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Nossa Senhora De Loreto

Transladação da Santa Casa de Nazaré Em fins do século XIII, a nova, súbita e terrível de que a Terra Santa estava perdida para os cristãos espalhou uma profunda tristeza nas almas todas, piedosas. No entanto, outra notícia, silenciosa e calma, veio trazer alegria: a santa casa de Nazaré, onde a Virgem concebera o Verbo feito carne, foram transportada pelos anjos a Dalmácia, e de lá, por Ancona, para Recanati, Loreto. Era no ano de 1291. Os santos lugares da Palestina eram invadidos. A igreja magnífica, que a imperatriz Helena erigira em Nazaré, vinha de tombar sob o terrível martelo destruidor dos maometanos. O santo lar ia ter a mesma sorte, quando Deus ordenou aos anjos que o transportassem às terras felizes da fiel Dalmácia. Estava-se a 10 de maio. E, à segunda vigília da noite, o santuário de Nazaré fora depositado às margens do Adriático entre Tersatz e Fiume, num lugar vulgarmente chamado Rauniza pelos habitantes do país. Nicolau IV governava então a Igreja, e Rodolfo de Habsburgo o império. A cidade de Tersatz obedecia a Nicolau Frangipane, oriundo da antiga raça aniciens, cuja autoridade se estendia por terras da Croácia e da Esclavônia. Ao levantar da aurora, alguns habitantes se aperceberam, com espanto, do novo edifício, localizado num lugar onde jamais se vira casa alguma ou mesmo qualquer cabana. A bulha do prodígio bem cedo correu por toda a parte. E a concorrência foi tremenda. Donde viera aquela misteriosa construção, toda ela de pequenas pedras vermelhas e quadradas, ligadas por cimento? E a forma oriental, o estranho ar de antiguidade, a estrutura, tudo levava a interrogações sem fim. E o que mais desconcertava e a todos boquiabria, era o que se perguntavam, sem que o pudessem explicar, de que maneira se sustinha a mole, uma vez que estava pousada sobre a terra nua, sem quaisquer fundamentos. A surpresa, porém, e o estupor, seriam ainda bem maiores. Quando entraram e ganharam interior, pasmaram. A câmara formava um grande quadrilátero. O teto, encimado por um pequeno campanário, era de madeira, pintado de azul e dividido em muitos compartimentos, juncado por todo ele de estrelas douradas. Nas paredes e, abaixo dos lambris, notavam-se muitos semi-círculos que se entremesclavam , dando a idéia de vasos de formas variadas. As paredes, espessas dum côvado, erguidas sem regra e sem nível, não seguiam, exatamente, a linha vertical. Estavam cobertas dum reboco onde se viam, pintados, os principais mistérios daquele lugar sagrado. Uma porta assaz larga, aberta numa das partes laterais, dava entrada ao misterioso prédio. À direita, abria-se uma estreita e única janela. Em frente, erguia-se um altar construído de pedras quadradas, onde se elevava uma cruz grega antiga, ornada dum crucifixo pintado sobre uma tela colada à madeira, em cujo topo se lia o título de nossa salvação: Jesus Nazareno, Rei dos Judeus. Perto do altar havia um pequeno armário duma simplicidade admirável, destinado a receber os utensílios necessários a um pobre lar, com tigelas e pratinhos como se fora destinado a crianças. À esquerda, duma espécie de fogão ou lareira, com um nicho logo ao alto, muito trabalhado e muito precioso, sustentado por colunazinhas ornadas de caneluras, e de volutas, terminando por uma abóboda arredondada, formada por cinco luas que se juntavam, acorrentando-se mutuamente. Descansava ali uma imagem de cedro, representando a bem-aventurada Virgem. Estava de pé, muito doce e muito linda, com o Menino Jesus ao colo. O rosto de Maria, suave e tranqüilo e o rostinho gorducho do Menino Deus eram pintados duma tinta que se assemelhava à prata, escurecidos ambos, talvez pelo tempo ou pela fumaça dos círios que, porventura, houvessem acendido diante das santas representações. Uma coroa de pérolas, pousada na cabeça da Mãe dos homens, revelava-lhe a nobreza do semblante. Os cabelos, à nazarena caíam-lhe pelo pescoço, espargiam-se-lhe pelas espáduas. Vestida duma roupa dourada, apertada por um largo cinturão, aos pés lhe tombavam flutuante. Um manto azul lhe pousava nas costas sagradas. Tanto a Mãe celeste como o celeste Filho eram cinzelados e compostos da mesma antiga madeira. O Menino Jesus, mais corpulento que as crianças ordinárias, com um rosto onde transparecia uma divina majestade. Embelezado por cabelos também a nazarena, levantava a mão direita, os primeiros dedinhos erguidos como a abençoar, sustentando, na esquerda, o globo, símbolo de seu poder soberano sobre o universo. O estupor, pois, era geral. E as perguntas que ainda no dia seguinte se faziam era cada vez mais atormentadoras, e ficavam absolutamente sem resposta. Eis então quando surgiu a venerável figura do pastor da igreja de São Jorge, o bispo Alexandre, natural de Modruzia. E um murmúrio, febril e longo, encheu os ares – uma vez que o prelado jazia gravemente enfermo e sem esperanças de cura. Como aparecia ele, então, ali, cheio de viço e de disposição, no meio do povo? O rosto, trazia-o cheio de cor, não da cor doente da febre, e o corpo, antes fraco, movia-se com desembaraço. À noite, no leito da dor, sentira o mais ardente desejo de ir contemplar o prodígio, cujos rumores, como um enxame de abelhas, cruzava por toda parte. Então, nervosamente, chamou por Maria, da qual lhe haviam descrito a imagem do santuário. E Maria, ao mesmo instante, como Mãe carinhosa e solícita que é, lhe apareceu. Abriu-se-lhe o céu aos olhos, e a Santíssima Virgem, rodeada de anjos sem conta, sorrindo maravilhosamente, disse-lhe com uma voz, cuja doçura, sentia-o o bom bispo, vinda toda do mais fundo do sagrado coração. -Eis-me aqui, filho, que me chamaste, Vim dar-te um eficaz socorro e explicações sobre o mistério que teu coração deseja ver revelado. Fica, pois, sabendo que a santa morada trazida recentemente ao teu território é a casa mesma onde nasci e recebi quase toda a minha educação. Foi onde recebi a nova trazida pelo arcanjo Gabriel, onde concebi por obra do Espírito Santo o divino Menino. Foi lá, escuta, que o Verbo se fez carne! Os apóstolos, depois de minha morte, consagraram esta casa ilustre pelos altos mistérios, disputando

Beato Bernardo Maria Silvestrelli

  Bernardo Maria, da nobre família Silvestrelli (Roma, 1831 – Moricone, Itália, 1911). Já sacerdote, entra na Congregação dos Passionistas (1857), tendo sido, durante o seu noviciado, companheiro de S. Gabriel de Nossa Senhora das Dores. Depois de ter ocupado distintos cargos na Congregação, foi Superior Geral nos anos 1878-1889 e 1893-1907. Acérrimo defensor do espírito da Congregação, herdado do Fundador, S. Paulo da Cruz, colaborou eficazmente na expansão do Instituto, criando-se, durante seu governo, seis novas províncias na Europa, no continente Americano e na Austrália. Beatificou-o João Paulo II em 1988.     The post Beato Bernardo Maria Silvestrelli appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Imaculada Conceição De Nossa Senhora

A criação de nossos primeiros pais, Adão e Eva, foi imaculada, ou seja, sem mancha. Deus mesmo, Pai, Filho e Espírito Santo, criou-os num estado de graça e de inocência. Que dizer do segundo Adão e da segunda Eva? Não tiveram eles o mesmo privilégio? O segundo Adão é Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Certamente, foi concebido sem pecado e em estado de graça uma vez que Ele é a graça e a santidade. Este segundo Adão fez com que desta graça participasse a segunda Eva, a Virgem Maria, sua Mãe? Vejamos o que disse no primeiro julgamento. Nossos primeiros pais, Adão e Eva, perderam a graça e a inocência quando comeram o fruto proibido. Deus, então, foi julgá-los. Ora, o Evangelho, ensina-nos que Deus Pai concedeu ao Filho todos os julgamentos. É pois, o Filho de Deus feito homem, Jesus Cristo, aquele que irá julgar os anjos, os homens e os demônios no fim do mundo. Foi, pois, o Filho de Deus, antes de se fazer homem, um dia, aquele que apareceu julgar Adão e Eva depois da falta cometida, mas para julgar na sua misericórdia. Tendo ouvido a voz do Senhor Deus, que passeava pelo paraíso, à hora da brisa, depois do meio-dia, Adão e a mulher esconderam-se da face do Senhor Deus no meio das árvores do paraíso. E o Senhor Deus chamou por Adão, e disse: “- Onde estás?” E ele respondeu: “- Ouvi tua voz no paraíso e tive medo, porque estava nu, e escondi-me”. (1) Disse-lhe Deus então: “- Mas quem te fez conhecer que estavas nu? Acaso comeste da árvore, da qual eu havia ordenado que não comesses?” Adão, respondendo disse: “- A mulher, que me deste por companheira, deu-me do fruto da árvore, e eu comi”. E o Senhor Deus disse para a mulher: “- Porque fizeste isto?” Ela respondeu: “- A serpente enganou-me e eu comi!” E o Senhor Deus disse à serpente: “- Porque fizeste isto, és maldita entre todos os animais e bestas da terra. Andarás de rasto sobre teu peito e comerás terra todos os dias da tua vida. Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça e tu armarás traições ao seu calcanhar”. Disse também à mulher: “- Multiplicarei os teus trabalhos, e especialmente os de teus partos. Darás à luz com dor os dilhos, e desejarás com ardor a teu marido, que te dominará”. E disse a Adão: “- Por que deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore, da qual eu te havia ordenado que não comesses, a terra será maldita por tua causa. Dela tirarás o sustento com penosos trabalhos todos os dias de tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de que foste tomado, porque tu és pó, e em pó hás de tornar”. (2) Eis como o Filho de Deus proferiu o primeiro julgamento sobre o gênero humano, julgamento ao mesmo tempo cheio de justiça e de misericórdia, do qual todas as circunstâncias merecem uma particular atenção, notadamente aquelas que dizem respeito à mulher. Nossos primeiros pais envergonharam-se da falta cometida. Confessaram-na diante de Deus, o juiz. Deus imp^s-lhe por penitência penas desta vida, incluindo a morte, mas não os maldisse. Havia-os abençoado, e os dons de Deus são sem arrependimento. Não é, pois, verdadeiro dizer que Deus maldisse nossos primeiros pais, nem nós neles. Quanto à serpente, porém, que disse o soberano Juiz? Pois que fizeste isto, és maldita entre todos os animais e bestas da terra. Assim, foi a serpente que Deus amaldiçoou, não o homem, não a mulher. Amaldiçoou a serpente, ou, antes, Satanás disfarçado. E fê-lo sem o interrogar, sem necessidade de respostas quaisquer. Adão pecara por complacência. Eva, por sedução, e a serpente, por pura malícia. Maldita sejas, entre todos os animais e bestas da terra. Andarás de rasto sobre teu peito e comerás terra todos os dias da tua vida. Eis, pois, o espírito soberbo que queria ser igual ao Altíssimo condenado a arrastar-se como um réptil, ao fazer mil baixezas para persuadir aos homens imprevidentes, vergonhosos desejos. Nós o veremos como no Evangelho, a ele e aos seus, expulsos do corpo dum homem, pedir a Jesus Cristo, o juiz, a graça de poder alojar-se no corpo de porcos: Chegaram à outra banda do mar, ao território dos gerasenos. E, ao sair Jesus da barca, foi logo ter com ele, saindo dos sepulcros, um homem possesso de um espírito imundo, do qual tinha seu domicílio nos sepulcros, e nem com cadeias o podia alguém ter preso, porque, tendo sido atado por muitas vezes com grilhões e com cadeias, tinha quebrado as cadeias e despedaçado os grilhões, e ninguém o podia domar. E sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. Vendo Jesus, porém, de longe, correu e prostrou-se diante dele. E, chamando em altas vozes, perguntou: “- Que tens tu comigo, Jesus, Filho de Deus Altíssimo? Eu te conjuro por Deus que não atormentes”. Por que? Porque Jesus lhe dizia: “- Espírito imundo, sai desse homem”. E perguntou, em seguida: “- Que nome é o teu?” E ele respondeu: “- O meu nome é Legião, porque somos muitos”. E suplicava-lhe que não o expulsasse daquele país. Ora, pastando por ali, encontrava-se uma grande vara de porcos. E os espíritos suplicavam a Jesus: “- Mandai-nos para os porcos, para nos metermos neles”. Jesus deu-lhes a permissão. E, saindo os espíritos imundos, entraram nos porcos. E a vara, que era de cerca de dois mil, precipitou-se por um despenhadeiro ao mar, onde se afogaram todos. Os que andavam apascentando, fugiram e foram espalhar a notícia pela cidade e pelos campos. E o povo foi ver o que sucedera. Foram ter com Jesus, e viram o que tinha sido vexado

Santo Ambrósio, Destemido Defensor Da Igreja

Aclamado pelo povo, admirado por Santo Agostinho, este “insigne pregador e piedoso Prelado” não receou enfrentar sequer o próprio Imperador. Luiz Francisco Beccari De importante família romana, Ambrósio nasceu em 340, na Gália, da qual seu pai era governador. Ainda jovem, viu sua irmã, Santa Marcelina, beijar a mão de um Bispo e deu-lhe a sua a beijar, dizendo: “Também eu serei Bispo um dia”. Estudou direito e retórica em Roma, e fez brilhante carreira: Advogado Consular, Conselheiro do Imperador e Governador das províncias de Emília e Ligúria, com sede em Milão. Uma singular eleição No ano 374, morreu o Bispo dessa cidade. Para eleger seu sucessor, a população se dividiu em dois partidos. Os católicos queriam eleger um homem fiel ao Papa, os arianos propugnavam por um sequaz de Ario. A exaltação dos ânimos ameaçava degenerar em guerra civil. O Governador Ambrósio viu-se obrigado a intervir para manter a ordem. Dispôs suas tropas na praça e fez cessar o tumulto. Em seguida, acompanhado de uma escolta, entrou na Catedral para garantir o bom andamento da eleição. Graças à sua eficaz ação, logo se acalmaram os ânimos exaltados. Então ele postou-se em lugar bem visível a todos os presentes, com olhar vigilante sobre a assembléia. Nesse momento, ouviram-se uns brados partidos do fundo do grandioso templo: – Ambrosius episcopus! (Ambrósio seja o Bispo!) Como surgiu essa surpreendente aclamação? Um menino, tão novo que ainda não sabia falar, foi quem deu o primeiro brado. Altamente admirada de ver o filho pronunciar suas primeiras palavras – e que palavras! – a mãe fez coro com ele, e logo se lhes juntaram outras vozes. Em pouco tempo, todos na Catedral, inclusive os arianos, bradavam em uníssono: – Ambrosius episcopus! Ambrosius episcopus! – Sou um pecador! Sou um pecador! – replicava o Governador. – Não importa, não importa! Invocamos sobre nós os teus pecados! – gritava o povo, a uma só voz. Ante essa inesperada manifestação, aquela autoridade do maior império do mundo não encontrou outra saída senão o recurso dos indefesos: fugiu e foi esconder-se no sítio de um amigo.  Os cristãos milaneses não desistiram. Enviaram uma delegação para relatar a Valentiniano I o que havia acontecido e rogar-lhe autorização para o Governador Ambrósio ser sagrado Bispo. O Imperador consentiu, reconhecendo no eleito um verdadeiro “enviado de Deus”. À vista disso, o amigo de Ambrósio indicou o lugar onde ele se encontrava. Reconduzido a Milão, o Santo acabou por reconhecer naqueles acontecimentos a vontade de Deus. De catecúmeno a Bispo, em oito dias O Bispo recém-eleito tinha 34 anos de idade e pertencia a uma família cristã, mas era apenas catecúmeno. Foi batizado, recebeu a ordenação sacerdotal logo em seguida e, oito dias depois, foi sagrado Bispo, a 7 de dezembro de 374. O clero e fiéis de todo o Império acolheram com indizível júbilo a notícia dessa prodigiosa intervenção divina. Não é difícil, sob impulso do Espírito Santo, ordenar um Bispo apenas oito dias após seu Batismo. Mas como, num curto tempo, transformar em pastor de almas um homem que, uma semana antes, era ainda catecúmeno? Pergunta interessante para se ver como a graça divina, quando bem correspondida, opera maravilhas. Ambrósio era rico, mas não apegado à riqueza deste mundo. Doou para a Igreja as terras que herdara. Quanto aos outros bens, distribuiu parte aos pobres, dando à Igreja o restante. Altos cargos no governo imperial, posição social brilhante, vida familiar – tudo isto ele sacrificou para se ocupar somente do serviço de Deus. Assim desembaraçado de qualquer preocupação terrena, o novo Bispo aplicou-se ao estudo das Sagradas Escrituras e dos autores eclesiásticos, sobretudo São Basílio. À medida que estudava, fazia pregações. Apenas três anos haviam decorrido, e já ele inaugurava – com a publicação dos livros “As Virgens” e “As viúvas” – a prodigiosa atividade de escritor que lhe valeu os títulos de Doutor e Padre da Igreja. Em breve tempo, ele brilhava no mundo cristão como o campeão da luta contra o arianismo, muito forte naquela época, e os restos do antigo paganismo. Triunfou sobre ambos, impondo silêncio à heresia e conquistando a Itália inteira para a Fé Católica. Tinha sempre presente sua alta responsabilidade na escolha dos candidatos ao sacerdócio. Por seu espírito de vigilância nesta matéria, adquiriu uma aguda capacidade de discernir quem estava apto ou não a ser admitido à recepção da sagrada Ordem. Por exemplo, pelo simples modo de andar, ele podia recusar um pretendente, pois dizia estar persuadido de que os movimentos desregrados do corpo são efeito do desregramento da alma. Confronto com o Imperador Teodósio I, o Grande, ascendeu ao trono imperial em 379. No ano seguinte, declarou o Cristianismo religião do Estado e proibiu os cultos pagãos. Entretanto, embora muito amigos, não deixou de haver certas divergências entre o Bispo e o Imperador, um propugnando pela inteira independência da Igreja, outro, pela do Estado. Durante uma rebelião no ano 390, foi assassinado em Tessalônica o comandante militar local. Por excitação de um camareiro intrigante, Teodósio decretou terrível vingança contra os habitantes dessa cidade. Sem distinguir inocentes de culpados, sem mesmo tomar em consideração idade e sexo, as tropas imperiais massacraram sete mil pessoas. Um clamor de indignação ressoou por todo o Império. Não podendo calar- se ante essa atrocidade criminosa, o Bispo – com solicitude de amigo e respeito de súdito, mas também com firmeza de representante de Deus – admoestou o Soberano de que nenhum sacerdote de sua Diocese lhe daria a absolvição. E, recordando-lhe o exemplo do Rei Davi, o exortou a fazer sincera penitência. Como para mostrar que ninguém tinha direito de vituperar-lhe o procedimento, o Imperador se dirigiu à igreja com grande aparato, segundo o costume. À porta do recinto sagrado, Ambrósio barrou-lhe a entrada: “Vejo que por desgraça, ó Imperador, não medes a gravidade do fato sanguinário ordenado por ti (…) Não acrescentes um novo crime ao que já te pesa. Retira-te e submete-te à penitência que Deus te impõe. Já que imitaste David no crime, imitao

São Nicolau, Bispo

Um dos biógrafos de São Nicolau, bispo de Mira, foi São João Damasceno. Nas nove odes em honra do santo, encontradas pelo Cardeal Mai, das quais as duas primeiras faltam, o poeta de Damasco resume a tradição comum dos gregos e dos latinos sobre o ilustre Pontífice de Mira. “Nem a areia que se encontra à beira-mar, diz ele, nem a multidão de vagas, nem as pérolas do orvalho e os flocos de neve, nem o coro dos astros, nem as gotas da chuva e as correntes dos rios, nem o murmúrio dos das fontes jamais se igualarão, ó Pai, ao número de teus milagres (1). Todo o universo tem em ti um pronto socorro nas aflições, um encorajamento nas tristezas, uma consolação nas calamidades, um defensor nas tentações, um remédio salutaríssimo nas enfermidades”.(2) O Padre Croiset, jesuíta, resume assim esta mesma vida no seu Ano Cristão: “São Nicolau, bispo de Mira, na Lícia, tão celebrado em todo o mundo pelo clarão das virtudes, pelo número de milagres e pela confiança do povo, pela qual intercedia sempre, nasceu em Patares, cidade da Lícia, na Ásia Menor. Os pais eram riquíssimos; mais ainda, piedosos. Quando já se encontravam desesperançados de ter um filho, nasceu-lhes Nicolau, que lhes foi um presente do céu. Tais presságios de futura santidade do jovem Nicolau animaram os virtuosos pais a redobrar de cuidados. E a educação que o menino teve foi toda ela cristã, esmeradamente cristã. Aplicando-se às ciências, em breve tornou-se sábio, mas, ao mesmo tempo, mais santo. A doçura, a mansidão, a modéstia eram nele coisas tão características que o impunham como modelo aos moços. Todos lhe admiravam a regularidade, a meiga devoção, a sabedoria, numa idade em que a vivacidade e o amor ao prazer dominam, onde as paixões são, ordinariamente, a grande impulsionadora das ações. Era São Nicolau bastante jovem quando perdeu os pais. Sentiu a perda grandemente, mas não foi obstáculo às virtudes. A morte do pai e da mãe, lhe legaram bens enormes, serviu para mais piedoso torná-lo, mas arredio e retirado, mais caridoso do que já era. Um dia, ao saber que um gentil-homem da cidade, pobre, muito pobre, estava a ponto de fazer prostituir as três filhas, porque não tinha nada de seu para casá-las, São Nicolau ficou tremendamente emocionado. Depois de pensar, esperou que a noite caísse, e, enchendo de moedas de ouro uma grande bolsa, saiu em demanda da casa do desolado pai. Então, quando percebeu que estava só, defronte à casa, diante duma janela providencialmente aberta, atirou a bolsa e deixou o local às carreiras, furtivamente, rente à parede das casas, para que a escuridão mais o ocultasse. No dia seguinte, quando o gentil-homem deu a bolsa, febrilmente pôs-se a contar o dinheiro, certificando-se de que continha uma grande quantia. Dando graças a Deus, pode dotar a filha mais velha, procurando casá-la imediatamente, certo, de que a Providência se ocuparia de outras duas. E assim foi, porque, logo na noite seguinte, sempre à socapada, o nosso bom santo arremessou pela janela outra bolsa, que continha a mesma soma da anterior. O pai, no auge da alegria, pressentiu que quem assim fazia faria ainda uma terceira vez. E um grande, insopitável desejo de conhecer o benfeitor o levou a emboscar-se, nem bem caíra a noite. São Nicolau, de fato, com uma terceira bolsa, protegido pela escuridão, rumou para a casa do gentil-homem. E, nem sequer saíra ainda a bolsa no cômodo costumeiro, já era efusivamente abraçado pelo pais das três jovens que saíra da sombra suma porta, onde se ocultara e tudo vira. São Nicolau, surpreso e, ao mesmo tempo, grandemente constrangido por ver-se descoberto, calou, sem saber o que dizer. Afinal, recuperando-se, ordenou, com veemência: – Isto deve ficar absolutamente em segredo – absolutamente! O gentil-homem prometeu-lhe que assim seria, categoricamente. Mas, no dia seguinte, já de manhã, toda a cidade sabia, encantada, daquela liberalidade, daquela caridade imensa. Virtude tão resplandecente e tão pura não era para o mundo. Com efeito, São Nicolau pensava em deixar o século. Deus escolhera-o para dele fazer um dos mais belos ornamentos da Igreja. E foi com a aprovação pública que o viram integrar o clero. O bispo de Mira, conhecendo-lhe a grande piedade e a não menor sabedoria, apressou-se em fazê-lo padre. Tal dignidade deu um novo lustre à santidade de Nicolau, e o sacerdócio, encontrando meios tão puros e alma tão cristã, comunicou-lhe um novo brilho à virtude, imprimindo novo rigor ao seu zelo. O tio, pronto para fazer uma viagem de devoção à terra santa, deixou a direção da diocese ao sobrinho. E Nicolau governou-a com tanta sabedoria e edificação geral, que todos passaram a desejá-lo para bispo. Falecendo o tio pouco depois do regresso, Nicolau, que nada temia mais do que o episcopado, aproveitou-se para deixar o país e demandou à Palestina. Após visitar os lugares santos, retirou-se ele a uma caverna onde se diz que o Menino Jesus, Nossa Senhora e São José, ao fugirem da Judéia, passaram uma noite, em demanda do Egito. Desejava ali ficar para o resto da vida, mas Deus deu-lhe a conhecer que devia retornar a Mira. E assim fez o Santo. Chegando a Mira, enfurnou-se num mosteiro aspirando à obscuridade, para dar-se aos exercícios da mais austera penitência. No entanto, o bispo João, que sucedera ao tio de Nicolau, vinha a falecer. Os bispos da província reuniram-se em Mira para dar à Igreja um novo bispo. A escolha ia difícil, não se chegava a um acordo, quando um dos mais veneráveis da assembléia por um movimento do Espírito Santo, disse que Deus desejava que se escolhesse para bispo de Mira o santo homem que primeiro entrasse na igreja para orar, no dia seguinte. São Nicolau foi o eleito de Deus, porque, sem nada saber do que se passava, certo dia, que era o que o velho bispo dissera, saiu do mosteiro, o que raramente fazia, para rezar na igreja. Todos ficaram agradavelmente surpresos quando viram que era

São Sabas, Abade

São Sabas nasceu no ano de 439, no burgo de Mútala, no território da Cesaréia, Capadócia. Era filho de João e de Sofia, ambos considerados no país pela nobreza e pela virtude. O pai era oficial nos exércitos do imperador, e comandava uma companhia. Dados certos distúrbios excitados em Alexandria, João para lá foi enviado, e Sofia seguiu-o. A estadia que foram obrigados a fazer em Alexandria, obrigou-os a deixar o filho Sabas, então com apenas cinco anos de idade, sob a direção e os cuidados de Hérmias, tio materno. O jovem Sabas, por mais paciente que pudesse ter sido, não suportou os maus tratos que a tia, mulher mal-humorada e de péssimo gênio, lhe proporcionou. Fugiu, então, indo abrigar-te em casa doutro tio, o tio Gregório, irmão do pai, que vivia, naquela época, no burgo de Scandos. Esta fuga e esta preferência do pequeno Sabas deram motivos à rivalidade entre ambas as famílias, que o disputavam e à administração dos bens de João. Embora com oito anos incompletos, sentia-se o menino tão mal edificado, a viver entre o ciúme dos tios e as rusgas freqüentes, que resolveu escapar novamente, dessa vez para o mosteiro de São Flaviano, a pouco menos duma légua de Mútala. Os religiosos receberam-no com alegria, impressionados com a beleza de Sabas, e se encarregaram da educação do menino. E o bom gênio que tinha a grande inteligência, a tendência para a virtude, a aplicação nos estudos e a inocência, fizeram ver aos monges, pouco depois, que, a continuar assim, um dia havia ele de ser grande na vida cenobítica. Aquele retiro acabou por reconciliar os dois tios e, pois, o jovenzinho resolveu para que tudo continuasse em paz, não deixar o claustro. E a vocação para o estado religioso foi-se declarando, dia após dia, até que, firmando-se, o levou a decidir não mais abandonar a vida que ia levando. Conquanto fosse menino, não se via no mosteiro quem lhe ultrapassasse as austeridades, e, em disciplina e em fervor, outro não havia. Um dia, por ter colhido, no pomar do mosteiro, uma grande maçã, não somente não a comeu, como se afligiu imensamente com a gula que o impelira a colher o fruto com ligeireza. Desde aquele dia, tomou horror a todas as frutas, e delas jamais comeu qual fosse. Comia pouco e pouco dormia. Grande parte da noite, passava-a em oração. Aos dezoito anos, era objeto da admiração dos mais antigos do mosteiro. Certo dia, achegou-se do superior e pediu-lhe permissão para ir visitar os lugares santos, que grande lhe era a devoção pelas coisas sagradas da Palestina. O abade, que lhe conhecia a virtude, concedeu-lha, pesaroso, porque ia privar a comunidade dum grande modelo, qual era ele. Sabas, alegremente, emocionado, partiu para Jerusalém no ano de 457, e passou o inverno no mosteiro de São Passarion, onde a todos edificou pela sobriedade, santidade e vida humilde que levou. Dali, transferiu-se para o mosteiro de Santo Eutimo, onde o silêncio e a austeridade lhe eram mais do agrado. O superior, vendo-o tão jovem e delicado, resolveu enviá-lo a o outro mosteiro, uma vez que ali todos viviam separados em suas celas, solitários. Recomendado a São Teoctisto, que era o superior dum mosteiro que dependia do de Santo Eutimo, Sabas, logo depois, sentia-se satisfeito: na nova comunidade reinava a mais exata disciplina religiosa; não se ocupava senão de Deus, e tudo era dirigido para a mais alta santidade por um fervor sempre e sempre renovado. Em poucos dias, Sabas era um dos mais perfeitos modelos. O dia, consagrava-o ao trabalho, e a noite à oração. E tão recolhido vivia e tão continuamente unido a Deus, que o trabalho corporal era para ele uma oração, a ele que tudo fazia por espírito de penitência e de caridade. Que fazia Sabas no mosteiro? Fora incumbido de carrear água e lenha para as necessidades dos irmãos, auxiliar este e aquele nos diversos labores, e tratar dos doentes, o que fazia com infinitos de ternura e cuidado. Tais ocupações, entretanto, não o levaram a se descuidar das austeridades, e era dos primeiros, todos os dias, a comparecer ao ofício divino. A estima que por Sabas todos tinham, aumentou mais ainda em virtude da vitória que alcançou sobre uma tentação muito delicada que lhe submeteu a vocação a uma estranha proa. Dado por companheiro a um religioso que ia a Alexandria, encontrou os pais. E estes, impressionados com a mudança do filho, dado todo ele, durante vinte anos, aos exercícios contínuos, à mais austera penitência, principiaram a trabalhar-lhe o espírito para que deixasse aquela vida e reentrasse no mundo, tão maxilento e murcho estava. As lágrimas, as súplicas, as solicitações todas, porém, não lhe quebraram a vocação. Disse ao pai: – Tu que vives às voltas com tropas e soldados deves saber das leis de guerra, das que rigorosamente punem desertores. Que castigo mereceria um soldado de Cristo que desertasse, deixando-lhe o serviço? Resposta tão generosa encantou os pais. E, admirando no filho a constância e a virtude, contentaram-se com recomendar-se-lhe às orações. São Teoctisto falecera e Sabas obteve do santo abade Eutimo a permissão de retirar-se a uma mais austera solidão. Encerrou-se, então, numa pequena gruta, onde passava cinco dias da semana sem comer, unicamente ocupado com a oração e os trabalhos manuais: construía, regularmente, dez cestos por dia, e todos os sábados levava ao mosteiro cinqüenta deles, bem feitos e acabados. Passava, então, o domingo com os irmãos. À tardinha, levando leques e leques de palmeiras, para a feitura dos cestos, retirava-se para a gruta, para as orações e o trabalho. Santo Eutimo, que chamava nosso santo de o jovem velho, por causa da grande virtude e da sabedoria, levava-o, todos os anos, a 14 de janeiro, ao deserto de Ruban, onde se crê que o Salvador passou os quarenta dias depois do batismo. Ali, ficaram ambos até o domingo de Ramos, aplicando-se aos exercícios mais austeros, orando e jejuando. Aos poucos, o relaxamento das disciplinas foi-se introduzindo

Santa Bárbara, Mártir

Bárbara, jovem belíssima, era filha dum rico pagão chamado Dióscoro, Pedida muitas vezes em casamento, recusara todos os pretendentes. O pai, para afastá-la dos olhos do mundo, ciumento, transferiu-a para uma torre. A torre tinha duas janelas, e Bárbara, que era cristã de coração, exigiu de Dióscoro a abertura duma terceira, porque queria honrar a Santíssima Trindade. Um dia, o rico pagão viajou, e a filha, aproveitando-se daquela ausência, procurou o batismo. De volta, sabedor de que a jovem se fizera cristã, enfureceu-se, e correu à torre para matá-la. Bárbara fugiu. E os rochedos, conta-se, abriam-se para deixá-la passar. Escondida, foi denunciada por um pastor. Deus, para castigá-lo, transformou-lhe todas as ovelhas em escaravelhos, enquanto Dióscoro levava Bárbara ao juiz. Condenada a ser exibida nua por todo o país, Santa Bárbara implorou a Deus o socorro que só o céu poderia prestar-lhe: revestida miraculosamente com um espesso manto, escapou do ultraje. Tendo sofrido todos os rigores do encarceramento, foi queimada com grandes tochas e teve os seios cortados. Decapitada pelo pai, gloriosamente consumiu o martírio. Dióscoro, logo após a morte de Bárbara, foi abatido, pulverizado pelo fogo do céu. Eis porque a santa virgem e mártir é invocada, nas tempestades, contra o raio. Da Nicomédia, onde nasceu e viveu, a santa teve o corpo transferido para Veneza, mais precisamente para as monjas de Torcello, depois para os jesuítas . Alguns textos dizem que as relíquias foram trasladadas para Roma e dali para Plaisance, onde uma irmã do imperador Carlos Magno havia fundado um mosteiro. Santa Bárbara é honrada e invocada no mundo inteiro, especialmente na Finlândia, Bélgica, Espanha, Portugal, Brasil, França, Países-Baixos, Alemanha e Suiça. (Vida de Santos, Padre Rohrbacher, Volume XXI, p. 20 à 22)     The post Santa Bárbara, Mártir appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

São Francisco Xavier, Apóstolo Das Índias

Durante o século XVI, enquanto um mau monge, Lutero, pervertia a metade da Alemanha, um santo religioso convertia grande parte da índia e do Japão – São Francisco Xavier, um dos primeiros discípulos de Santo Inácio. Como principiou sua obra o Santo? Pelas crianças. Chegado à Índia, encontrou cristãos vindos da Europa, dados a toda espécie de desordens, escandalizando os infiéis pelos maus exemplos. Para converter os pais e as mães, agarrou-se o Santo aos filhos. Reunia-os fazendo soar uma sineta pelas ruas. Aos pequenos, ensinava a conhecer a Deus, a amá-lo, a rezar-lhe, a ser piedosos, modestos e dóceis. Logo, a boa conduta das crianças tocou os pais, que, por sua vez, se converteram. Todo o país, então, começou a mudar. Tempos depois, saiu o santo em busca dum povo que já havia recebido o batismo mas não vivia mais cristamente. Eram os japoneses, e passou a agir de igual modo: pelos filhos, convertia os pais. Começaram, então, as perseguições. E perto de cinqüenta anos depois que São Francisco Xavier iniciou a pregação do Evangelho naquele país, vinte e seis cristãos japoneses foram martirizados, e com ele nove missionários, dos quais seis religiosos de São Francisco de Assis e três de Santo Inácio. Depois dos primeiros mártires, sucederam-se uma multidão doutros. Eram queimados, crucificados, mortos a chicotadas, decapitados. Sem dúvida, Deus não nos chama para fazer tão grandes coisas, quais foram as que São Francisco Xavier fez naquelas longínquas plagas. Todavia, chama-nos para trabalhar como o Santo, cada um segundo as possibilidades próprias, na salvação das almas. Imitemos-lhe as disposições, principalmente a grande humildade e a obediência. Em meio aos milagres que Deus, por intermédio de São Francisco Xavier, operou, em meio dos povos que se convertiam às suas palavras, a humildade era sempre a mesma, senão maior, e São Francisco Xavier, ao superior não escrevia, relatando o que fazia, se não fora de joelhos. Sejamos assim humildes e obedientes, e Deus estará conosco. Nascido a 7 de abril de 1506, de grande nobreza, no castelo de Xavier, na Navarra, a oito léguas de Pamplona, Francisco estudava em Paris, no colégio de Santa Bárbara, quando o compatriota, Santo Inácio de Loyola, lhe solicitou se desse todo a Deus, dizendo: – De que serve ao homem ganhar o mundo, se perde a alma? Logo se tornou discípulo e companheiro inseparável de Santo Inácio. Sob a direção de tão hábil mestre, dez em pouco tempo, muitos progessos na vida espiritual, tanto que, por mais duma vez, enquanto estava abismado nas coisas divinas, tinha o corpo elevado ao ar. Isso aconteceu mesmo diante do povo, algumas vezes, quando da celebração da santa missa. Graças tão extraordinárias eram a recompensa das extraordinárias mortificações que fazia. São Francisco Xavier não comia carne, não bebia vinho, raramente fazia uso de pão que levasse fermento, alimentando-se das coisas mais triviais. Às vezes, passava dois ou três dias sem alimento algum, absolutamente, Flagelava-se até oi sangue com disciplinas de ferro, e não dormia senão poucas horas, sobre a terra. Foi devido às austeridades e à vida tão santa que se preparou para as futuras funções de apóstolo, quando, a pedido do rei de Portugal, o Papa Paulo III o enviou às Índias, com a autoridade de núncio apostólico. Por mais duma vez, enquanto falava numa só língua, cada nação o ouvia na sua própria. Percorria inumeráveis províncias, sempre a pé e descalço. Levou a fé ao Japão e a outros seis países mais, convertendo muitas centenas de milhares de homens nas Índias. Batizou reis e príncipes incontáveis. E Deus lhe autorizava as pregações por grandes milagres. Ressuscitou vários mortos; o dom da profecia lhe foi outorgado. Dispunha-se a levar a fé à China, quando morreu na ilha de Sancião, a 2 de Dezembro de 1552. Eis a história dos últimos momentos de São Francisco Xavier. Uma febre esquisita o tomou a 20 de novembro, ao mesmo tempo em que um claro conhecimento do dia e da hora da morte lhe passava pela cabeça, como mais tarde revelou a um amigo, que depois, sob juramento solene, o atestou. Um desgosto profundo pelas coisas da terra o levava constantemente a pensar em coisas celestes, nada mais aspirando que a Jesus Cristo que o chamava. Tomado cada vez mais pela febre, retirou-se para o barco que era o hospital comum de todos os doentes, a fim de morrer na pobreza. Como, porém, o balanço do barco lhe causava dores tremendas de cabeça, impedindo-o de aplicar-se a Deus, que desejava com sofreguidão pediu que, no dia seguinte, o levassem para terra. Deixado às margens do rio, exposto ao vento frio que soprava do norte, sofria mais e mais. Jorge Alvarez, um bom amigo, o levou à sua cabana. Era uma choça humilde, rústica, mas fechada, que abrigava do vento e da chuva, do sol e do sereno. Uma dor aguda nas costas e uma opressão no peito martirizavam Francisco. E a doença fazia progressos sem cessar. Duas sangrias, uma num dia, outra noutro, foram feitas, mas, na última, como o cirurgião fosse pouco experimentado na arte, cortou um tendão, e o santo, além da fraqueza extrema, entrou a ter convulsões. Nas horas de calma, levantando os olhos para o céu, as mãos apertando o crucifixo, dizia repetidas vezes: – Jesu, fili David, miserere mei. Depois de longo silêncio, as palavras que lhe eram familiares na boca: – O sanctissima Trinitas E não cessava de invocar a Rainha do céu: – Monstra te esse matrem. Afinal, a 2 de dezembro de 1552, uma sexta-feira, com os olhos rasos dágua, ternamente postos no crucifixo, disse: – Senhor, ponho em vis toda a minha esperança, e não serei jamais confundido. Com o rosto a resplandecer, docemente morreu, com quarenta e seis anos, dos quais dez e meio passara nas Índias. Os trabalhos contínuos e as canseiras nevaram-lhe totalmente os cabelos. O enterramento realizou-se no domingo seguinte. O corpo foi depositado num caixão muito grande, à maneira chinesa, e cheio todo ele de cal

Santa Bibiana, Virgem E Mártir

Durante o reinado do ímpio Juliano, Flaviano, prefeito, e Dafrosa, sua esposa, tornaram-se cristãos secretamente. Flaviano e Dafrosa tinham duas filhas: Bibiana e Demétria. Quando Juliano descobriu que o prefeito se tornara cristão, confiscou-lhe os bens e o exilou, enviando-o para as Águas Taurianas (ad aquas Taurianas), na Via Cláudia, distante seiscentas milhas de Roma. Quanto a Dafrosa, reduziu-a à fome, porque não consentiu em apostatar. As duas filhas foram levadas diante de Juliano. Demétria morreu de medo, mas Bibiana, mais calma, resistiu à entrevista, sendo, então confiada a uma ímpia mulher, chamada Rufina. Chicoteada cruelmente, quatro dias mais tarde, a vomitar sangue, entregou a alma a Deus. O corpo ficou dois dias exposto, depois do que foi sepultado ao lado do da mãe e do da irmã, por um padre João. A mais antiga menção que se conhece de Santa Bibiana e da igreja que tem o seu nome vem do Liber pontificalis: “No interior da cidade de Roma, perto do palácio de Liciniano, a basílica da bem-aventurada mártir Bibiana, onde seu corpo repousa”. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 384) The post Santa Bibiana, Virgem e Mártir appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho

Santo Ansano, Mártir

Santo Ansano, por ter confessado Nosso Senhor Jesus Cristo,m quando do imperador Diocleciano, foi aprisionado em Roma. Fugindo para Sena, na Toscana, ali, depois de muitos trabalhos, foi decapitado. Filho dum nobre romano, chamado Tranquilino, Ansano foi batizado em 291. Quando, seis anos depois, recomeçou a perseguição, com a madrinha, piedosa cristã, Máxima, o futuro mártir foi apresentar-se a Diocleciano e Maximiano. Máxima, espancada rudemente não suportou o suplício e morreu. Ansano, trancafiado numa cela, conseguiu fugir. Alcançando Bagnorca, onde passou dois meses, acabou por estabelecer em Sena. Tendo convertido inúmeros pagãos, foi preso e levado ao procônsul Lísias. Como não conseguissem levá-lo a apostatar, arrojaram-no a uma grande fogueira, mas o fogo no mesmo instante em que nele o atiraram, apagou-se. Tomaram-no, pois, e o decapitaram, perto de Arbia, no lugar em que se ergueu uma igreja. A igreja ou mosteiro de Santo Ansano aparece em documentos desde o século VII. As relíquias do santo mártir repousam na catedral de Siena. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 367) The post Santo Ansano, Mártir appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho