São Maurício E A Legião Tebana

Não foi São Sebastião o único guerreiro que derramou o sangue pela fé. Na mesma época, sob Diocleciano e Maximiano, houve uma legião inteira de mártires. Foi a legião tebama. Tendo-a mandado vir do Oriente, Diocleciano recebeu-a em Roma e deu-lhe ordens para reunir-se a Maximiano, que marchava contra os bagodos, povos insurretos da Gália belga. Mas o Papa São Casus fez a essa legião outras recomendações mais importantes; pois era inteiramente composta de cristãos. Bem depressa tiveram oportunidade de por em prática as recomendações do Pontífice. Como Maximiano quisesse utilizá-los na perseguição de cristãos, como costumava fazer com outros soldados, eles se recusaram a obedecer-lhe. O imperador detivera-se nos Alpes, num lugar chamado Octodura, hoje Martinac de Valais, a fim de refazer-se das fadigas da viagem; a legião tebana encontrava-se a pequena distância, em Agaune, ao sopé da montanha hoje chamada São Bernardo. Irritado com esse ato de desobediência, Maximiano ordenou que a legião fosse dizimada, e reiterou suas ordens no sentido de obrigar os sobreviventes a perseguirem os cristãos. Ao receberem essa ordem pela segunda vez, os soldados tebanos puseram-se a clamar que prefeririam sofrer qualquer espécie de castigo a fazer a mínima coisa contrária a religião cristã. Maximiano mandou fossem novamente dizimados e os sobreviventes obrigados a obedecer. Mais uma décima parte da legião foi sacrificada, de acordo com a sorte; porém, os restantes se exortaram reciprocamente a perseverarem na confissão. Encorajavam-nos, sobretudo, três oficiais-generais, Maurício, Exupério e Cândido, que lhes propunham o exemplo dos companheiros, aos quais o martírio já conduzira ao céu. Aconselhados por eles, os tebanos enviaram uma representação ao Imperador, cuja substância era a seguinte: “Somos vossos soldados, é verdade; mas também, espontaneamente o confessamos, somos servidores de Deus. Devemos a vós serviço da guerra, e a Ele a inocência; recebemos de vós o salário, e Ele nos deu a vida. Não podemos seguir vossas ordens, se nos levarem a renegar Deus, nosso Criador e nosso Senhor, e também o vosso, queirais ou não. Se não ordenardes coisa alguma que possa ofendê-lo, nós vos obedeceremos, como fizemos até agora; em caso contrário, a ele obedeceremos, de preferência. Nós vos oferecemos nossos braços contra qualquer inimigo; mas consideramos crime mergulhá-los no sangue inocente. Empunhamos armas a favor de nossos concidadãos e não contra eles. Juramo-vos fidelidade; antes disso, porém, juramos fidelidade a Deus: como podeis confiar no segundo juramente, caso violarmos o primeiro? Exigis que procuremos cristãos para supliciá-los? Não tendes necessidade de procurá-los: aqui estamos, confessando Deus, o Pai, Criador de todas as coisas, e seu Filho, Jesus Cristo, que é com Ele um mesmo Deus. Vimos nossos companheiros serem degolados e não os lamentamos; regozijamo-nos pela glória que lhes coube de sofrer por seu Deus e Senhor. Nem essa violência, nem o desespero hão de levar-nos à revolta: temos armas nas mãos e nos revestimos, pois preferimos morrer inocentes a viver culpados. O fogo, os tormentos, a espada, tudo estamos dispostos a enfrentar; mas, cristãos, não podemos perseguir cristãos.” Exasperado pela impotência diante de tanta firmeza, Maximiano ordenou que todos os tebanos fossem mortos, e deu ordens para que as tropas avançassem e os envolvessem, chacinando-os depois. Não ofereceram a menor resistência: baixaram as armas e apresentavam o pescoço aos perseguidores. O solo ficou juncado de cadáveres; correram rios de sangue. Acredita-se que o número dos soldados tebanos se elevava a seis mil e seiscentos, pois de tanto se compunham geralmente as legiões. Um veterano, chamado Vítor, que não pertencia àquela legião, e não mais servia, ao seguir seu caminho, viu-se diante dos que haviam trucidado os mártires, e que se regozijavam, enquanto lhes compartilhavam os despojos. Convidaram o recém-chegado a comer em companhia deles e depois lhe indagaram se também era cristão. Vítor respondeu que era, e que sempre o seria: imediatamente investiram contra ele e o mataram. Outros soldados da mesma legião, foram mortos alhures. Podem citar-se vários outros mártires célebres vitimados durante as excursões que Maximiano fez às Gálias, não apenas contra os bagodos, mas também contra o partido de Carause. Era este um grande capitão, que recebera a incumbência de conservar o mar, nas costas da Bélgica e da Armórica, livre das incursões dos francos e saxões e que depois se tornara suspeito, revoltara-se e apoderara-se da Grã-Bretanha, onde permaneceu durante sete anos. Em Nantes, na Armórica, podemos citar São Donaciano e São Rogaciano, dois irmãos de ilustre nascimento, Donaciano era o mais moço; mas foi o primeiro a converter-se e, depois de receber o batismo, começou a trabalhar pela conversão dos companheiros, o que sensibilizou o irmão mais velho, que também fez questão de tornar-se cristão. Pediu a Donaciano para ser batizado antes do início da perseguição para que esta não o surpreendesse pagão ou catecúmeno. Mas a ausência do bispo, que fugira, impossibilitou que ele recebesse o batismo, Contudo, tendo chegado à cidade o governador que perseguia os cristãos, Donaciano foi denunciado sob a acusação de ter desviado seus companheiros, e particularmente seu irmão, do culto dos deuses. O governador mandou-o vir à sua presença: Donaciano confessou com santa altivez e foi lançado ao cárcere com ferro nos pés. Tendo Rogaciano também comparecido perante o Imperador, a princípio este lhe falou com brandura, tentando conquistá-lo com promessas; vendo-o, porém tão firme quanto o irmão, também deu ordens para que o atirassem ao cárcere. Afligia os dois irmãos acima de tudo o fato de Rogaciano ainda não ter sido batizado, pois no dia seguinte ambos enfrentariam a morte. Donaciano fez esta prece na intenção do outro: “Senhor Jesus Cristo, vós, para quem os desejos sinceros igualam os efeitos, vós que, deixando-nos a vontade, reservastes para vós o poder, permiti que a fé pura de Rogaciano lhe sirva de batismo; e, se acontecer que o prefeito nos mande matar amanhã, como decidiu, permiti que o sangue de vosso servidor seja para ele uma ablução e uma unção sacramental!” Tendo velado e orado durante a noite inteira, no dia seguinte foram conduzidos perante o tribunal do prefeito, e
São Mateus, Apóstolo

Quando o Filho de Deus se fez homem e veio a este mundo, tomou o nome de Jesus ou Salvador, porque viera para salvar-nos e não para perder-nos. O primeiro aos quais fez anunciar pelos anjos a boa nova da sua vinda, foram alguns humildes pastores de Belém. Quando escolheu seus doze apóstolos, ou doze enviados, para espalharem a boa nova a todos os povos da terra, escolheu-os entre os humildes e os pequenos. Primeiramente foram dois irmãos, Pedro e André, que viviam da pesca, assim como dois outros, Tiago e João. Mais extraordinário ainda é não ter Jesus escolhido seus apóstolos precisamente entre os santos, nem no interior do templo, mas nas praças públicas, entre a classe operária e mesmo entre os empregados da alfândega. Saía da cidade de Cafarnaum e dirigia-se para o mar da Galiléia, onde costumava pregar à multidão, quando ao passar, avistou um publicano, Levi, filho de Alfeu, também chamado Mateus, sentado à mesa de cobrança de impostos, e disse-lhe: Segue-me. E aquele, tudo abandonando, levantou-se e seguiu-o. E Levi ofereceu a Jesus um grande banquete em sua casa. Estando este à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores que se sentaram à mesa com ele e com os discípulos, que em grande número o tinham acompanhado. Mas os fariseus e os escribas, vendo que Jesus comia com os publicanos e os pecadores, murmuraram e disseram aos discípulos: Por que motivo come o vosso Mestre com os publicanos e os pecadores e vós com ele? Malgrado a aparente piedade, de que se jactavam, aqueles homens estavam cheios de desprezo pelos outros. Respondeu-lhes Jesus? Os sãos não tem necessidade de médico, mas sim os enfermos. Ide, e aprendei o que vos digo: quero misericórdia e não sacrifício; porque não vim chamar os justos e sim os pecadores. Quão grande é a bondade de Jesus Salvador! Quem ainda poderá desesperar, seja por causa de seus pecados, seja por causa de suas más inclinações? Aí está um médico capaz, não apenas de curar os doentes, mas de ressuscitar os mortos; um médico caridoso, que se sobrecarregará com as nossas doenças e as nossas iniqüidades; um médico tão bom que se transmuda em remédio para os nossos males. Mas o publicano Mateus também não merecerá que o amemos e imitemos? Era um homem de negócios e de dinheiro, um burocrata, um financista. Contudo, mal Jesus o chama, levanta-se, tudo abandona e segue-o, testemunha-lhe publicamente a gratidão com um grande banquete. E nós, que talvez nos julguemos muito melhores do que os publicanos, o Senhor chama-nos, o Senhor diz-nos há muito tempo: Vinde e segui-me! E ficamos surdos ao seu apelo. Ah! Roguemos ao bem-aventurado publicano, cuja festa celebramos, que nos seja dado seguir o Senhor, tal como o fez. De publicano transformado em apóstolo. São Mateus perseverou até o fim. Depois de receber o Espírito Santo com a abundância de suas graças, no dia de Pentecostes, pregou durante vários anos na Judéia às ovelhas perdidas da casa de Israel: em seguida, levou o Evangelho às nações longínquas, Pérsia e à Etiópia, e confirmou com o sangue as verdades que pregava. Além de um dos doze apóstolos, escolhidos para pregarem o Evangelho por toda a terra, São Mateus também foi um dos homens inspirados para gravá-lo por escrito. Há quatro evangelistas: São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João; assim como há quatro grandes profetas: Isaías, Ezequiel, Jeremias e Daniel; e quatro grandes impérios: Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma e quatro querubins acima dos quais se eleva o trono de Deus, no qual está sentado o Filho do homem. O conjunto dos quatro querubins com o trono de Deus suspenso acima deles, não tem a sua representação na terra no conjunto dos quatro grandes impérios, Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma, a cujas lutos e a cujos destinos vemos outros tantos espíritos celestes presidir; espíritos que serviram de carro do Filho de Deus para que descesse à terra e nela estabelecesse seu império espiritual, e dos quais tirou seus instrumentos de vingança, pois no capítulo X, de Ezequiel, não vemos um dos querubins apanhar os carvões ardentes, que seriam espalhados sobre a criminosa Jerusalém? Na Igreja Cristã, não viram os Padres os quatro evangelistas? Na face do homem, São Mateus, que inicia seu evangelho pela genealogia de Cristo enquanto homem; na face do leão, São Marcos, que inicia o seu pela voz de deus clamando no deserto; na face do touro, vítima principal dos antigos sacrifícios, São Lucas, que começa pelo sacerdote Zacarias no ato de desempenhar as funções do sacerdócio num templo; na face da águia, São João que. De início, eleva-se como uma águia acima das nuvens até o seio de Deus. São quatro, mas cada um deles é encontrado nos três outros, e os quatro são encontrados em cada um em particular; há quatro evangelhos, e só há um Evangelho. É o mesmo espírito que os inspira, que os alenta, que os inspira, que os alenta, que os dirige. São cheios de olhos; em tudo, até num ponto e vírgula, cintila a verdade. Contém como que um fogo divino de onde saem as fagulhas, as correntes elétricas da graça, que iluminam os espíritos, toam os corações e renovam a face da terra. No Evangelho de São Mateus há um belo consumo de todo o Evangelho: é o Sermão da Montanha de todo o Evangelho, que reproduz inteiramente, enquanto os outros evangelistas só citam alguns trechos. É o sermão que se inicia com as oito bem-aventuranças. O único objetivo do homem é a felicidade. Jesus Cristo veio unicamente proporcionar-nos os meios de realizá-lo. Colocar a felicidade onde deve estar é a fonte de todo bem; e a fonte de todo mal é colocá-la onde não deve estar. Digamos, pois: Quero ser feliz. Vejamos, porém, de que maneira; vejamos em que consiste a felicidade; vejamos quais são os meios para alcançá-la. A felicidade está em cada uma das oito bem-aventuranças; pois, em todas, sob várias designações, é sempre da
São Mateus, Apóstolo

Quando o Filho de Deus se fez homem e veio a este mundo, tomou o nome de Jesus ou Salvador, porque viera para salvar-nos e não para perder-nos. O primeiro aos quais fez anunciar pelos anjos a boa nova da sua vinda, foram alguns humildes pastores de Belém. Quando escolheu seus doze apóstolos, ou doze enviados, para espalharem a boa nova a todos os povos da terra, escolheu-os entre os humildes e os pequenos. Primeiramente foram dois irmãos, Pedro e André, que viviam da pesca, assim como dois outros, Tiago e João. Mais extraordinário ainda é não ter Jesus escolhido seus apóstolos precisamente entre os santos, nem no interior do templo, mas nas praças públicas, entre a classe operária e mesmo entre os empregados da alfândega. Saía da cidade de Cafarnaum e dirigia-se para o mar da Galiléia, onde costumava pregar à multidão, quando ao passar, avistou um publicano, Levi, filho de Alfeu, também chamado Mateus, sentado à mesa de cobrança de impostos, e disse-lhe: Segue-me. E aquele, tudo abandonando, levantou-se e seguiu-o. E Levi ofereceu a Jesus um grande banquete em sua casa. Estando este à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores que se sentaram à mesa com ele e com os discípulos, que em grande número o tinham acompanhado. Mas os fariseus e os escribas, vendo que Jesus comia com os publicanos e os pecadores, murmuraram e disseram aos discípulos: Por que motivo come o vosso Mestre com os publicanos e os pecadores e vós com ele? Malgrado a aparente piedade, de que se jactavam, aqueles homens estavam cheios de desprezo pelos outros. Respondeu-lhes Jesus? Os sãos não tem necessidade de médico, mas sim os enfermos. Ide, e aprendei o que vos digo: quero misericórdia e não sacrifício; porque não vim chamar os justos e sim os pecadores. Quão grande é a bondade de Jesus Salvador! Quem ainda poderá desesperar, seja por causa de seus pecados, seja por causa de suas más inclinações? Aí está um médico capaz, não apenas de curar os doentes, mas de ressuscitar os mortos; um médico caridoso, que se sobrecarregará com as nossas doenças e as nossas iniqüidades; um médico tão bom que se transmuda em remédio para os nossos males. Mas o publicano Mateus também não merecerá que o amemos e imitemos? Era um homem de negócios e de dinheiro, um burocrata, um financista. Contudo, mal Jesus o chama, levanta-se, tudo abandona e segue-o, testemunha-lhe publicamente a gratidão com um grande banquete. E nós, que talvez nos julguemos muito melhores do que os publicanos, o Senhor chama-nos, o Senhor diz-nos há muito tempo: Vinde e segui-me! E ficamos surdos ao seu apelo. Ah! Roguemos ao bem-aventurado publicano, cuja festa celebramos, que nos seja dado seguir o Senhor, tal como o fez. De publicano transformado em apóstolo. São Mateus perseverou até o fim. Depois de receber o Espírito Santo com a abundância de suas graças, no dia de Pentecostes, pregou durante vários anos na Judéia às ovelhas perdidas da casa de Israel: em seguida, levou o Evangelho às nações longínquas, Pérsia e à Etiópia, e confirmou com o sangue as verdades que pregava. Além de um dos doze apóstolos, escolhidos para pregarem o Evangelho por toda a terra, São Mateus também foi um dos homens inspirados para gravá-lo por escrito. Há quatro evangelistas: São Mateus, São Marcos, São Lucas e São João; assim como há quatro grandes profetas: Isaías, Ezequiel, Jeremias e Daniel; e quatro grandes impérios: Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma e quatro querubins acima dos quais se eleva o trono de Deus, no qual está sentado o Filho do homem. O conjunto dos quatro querubins com o trono de Deus suspenso acima deles, não tem a sua representação na terra no conjunto dos quatro grandes impérios, Babilônia, Pérsia, Grécia e Roma, a cujas lutos e a cujos destinos vemos outros tantos espíritos celestes presidir; espíritos que serviram de carro do Filho de Deus para que descesse à terra e nela estabelecesse seu império espiritual, e dos quais tirou seus instrumentos de vingança, pois no capítulo X, de Ezequiel, não vemos um dos querubins apanhar os carvões ardentes, que seriam espalhados sobre a criminosa Jerusalém? Na Igreja Cristã, não viram os Padres os quatro evangelistas? Na face do homem, São Mateus, que inicia seu evangelho pela genealogia de Cristo enquanto homem; na face do leão, São Marcos, que inicia o seu pela voz de deus clamando no deserto; na face do touro, vítima principal dos antigos sacrifícios, São Lucas, que começa pelo sacerdote Zacarias no ato de desempenhar as funções do sacerdócio num templo; na face da águia, São João que. De início, eleva-se como uma águia acima das nuvens até o seio de Deus. São quatro, mas cada um deles é encontrado nos três outros, e os quatro são encontrados em cada um em particular; há quatro evangelhos, e só há um Evangelho. É o mesmo espírito que os inspira, que os alenta, que os inspira, que os alenta, que os dirige. São cheios de olhos; em tudo, até num ponto e vírgula, cintila a verdade. Contém como que um fogo divino de onde saem as fagulhas, as correntes elétricas da graça, que iluminam os espíritos, toam os corações e renovam a face da terra. No Evangelho de São Mateus há um belo consumo de todo o Evangelho: é o Sermão da Montanha de todo o Evangelho, que reproduz inteiramente, enquanto os outros evangelistas só citam alguns trechos. É o sermão que se inicia com as oito bem-aventuranças. O único objetivo do homem é a felicidade. Jesus Cristo veio unicamente proporcionar-nos os meios de realizá-lo. Colocar a felicidade onde deve estar é a fonte de todo bem; e a fonte de todo mal é colocá-la onde não deve estar. Digamos, pois: Quero ser feliz. Vejamos, porém, de que maneira; vejamos em que consiste a felicidade; vejamos quais são os meios para alcançá-la. A felicidade está em cada uma das oito bem-aventuranças; pois, em todas, sob várias designações, é sempre da
Beato Francisco De Posadas, Dominicano

Seus pais eram pobres e ganhavam a vida vendendo flores, legumes e frutos. Moravam a princípio em Lama de Arcos, em Castela; depois, estabeleceram-se em Córdova. Malgrado a humildade da sua condição, provinham de estirpe nobre, circunstâncias que, aliadas às virtudes por eles praticadas, faziam-nos merecedores de consideração. Francisco nasceu em Córdova, no dia 25 de novembro de 1644. Seus piedosos pais preocuparam-se em inculcar-lhe profundos sentimentos religiosos. Ensinaram-lhe muitas práticas de piedade, com as quais entretiveram seu espírito desde a infância, e educaram-no na oração, no amor a Deus e ao próximo. Inspiraram-lhe particularmente uma terna devoção à Santa Virgem. Desde os mais verdes anos, habituou-se a recitar todos os dias o rosário. Muitas vezes, outras crianças da mesma idade a ele se juntavam. Reuniam-se a determinada hora e depois de terem recitado algumas orações, caminhavam em procissão pelas ruas da cidade e pelas estradas adjacentes, cantando o rosário e também hinos. Francisco era a alma de todos esses exercícios piedosos e, desde então, começava a salientar-se como um zeloso servo de Deus. Sua mãe que, logo após ter Francisco nascido, o colocara sob a proteção da Santa Virgem, alimentava o grande desejo de que ele pudesse entrar na Ordem de São Domingos e mandou educá-lo da melhor maneira possível. Os progressos do jovem Francisco no estudo, atenção que lhe mereciam os deveres religiosos, correspondiam perfeitamente às intenções de seus pais. Desde a mais tenra idade demonstrara o menino o desejo de pô-las em execução, tornando-se dominicano. Daí por diante foi como se já tivesse renunciado ao mundo e se consagrado inteiramente a Deus. Não tomava parte nos jogos e nos divertimentos infantis; procurava a solidão e dedicava à prece e à meditação quase todo o tempo que não dispendia no estudo. Frequentava os sacramentos com grande devoção e seu único objetivo era vir a ser um digno membro da Ordem de São Domingos. Durante muito tempo seus desejos permaneceram irrealizados, Morreu-lhe o pai, e sua mãe tornou a casar-se com um homem que se comportou com ele da pior maneira possível. Obrigou-o a aprender o ofício, e confiou-o um mestre brutal, que o espancava todos os dias, não obstante a sua assiduidade ao trabalho. Finalmente de tal forma a brandura do virtuoso jovem conquistou o patrão, que este o auxiliou a concluir os estudos. Tendo sua mãe enviuvado pela segunda vez, Francisco cumpriu em relação a ela todos os deveres de um bom filho e prodigalizou-lhe os mais ternos cuidados. Mais tarde, na velhice, Francisco atribuía as graças a ele concedidas por Deus ao respeito que sua mãe sempre lhe merecera. Enfim, chegou o tão almejado momento de consagrar-se a Deus. Em 1663 foi admitido nos Dominicanos da Scale Coeli, convento situado a uma légua de Córdoba, e, depois das provas habituais, pronunciou os votos solenes. A princípio seus méritos não foram devidamente apreciados. Foi vítima de perseguições e de calúnias, mas suportou-as com grande paciência; e havendo sido o erro reconhecido, foi ordenado sacerdote em São Lucar de Barmeja. Em seguida seus superiores designaram-no para o ministério da prédica. Seus sermões, apoiados pela santidade de vida, produziram frutos incomensuráveis. Multidões acorriam para ouvi-lo e tinha de pregar em praças públicas, pois as igrejas eram insuficientes para contê-las. Bastava que sua voz ressoasse para que o auditório ficasse penetrado de respeito; a força e o encanto das suas palavras, as lágrimas que derramava, tocavam e convertiam as almas. Viram-no algumas vezes com o rosto resplandecente, como são representados os serafins. Levava nas suas missões uma vida mortificada, viajando sempre a pé, muitas vezes descalço, sem provisões, e só tendo como leito um saco de palha, ou mesmo a terra nua. Obtinha os mesmos resultados no tribunal da penitência; a unção com que envolvia as palavras era quase irresistível. Guia sábio e esclarecido, levava à perfeição as almas por ele dirigidas, afastando-as dos perigos do mundo. Tinha horror aos espetáculos profanos e empenhava-se tenazmente para dele desviar os fiéis. Seu prestígio sobre o espírito dos habitantes de Córdova foi bastante forte para conseguir a demolição do teatro dessa cidade, que até agora não foi reconstruído. Nem as fadigas, nem as dificuldades logravam atenuar seu zelo pelo serviço de Deus: nada, porém, ultrapassava seu amor pelos pobres e servia-se dos mais engenhosos meios para proporcionar-lhes socorros temporais e espirituais. Suas austeridades e seus jejuns surpreendiam. Os bispados de Alquer, na Sardenha, e o de Cádiz foram-lhe oferecidos; recusou-os, pois desejava viver na humildade e na obscuridade da profissão que abraçara. Após uma vida transcorrida em meio a todas as práticas da perfeição religiosa, e no trabalho incessante de um santo apostolado, morreu quase subitamente, ao sair para celebrar a missa, no dia 20 de setembro de 1713. Publicara várias obras sobre questões de teologia e assuntos piedosos. As mais notáveis são: 1. O triunfo da castidade sobre a luxúria diabólica de Molinos 2. Vida da Venerável Madre Leonarda de Cristo, religiosa dominicana 3. Vida do Padre Cristóvão de Santa Catarina, fundador do Asilo de Jesus de Nazaré 4. Vida de São Domingos 5. Conselhos à cidade de Córdova Durante os últimos anos de vida já era reverenciado como santo pelos habitantes das províncias meridionais da Espanha. As diligências para a sua canonização foram iniciadas logo após a sua morte e depois regularmente continuadas. No dia 4 de agosto de 1804, o Papa Pio VII declarou que ele possuíra as virtudes teologais em grau muito elevado. No dia 5 de maio de 1817, o mesmo Pontífice proclamou dois milagres que haviam sido operados pela sua intercessão; no dia 8 de setembro do mesmo ano, o Santo Padre anunciou que iriam proceder à beatificação de Francisco. O decreto de beatificação foi promulgado no dia 20 de setembro de 1818, e a festa foi celebrada em Roma com grande solenidade. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 343 à 346) The post Beato Francisco de Posadas, Dominicano appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do
Beato Francisco De Posadas, Dominicano

Seus pais eram pobres e ganhavam a vida vendendo flores, legumes e frutos. Moravam a princípio em Lama de Arcos, em Castela; depois, estabeleceram-se em Córdova. Malgrado a humildade da sua condição, provinham de estirpe nobre, circunstâncias que, aliadas às virtudes por eles praticadas, faziam-nos merecedores de consideração. Francisco nasceu em Córdova, no dia 25 de novembro de 1644. Seus piedosos pais preocuparam-se em inculcar-lhe profundos sentimentos religiosos. Ensinaram-lhe muitas práticas de piedade, com as quais entretiveram seu espírito desde a infância, e educaram-no na oração, no amor a Deus e ao próximo. Inspiraram-lhe particularmente uma terna devoção à Santa Virgem. Desde os mais verdes anos, habituou-se a recitar todos os dias o rosário. Muitas vezes, outras crianças da mesma idade a ele se juntavam. Reuniam-se a determinada hora e depois de terem recitado algumas orações, caminhavam em procissão pelas ruas da cidade e pelas estradas adjacentes, cantando o rosário e também hinos. Francisco era a alma de todos esses exercícios piedosos e, desde então, começava a salientar-se como um zeloso servo de Deus. Sua mãe que, logo após ter Francisco nascido, o colocara sob a proteção da Santa Virgem, alimentava o grande desejo de que ele pudesse entrar na Ordem de São Domingos e mandou educá-lo da melhor maneira possível. Os progressos do jovem Francisco no estudo, atenção que lhe mereciam os deveres religiosos, correspondiam perfeitamente às intenções de seus pais. Desde a mais tenra idade demonstrara o menino o desejo de pô-las em execução, tornando-se dominicano. Daí por diante foi como se já tivesse renunciado ao mundo e se consagrado inteiramente a Deus. Não tomava parte nos jogos e nos divertimentos infantis; procurava a solidão e dedicava à prece e à meditação quase todo o tempo que não dispendia no estudo. Frequentava os sacramentos com grande devoção e seu único objetivo era vir a ser um digno membro da Ordem de São Domingos. Durante muito tempo seus desejos permaneceram irrealizados, Morreu-lhe o pai, e sua mãe tornou a casar-se com um homem que se comportou com ele da pior maneira possível. Obrigou-o a aprender o ofício, e confiou-o um mestre brutal, que o espancava todos os dias, não obstante a sua assiduidade ao trabalho. Finalmente de tal forma a brandura do virtuoso jovem conquistou o patrão, que este o auxiliou a concluir os estudos. Tendo sua mãe enviuvado pela segunda vez, Francisco cumpriu em relação a ela todos os deveres de um bom filho e prodigalizou-lhe os mais ternos cuidados. Mais tarde, na velhice, Francisco atribuía as graças a ele concedidas por Deus ao respeito que sua mãe sempre lhe merecera. Enfim, chegou o tão almejado momento de consagrar-se a Deus. Em 1663 foi admitido nos Dominicanos da Scale Coeli, convento situado a uma légua de Córdoba, e, depois das provas habituais, pronunciou os votos solenes. A princípio seus méritos não foram devidamente apreciados. Foi vítima de perseguições e de calúnias, mas suportou-as com grande paciência; e havendo sido o erro reconhecido, foi ordenado sacerdote em São Lucar de Barmeja. Em seguida seus superiores designaram-no para o ministério da prédica. Seus sermões, apoiados pela santidade de vida, produziram frutos incomensuráveis. Multidões acorriam para ouvi-lo e tinha de pregar em praças públicas, pois as igrejas eram insuficientes para contê-las. Bastava que sua voz ressoasse para que o auditório ficasse penetrado de respeito; a força e o encanto das suas palavras, as lágrimas que derramava, tocavam e convertiam as almas. Viram-no algumas vezes com o rosto resplandecente, como são representados os serafins. Levava nas suas missões uma vida mortificada, viajando sempre a pé, muitas vezes descalço, sem provisões, e só tendo como leito um saco de palha, ou mesmo a terra nua. Obtinha os mesmos resultados no tribunal da penitência; a unção com que envolvia as palavras era quase irresistível. Guia sábio e esclarecido, levava à perfeição as almas por ele dirigidas, afastando-as dos perigos do mundo. Tinha horror aos espetáculos profanos e empenhava-se tenazmente para dele desviar os fiéis. Seu prestígio sobre o espírito dos habitantes de Córdova foi bastante forte para conseguir a demolição do teatro dessa cidade, que até agora não foi reconstruído. Nem as fadigas, nem as dificuldades logravam atenuar seu zelo pelo serviço de Deus: nada, porém, ultrapassava seu amor pelos pobres e servia-se dos mais engenhosos meios para proporcionar-lhes socorros temporais e espirituais. Suas austeridades e seus jejuns surpreendiam. Os bispados de Alquer, na Sardenha, e o de Cádiz foram-lhe oferecidos; recusou-os, pois desejava viver na humildade e na obscuridade da profissão que abraçara. Após uma vida transcorrida em meio a todas as práticas da perfeição religiosa, e no trabalho incessante de um santo apostolado, morreu quase subitamente, ao sair para celebrar a missa, no dia 20 de setembro de 1713. Publicara várias obras sobre questões de teologia e assuntos piedosos. As mais notáveis são: 1. O triunfo da castidade sobre a luxúria diabólica de Molinos 2. Vida da Venerável Madre Leonarda de Cristo, religiosa dominicana 3. Vida do Padre Cristóvão de Santa Catarina, fundador do Asilo de Jesus de Nazaré 4. Vida de São Domingos 5. Conselhos à cidade de Córdova Durante os últimos anos de vida já era reverenciado como santo pelos habitantes das províncias meridionais da Espanha. As diligências para a sua canonização foram iniciadas logo após a sua morte e depois regularmente continuadas. No dia 4 de agosto de 1804, o Papa Pio VII declarou que ele possuíra as virtudes teologais em grau muito elevado. No dia 5 de maio de 1817, o mesmo Pontífice proclamou dois milagres que haviam sido operados pela sua intercessão; no dia 8 de setembro do mesmo ano, o Santo Padre anunciou que iriam proceder à beatificação de Francisco. O decreto de beatificação foi promulgado no dia 20 de setembro de 1818, e a festa foi celebrada em Roma com grande solenidade. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 343 à 346) The post Beato Francisco de Posadas, Dominicano appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do
Beato Francisco De Posadas, Dominicano

Seus pais eram pobres e ganhavam a vida vendendo flores, legumes e frutos. Moravam a princípio em Lama de Arcos, em Castela; depois, estabeleceram-se em Córdova. Malgrado a humildade da sua condição, provinham de estirpe nobre, circunstâncias que, aliadas às virtudes por eles praticadas, faziam-nos merecedores de consideração. Francisco nasceu em Córdova, no dia 25 de novembro de 1644. Seus piedosos pais preocuparam-se em inculcar-lhe profundos sentimentos religiosos. Ensinaram-lhe muitas práticas de piedade, com as quais entretiveram seu espírito desde a infância, e educaram-no na oração, no amor a Deus e ao próximo. Inspiraram-lhe particularmente uma terna devoção à Santa Virgem. Desde os mais verdes anos, habituou-se a recitar todos os dias o rosário. Muitas vezes, outras crianças da mesma idade a ele se juntavam. Reuniam-se a determinada hora e depois de terem recitado algumas orações, caminhavam em procissão pelas ruas da cidade e pelas estradas adjacentes, cantando o rosário e também hinos. Francisco era a alma de todos esses exercícios piedosos e, desde então, começava a salientar-se como um zeloso servo de Deus. Sua mãe que, logo após ter Francisco nascido, o colocara sob a proteção da Santa Virgem, alimentava o grande desejo de que ele pudesse entrar na Ordem de São Domingos e mandou educá-lo da melhor maneira possível. Os progressos do jovem Francisco no estudo, atenção que lhe mereciam os deveres religiosos, correspondiam perfeitamente às intenções de seus pais. Desde a mais tenra idade demonstrara o menino o desejo de pô-las em execução, tornando-se dominicano. Daí por diante foi como se já tivesse renunciado ao mundo e se consagrado inteiramente a Deus. Não tomava parte nos jogos e nos divertimentos infantis; procurava a solidão e dedicava à prece e à meditação quase todo o tempo que não dispendia no estudo. Frequentava os sacramentos com grande devoção e seu único objetivo era vir a ser um digno membro da Ordem de São Domingos. Durante muito tempo seus desejos permaneceram irrealizados, Morreu-lhe o pai, e sua mãe tornou a casar-se com um homem que se comportou com ele da pior maneira possível. Obrigou-o a aprender o ofício, e confiou-o um mestre brutal, que o espancava todos os dias, não obstante a sua assiduidade ao trabalho. Finalmente de tal forma a brandura do virtuoso jovem conquistou o patrão, que este o auxiliou a concluir os estudos. Tendo sua mãe enviuvado pela segunda vez, Francisco cumpriu em relação a ela todos os deveres de um bom filho e prodigalizou-lhe os mais ternos cuidados. Mais tarde, na velhice, Francisco atribuía as graças a ele concedidas por Deus ao respeito que sua mãe sempre lhe merecera. Enfim, chegou o tão almejado momento de consagrar-se a Deus. Em 1663 foi admitido nos Dominicanos da Scale Coeli, convento situado a uma légua de Córdoba, e, depois das provas habituais, pronunciou os votos solenes. A princípio seus méritos não foram devidamente apreciados. Foi vítima de perseguições e de calúnias, mas suportou-as com grande paciência; e havendo sido o erro reconhecido, foi ordenado sacerdote em São Lucar de Barmeja. Em seguida seus superiores designaram-no para o ministério da prédica. Seus sermões, apoiados pela santidade de vida, produziram frutos incomensuráveis. Multidões acorriam para ouvi-lo e tinha de pregar em praças públicas, pois as igrejas eram insuficientes para contê-las. Bastava que sua voz ressoasse para que o auditório ficasse penetrado de respeito; a força e o encanto das suas palavras, as lágrimas que derramava, tocavam e convertiam as almas. Viram-no algumas vezes com o rosto resplandecente, como são representados os serafins. Levava nas suas missões uma vida mortificada, viajando sempre a pé, muitas vezes descalço, sem provisões, e só tendo como leito um saco de palha, ou mesmo a terra nua. Obtinha os mesmos resultados no tribunal da penitência; a unção com que envolvia as palavras era quase irresistível. Guia sábio e esclarecido, levava à perfeição as almas por ele dirigidas, afastando-as dos perigos do mundo. Tinha horror aos espetáculos profanos e empenhava-se tenazmente para dele desviar os fiéis. Seu prestígio sobre o espírito dos habitantes de Córdova foi bastante forte para conseguir a demolição do teatro dessa cidade, que até agora não foi reconstruído. Nem as fadigas, nem as dificuldades logravam atenuar seu zelo pelo serviço de Deus: nada, porém, ultrapassava seu amor pelos pobres e servia-se dos mais engenhosos meios para proporcionar-lhes socorros temporais e espirituais. Suas austeridades e seus jejuns surpreendiam. Os bispados de Alquer, na Sardenha, e o de Cádiz foram-lhe oferecidos; recusou-os, pois desejava viver na humildade e na obscuridade da profissão que abraçara. Após uma vida transcorrida em meio a todas as práticas da perfeição religiosa, e no trabalho incessante de um santo apostolado, morreu quase subitamente, ao sair para celebrar a missa, no dia 20 de setembro de 1713. Publicara várias obras sobre questões de teologia e assuntos piedosos. As mais notáveis são: 1. O triunfo da castidade sobre a luxúria diabólica de Molinos 2. Vida da Venerável Madre Leonarda de Cristo, religiosa dominicana 3. Vida do Padre Cristóvão de Santa Catarina, fundador do Asilo de Jesus de Nazaré 4. Vida de São Domingos 5. Conselhos à cidade de Córdova Durante os últimos anos de vida já era reverenciado como santo pelos habitantes das províncias meridionais da Espanha. As diligências para a sua canonização foram iniciadas logo após a sua morte e depois regularmente continuadas. No dia 4 de agosto de 1804, o Papa Pio VII declarou que ele possuíra as virtudes teologais em grau muito elevado. No dia 5 de maio de 1817, o mesmo Pontífice proclamou dois milagres que haviam sido operados pela sua intercessão; no dia 8 de setembro do mesmo ano, o Santo Padre anunciou que iriam proceder à beatificação de Francisco. O decreto de beatificação foi promulgado no dia 20 de setembro de 1818, e a festa foi celebrada em Roma com grande solenidade. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 343 à 346) The post Beato Francisco de Posadas, Dominicano appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do
Santa Emília De Rodat, Fundadora Da Congregação Da Santa Família

Nascida em 1787, no dia 6 de setembro, no castelo de Druelle, Maria Emilia de Rodat pertencia à velha família de Rouergue. Educada pela avó, vivendo no vasto castelo de Ginals, Emília mesma, mais tarde, escreveria: “Com a idade de oito anos, minha avó tomou-me consigo e, assim que cheguei à idade da razão, ensinou-me a amar o bom Deus. Uma de minhas tias-avós, religiosa visitandina, de concerto com ela, prodigalizou-me os mais ternos cuidados. Quando era pequena, tinha o defeito de ficar amuada facilmente. Ia, então, agachar-me debaixo duma janela, e minha avó, me chamava: – Emília vem comigo, vem! Eu a atendia e ia. E quando estava com ela, dizia-me: – Olha-me bem, e sorri! Tornava-me amarga, áspera, mas vovó persistia até que, rindo, voltava ao meu ar costumeiro. Naquele ambiente calmo, de pessoas compreensivas, a jovem foi crescendo toda brandura. Aos onze anos, fez a primeira comunhão na capela do castelo. Moça, em Villefranche de Rourque, abriu uma sala de aula, onde quarenta jovenzinhas estudavam e passavam o dia. Era em 1815, e tanta procura teve a Sala que, em 1819, instalava-se nos Cordeliers, com caráter religioso, e as irmãs pronunciavam os votos perpétuos e tomavam o hábito das religiosas. Todavia, nesse meio de tempo, de 1815 a 1819, quantas provas, quantas críticas, quanta incompreensão por parte dos faladores. O instituto, porém, cresceu e, quando a Santa faleceu, em 1852, sabia que as filhas jaziam acomodadas por trinta e seis fundações. Que levaria Emília de Rodat a fundar tal instituto, que começou numa sala? Um dia, ao visitar uma doente, ouviu das vizinhas que ajudavam a pobre as queixas que faziam sobre o desaparecimento, do lugar, das Ursulinas e suas escolas gratuitas, onde se haviam educado, e nas quais agora, não podiam deixar as filhas. Emília, tocada, propôs levar adiante, como levou, a obra que a tornou conhecida e na qual se santificou. A 9 de junho de 1940, Pio XII beatificou a fundadora. O mesmo Papa da Paz, a 23 de Abril de 1950, canonizou-a solenemente. Foto: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 318-319) The post Santa Emília de Rodat, Fundadora da Congregação da Santa Família appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santa Emília De Rodat, Fundadora Da Congregação Da Santa Família

Nascida em 1787, no dia 6 de setembro, no castelo de Druelle, Maria Emilia de Rodat pertencia à velha família de Rouergue. Educada pela avó, vivendo no vasto castelo de Ginals, Emília mesma, mais tarde, escreveria: “Com a idade de oito anos, minha avó tomou-me consigo e, assim que cheguei à idade da razão, ensinou-me a amar o bom Deus. Uma de minhas tias-avós, religiosa visitandina, de concerto com ela, prodigalizou-me os mais ternos cuidados. Quando era pequena, tinha o defeito de ficar amuada facilmente. Ia, então, agachar-me debaixo duma janela, e minha avó, me chamava: – Emília vem comigo, vem! Eu a atendia e ia. E quando estava com ela, dizia-me: – Olha-me bem, e sorri! Tornava-me amarga, áspera, mas vovó persistia até que, rindo, voltava ao meu ar costumeiro. Naquele ambiente calmo, de pessoas compreensivas, a jovem foi crescendo toda brandura. Aos onze anos, fez a primeira comunhão na capela do castelo. Moça, em Villefranche de Rourque, abriu uma sala de aula, onde quarenta jovenzinhas estudavam e passavam o dia. Era em 1815, e tanta procura teve a Sala que, em 1819, instalava-se nos Cordeliers, com caráter religioso, e as irmãs pronunciavam os votos perpétuos e tomavam o hábito das religiosas. Todavia, nesse meio de tempo, de 1815 a 1819, quantas provas, quantas críticas, quanta incompreensão por parte dos faladores. O instituto, porém, cresceu e, quando a Santa faleceu, em 1852, sabia que as filhas jaziam acomodadas por trinta e seis fundações. Que levaria Emília de Rodat a fundar tal instituto, que começou numa sala? Um dia, ao visitar uma doente, ouviu das vizinhas que ajudavam a pobre as queixas que faziam sobre o desaparecimento, do lugar, das Ursulinas e suas escolas gratuitas, onde se haviam educado, e nas quais agora, não podiam deixar as filhas. Emília, tocada, propôs levar adiante, como levou, a obra que a tornou conhecida e na qual se santificou. A 9 de junho de 1940, Pio XII beatificou a fundadora. O mesmo Papa da Paz, a 23 de Abril de 1950, canonizou-a solenemente. Foto: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 318-319) The post Santa Emília de Rodat, Fundadora da Congregação da Santa Família appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São José De Cupertino, Franciscano

José Desa nasceu no dia 17 de junho de 1603 em Cupertino, pequena cidade da diocese de Nardo, entre Brindes e Otranto. Seus pais eram pobres, mas virtuosos. Cognominaram-no mais tarde Cupertino por causa do lugar do seu nascimento. Sua mãe educou-o dentro de uma grande piedade; mas se mostrava muito rigorosa e castigava-o severamente pelas menores faltas, a fim de habituá-lo a uma vida áspera e penitente. José mostrou, desde a infância, um extraordinário fervor e já parecia desfrutar a doçura das consolações celestiais. Era extremamente assíduo ao serviço divino; e, numa idade em que só se costuma aspirar ao prazer, usava um áspero cilício e macerava o corpo com várias disciplinas. Fizeram-no aprender o ofício de sapateiro, que exerceu durante algum tempo. Porém, ao atingir a idade de dezessete anos, apresentou-se para ser recebido pelos Franciscanos conventuais, comunidade à qual pertenciam dois tios seus, bastantes considerados. Contudo, foi recusado, pois nada estudara. O máximo que conseguiu obter foi ingressar nos Capuchinhos, na qualidade de irmão converso. E, após oito meses de noviciado, foi despedido como incapaz de corresponder à vocação. Longe de insurgir-se, persistiu na resolução de abraçar o estado religioso. Enfim, tocados de compaixão, os Franciscanos conventuais receberam-no no convento Della Grotella, assim chamado por causa de uma capela subterrânea, dedicada à Virgem Santa. O convento ficava muito próximo de Cupertino. Depois de ter feito seu noviciado com muito fervor, José foi recebido como irmão converso entre os oblatas da ordem terceira. Confiaram-lhe, a princípio, as tarefas mais grosseiras da casa, que executou escrupulosamente. Duplicou os jejuns e as austeridades; orava incessantemente e só dormia três horas por noite. Sua humildade, sua doçura, seu amor à mortificação e à penitência tornaram-no alvo de tamanha veneração que num capítulo geral realizado em Altamura, em 1625, ficou decidido que seria recebido entre os religiosos do coro, a fim de preparar-se para as santas ordens. José, pediu permissão para fazer um segundo noviciado, depois do qual se afastou mais do que nunca do convívio dos homens para unir-se a Deus de maneira ainda íntima através da contemplação. Considerava-se um grande pecador e imaginava que só por caridade, lhe haviam permitido usar o hábito religioso. Sua paciência fê-lo suportar em silêncio e com alegria, severas repreensões por faltas que não cometera. Levou a obediência ao ponto de executar prontamente às mais difíceis ordens que lhe davam. Tantas virtudes o tornaram objeto da admiração de todos. Tendo sido ordenado sacerdote em 1628, celebrou a primeira missa penetrado de intraduzíveis sentimentos de fé, de amor e de respeito. Escolheu uma cela afastada, escura e incômoda. Costumava rezar em capelas pouco freqüentadas, a fim de entregar-se mais livremente ao seu pendor pela contemplação. Privou-se de tudo quanto lhe fora concedido pela regra; e quando se viu completamente despojado, disse, prosternado diante do crucifixo: “Eis-me aqui Senhor, despojado de todas as coisas criadas; sede, conjuro-vos meu único bem; considero qualquer outro bem um verdadeiro perigo, como a perdição da minha alma.” Depois de haver recebido o sacerdócio, passou cinco anos sem comer pão e beber vinho; durante este tempo só se alimentou de ervas e frutos secos; e as ervas que comia na sexta-feira eram tão repugnantes que só ele mesmo conseguia comê-las. Observava um jejum tão rigoroso na quaresma que durante sete anos só tomou algum alimento às quintas-feiras e aos domingos, com excessão da Santa Eucaristia, que recebia todos os dias. Seu rosto, que amanhecia pálido, tornava-se fresco e rosado depois da comunhão. De tal maneira se habituara a não comer carne que o estômago não conseguia mais suportá-la. O zelo pela mortificação fazia-o inventar vários instrumentos de penitência. Durante dois anos foi provado com dores internas que o faziam sofrer intensamente. Enfim, a bonança sucedeu à tempestade. Tendo-se espalhado o rumor de que tinha êxtases e operava milagres, uma grande quantidade de pessoas o acompanhou quando viajou pela província de Bari.Um vigário geral ofendeu-se e queixou-se aos inquisidores de Nápoles. José recebeu ordens para apresentar-se àquela cidade. Mas depois de terem sido examinados os pontos de acusação, ele foi declarado inocente, e despediram-no. Celebrou a Missa em Nápoles na Igreja de São Gregório Armênio, que pertencia a um mosteiro de religiosas. Terminado o sacrifício, José caiu em êxtase, como o atestaram várias testemunhas oculares durante o processo de canonização. Os inquisidores enviaram-no ao seu superior em Roma. Foi duramente recebido e logo depois recebeu ordens para recolher-se ao convento de Assis, o que lhe causou grande alegria por causa da devoção que lhe merecia o santo patriarca da sua ordem. O superior de Assis também o tratou com aspereza. Sua santidade manifestava-se cada vez mais visivelmente, e as pessoas mais bem qualificadas testemunhavam um ardente desejo de vê-lo. Chegou em Assis em 1639 e lá permaneceu pelo espaço de treze anos. Sofreu, a princípio, muitas tribulações interiores e exteriores. Seu superior frequentemente o acusava de hipocrisia e usava para com ele de grade severidade. Por outro lado, Deus parecia tê-lo abandonado; seus exercícios eram acompanhados por uma secura e uma aridez que o consternavam. Os fantasmas impuros que a imaginação lhe apresentava, com tentações horríveis, fizeram-no cair numa melancolia tão profunda que nem mesmo ousava levantar os olhos. Informado das tristes condições em que José se encontrava, seu Superior mandou-o chamara a Roma; e depois de lá tê-lo retido durante três semanas, mandou-o de volta ao convento de Assis. Ao regressar de Roma, o santo sentiu retornarem as consolações celestiais que em seguida lhe foram dispensadas com mais abundância do que nunca. Ao pronunciar os nomes de Deus, de Jesus, ou de Maria, tão só, ficava como que fora de si. Exclamava frequentemente: “Dignai-vos, ó meu Deus! Encher e possuir meu coração todo inteiro! Possa a minha alma despojar-se dos laços do corpo e unir-se a Jesus Cristo! Jesus, atraí-me a vós, não posso mais continuar na terra!” Ouviam-no muitas vezes excitar os outros à divina caridade: Amai a deus; aquele em quem domina esse amor é rico, embora não chegue
Santa Hildegarda, Virgem

Nasceu no condado de Spanheim, diocese de Maiença, no ano de 1098, de pais nobres e virtuosos, que a consagraram ao serviço de Deus desde seus mais tenros anos, pois nem bem começara a falar, dera a entender, tanto por palavras como por sinais, que via coisas extraordinárias. Com a idade de oito anos, foi levada ao mosteiro de Disemberg ou do monte São Disibode, e colocada sob a direção da bem-aventurada Jutte ou Judite, irmã do Conde de Spanheim, que levava vida reclusa, e que a formou na humildade e na inocência, apenas lhe ensinando a ler o salmério. Dos oito anos aos quinze, Hildegarda continuou a ver sobrenaturalmente muitas coisas, das quais falava com simplicidade às companheiras, que ficavam maravilhadas, assim como todos que disso tiveram conhecimento. Indagavam qual poderia ser a origem das visões. A própria Hildegarda observou, surpresa que, enquanto via interiormente na sua alma, ao mesmo tempo enxergava as coisas exteriores com os olhos do corpo, como de costume, o que jamais ouvira dizer houvesse acontecido a qualquer outra pessoa. Desde então, presa de temor, não ousou mais entreter-se com pessoa alguma sobre a sua luz interior. Contudo, acontecia-lhe nas suas conversas, referir-se muitas vezes a coisas ainda por suceder, e que pareciam estranhas aos ouvintes. Ela via e ouvia tais coisas, não em sonhos, enquanto dormia, não em estado de exaltação, nem com os olhos do corpo, ou com os ouvidos do homem exterior; mas percebia-as bem desperta, apenas olhando dentro da sua alma, com os olhos e os ouvidos abertos, de acordo com a vontade de Deus. É a própria Hildegarda quem o explica. Esse estado de intuição sobrenatural perdurou durante toda a vida. Escrevia, já idosa: Desde a minha infância até hoje, com mais de setenta anos de idade, sempre vi essa luz na minha alma, e percebo-a, não com os olhos exteriores, através dos pensamentos do coração, ou com o concurso dos cinco sentidos externos, muito embora os olhos exteriores permaneçam abertos, e os outros sentidos corporais conservem suas funções; pois a luz que vejo não é local, porém, mais luminosa do que a nuvem que envolve o sol, e não me seria possível discriminar-lhe a altura, o comprimento ou a largura. Chamam-na sombra da luz viva; e, como o sol, a lua e as estrelas se refletem na água, assim as palavras, os escritos, as virtudes e algumas obras dos homens se refletem nessa luz. Guardo longamente a lembrança de tudo quanto vejo ou apreendo nessa visão. Vejo, ouço e aprendo ao mesmo tempo tudo o que sei. Mas tudo quanto não vejo, ignoro, pois não tenho instrução; e ao escrever estas coisas, só uso as palavras que costumo ouvir, palavras latinas não polidas. Quanto à maneira por que ouço essas palavras, não é a mesma por que soam ao saírem da boca de um homem, mas como se fossem uma chama luminosa, uma nuvem que se movesse no ar puro. Quanto à forma dessa luz, não posso absolutamente conhecê-la, assim como não posso olhar de frente para a esfera do sol. Contudo, percebe às vezes nessa luz, outra luz a que chamam de luz viva; mas não vejo sempre esta última e, ainda menos do que a primeira, poderei determinar-lhe a forma. Quanto contemplo essa luz, toda tristeza e todo o sofrimento se desvanecem da minha memória, de maneira que me comporto como menina muito simples e não como velha, Mas minha alma nunca é privada dessa primeira luz, que é chamada sombra da luz viva; e vejo-a como se divisasse através de uma nuvem luminosa o firmamento sem estrelas; e é nela que diviso tudo quanto digo sobre o brilho da luz viva. Desde a minha infância até a idade de quarenta anos vi essas coisas; falava delas, às vezes, mas nunca escrevi à respeito. Tinha quarenta anos quando ouviu uma voz do céu ordenar-lhe que escrevesse tudo quanto visse. Resistiu durante muito tempo, não por obstinação, mas por humildade e desconfiança. Aos quarenta e dois anos e sete meses, viu o céu abrir-se e uma chama muito luminosa penetrou-lhe na cabeça, no coração e em todo seu peito, sem queimá-la, mas aquecendo-a suavemente; no mesmo momento, recebeu a inteligência dos Salmos, dos Evangelhos e dos outros livros do Antigo e do Novo Testamento, de maneira a poder explicar-lhes o sentido, embora não conseguisse explicar gramaticalmente as palavras, pois não conhecia o latim, nem a gramática. Como perseverasse em recusar-se a escrever, mais por temor do que por desobediência, caiu doente. Enfim, confiou sua preocupação a um religioso, seu diretor, e por intermédio dele ao prior da congregação. Depois de aconselhar-se com os membros mais sábios da comunidade e de interrogar Hildegarda, o prior ordenou-lhe que escrevesse; o que ela fez pela primeira vez. Imediatamente se viu curada e levantou-se da cama, Essa cura pareceu tão milagrosa ao prior, que não quis confiar apenas em seu critério. Foi a Maiença relatar o que sabia ao arcebispo e às mais altas figuras do clero, e mostrou-lhes os escritos de Hildegarda. Isso deu motivo para que o arcebispo consultasse o próprio Papa. Desejando Eugênio III ficar bem a par daquele prodígio, enviou ao mosteiro de Hildegarda. Alberon, bispo de Verdum, juntamente com Alberto, seu primicério, e outras pessoas capazes, a fim de ouvirem da própria boca da monja, mas sem alarde nem curiosidade, a narrativa dos fatos com ela relacionados. Hildegarda respondeu com muita singeleza às perguntas. Tendo o bispo apresentado seu relatório, o Papa mandou que lhe trouxessem os escritos de Hildegarda e, tomando-os na mão, leu-os em voz alta, na presença do arcebispo, dos cardeais, e de todo o clero; também contou tudo quanto lhe fora relatado pelos emissários por ele enviados, e todos os assistentes renderam graças a Deus. São Bernardo estava presente e também deu testemunho do que sabia sobre a santa mulher, pois a visitara quando estivera em Francfort, e escrevera-lhe uma carta em que a felicitara pela graça por ela recebida, exortando-a a