Santo André, Apóstolo

Eis que envio o meu anjo ante a tua presença, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Voz do que clama no deserto; Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas. E apareceu João Batista no deserto, pregando o batismo de penitência, para remissão dos pecados. Um dia, João, com dois discípulos, eis o que tira os pecados do mundo. Ouvindo aquelas palavras, os dois discípulos seguiram Jesus. O Senhor, voltando-se para trás, e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: – Que buscai vós? – Responderam-lhe, perguntando: – Mestre, onde habitas? – Disse-lhe Jesus: – Vinde ver. Foram e viram onde habitava, e ficaram com Ele aquele dia. Ora, André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que haviam ouvido o que João Batista dissera e seguira Jesus. André, encontrando-se com o irmão Simão, disse-lhe: – Encontramos o Messias. E levou-o ao Senhor Jesus. Nosso Senhor, ficando em Simão o olhar, disse-lhe: – Tu és Simão, filho de Jonas. Serás chamado Cefas. Eis como André levou o irmão a Jesus, aquele sobre o qual seria edificada a igreja do Mestre. E que belo par de irmãos! Eram eles então discípulos de Jesus, mas não o seguiam ainda habitualmente. Ora, diz o Evangelho que, passando Jesus ao longo do mar da Galiléia, viu Simão e André que lançavam a rede, pois eram pescadores. Aproximando-se dos dois, Jesus disse-lhe: – Segui-me, e eu vos farei pescadores de homens. No mesmo instante, abandonaram ambos as redes e seguiram o Senhor. E, tendo passado um pouco adiante donde então estiveram, viram Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão,que estavam também numa barca, consertando as redes. Chamou-os, e eles, deixando na barca o pai, Zebedeu, com os jornaleiros, seguiram o Senhor. Depois foram a Cafarnaum e à Sinagoga. Logo que deixaram a Sinagoga, foram à casa de Simão e André com Tiago e João. Ora, a sogra de Simão estava de cama, com febre. A Jesus falaram a respeito dela. Aproximando-se, o Senhor tomou-a pela mão e levantou-a. Imediatamente, deixou-a a febre e pôs-se a servi-los, solícita e lépida. De tarde, sendo o sol já posto -porque era um dia de sábado e os judeus nada faziam antes desta hora – trouxeram a Jesus todos os enfermos e possessos. Toda a cidade estava reunida diante da porta. O Senhor, impondo as mãos ora neste, ora naquele, já naquele outro, ia a todos curando e expelindo muitos demônios, de maneira que cumpria o que fora dito pelo profeta Isaías: Tomou para si as nossas fraquezas, e está carregado de nossas enfermidades. Os demônios, saindo do corpo de muitos, gritavam, dizendo: – Vós, sois o Cristo, o Filho de Deus. Mas o Senhor, ameaçando-os, não lhes permitia dizer que o conheciam, porque, sendo o diabo o pai da mentira, Jesus não lhe queria o testemunho, mesmo verdadeiro. No dia seguinte, levantando-se o Mestre muito antes do amanhecer, saiu, e foi a um lugar solitário. E lá fazia orações. Simão e os demais foram procurá-los. E, tendo-o encontrado, disseram-lhe: – Todos te procuram. Respondeu-lhes Jesus: – Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de que eu também lá pregue, pois para isso é que vim. E andava pregando nas sinagogas e por toda a Galiléia. E pregando o Evangelho do reino de Deus, curava todas as enfermidades entre o povo. A fama espalhou-se por toda a Síria; traziam-lhe todos os que tinham algum mal, possuídos de vários achaques e dores, e os possessos, os lunáticos, os paralíticos: a todos curava-os Jesus. Grandes multidões de povo, da Galiléia, e da Decápolis, e de Jerusalém, e da Judéia, e do país de além do Jordão, o seguiam. Ora,, comprimindo-se as multidões em volta do Senhor para ouvir a palavra de Deus, como estavam junto ao lago de Genezaré, viu Ele duas barcas que estacionavam à margem. Os pescadores haviam saído e lavavam as redes. Entrando numa dessas barcas – que era a de Simão – rogou-lhe se afastasse um pouco da terra. E, estando sentado, ensinava o povo, da barca. Quando acabou de falar, disse a Simão: – Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar. Respondendo Simão, disse-lhe: – Mestre, tendo trabalhado toda a noite, não apanhamos nada. Mas, sobre a tua palavra lançarei a rede. Tendo feito aquilo, apanharam tão grande quantidade de peixes, que a rede se rompia. Então, fizeram sinal aos companheiros que estavam na outra barca, para que lá fossem ajudá-los. Assim foi, e encheram tanto ambas as embarcações que quase se afundavam. Simão Pedro, vendo aquilo, lançou-se aos pés de Jesus, dizendo: – Retira-te de mim, Senhor, pois eu sou um homem pecador. Porque, tanto ele como todos os que se encontravam com ele ficaram possuídos de espanto, por causa da pesca que haviam feito. O mesmo acontecera a Tiago e a João, filhos ambos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus olhou-os, e disse a Simão: – Não tenhas medo: desta hora em diante serás pescador de homens. E, trazidas as barcas para terra, deixando tudo, seguiram a Jesus. Antes, como viviam da pesca, às vezes à faina do mar retornavam. Talvez pescassem à noite e seguissem o Mestre durante o dia. Depois daquela pesca miraculosa, porém, deixaram-na definitivamente, e não só ao labor, mas a tudo – o que dá a entender a vocação última e definitiva: ligar-se ao Mestre inseparavelmente. Mais tarde, tendo convocado os doze discípulos, deu-lhes Jesus poder sobre os espíritos imundos, para os expelirem, e curarem todas as doenças e todos os achaques. E eram os doze Simão, chamado Pedro, e André seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem entregou o Mestre. Jesus instruindo-os, disse-lhes: – Não vades agora para entre os gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos. Ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel. E, pondo-vos a caminho,
São Saturnino, Bispo De Tolosa, Mártir

Quanto à primeira introdução do cristianismo nas Gálias, quer a mais antiga tradição que foi pregado por São Lázaro, primeiro bispo de Marselha, pelas duas irmãs, Santa Marta e Santa Maria Madalena, e por São Maximino, um dos setenta e dois discípulos, primeiro bispo de Aix. Quer ainda, que São Pedro, sob o imperador Cláudio, enviou às Gálias, acompanhados doutros missionários, sete bispos: Trófimo de Arles, Paulo de Narbona, Saturnino de Tolosa, Marcial de Lomoges, Austremoine de Clermont, Gatien de Tours e Valério de Tréveris, e que o Papa Clemente, terceiro sucessor de São Pedro, enviou Dionísio, o Areopagita, primeiro bispo de Paris. Doutro lado, Santo Epifânio fala de São Lucas, que pregou na Dalmácia, na Gália, na Itália, mas principalmente na Gália. O mesmo Santo diz ainda que Crescêncio, discípulo de São Paulo, foi pregar na Gália, e que é erro Galácia o que diz o Apóstolo, a este respeito, na segunda epístola a Timóteo. Santo Isidoro de Sevilha, conta ainda o apóstolo São Filipe, entre os que pregaram o Evangelho nas Gálias. Também desde o ano 190, Santo Irineu provava a verdade da fé católica pela unanimidade da tradição em todas as igrejas do mundo, entre as quais as igrejas celtas e gaulesas. Alguns anos depois, Tertuliano dizia aos judeus que as diversas nações das Gálias estavam submissas a Cristo com o resto do universo. As diversas nações das Gálias eram as quatro províncias, divididas por Augusto: Narbona, Lião, Bélgica e Aquitânia. Um sábio eclesiástico do século passado demonstrou que tal tradição é a verdadeira, apoiada que está em ótimas provas. Citas, entre outras um velho manuscrito, outrora na igreja de Arles, na qual eram recolhidas as cartas dos Papas aos arcebispos daquela metrópole, depois do Papa Zózimo até São Gregório, o Grande. Portanto, imediatamente depois das cartas do Papa Pelágio, a Sapaudo, que morreu em 586, e antes das de São Gregório a Virgílio. Lê-se este título pintado em vermelho: Sete personagens enviados por São Pedro às Gálias para pregar a fé. Mais adiante, lê-se: Sob o imperador Cláudio, o apóstolo Pedro enviou às Gálias, para pregar a fé da trindade aos gentios, alguns discípulos, aos quais designou cidades particulares: foram eles Trófimo, Paulo, Marcial Austemônio, Gatiano, Saturnino e Valério, e muitos outros que o bem-aventurado Apóstolo lhes dera por companheiros. São Rabano Mauro, bispo de Maiença, na Vida de Maria Madalena, fala igualmente de Trófimo de Arles, de Paulo de Narboma, de Marcial de Limoges, de Saturnino de Tolosa, de Valério de Tréveris, como enviados no tempo mesmo dos apóstolos. São Saturnino reuniu, que lhe coube, numa igrejinha. Da igrejinha à casa em que residia, forçosamente havia que passar pelo edifício em que se sacrificava aos ídolos. Ora, os pagãos observavam que, quando passava o Santo bem defronte a casa dos oráculos, os demônios emudeciam e não se manifestavam. Um dia, interceptaram São Saturnino. Disse-lhe: – Acompanhai-nos até o templo. Estavam ameaçadores, de modo que o Santo achou conveniente atendê-los. Uma vez no templo, tornaram a falar-lhe: – Sacrifica aos deuses! – Não posso! Respondeu-lhes o Santo. – Deves reparar tua impiedade! Sacrifica ou morre! – Eu, tornou São Saturnino, adoro um só Deus e estou pronto a, por Ele, sacrificar-me. Vossos deuses nada mais são que demônios. Desejam muito mais as vossas almas que o sacrifício das vítimas. Os demônios, diante do meu Deus, tremem e nada fazem. Aquilo era demais. Atiraram-se sobre o santo o furor que só o zelo estrábico pode inspirar. Subjugado, amarraram-no sobre um touro que se destinava ao sacrifício. O animal, que passaram a irritar, a espicaçar, destroçou o Santo em pouco tempo, mas a alma, luminosamente, deixou-lhe o corpo e subiu para o reino de paz e de glória. Duas mulheres cristãs lhe recolheram os restos mortais, levaram-nos a um caixão, enterrando-o profundamente, para livrar aquele corpo, ou o que dele ficaram dos insultos pagãos. Assim ficaram as relíquias de São Saturnino até o reinado de Constantino, o Grande. Hilário, quando bispo de Tolosa erigiu uma capela sobre o corpo do corpo do santo predecessor. Sílvio, bispo da mesma cidade, lá pelo fim do IV século, deitou os fundamentos duma igreja magnífica em honra do santo mártir. Exupério, o sucessor, terminou-a, consagrou-a para ali transferiu as relíquias do santo apóstolo de Tolosa. Tal piedoso tesouro continua ainda guardado com veneração. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 312 à 316) The post São Saturnino, Bispo de Tolosa, Mártir appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Sóstenes, Discípulo De São Paulo – 1° Século

No dia de hoje, o martirológio romano anuncia: “Perto de Corinto, a morte de São Sóstenes, um dos discípulos do bem-aventurado Apóstolo Paulo, que o menciona ao escrever aos coríntios. Sóstenes era chefe da sinagoga daquela cidade, mas convertido a Jesus Cristo, foi batido com violência em presença do procônsul Galião, consagrando por um glorioso princípio as primícias da sua fé (1º século)”. O nome de Sóstenes aparece duas vezes no Novo Testamento: nos Atos dos Apóstolos e na Primeira Epístola aos Coríntios: I. Paulo, em Corinto, operava numerosas conversões, quando foi denunciado ao procônsul Galião. Os judeus, de comum acordo, levaram-no ao tribunal, dizendo: – Este persuade os homens a que adorem a deus com um culto contra a lei. Começando Paulo a abrir a boca para responder, disse Galião aos judeus: – Se isto fosse em realidade algum agravo ou delito grave, eu vos ouviria, ó judeus, conforme o direito. Mas, se são questões de palavra acerca de nomes, e acerca da vossa lei, isso é convosco, eu não quero ser juiz de tais coisas. E mandou-os sair do tribunal. Então eles todos, lançando mão de Sóstenes, príncipe da sinagoga, batiam-lhe diante do tribunal: e Galião nada se importava com isso (Act. 18, 12-17). II. Estando em Éfeso, São Paulo foi informado de abusos gravíssimos que se tinham introduzido na Igreja de Corinto. Os fiéis encontravam-se divididos, com perigo de cair num verdadeiro cisma. Alguns dos convertidos não tinham deixado os vícios carnais do paganismo, sendo causa de escândalo. Este e outros abusos, levaram o grande apóstolo a escrever uma longa epístola, na qual censurou com severidade os culpados. São Sóstenes aparece no Preâmbulo, que se divide em Endereço, e Saudação e Ações de Graças a Deus pelos dons Concedidos aos Coríntios: Paulo, chamado Apóstolo de Jesus Cristo, por vontade de Deus, e Sóstenes, irmão, à igreja de Deus, que está em Corinto”, etc (I, Cor. 1). São Lucas, contando o sucesso que vimos na passagem I, sem mais detalhes, deixou campo, livre às interpretações. Assim, segundo São João Crisóstomo (In Act. Hom., XXX, 2) São Sóstenes teria sido espancado porque se convertera ao cristianismo: mostrava, pois, a solidez da fé. Essa interpretação foi a adotada pelo martirológio romano. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 301-302) The post São Sóstenes, Discípulo de São Paulo – 1° Século appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santo Eusício, Monge – Século VI

Conhecemos Santo Eusício por São Gregório de Tours (In Gloria Confessorum). A Santo Eusício, as mães levavam os filhos com dor de garganta. Como as crianças, geralmente, são gulosas, o santo monge, invariavelmente, acariciando os pequenos, dizia, sorrindo, saboreando o dito: – É justo que essa garganta esteja assim tão inflamada e que não permita que se engulam coisas… Então, sempre a sorrir, com um terno sinal da cruz em nome da Trindade, punha-as curadas. Certa vez, Santo Eusício curou um febrento. Quando o homem ia de volta para casa, percebeu numa arvora, dias colméias que os clérigos do monge vinham cuidando: assentou, então, que viria buscá-las à noite, quando tudo estivesse sossegado. Noite fechada, apareceu, trazendo um cúmplice, para mais rapidamente se apossar das colméias. Ágil, trepou árvore acima. Senão quando, o Santo apareceu, e o outro, que aguardava debaixo, fugiu, sem que o que trepara e lidava com as colméias dessa pela coisa. Santo Eusício, bem humorado, postou-se no lugar do fujão. E recebeu a primeira colméia, depois a segunda. Quando o ladrão desceu, ao invés de deparar com o ajudante que trouxera, viu-se frente a frente com o santo monge, que lhe sorria matreiramente e lhe dizia: – Por que, meu filho, seguir o diabo? Não recebeste de mim, há pouco, a benção do Senhor? Levou-o para a cela, falou-lhe: – Se tu gostas de mel, por que não mo pediste? Eu to daria de muito boa vontade. Era só pedir, e te livrarias da condenação. Tendo-lhe dado um favo, despediu-o, finalizando: – Cuidado! Não faças mais o que fizeste, porque o roubo enriquece a Satanás. Quando o rei Childeberto partiu para a campanha contra os visigodos na Espanha, visitou Eusício. Tomou da bolsa, colheu cinqüenta sous de ouro e os estendeu ao monge. Por que? Perguntou o Santo ao rei. Dá-os aos teus homens, para que os distribuam aos pobres, porque isto é supérfluo. A mim me basta poder rogar a Deus por meus pecados. Depois acrescentou: – Vai, que conseguirás a vitória, e o que resolveres se cumprirá. Childeberto com as tropas, partiu. E, a caminho distribuindo o dinheiro aos pobres, prometeu que se Nosso Senhor lhe fosse favorável, haveria de alevantar uma basílica em sua honra, basílica em que o santo monge pudesse repousar, depois que deixasse esta terra. De regresso, cumpriu a promessa. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 279 à 281) The post Santo Eusício, Monge – Século VI appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Silvestre, Abade E Fundador

São Silvestre, nascido em 1177, em Osimo, perto de Ancona e de Loreto, era filho dum jurista, Ghislério di Jacopo, e de Branca Ghislieri. Data dos tempos de estudante, da adolescêcnia, de Bolonha e de Pavia, o conhecimento que teve de Benvenuto Scatiroli, futuro bispo de Ancona, ao qual se ligou por estreita amizade. Resolvido a dedicar-se a Deus, deixou a tudo, e foi viver numa gruta, onde, conta-se, tinha por único companheiro um lobo. Logo, discípulos de toda a região começaram a procurá-lo, pela fama de santidade. Em 1231, tendo erguido um pequeno mosteiro, o número dos seus habitantes cresceu tão rapidamente que, de 1231 a 1267, acabou por fundar outros doze, onde viviam quatrocentos e trinta e três monges. O Papa Inocêncio IV aprovou a nova congregação que surgira, beneditina, em 1247. Eremitismo, cenobitismo rústico e pobre, trabalhos manuais, ideal capaz de rivalizar com o objetivo dos religiosos mendicantes, isto era, de início, o que praticaram os futuros silvestrinos. São Silvestre faleceu em Monte Fano na noite de 26 de novembro de 1267. Desde 1301, fala-se da Ordem de São Silvestre. Data de 1233, o primeiro mosteiro das monjas silvestrinas. Os silvestrinos tem, atualmente, missões no Ceilão, na Austrália, e na América do Norte. Quase imediatamente depois do falecimento do filho de Ghislério e de Branca, o Papa Clemente IV autorizou o primeiro processo diocesano. O culto desenvolveu-se nas Marcas a principiar do século XIII. Leão XIII, em 1890, estendia a toda a Igreja o ofício e a missa de São Silvestre. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 269-270) The post São Silvestre, Abade e Fundador appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santa Catarina De Alexandria, Virgem E Mártir

Santa Catarina era da cidade de Alexandria. Empregou os primeiros anos da vida no estudo das Santas Letras e das profanas. Foi um prodígio de doutrina. Maximino II, originário de Dácia, sobrinho de Maximino Galera, genro de Diocleciano, partilhava o império com Constantino, o Grande, e com Licínio, e porque o Egito lhe era do distrito, mais estava em Alexandria, capital desta província. Era um príncipe cruel. Contra os cristãos, herdara o ódio insopitável de Diocleciano e de Galera. Eis um edito seu: Saúdo a todos os que vivem no império. Tendo recebido um assinalado benefício da clemência dos deuses, resolvemos demonstrar nosso reconhecimento oferecendo-lhes sacrifícios. Eis aí que vos exortamos ao zelo que tendes, para que maior o seja, pelas divindades adoráveis. E se alguém ao nosso edito desprezar, ou outra religião tiver, que acarrete a cólera dos deuses, esse será rigorosa e inexoravelmente punido. De todos os lados, acorria-se para obedecer às ordens do imperador. O ar vivia perenemente obscurecido com o fumo das vítimas queimadas. Enquanto se sacrificava aos demônios, Catarina aplicava-se em sustentar a fé cristã, a todos fazendo ver claramente que os oráculos do paganismo nada mais eram do que pura ilusão. – Os que chamais deuses, dizia, não são mais do que homens que se tornaram famosos pela desordem, homens mortais que nada tem de divino. Não deveis obedecer às ordens do príncipe, pois assim atraís para vós o castigo de Deus, aquele verdadeiro, que fez o céu e a terra. Só Ele merecer ser louvado. Só Ele merece ser adorado. Depois de ter exortado os cristãos, resolveu abordar o imperador mesmo, para mostrar-lhe a impiedade em que vivia. Foi, pois, falar-lhe. Como Santa Catarina tinha o porte majestoso, e era de rara beleza, não demorou para conseguir audiência. E, na presença do príncipe, com firmeza, aquela firmeza que só a fé empresta, disse ao imperador que devia, já de longa data, ter reconhecido que aquela multidão de deuses adorados era vã, uma vez que a luz mesma da razão o demonstrava. Citou-lhe Plutarco e muitos outros homens de envergadura. Acrescentou que era estranho que um príncipe, pela característica ,mesma de imperador, ao invés de conduzir o povo ao culto do deus verdadeiro, fosse justamente atirá-lo às falsas divindades – e, o que era pior, ele mesmo dava o exemplo. – Deixai, disse-lhe, tal abominação, e rendei homenagem ai Deus verdadeiro, aquele que de fato, merece a suprema adoração. Quando Catarina acabou de falar, o imperador, boquiaberto de espanto, perguntou-lhe: – Quem és tu? Donde vens? – A Santa respondeu: – Minha origem é assaz conhecida em Alexandria. Chamo-me Catarina, e meus pais vem do ilustre do país. Emprego todo o meu tempo no conhecimento da verdade, e quanto mais estudo, mais me capacito da fragilidade dos ídolos que adorais. Sou cristã e tudo faço para ser esposa de Jesus Cristo. Meu único desejo é que o conheçais, e todo o vosso império convosco. Aquilo que professais nada mais é do que superstição. O imperador, não sabendo o que responder à virgem cristã, deixou o debate para depois. Reuniu cinqüenta filósofos, os mais renomados, alojou-os no palácio, tratando-os com deferências mil, como se fossem mestres do mundo, e mandou chamar a Santa. Antes de enfrentar o imperador pela segunda vez, com os cinqüenta luminares, um anjo apareceu à virgem e disse-lhe: – Nada temas. Haverás de persuadir os cinqüenta filósofos e um grande número dos que vão assistir a discussão. Far-lhes-ás conhecer Nosso Senhor Jesus Cristo e conquistarás a palma do martírio. Como surgiu, assim o anjo desapareceu. Fortalecida, Catarina entrou na vasta sala do palácio com passo firme e cabeça erguida, embora humilde. Indicaram-lhe assento em meio aos filósofos, perto do trono do imperador, ansioso todo ele e atento para não perder uma só palavra de tudo o que se dissesse. Um doutor pagão começou por dizer-lhe, tentando persuadi-la, que o sol, sob o nome de Apolo, era muito próprio para ser adorado. – É, disse, além do mais, útil ao mundo. Regra as estações, amadurece as frutas, os cereais, dá às flores as maravilhosas cores variegadas. Aos seres todos, com o calor, dá a vida. Devemos negar-lhe honrarias? Que seria do mundo sem a Liz que dele vem, sem o calor que a tudo anima? Por ventura a natureza não subsiste graças a ele? Aquilo era para Maximino a vitória. Que poderia a virgem opor àquela sabedoria?Pobre príncipe cego! Quão surpreso iria ficar! – Que seria de Apolo, deste sol que dizeis merecer nossa adoração, não fora o Deus verdadeiro? Está ele absolutamente sujeito ao Senhor, ao divino poder. Quando Jesus Cristo, pregado à cruz, expirou para a salvação dos homens, foi obrigado a empalidecer – e a terra viu-se coberta de trevas em pleno meio-dia. A quem obedeceu senão a uma força superior – a Deus Todo-poderoso. E, discorrendo sobre coisas convincentíssimas, derrotou os filósofos. O imperador incitou-os para que opusessem maiores argumentos aos que a Santa expusera, mas todos se reconheceram vencidos, confessando, em seguida, existir, de fato, um só Deus verdadeiro. E asseveraram: – Assinaremos esta verdade com o próprio sangue, se assim for necessário. Maximino, irritado, que podia fazer? Unicamente o que lhe parecia certo fazer: defender a causa dos deuses condenando ao fogo os que lhe eram contrários. Os filósofos converteram-se e sofreram o martírio com uma constância invencível. A Catarina, fez com que a atormentassem cruelmente, mas a generosa adoradora de Jesus Cristo tudo suportou e suplantou, conquistando, na prisão, mais almas para o Esposo. A imperatriz, e Porfírio, chefe da primeira legião, com duzentos soldados, confessaram Jesus Cristo, confirmando a conversão pelo martírio. Quando à santa, foi, depois de inomináveis torturas, abatida. E os anjos que desceram do céu para lhe testemunhar o combate e honrá-la com a presença, tomaram-lhe o corpo – diz o martirológio – e o levaram para o Monte Sinai, onde, cantando, entoando louvores à glória de Deus, que é sempre admirável nos seus santos, a sepultaram ternamente. Foto: santiebeati.it
São Porciano, Abade

São Porciano, desde a adolescência, esforçou-se para viver perto de Deus. Escravo dum homem cruel, bárbaro e inescrupuloso, foi tratado duramente. As vezes, fugindo de perversos castigos, buscava um mosteiro da vizinhança, e, ali, pedia ao abade que intercedesse por ele. Um dia livrou-se definitivamente. O rude senhor foi buscá-lo na abadia, gritando que o abade tudo andava fazendo para lhe seduzir o escravo em assim, retirá-lo do seu serviço. E exigiu que lhe entregasse o jovem, então escondido. O abade chamou-o, e perguntou: – Que desejas que eu faça, Porciano? Porciano, amedrontado, respondeu: – Faze com que ele me perdoe. O senhor perdoou-o, prometendo ao abade que não castigaria o escravo. E o jovem, aliviado, seguiu o senhor. A meio caminho de casa, subitamente, o senhor perdeu a vista. Abatido, levado por Porciano, tornou ao abade, dizendo-lhe com voz entrecortada de soluços: – Eu te suplico, roga ao Senhor por mim, e toma este escravo para que sirva o mesmo Senhor. Talvez merecerei recuperar a luz que acabo de perder. O abade disse a Porciano: – Peço-te, impõe tuas mãos sobre os olhos dele. O jovem recusou, negando-o humildemente. O abade, em tom enérgico, insistiu. Então Porciano aproximou-se do cego, fez-lhe o sinal da cruz nos olhos, os quais, imediatamente, tornaram a ver. Elevado à clericatura, o Santo chegou a tal altura na virtude que, morto o bom abade, substituiu-o no governo da fundação que mais tarde recebeu o seu nome. Penitente, levou vida santa, piedosa e austera. Acabado pelos jejuns, faleceu em 532, ano em que Teodorico invadiu o Auvergue. Conta-se que, já velho, respeitado pela fama de santidade, quando soube que o rei acampara em Artona, foi vê-lo, de manhãzinha. Teodorico, então, ainda dormia, na sua tenda de campanha. São Porciano, encaminhou-se para o primeiro oficial, Sigivaldo, e se queixou do grande número de prisioneiros que o soberano vinha fazendo. Sigivaldo, muito respeitosamente, recebeu o velho e santo abade. Delicadamente, rogou-lhe que lavasse as mãos, descansasse da caminhada e tomasse um copo de vinho em sua companhia. Porciano desculpou-se, pois não chegara a hora em que podia tomar qualquer coisa. Ademais, ainda não saudara o rei. Enquanto humildemente o Santo se excusava, Sigivaldo, sem lhe dar ouvidos, ia enchendo os copos. Tomou dum e estendeu-o ao doce velho e rogou que o acompanhasse., O abade apanhou o copo, mas, nem bem o fizera, partiu-se ele ao meio e, junto com o vinho que se esparramou, escorregou e caiu ao chão imensa e grossa cobra asquerosa, viscosa e feia. Sigivaldo caiu de joelhos. E atabalhoadamente, pôs-se a beijar os pés e a fímbria do hábito de São Porciano, espaventadamente, sem cessar. Os presentes, vendo o oficial tão amedrontado, também se prosternaram, e entraram a beijar as marcas que os pés do santo abade haviam deixado no chão. Logo, um grande rumor encheu todo o acampamento, e o rei, julgando que o exército recebia um ataque de surpresa, pulou da cama. Quando soube do sucedido e do objetivo da visita de São Porciano, deu ordens imediatas para que todos os prisioneiros fossem postos em liberdade. São Porciano enfrentou o diabo várias vezes. Duma feita, à noite, quando dormia, despertou e viu a cela em chamas. O fogo, forte e vivo, tomava-a quase completamente. O santo abade precipitou-se para a porta, correndo, mas quando procurou abri-la, não conseguiu. Empregou toda a força de que dispunha, debalde. Entrementes, o fogo, crepitando e aumentando assustadoramente, ameaçava toda a cela. O santo desistiu das tentativas que empregava para abrir a porta. Deixou-a, pôs-se de joelhos, e principiou a rezar, depois do sinal da cruz: o fogo, vagarosamente, foi-se extinguindo, desaparecendo, sem deixar qualquer marcar, sem ter feito o mínimo estrago. São Porciano, então, compreendeu que aquilo nada mais fora do que um embuste do demônio. O velho abade faleceu em idade bastante avançada. A sepultura que lhe recebeu o corpo, pouco depois do enterramento foi ilustrada, através dos tempos, por um sem-número de milagres. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 226 à 229) The post São Porciano, Abade appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Clemente, Papa E Mártir

Enquanto a ruína de Jerusalém e do templo acarretava a ruína da sinagoga e do sacerdote de Aarão, os pontífices da Igreja cristã se sucediam, em Roma, na Cátedra eterna de São Pedro. São Lino, morto depois de um pontificado de quase doze anos, a contar da época em que São Pedro o encarregou de governar a Igreja romana em sua ausência, e de somente dois depois do martírio do mesmo apóstolo, subiu ao pontificado São Clemente, o mesmo do qual São Pedro fala na epístola aos Filipenses. Temos do Papa São Clemente uma carta aos cristãos de Corinto. Escreveu-a por ocasião dum cisma assaz grave, excitado naquela igreja por um pequeno número de sediciosos, que enciumados dalguns sacerdotes de grande mérito e virtude comprovada, não cessaram de os perseguir. E, enquanto não os viram, pela calúnia e os artifícios, despojados das dignidades, não deram tréguas. O ciúme e a inveja sempre, em todos os tempos, geraram grandes males, diz ele. Além dos exemplos da antiguidade, cita o de apóstolos perseguidos, que acabaram recebendo a coroa dos mártires, tudo devido ao ciúme, à inveja. Cita também, na carta, o caso de duas damas ilustres, Danaide e Dirce, que por inveja, foram gravemente maltratadas, e chegaram à vitória. Deveis fugir das dissensões, das disputas, e abraçar a penitência, praticar a caridade, a humildade, a doçura, para conservar a boa ordem nas funções da igreja, evitando agitações e respeitando a hierarquia eclesiástica, submisso, cada qual, aos legítimos pastores. (…) Depois doutras considerações, prossegue: Considerai os que fazem a guerra: com que ordem, com que bravura e submissão executam ordens do comando. Nem todos são generais, nem tribunos, nem centuriões, nem oficiais de grau. Cada qual, no posto que lhe é peculiar, executa ordenadamente o que lhe compete executar: acatam todos o que do rei e dos chefes emana. Os grandes não podem subsistir sem os pequenos, os humildes, nem os pequeninos sem os grandes. É recíproca harmonia que resulta a utilidade comum. Devemos observar pontualmente o que nos foi prescrito por Deus. É Ele que estabelece, por suprema vontade, em que tempo, em que lugar e por quais pessoas é preciso fazerem-se oblações sagradas e celebrar os divinos ofícios: as oferendas dos que são puros, santos e agradáveis aos olhos do Pai, que em tudo se conformam com a vontade divina. Aos prelados são designadas funções próprias. Aos sacerdotes, o competente lugar, Tudo, então, marchará bem. Depois acrescenta que, para estabelecer a ordem, foi Jesus Cristo enviado por Deus, e os apóstolos por Cristo Jesus, depois da descida do Espírito Santo. Nota-se nesta carta que, falando da ressurreição dos corpos, São Clemente cita, entre outros exemplos, tirados da natureza, o da fênix, a fabulosa ave que, segundo a mitologia, vivia nãos e anos e, queimada, renascia das cinzas mesmas. Uma coisa mais notável ainda, é que, falando da harmonia que reina no universo, refere-se abertamente aos antípodas, ou seja, à parte do globo que se designou Novo Mundo. E continua, para exortar à paz: Os céus, movendo-se à vontade do Criador, são-lhe submissos em paz. O dia e a noite, sem jamais embaraçar um na outra, cumprem a carreira que Ele lhes prescreveu. O sol, a lua, todo o conjunto dos astros, segundo a ordem que jamais transgridem, rolam nas esferas imensas que lhes foram traçadas. Nos tempos marcados pela Vontade, a terra, sem hesitar, sem mudar nos decretos, apresenta o seio fecundo e carregado de alimentos para os homens, os animais e todos os seres que a habitam. Os abismos impenetráveis, os segredos do mundo subterrâneo são regidos pela mesma lei. Conforme às ordens do Supremo, a profundeza do mar, soerguida, em toda a extensão, não transpõe as barreiras que o contém. Deus ordena, e ele obedece: Diz-lhe “Tu virás até aqui. Aqui as ondas se quebrarão sobre si mesmas”. O oceano, impermeável ao homem, e tudo o que nele existe, governam-no as mesmas leis do soberano Mestre. A primavera, o verão, o outono e o inverno sucedem-se na paz um com o outro. Atendendo o tempo prescrito, os ventos cumprem o ministério que devem cumprir, sem obstáculos. As fontes, inesgotáveis, criadas para entreter a saúde e a vida, obedecem ao homem, sem jamais falar, águas abundantes. Enfim, até na mais pequena assembléia de animais reina a paz e a concórdia. Tudo é paz, tudo é ordem. Assim o quer o Criador e o Mestre de todas as coisas, que se mostra bondoso com tudo, mais ainda conosco, os homens, aos quais deu o Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem a glória e a majestade nos séculos dos séculos. Amém. Depois dessa carta foram enviados a Corinto cinco legados: Cláudio, Efebo, Valério, Viton e Fortunato, sem dúvida a fim de que, pela prudência, zelo e sabedoria, trabalhassem ainda de viva voz para acalmar as dissensões, e restabelecessem naquela igreja a tranquilidade e a paz. Também aos romanos roga como aos de Corinto: Diligenciai a fim de que nos tragam o mais cedo possível, boas novas de vossa paz e de vossa concórdia, coisas que, naturalmente, desejamos com vivo ardor. Esta carta foi escrita depois da morte de Nero, e antes da destruição de Jerusalém e do templo. Nela, entrevê-se que os sacrifícios da manhã e da noite ainda se ofereciam em Jerusalém, no adro do templo, ao pé do altar, e depois do pontífice e dos ministros terem atentamente examinado a vítima. Nela também se fala da perseguição de Nero, onde São Pedro e São Paulo sofreram o martírio com um grande número de fiéis. Duas outras cartas de Clemente foram descobertas nas quais fala das vantagens da virgindade. Diz São Jerônimo: Nas epístolas que Clemente, sucessor de São Pedro, escreveu às virgens, quase em todas elas se estende as excelências da virgindade. Foi o Papa São Clemente que enviou às Gálias, São Dionísio, primeiro bispo de Paris. São Clemente, discípulo e sucessor de São Pedro, recebeu, como ele, a coroa dos mártires. Foi exilado no Quersoneso, durante a
Santa Cecília, Virgem E Mártir

Pelo Pe. Iolando Azzi S.D.B. As duas Cecílias Quem, aos dias de hoje, por turismo ou devoção, parte de Roma pela porta de São Sebastião e se encaminha pela Via Ápia Antica, ao chegar à altura do quilômetro três, depara à esquerda com um grandioso monumento: uma imponente torre cilíndrica de vinte metros de diâmetro, bem conservada apesar dos seus vinte séculos de existência. É uma tumba de Cecília Metella. A solene inscrição que se divisa ao longe recorda que a nobre matrona romana ali sepultada foi Cecília, filha de Quinto Metello Crético e esposa de Crasso, filho do triúnviro e general de Céssar na Gália. Um monumento, portanto, da era de Augusto. Na antiga Roma imperial, os mortos não podiam ser sepultados dentro dos muros que limitavam o perímetro urbano da cidade. Por isso os romanos adquiriam terrenos ao longo das grandes vias que partiam da Cidade Eterna e ali faziam construir os túmulos de suas famílias. Os séculos fizeram desaparecer a maior parte desses grandiosos monumentos funerários que ornavam as alas das vias imperiais nas proximidades de Roma. A tumba de Cecília Metella é um dos poucos que resistiu aos tempos e que ainda se pode contemplar. Mas a Via Ápia esconde ainda a memória de outra Cecília. Esconde: é o termo adequado, pois é necessário para encontrá-la baixar as catacumbas de São Calisto, que se situam à direita, cerca de um quilômetro antes. São as mais célebres de Roma, pois aí foram sepultados quase todos os Papas do século III: Zeferino, Cornélio, Fabiano, Eutiquiano, Lúcio… Ao lado dessa famosa cripta papal, descoberta por De Rossi no século passado, acha-se a capela de Santa Cecília. Nesse local a santa venerada deste tempos mui remotos, conforme atesta um afresco da santa que os arqueólogos dataram do século VII. É provável que este terreno fosse primitivamente propriedade da família dos Cecílios ou Cecilianos, pois De Rossi recolheu nessa cripta diversas lápides, marmóreas com inscrições datadas do século II ao século V. Assim a inscrição de “Sétimius Praetextatus Caecilianus” e sua esposa “Pompéia Attica” do século IV. Pode-se concluir com probabilidade que a cripta de Santa Cecília era a capela funerária dos Cecílios. Pelos adornos e símbolos de suas lápides sepulcrais, observa-se que os Cecílios eram pagãos inicialmente, e que depois se converteram ao cristianismo. Estes, verossimilmente, ao se converterem, colocaram à disposição da Igreja aquele campo funerário para a sepultura de seus irmãos na fé. Tal conjectura tem algum fundamento, pois não seria um fato único na história da Igreja antiga. Com efeito, já desde a segunda metade do século I alguns membros da família imperial dos Flávios, ao se converteram ao cristianismo (Flávio Clemente, Flávia Domitila), haviam cedido seus terrenos para a sepultura dos cristãos: é a catacumba de Domitila que se encontra a pouca distância , na Via Ardeatina, e cuja parte mais importante é justamente o hipogeu dos Flávios. O mesmo se diga das catacumbas de Priscila na Via Nomentana, pertencente provavelmente à nobre família dos Acílios (Acílio Glábrio, ex-cônsul romano, é um dos mártires da perseguição de Domiciano). A Via Appia, pois, conserva duas importantes memórias dos antigos Cecílios: a tumba de Cecília Metella e a cripta de Santa Cecília. Duas Cecílias: a primeira, nobre matrona romana do século I, a segunda nobre jovem cristã do século III, provavelmente. A tumba de Cecília Metella, em sua imponente majestade, é hoje um corpo sem alma, pois o nome da nobre matrona nada mais significa aos nossos contemporâneos. A cripta de Santa Cecília, ao contrário, apresenta-se ainda hoje como um dos santuários de grande veneração em Roma, pois ali acorrem diariamente numerosos peregrinos de Roma e do mundo para venerar a grande santa, consagrada pela Igreja como padroeira da música. Santa Cecília na tradição cristã e na liturgia Entre as santas mais antigas e mais veneradas pela tradição popular Santa Cecília ocupa um lugar de primária importância. Sua biografia, baseada nos dados de uma Paixão (ou seja, descrição do martírio) escrita no século VI, é uma das mais conhecidas e divulgadas. Os dados principais dessa Paixão são os seguintes: Cecília é apresentada como uma jovem romana de família nobre, que é prometida, sem que seus pais soubessem, e tinha consagrada a Deus sua virgindade. No dia de núpcias, enquanto a música ressoava no salão de festas, ela entoava em seu coração um hino à virtude da castidade. Na primeira noite do matrimônio declara ao seu jovem esposo que não ouse tocar o seu corpo com amor impuro, pois que ela tem ao seu lado um anjo encarregado por Deus para defender sua virtude. Valeriano exprime desejos de poder também ele ver o anjo. Cecília apresenta-lhe como condição essencial a recepção do batismo. O esposo manifesta-lhe suas boas disposições e ela o envia ao bispo Urbano que se encontra refugiado na Via Ápia. O nobre romano recebe as primeiras instruções na religião cristã e é batizado por Urbano. Ao regressar para casa, fica deslumbrado diante da visão celeste do anjo de Cecília. O exemplo de Valeriano, é imitado posteriormente por seu irmão Tibúrcio. Ambos, juntamente com Máximo, convertido por eles, são martirizados em Roma sob o governo do prefeito Túrcio Almáquio. Pouco depois também Cecília é citada ao tribunal de Almáquio, por ser cristã. A jovem e condenada à morte por asfixia no “calidarium” de sua própria casa. Não obtendo esta pena o efeito desejado, Almáquio ordena que a virgem seja decapitada ali mesmo. O algoz treme ao dar-lhe os golpes fatais e a deixa semi- viva. Sua agonia prolonga-se por três dias. Nesse tempo Cecília confirma seus familiares na fé cristã e faz doação de seus bens à Igreja. O Papa Urbano mandou sepultar seu corpo virginal ao lado dos outros bispos, seus colegas. A casa do martírio foi transformada em igreja. Tais são, em resumo, os dados da Paixão. Escrita num século em que reinava no Ocidente grande entusiasmo pela vida religiosa, reflete claramente a intenção do autor de compor uma prática exortação de renúncia aos
São Gelásio I – Papa

São Gelásio I foi Papa do ano de 492 ao ano de 496, de pontificado, como se vêm bastante curto. Personalidade extraordinária, ilustre pela ciência e santidade, como diz o resumo do martirológio, era africano de origem, mas romano de pensamento. São Gelásio I combateu, com escritos, o monofisismo e o pelagianismo, ou seja, os que admitiam uma só natureza em Nossa Senhor Jesus Cristo e os partidários de Pelágio, que negavam o pecado original e a corrupção da natureza humana. Diz o Liber Pontificalis que o santo Papa Gelásio I amou os pobres e desenvolveu o clero. Dionísio, o Pequeno, que faleceu em 545, possivelmente, declarava que o nosso pontífice mais procurava servir que dominar, que juntava a castidade os méritos da doutrina. Quando estava com os servidores de Deus, enchia-se de grande alegria, contagiosa e insopitável. São Gelásio morreu pobre, “depois de ter enriquecido os indigentes”. Ainda segundo o Liber pontificalis, foi enterrado a 21 de Novembro. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XX, p. 180) The post São Gelásio I – Papa appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho