seus mais ilustres amigos seguirem-lhe o exemplo. O primeiro foi Sulpício; o segundo Santo Aper, vulgarmente Santo Evre, que foi bispo de Toul. O propósito de Paulino, renunciando ao mundo era ir passar os dias num ermo próximo de Nola, na Campanha, e servir Jesus Cristo na tumba de São Félix, ser o porteiro da igreja, varrer o pavimento todas as manhãs, vigiar à noite para guardá-la, e terminar a vida no trabalho. Mas o povo de Barcelona, edificado com a pureza de seus costumes, apoderou-se dele no Natal de 393, e pediu com insistente calor que se tornasse sacerdote. Ele defendeu-se como lhe foi possível, e não consentiu na ordenação senão com a condição de que seria livre de ir para onde quisesse. Era contrário às regras da Igreja; mas se passava por vezes por cima delas. Após a Páscoa do ano seguinte, 394 abandonou a Espanha para ir à Itália. Em Milão vivia Santo Ambrósio, que o recebeu com muitas honras e o agregou ao seu clero. Continuando a viagem, foi até Roma, onde melhor o recebeu o povo do que o clero. Alguns eclesiásticos e o Papa não queriam relações com ele. Paulino cedeu à inveja e retirou-se; mas escrevendo a seu amigo Sulpício Severo, não pode deixar de queixar-se. Talvez o Papa, que tinha muito zelo pela observância das regras da Igreja, não achava bom que, contrariando tais regras, Paulino houvesse sido ordenado sacerdote sendo neófito leigo, e sem estar unido a uma igreja particular. Seja o que for, Paulino apressou-se em deixar Roma para dirigir-se a Nola, onde tinha escolhido o retiro junto da tumba de São Félix, que ficava a alguns passos da cidade. Haviam construído uma igreja sobre a sepultura; ao pé da igreja havia uma construção muito longa de dois andares com uma galeria dividida em celas, das quais Paulino se servia para receber eclesiásticos que iam visitá-lo. Do outro lado havia um alojamento para pessoas do mundo, e também um pequeno jardim. Muitas pessoas piedosas tinham-se unido a ele, que formou então uma sociedade chamada companhia de monges. Todos se sujeitavam a uma regra, e praticavam diversas austeridades. Cada dia Paulino rendia a São Félix toda a honra de era capaz; mas tentava ultrapassar-se no dia de sua festa. Todos os anos lhe celebrava os louvores com um poema, que chamava de tributo de sua homenagem voluntária. Temos ainda hoje quinze
São Luís Gonzaga, Religioso

Filho primogênito de um príncipe da Itália, mas educado santamente, foi batizado apenas nascido, de maneira que pareceu mas ter nascido no céu, do que na terra. Essa primeira graça, guardou-a tão constantemente que se acreditou tivesse sido confirmado. Desde o primeiro uso da razão, ofereceu-se a Deus, e levou uma vida cada vez mais santa. Com nove anos, estando em Florença, diante do altar da santa Virgem, que honra sempre como sua mãe, fez o voto de castidade perpétua; e, por uma graça especial de Deus, conservou-a sem necessidade de defender-se contra qualquer tentação do espírito ou do corpo. Quanto às outras perturbações da alma, reprimiu-as tão fortemente desde a primeira idade, que não se ressentiu nem de seus primeiros movimentos. Guardava tão bem os sentidos em particular o da vista, que não olhava jamais para o rosto da princesa Maria da Áustria, a quem saudava quase todos os dias durante vários anos, como pajem do príncipe da Espanha; não olhava jamais fixamente a própria mãe. Chamaram-no com justeza homem sem carne ou anjo encarnado. À guarda dos sentidos, ajuntava as mortificações corporais. Jejuava três vezes por semana, o mais frequentemente a pão é água. Pode-se mesmo dizer que seu jejum era perpétuo, não passando o alimento de uma onça. Frequentemente, castigava-se até o sangue três vezes por dia, com cordas e correntes; algumas vezes substituía as cordas por grossas correias e o cilício por esporas de cavaleiros. Tinha um leito macio, mas tornou-o duro colocando pedaços de madeira, e isso também com o fito de acordá-lo mais cedo para orar: porque empregava grande parte da noite na contemplação das coisas celestes, vestido somente com uma camisa, de joelhos sobre o pavimento ou prostrado de fraqueza. De dia, ali permanecia três, quatro e cinco horas imóvel. O preço dessa constância foi tal estabilidade de espírito na oração que não se afastava jamais de Deus, permanecendo como que em perpétuo êxtase. Para unir-se a Deus somente, após haver obtido a permissão de seu pai, em seguida a três anos de solicitações, transmitiu ao irmão direito ao principado da família e entrou, em Roma, na sociedade de Jesus, à qual uma voz celeste o havia chamado desde Madri. No noviciado, revelou-se modelo de todas as virtudes. Observava com escrupulosa pontualidade as menores regras, mostrava grande desprezo do mundo e ódio de si mesmo. Mas um amor tão ardente, que o próprio corpo nele se consumia insensivelmente. Tendo recebido ordem para distrair um pouco o espírito das coisas divinas, fazia vãos esforços para evitar Deus que se apresentava a ele de toda parte. Abrasado de maravilhosa caridade para com o próximo, servia com amor nos hospitais e contraiu uma moléstia contagiosa. Consumindo-se lentamente, emigrou ao céu, no dia em havia predito, 21 de Junho de 1591, com a idade de 24 anos começados, após ter pedido para receber, pela última vez, a disciplina e morrer estendido sobre uma tábua. Bento XIII canonizou-o e deu-o à juventude cristã por patrono e modelo de inocência e castidade. Sua mãe vivia ainda quando foi beatificado, em 1621, e pode invocá-lo sobre os altares. Feliz mãe! (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XI, p. 83 à 85) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Luís Gonzaga, Religioso

Filho primogênito de um príncipe da Itália, mas educado santamente, foi batizado apenas nascido, de maneira que pareceu mas ter nascido no céu, do que na terra. Essa primeira graça, guardou-a tão constantemente que se acreditou tivesse sido confirmado. Desde o primeiro uso da razão, ofereceu-se a Deus, e levou uma vida cada vez mais santa. Com nove anos, estando em Florença, diante do altar da santa Virgem, que honra sempre como sua mãe, fez o voto de castidade perpétua; e, por uma graça especial de Deus, conservou-a sem necessidade de defender-se contra qualquer tentação do espírito ou do corpo. Quanto às outras perturbações da alma, reprimiu-as tão fortemente desde a primeira idade, que não se ressentiu nem de seus primeiros movimentos. Guardava tão bem os sentidos em particular o da vista, que não olhava jamais para o rosto da princesa Maria da Áustria, a quem saudava quase todos os dias durante vários anos, como pajem do príncipe da Espanha; não olhava jamais fixamente a própria mãe. Chamaram-no com justeza homem sem carne ou anjo encarnado. À guarda dos sentidos, ajuntava as mortificações corporais. Jejuava três vezes por semana, o mais frequentemente a pão é água. Pode-se mesmo dizer que seu jejum era perpétuo, não passando o alimento de uma onça. Frequentemente, castigava-se até o sangue três vezes por dia, com cordas e correntes; algumas vezes substituía as cordas por grossas correias e o cilício por esporas de cavaleiros. Tinha um leito macio, mas tornou-o duro colocando pedaços de madeira, e isso também com o fito de acordá-lo mais cedo para orar: porque empregava grande parte da noite na contemplação das coisas celestes, vestido somente com uma camisa, de joelhos sobre o pavimento ou prostrado de fraqueza. De dia, ali permanecia três, quatro e cinco horas imóvel. O preço dessa constância foi tal estabilidade de espírito na oração que não se afastava jamais de Deus, permanecendo como que em perpétuo êxtase. Para unir-se a Deus somente, após haver obtido a permissão de seu pai, em seguida a três anos de solicitações, transmitiu ao irmão direito ao principado da família e entrou, em Roma, na sociedade de Jesus, à qual uma voz celeste o havia chamado desde Madri. No noviciado, revelou-se modelo de todas as virtudes. Observava com escrupulosa pontualidade as menores regras, mostrava grande desprezo do mundo e ódio de si mesmo. Mas um amor tão ardente, que o próprio corpo nele se consumia insensivelmente. Tendo recebido ordem para distrair um pouco o espírito das coisas divinas, fazia vãos esforços para evitar Deus que se apresentava a ele de toda parte. Abrasado de maravilhosa caridade para com o próximo, servia com amor nos hospitais e contraiu uma moléstia contagiosa. Consumindo-se lentamente, emigrou ao céu, no dia em havia predito, 21 de Junho de 1591, com a idade de 24 anos começados, após ter pedido para receber, pela última vez, a disciplina e morrer estendido sobre uma tábua. Bento XIII canonizou-o e deu-o à juventude cristã por patrono e modelo de inocência e castidade. Sua mãe vivia ainda quando foi beatificado, em 1621, e pode invocá-lo sobre os altares. Feliz mãe! (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XI, p. 83 à 85) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Luís Gonzaga, Religioso

Filho primogênito de um príncipe da Itália, mas educado santamente, foi batizado apenas nascido, de maneira que pareceu mas ter nascido no céu, do que na terra. Essa primeira graça, guardou-a tão constantemente que se acreditou tivesse sido confirmado. Desde o primeiro uso da razão, ofereceu-se a Deus, e levou uma vida cada vez mais santa. Com nove anos, estando em Florença, diante do altar da santa Virgem, que honra sempre como sua mãe, fez o voto de castidade perpétua; e, por uma graça especial de Deus, conservou-a sem necessidade de defender-se contra qualquer tentação do espírito ou do corpo. Quanto às outras perturbações da alma, reprimiu-as tão fortemente desde a primeira idade, que não se ressentiu nem de seus primeiros movimentos. Guardava tão bem os sentidos em particular o da vista, que não olhava jamais para o rosto da princesa Maria da Áustria, a quem saudava quase todos os dias durante vários anos, como pajem do príncipe da Espanha; não olhava jamais fixamente a própria mãe. Chamaram-no com justeza homem sem carne ou anjo encarnado. À guarda dos sentidos, ajuntava as mortificações corporais. Jejuava três vezes por semana, o mais frequentemente a pão é água. Pode-se mesmo dizer que seu jejum era perpétuo, não passando o alimento de uma onça. Frequentemente, castigava-se até o sangue três vezes por dia, com cordas e correntes; algumas vezes substituía as cordas por grossas correias e o cilício por esporas de cavaleiros. Tinha um leito macio, mas tornou-o duro colocando pedaços de madeira, e isso também com o fito de acordá-lo mais cedo para orar: porque empregava grande parte da noite na contemplação das coisas celestes, vestido somente com uma camisa, de joelhos sobre o pavimento ou prostrado de fraqueza. De dia, ali permanecia três, quatro e cinco horas imóvel. O preço dessa constância foi tal estabilidade de espírito na oração que não se afastava jamais de Deus, permanecendo como que em perpétuo êxtase. Para unir-se a Deus somente, após haver obtido a permissão de seu pai, em seguida a três anos de solicitações, transmitiu ao irmão direito ao principado da família e entrou, em Roma, na sociedade de Jesus, à qual uma voz celeste o havia chamado desde Madri. No noviciado, revelou-se modelo de todas as virtudes. Observava com escrupulosa pontualidade as menores regras, mostrava grande desprezo do mundo e ódio de si mesmo. Mas um amor tão ardente, que o próprio corpo nele se consumia insensivelmente. Tendo recebido ordem para distrair um pouco o espírito das coisas divinas, fazia vãos esforços para evitar Deus que se apresentava a ele de toda parte. Abrasado de maravilhosa caridade para com o próximo, servia com amor nos hospitais e contraiu uma moléstia contagiosa. Consumindo-se lentamente, emigrou ao céu, no dia em havia predito, 21 de Junho de 1591, com a idade de 24 anos começados, após ter pedido para receber, pela última vez, a disciplina e morrer estendido sobre uma tábua. Bento XIII canonizou-o e deu-o à juventude cristã por patrono e modelo de inocência e castidade. Sua mãe vivia ainda quando foi beatificado, em 1621, e pode invocá-lo sobre os altares. Feliz mãe! (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XI, p. 83 à 85) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Luís Gonzaga, Religioso

Filho primogênito de um príncipe da Itália, mas educado santamente, foi batizado apenas nascido, de maneira que pareceu mas ter nascido no céu, do que na terra. Essa primeira graça, guardou-a tão constantemente que se acreditou tivesse sido confirmado. Desde o primeiro uso da razão, ofereceu-se a Deus, e levou uma vida cada vez mais santa. Com nove anos, estando em Florença, diante do altar da santa Virgem, que honra sempre como sua mãe, fez o voto de castidade perpétua; e, por uma graça especial de Deus, conservou-a sem necessidade de defender-se contra qualquer tentação do espírito ou do corpo. Quanto às outras perturbações da alma, reprimiu-as tão fortemente desde a primeira idade, que não se ressentiu nem de seus primeiros movimentos. Guardava tão bem os sentidos em particular o da vista, que não olhava jamais para o rosto da princesa Maria da Áustria, a quem saudava quase todos os dias durante vários anos, como pajem do príncipe da Espanha; não olhava jamais fixamente a própria mãe. Chamaram-no com justeza homem sem carne ou anjo encarnado. À guarda dos sentidos, ajuntava as mortificações corporais. Jejuava três vezes por semana, o mais frequentemente a pão é água. Pode-se mesmo dizer que seu jejum era perpétuo, não passando o alimento de uma onça. Frequentemente, castigava-se até o sangue três vezes por dia, com cordas e correntes; algumas vezes substituía as cordas por grossas correias e o cilício por esporas de cavaleiros. Tinha um leito macio, mas tornou-o duro colocando pedaços de madeira, e isso também com o fito de acordá-lo mais cedo para orar: porque empregava grande parte da noite na contemplação das coisas celestes, vestido somente com uma camisa, de joelhos sobre o pavimento ou prostrado de fraqueza. De dia, ali permanecia três, quatro e cinco horas imóvel. O preço dessa constância foi tal estabilidade de espírito na oração que não se afastava jamais de Deus, permanecendo como que em perpétuo êxtase. Para unir-se a Deus somente, após haver obtido a permissão de seu pai, em seguida a três anos de solicitações, transmitiu ao irmão direito ao principado da família e entrou, em Roma, na sociedade de Jesus, à qual uma voz celeste o havia chamado desde Madri. No noviciado, revelou-se modelo de todas as virtudes. Observava com escrupulosa pontualidade as menores regras, mostrava grande desprezo do mundo e ódio de si mesmo. Mas um amor tão ardente, que o próprio corpo nele se consumia insensivelmente. Tendo recebido ordem para distrair um pouco o espírito das coisas divinas, fazia vãos esforços para evitar Deus que se apresentava a ele de toda parte. Abrasado de maravilhosa caridade para com o próximo, servia com amor nos hospitais e contraiu uma moléstia contagiosa. Consumindo-se lentamente, emigrou ao céu, no dia em havia predito, 21 de Junho de 1591, com a idade de 24 anos começados, após ter pedido para receber, pela última vez, a disciplina e morrer estendido sobre uma tábua. Bento XIII canonizou-o e deu-o à juventude cristã por patrono e modelo de inocência e castidade. Sua mãe vivia ainda quando foi beatificado, em 1621, e pode invocá-lo sobre os altares. Feliz mãe! (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XI, p. 83 à 85) Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho