São Cornélio, Papa

São Cornélio foi eleito Papa no mês de junho de 251, aproximadamente. Eis em que termos escreveu mais tarde São Cipriano a um bispo da África: O que muito eleva nosso mui querido irmão Cornélio diante de Deus, diante de Jesus Cristo, diante da sua Igreja, e diante de nossos colegas, é não ter ele ascendido ao episcopado de uma só vez: pois só chegou a esse supremo grau do sacerdócio galgando todos os degraus requeridos pela disciplina, depois de ter exercido todos os ministérios eclesiásticos e de ter muitas vezes atraído as graças de Deus sobre a sua pessoa pelos serviços prestados nesses postos divinos. Ademias, não solicitou tal dignidade, nem a ambicionava. Não se emprenhou para obtê-la, como fazem aqueles possuídos pelo orgulho e pela ambição. Só encontraram nele um espírito calmo e modesto, como devem possuir aqueles designados por Deus para serem eleitos bispos; o pudor tão natural à consciência pura das virgens; a humildade de um coração que ama singelamente a castidade e que sempre a guardou com desvelo. Assim, não lutou para tornar-se bispo, como tantos outros; mas violentou-se para consentir em sê-lo. Foi eleito bispo por vários colegas que então se encontravam em Roma, e que nos escreveram as mais dignificantes cartas sobre a sua ordenação. Sim, Cornélio foi feito bispo pelo julgamento de Deus e de Cristo, pelo testemunho presente, e pelos mais antigos e santos ministros do altar, quando ninguém ainda o fora antes, e o posto de Fabiano, isto é, o posto de Pedro, o Trono Pontifício, estava vazio. São Cornélio e São Cipriano Tendo este cargo sido preenchido pela vontade de Deus, e a eleição confirmada pelo consentimento de todos nós, quem quiser aclamar-se bispo seja quem for, será necessariamente excluído e não receberá a ordenação da Igreja, em cuja unidade não mais se inclui. Seja quem for, gabe-se do que quiser, será um profano, um estranho, estará excluído. E como depois do primeiro não pode existir um segundo, quem tiver sido feito depois do primeiro, que deve ser o único, não é o segundo, é nada. Além disso, depois de ter sido assim elevado ao episcopado, sem intriga, sem violência, só pela vontade de Deus, a quem cabe escolher os seus pastores, de quanta virtude, decisão e fé não deu provas ao sentar-se intrepidamente na cadeira pontifícia, num tempo em que um tirano inimigo dos pontífices de Deus lançara contra eles fogo e chamas e, mais com mais tolerância aceitava um competidor no império do que um pontífice de Deus em Roma. Um sacerdote ambicioso, chamado Novaciano, ofendido por não haver sido eleito Papa, transformou-se no primeiro antipapa, e no chefe do primeiro cisma na Igreja Romana. Ao cisma, juntava a heresia, sustentando que a Igreja não podia conceder absolvição aqueles culpados de perseguição, fossem quais fossem as penitências por eles feitas; e que não lhe era permitido comunicar-se com tais pessoas. O Papa São Cornélio, secundado por São Cipriano e por São Dionísio, de Alexandria, teve a felicidade de deter o cisma e de reconduzir à unidade a maioria dos cismáticos. Finalmente, coube-lhe a glória do martírio. Uma perseguição irrompeu subitamente em Roma sob o Imperador Gallus. O Papa São Cornélio foi o primeiro a confessar o nome de Jesus Cristo. Seu exemplo de tal modo animou os fiéis que, ao terem notícia do seu interrogatório, acorreram às pressas para confessar com ele; e, informados, todos os outros também teriam acorrido. Grande número dos que tinham caído, levantaram-se nessa ocasião. Enfim, tal era a coesão, que se diria ter a Igreja Romana inteira confessado. Quando a notícia chegou a Cartago, São Cipriano e sua Igreja experimentaram uma alegria inexprimível. Imediatamente, este último escreveu a São Cornélio, felicitando-o. E também à Igreja Romana, a que denomina povo confessor. Assim encerra a sua carta: Já que a Providência divina nos adverte que o dia da nossa luta se aproxima, dediquemo-nos sem interrupção juntamente com todo o povo, aos jejuns, às vigílias e às orações. Como só possuímos um coração e uma alma, lembremo-nos de um e de outra, e que seja dentre nós que saia o primeiro pela misericórdia divina; que a nossa caridade mútua se mantenha ao seu lado e que nossas orações por nossos irmãos e irmãs nunca sejam interrompidas. Desejo-vos meu mui querido irmão, que continueis a passar bem. Foi a última carta de São Cipriano a São Cornélio, que foi exilado e consumou o martírio no dia 14 de setembro de 252, depois de ter ocupado a Santa Sé durante um ano e cinco meses aproximadamente. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 218 à 222) The post São Cornélio, Papa appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Nossa Senhora Das Dores

Antes de fazer parte da liturgia, as dores de Maria Santíssima foram objeto de particular devoção. Os primeiros traços deste piedosa devoção encontram-se nos escritos de Santo Anselmo e de muitos monges beneditinos e cistercienses, tendo nascido da meditação da passagem do Evangelho que nos mostra a dulcíssima Mãe de Deus e São João aos pés da Cruz do divino Salvador. Foi a compaixão da Virgem Imaculada que alimentou a piedade dos fiéis. Somente no século XIV, talvez opondo-se às cinco alegrias de Nossa Senhora, foi que apareceram as cinco dores que variariam de episódios: 1. A profecia de Simeão 2. A perda de Jesus em Jerusalém 3. A prisão de Jesus 4. A paixão 5. A morte Logo este número passou para dez, mesmo quinze, mas o número sete foi o que prevaleceu. Assim, temos as sete horas, uma meditação das penas de Nossa Senhora, durante a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo: Matinas – A prisão e os ultrajes Prima – Jesus diante de Pilatos Terça – A condenação Sexta – A crucifixão Nona – A morte Vésperas – A descida da cruz Completas – O sepultamento As chamadas Sete Espadas desenvolvem-se por circunstâncias escolhidas dentre as da vida da Santíssima Virgem: Primeira Espada: Outra não é que a da profecia de Simeão. Segunda Espada: O massacre dos inocentes, a mandado de Herodes. Terceira Espada: A perda de Jesus em Jerusalém, quando o Salvador então contava doze anos de idade, feito homem. Quarta Espada: A prisão de Jesus e os julgamentos iníquos, pelos quais passou. Quinta Espada: Jesus pregado na Cruz entre os dois ladrões e a morte. Sexta Espada: A descida da Cruz. Sétima Espada: A sepultura de Jesus As sete tristezas de Nossa Senhora formam uma série um pouco diferente: 1. A profecia de Simeão 2. A fuga para o Egito 3. A perda de Jesus Menino, depois encontrado no Templo 4. A prisão e a condenação 5. A Crucifixão e a morte 6. A descida da Cruz 7. A tristeza de Maria, ficando na terra depois da Ascensão. Este total de sete, que os simbolistas cristãos tanto amam, impunha uma escolha entre os episódios da vida da Santíssima Virgem, por isso que se explicam certas diferenças. A série que acabou por dominar é a seguinte: 1. A profecia de Simeão Havia então em Jerusalém um homem chamado Simeão. Este homem (era) justo e temente (a Deus), e esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava nele. Tinha-lhe sido revelado pelo Espírito Santo que não veria a morte, sem ver primeiro Cristo (o ungido) do Senhor. Foi ao templo (conduzido) pelo Espírito de Deus. E levando os pais, o Menino Jesus, para cumprirem as prescrições usuais da lei a seu respeito, ele o tomou em seus braços, e louvou a Deus, dizendo: – Agora, Senhor, podes deixar partir o teu servo em paz, segundo a tuia palavra; Porque os meus olhos viram tua salvação. A qual preparaste ante a face de todos os povos; luz para iluminar as nações e glória de Israel, teu povo. Seu pai e sua mãe estavam admirados das coisas que dele se diziam. E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua Mãe: – Eis que este Menino esta posto para ruína e para ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo de contradição. E uma espada trespassará a tua alma, a fim de se descobrirem os pensamentos escondidos nos corações de muitos. (Lc. 2, 25-35) 2. A fuga para o Egito Então Herodes, tendo chamado secretamente os magos, inquiriu deles cuidadosamente acerca do tempo em que lhes tinha aparecido a estrela; e, enviando-os a Belém, disse: – Ide e informai-vos bem acerca do menino, e, quando o encontrardes, comunicai-mo, a fim de que também eu o vá adorar. Eles, tendo ouvido as palavras do rei, partiram; e eis que a estrela que tinham visto no Oriente. Ia adiante deles, até que, chegando sobre onde estava o menino, parou. Vendo (novamente) a estrela, ficaram possuídos de grandíssima alegria. E, entrando na casa, viram o Menino com Maria, sai mãe e, prostrando-se o adoraram; e abrindo os seus tesouros, ofereceram-lhe presentes, ouro, incenso e mirra. E, avisados por Deus em sonhos para não tornarem a Herodes, voltaram por outro caminho para a sua terra. Tendo eles partido, eis que um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, e lhe disse: – Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito, e fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para lhe tirar a vida. E ele, levantando-se de note, tomou o menino e sua mãe, e retirou-se para o Egito; e lá esteve até a morte de Herodes, cumprindo-se deste modo o que tinha sido dito pelo Senhor, por meio do profeta que disse: Do Egito chamei o meu Filho (Mt. 2. 7-15) 3. A perda de Jesus em Jerusalém Seus pais iam todos os anos a Jerusalém, pela festa da Páscoa. Quando chegou aos doze anos, indo eles a Jerusalém segundo o costume daquela festa, acabados os dias (que ela durava), quando voltaram, ficou o Menino Jesus em Jerusalém, sem que seus pais o advertissem. Julgando que ele fosse na comitiva, caminharam uma jornada, e (depois) procuraram-no entre os parentes e conhecidos. Não o encontrando, voltaram a Jerusalém em busca dele. Aconteceu que, três dias depois, encontraram-no no templo, sentado no meio dos doutores, ouvindo-os e interrogando-os. E todos os que ouviam, estavam maravilhados da sua sabedoria e das suas respostas. Quando o viram, admiraram-se. E sua Mãe disse-lhe: – Filho, por que procedeste assim conosco? Eis que teu pai e eu te procurávamos cheios de aflição. Ele lhes disse: – Para que me buscáveis? Não sabíeis que devo ocupar-me nas coisas de meu Pai? Eles, porém, não entenderam o que lhes disse (Lc. 2, 41-50) 4. O encontro de Jesus no caminho do Calvário Quando o iam conduzindo, agarraram um certo (homem chamado) Simão Cireneu, que voltava
Exaltação Da Santa Cruz

O primeiro dia em que a Cruz foi exaltada, isto é, glorificada, foi aquele em que o Filho de Deus nela foi pregado para a salvação do mundo. Ele dissera: “Quando eu for exaltado, levantado sobre a terra, atrairei a mim todas as coisas”. Erguido na Cruz, atrai a si o ladrão penitente; atrai a si o centurião romano que glorifica a Deus e confessa que o homem que acaba de expirar é realmente um justo; atrai a si os judeus e os gentios, de Jerusalém a Roma. A Cruz aparece ao Imperador Constantino com as palavras: “Com este sinal vencerás”. Santa Helena, mãe de Constantino, torna a encontrar a Cruz do Calvário, enterrada sob ruínas. Numerosos milagres revelam-na e glorificam-na. Desde então a Exaltação, ou glorificação da Santa Cruz, se torna uma festa na Igreja. Santa Maria Egipciana, ainda pecadora, dispõe a adorá-la, mas só o consegue depois de resolver-se a fazer penitência pelos seus pecados. Essa festa ainda se torna mais solene no sétimo século, quando a Cruz foi transportada da Pérsia para Jerusalém pelo Imperador Hecáclio. No início do referido século, uma guerra sangrenta irrompeu entre os persas e os gregos. Essa guerra durou vinte e quatro anos, sendo que os dezoito primeiros constituíram para os gregos uma série contínua de derrotas. Em todo o Oriente, das ruínas da antiga Babilônia ao estreito de Constantinopla, cidades foram incendiadas e destruídas, campos devastados e abandonados sem cultura, habitantes degolados ou levados como cativos. Os persas invadiram sucessivamente a Armênia, a Mesopotâmia, a Capadócia e, em 610, chegaram às portas da Calcedônia. O advento de Heráclio não lhes interrompeu as devastações. No ano de 611, tomaram Edessa, Apaméia, Antioquia. Em 615, devastaram a Palestina e apossaram-se de Jerusalém. As igrejas, mesmo a do Santo Sepulcro, foram entregues às chamas; os habitantes, assim como o Patriarca Zacarias, levados em cativeiro. Os persas carregaram tudo quanto havia de mais precioso e, entre outras coisas, o lenho da verdadeira Cruz. O patrício Nicetas resgatou de um oficial persa, por uma avultada quantia, a santa esponja e a santa lança, que foram transportadas para Constantinopla e expostas à veneração dos fiéis. O imperador Heráclio permaneceu dez anos na inação. Como que despertou em 621 e iniciou uma série de campanhas nas quais não cessou de bater os persas. Corces, reis destes últimos, recusava todas as propostas de paz. Matara seu pai para reinar no lugar dele. Em 628 foi por sua vez assassinado por um de seus filhos, que lhe sucedeu. Siroes, o novo rei, tratou a paz com Heráclio, que lhe devolveu todos os cristãos cativos na Pérsia, entre eles Zacarias, Patriarca de Jerusalém e também a verdadeira Cruz, que Sabar carregara quando a cidade fora tomada, quatorze anos antes. Foi ela primeiramente transportada para Constantinopla; mas no ano seguinte, 629, o imperador Heráclio embarcou para levá-la de volta para Jerusalém e dar graças a Deus pelas vitórias obtidas. Lá chegando, tomou a cruz nos ombros, a fim de conduzi-la à Igreja do Calvário, no mesmo lugar e pelo mesmo caminho através do qual o Salvador a carregara. Como vencera os persas, o Imperador envergava roupas magníficas. Porém, ao chegar à porta que levava ao Calvário, sentiu-se detido à porta que levava ao Calvário, sentiu-se detido por mão invisível. Quanto mais se esforçava para avançar, mais se sentia contido. Todos se mostravam surpresos. Então o Patriarca Zacarias falou: Reparai, príncipe, se esses trajes pomposos imitam a humildade e a pobreza de Jesus cristo, o primeiro que transpôs esta porta sob o peso da Cruz? O Imperador compreendeu. Despojou-se de todos seus adornos, vestiu um hábito comum e, descalço, levou facilmente a Cruz até o Calvário, onde a colocou no seu lugar. Ela permanecia no seu estojo de prata, tal como fora levada; o patriarca, assim como o clero, verificou que os sinetes estavam perfeitos, abriu o envólucro com a chave, adorou o santo lenho, e mostrou-o ao povo. Este restabelecimento da Cruz tornou ainda mais solene a festa da sua Exaltação, já anteriormente celebrada. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, n. 188 à 190) The post Exaltação da Santa Cruz appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santo Amado, Abade De Lorena, E Seu Amigo São Romarico

Quando São Colombano deixou o mosteiro de Luxeuil, foi eleito abade Santo Eustásio, um dos embaixadores que o rei Clotário enviara no ano 613 a Colombano para fazê-lo retornar à Itália. Ao passar pelo mosteiro de Agaune, Santo Eustásio travou conhecimento com Santo Amat ou Amado, religioso dessa célebre comunidade, à qual seu pai Heliodoro, nobre romano de Grenovel, o consagrara desde a infância. Havia três anos que levava vida solitária na cova de um rochedo. Eustásio persuadiu-o a acompanhá-lo a Luxeuil. Ao ter conhecimento do raro talento com que anunciava a palavra de Deus, enviou-o à Austrais pregar a fé e a penitência. No decurso das suas missões, Amado alojou-se em casa do fidalgo Romarico, que acabava de recuperar, sob Clotário, a grande cópia de bens que perdera sob Teodorico, por haver-se mostrado fiel a Teodeberto. Um dia, quando estavam à mesa, Romarico, pediu-lhe que pregasse a palavra da salvação. “Vede esse prato de prata?” indagou Amado. Quantos senhores, ou melhor, quantos escravos já teve e quantos ainda há de ter? Também não sereis mais seu escrevo do que seu senhor, já que só o possuis para conservá-lo? Ficai ciente, porém, que vos serão pedidas contas um dia. Pois está escrito: “Vosso ouro e vossa prata criarão ferrugem e a ferrugem que os consome servirá de testemunho contra vós. É por isso que o Senhor disse: “Desgraçados de vós, ricos, que já fostes consolados! Santo homem, respondeu Romarico, rogo-vos permaneçais alguns dias em minha casa, a fim de ensinar-me o que devo fazer; pois já se realizou em mim o que eu desejava havia muito tempo. Surpreende-me, observou Amado, que sendo tão nobre, tão rico e tão esclarecido, não conheçais o que o Salvador respondeu a um jovem desejoso de tornar-se seu discípulo: Vendei tudo quanto possuís e daí o produto aos pobres. Alguns dias depois, Romarico deu liberdade a seus escravos, uma parte de seus bens aos pobres, o resto ao mosteiro de Luxeuil, no qual se fez monge, juntamente com a maioria de seus antigos servos. Romarico, por sua vez, tornou-se servo de todos. Sentia-se atraído para as tarefas mais abjetas. Gostava de cultivar o jardim e, sobretudo, não cessava de aprender de cor os salmos. A conselho de Santo Amado e de Santo Eustásio mandou construir em terras dos Vosges, de que ainda não dispusera, um duplo mosteiro segundo as regras de São Colombano; um de mulheres, de maiores proporções, dedicado a São Pedro, e do qual Santa Mactefleda foi a primeira abadessa, e outro para homens, governado por Santo Amado, que, juntamente com Santo Romarico também foi encarregado da direção das religiosas. Como ao mosteiro dessas últimas afluísse grande número de religiosas, o santo abade nele estabeleceu a salmodia perpétua; para isso dividiu-as em sete coros, de doze religiosos casa um, a fim de que pudessem revesar-se para cantos e louvores a Deus, sem interrupção. Esse mosteiro, que então se chamava Habend, tomou mais tarde o nome de seu fundador, assim como a cidade que se formou à sua volta. Chamaram-no Remiremont, em alemão Rombsberg, isto é, montanha de Romarico. Os dois amigos tinham um terceiro, que fora antepassado de Carlos Magno; Arnulfo, a princípio primeiro senhor, primeiro ministro do reino da Austrásia, depois bispo de Metz; tendo este, finalmente, renunciado a todas as coisas profanas e distribuído seus bens aos pobres, recolheu-se, também pobre, à solidão que o amigo Romarico lhe preparara nos Vosges, não longe do seu mosteiro. Esse grande senhor, antepassado de tantos heróis e de tantos reis, servia com suas próprias mãos os monges e os lepreosos, limpava-lhes as sandálias, lavava-lhes os pés, fazia-lhes as camas e preparava-lhes a comida, enquanto sofria fome. Morreu na prática desses exercícios de humildade e caridade, no ano 640, entre as mãos de São Romarico, que o enterrou no seu mosteiro. Porém, no ano seguinte, São Goerico, acompanhado de dois outros bispos, Paulode Verdum e Theofroi de Toul, foi ao mosteiro, exumou os despojos de Arnulfo e trasladou-os para Metz, no dia 18 de junho, data na qual a Igreja lhe reverencia a memória. Entrementes, um monte intrigante, chamado Agrestino, indispusera Santo Amado e São Romarico contra Santo Eustásio, amigo de ambos. Bem depressa estes últimos perceberam que haviam sido enganados e repararam com redobrado fervor o erro cometido. Santo Amado, um ano antes da morte, mandou colocar na cama um saco cheio de cinzas, explicando que precisava fazer uma grande penitência para compensar algumas culpas que lhe pesavam. Depois de ter deitado na cinza e de cobrir-se com um cilício, confessou em voz alta todos os pecados na presença dos religiosos, Perseverou nas austeridades durante o ano inteiro e praticou várias outras mortificações, que de tão modo o extenuaram, que os ossos lhe furaram a pele. Morreu cerca do ano 627, e no seu túmulo, na entrada da Igreja da Virgem, foi gravado o seguinte epitáfio por ele próprio ditado: Homem de Deus que entrais neste santo lugar para orar, implorai a misericórdia divina para a alma de Amado, penitente, que aqui está sepultado, a fim de que, se a tibieza da minha penitência tiver deixado algumas dívidas dos meus pecados, vossa caridade e vossas orações me obtenham a inteira remissão. São Romarico que lhe sucedeu no cargo de abade, governou cerca de vinte e seis anos os monges e as religiosas de Remiremont, de acordo com a regra de Colombano, a que novamente obedeciam. De outro lado, os bispos que, influenciados pelas insinuações de Agrestino, se tinham declarado contra o instituto, finalmente lhe fizeram justiça e empenharam-se em estabelecê-lo em suas dioceses. A tempestade teve como único resultado fortalecê-lo cada vez mais. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 166 à 169) The post Santo Amado, Abade de Lorena, e seu amigo São Romarico appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santo Amado, Abade De Lorena, E Seu Amigo São Romarico

Quando São Colombano deixou o mosteiro de Luxeuil, foi eleito abade Santo Eustásio, um dos embaixadores que o rei Clotário enviara no ano 613 a Colombano para fazê-lo retornar à Itália. Ao passar pelo mosteiro de Agaune, Santo Eustásio travou conhecimento com Santo Amat ou Amado, religioso dessa célebre comunidade, à qual seu pai Heliodoro, nobre romano de Grenovel, o consagrara desde a infância. Havia três anos que levava vida solitária na cova de um rochedo. Eustásio persuadiu-o a acompanhá-lo a Luxeuil. Ao ter conhecimento do raro talento com que anunciava a palavra de Deus, enviou-o à Austrais pregar a fé e a penitência. No decurso das suas missões, Amado alojou-se em casa do fidalgo Romarico, que acabava de recuperar, sob Clotário, a grande cópia de bens que perdera sob Teodorico, por haver-se mostrado fiel a Teodeberto. Um dia, quando estavam à mesa, Romarico, pediu-lhe que pregasse a palavra da salvação. “Vede esse prato de prata?” indagou Amado. Quantos senhores, ou melhor, quantos escravos já teve e quantos ainda há de ter? Também não sereis mais seu escrevo do que seu senhor, já que só o possuis para conservá-lo? Ficai ciente, porém, que vos serão pedidas contas um dia. Pois está escrito: “Vosso ouro e vossa prata criarão ferrugem e a ferrugem que os consome servirá de testemunho contra vós. É por isso que o Senhor disse: “Desgraçados de vós, ricos, que já fostes consolados! Santo homem, respondeu Romarico, rogo-vos permaneçais alguns dias em minha casa, a fim de ensinar-me o que devo fazer; pois já se realizou em mim o que eu desejava havia muito tempo. Surpreende-me, observou Amado, que sendo tão nobre, tão rico e tão esclarecido, não conheçais o que o Salvador respondeu a um jovem desejoso de tornar-se seu discípulo: Vendei tudo quanto possuís e daí o produto aos pobres. Alguns dias depois, Romarico deu liberdade a seus escravos, uma parte de seus bens aos pobres, o resto ao mosteiro de Luxeuil, no qual se fez monge, juntamente com a maioria de seus antigos servos. Romarico, por sua vez, tornou-se servo de todos. Sentia-se atraído para as tarefas mais abjetas. Gostava de cultivar o jardim e, sobretudo, não cessava de aprender de cor os salmos. A conselho de Santo Amado e de Santo Eustásio mandou construir em terras dos Vosges, de que ainda não dispusera, um duplo mosteiro segundo as regras de São Colombano; um de mulheres, de maiores proporções, dedicado a São Pedro, e do qual Santa Mactefleda foi a primeira abadessa, e outro para homens, governado por Santo Amado, que, juntamente com Santo Romarico também foi encarregado da direção das religiosas. Como ao mosteiro dessas últimas afluísse grande número de religiosas, o santo abade nele estabeleceu a salmodia perpétua; para isso dividiu-as em sete coros, de doze religiosos casa um, a fim de que pudessem revesar-se para cantos e louvores a Deus, sem interrupção. Esse mosteiro, que então se chamava Habend, tomou mais tarde o nome de seu fundador, assim como a cidade que se formou à sua volta. Chamaram-no Remiremont, em alemão Rombsberg, isto é, montanha de Romarico. Os dois amigos tinham um terceiro, que fora antepassado de Carlos Magno; Arnulfo, a princípio primeiro senhor, primeiro ministro do reino da Austrásia, depois bispo de Metz; tendo este, finalmente, renunciado a todas as coisas profanas e distribuído seus bens aos pobres, recolheu-se, também pobre, à solidão que o amigo Romarico lhe preparara nos Vosges, não longe do seu mosteiro. Esse grande senhor, antepassado de tantos heróis e de tantos reis, servia com suas próprias mãos os monges e os lepreosos, limpava-lhes as sandálias, lavava-lhes os pés, fazia-lhes as camas e preparava-lhes a comida, enquanto sofria fome. Morreu na prática desses exercícios de humildade e caridade, no ano 640, entre as mãos de São Romarico, que o enterrou no seu mosteiro. Porém, no ano seguinte, São Goerico, acompanhado de dois outros bispos, Paulode Verdum e Theofroi de Toul, foi ao mosteiro, exumou os despojos de Arnulfo e trasladou-os para Metz, no dia 18 de junho, data na qual a Igreja lhe reverencia a memória. Entrementes, um monte intrigante, chamado Agrestino, indispusera Santo Amado e São Romarico contra Santo Eustásio, amigo de ambos. Bem depressa estes últimos perceberam que haviam sido enganados e repararam com redobrado fervor o erro cometido. Santo Amado, um ano antes da morte, mandou colocar na cama um saco cheio de cinzas, explicando que precisava fazer uma grande penitência para compensar algumas culpas que lhe pesavam. Depois de ter deitado na cinza e de cobrir-se com um cilício, confessou em voz alta todos os pecados na presença dos religiosos, Perseverou nas austeridades durante o ano inteiro e praticou várias outras mortificações, que de tão modo o extenuaram, que os ossos lhe furaram a pele. Morreu cerca do ano 627, e no seu túmulo, na entrada da Igreja da Virgem, foi gravado o seguinte epitáfio por ele próprio ditado: Homem de Deus que entrais neste santo lugar para orar, implorai a misericórdia divina para a alma de Amado, penitente, que aqui está sepultado, a fim de que, se a tibieza da minha penitência tiver deixado algumas dívidas dos meus pecados, vossa caridade e vossas orações me obtenham a inteira remissão. São Romarico que lhe sucedeu no cargo de abade, governou cerca de vinte e seis anos os monges e as religiosas de Remiremont, de acordo com a regra de Colombano, a que novamente obedeciam. De outro lado, os bispos que, influenciados pelas insinuações de Agrestino, se tinham declarado contra o instituto, finalmente lhe fizeram justiça e empenharam-se em estabelecê-lo em suas dioceses. A tempestade teve como único resultado fortalecê-lo cada vez mais. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 166 à 169) The post Santo Amado, Abade de Lorena, e seu amigo São Romarico appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santo Amado, Abade De Lorena, E Seu Amigo São Romarico

Quando São Colombano deixou o mosteiro de Luxeuil, foi eleito abade Santo Eustásio, um dos embaixadores que o rei Clotário enviara no ano 613 a Colombano para fazê-lo retornar à Itália. Ao passar pelo mosteiro de Agaune, Santo Eustásio travou conhecimento com Santo Amat ou Amado, religioso dessa célebre comunidade, à qual seu pai Heliodoro, nobre romano de Grenovel, o consagrara desde a infância. Havia três anos que levava vida solitária na cova de um rochedo. Eustásio persuadiu-o a acompanhá-lo a Luxeuil. Ao ter conhecimento do raro talento com que anunciava a palavra de Deus, enviou-o à Austrais pregar a fé e a penitência. No decurso das suas missões, Amado alojou-se em casa do fidalgo Romarico, que acabava de recuperar, sob Clotário, a grande cópia de bens que perdera sob Teodorico, por haver-se mostrado fiel a Teodeberto. Um dia, quando estavam à mesa, Romarico, pediu-lhe que pregasse a palavra da salvação. “Vede esse prato de prata?” indagou Amado. Quantos senhores, ou melhor, quantos escravos já teve e quantos ainda há de ter? Também não sereis mais seu escrevo do que seu senhor, já que só o possuis para conservá-lo? Ficai ciente, porém, que vos serão pedidas contas um dia. Pois está escrito: “Vosso ouro e vossa prata criarão ferrugem e a ferrugem que os consome servirá de testemunho contra vós. É por isso que o Senhor disse: “Desgraçados de vós, ricos, que já fostes consolados! Santo homem, respondeu Romarico, rogo-vos permaneçais alguns dias em minha casa, a fim de ensinar-me o que devo fazer; pois já se realizou em mim o que eu desejava havia muito tempo. Surpreende-me, observou Amado, que sendo tão nobre, tão rico e tão esclarecido, não conheçais o que o Salvador respondeu a um jovem desejoso de tornar-se seu discípulo: Vendei tudo quanto possuís e daí o produto aos pobres. Alguns dias depois, Romarico deu liberdade a seus escravos, uma parte de seus bens aos pobres, o resto ao mosteiro de Luxeuil, no qual se fez monge, juntamente com a maioria de seus antigos servos. Romarico, por sua vez, tornou-se servo de todos. Sentia-se atraído para as tarefas mais abjetas. Gostava de cultivar o jardim e, sobretudo, não cessava de aprender de cor os salmos. A conselho de Santo Amado e de Santo Eustásio mandou construir em terras dos Vosges, de que ainda não dispusera, um duplo mosteiro segundo as regras de São Colombano; um de mulheres, de maiores proporções, dedicado a São Pedro, e do qual Santa Mactefleda foi a primeira abadessa, e outro para homens, governado por Santo Amado, que, juntamente com Santo Romarico também foi encarregado da direção das religiosas. Como ao mosteiro dessas últimas afluísse grande número de religiosas, o santo abade nele estabeleceu a salmodia perpétua; para isso dividiu-as em sete coros, de doze religiosos casa um, a fim de que pudessem revesar-se para cantos e louvores a Deus, sem interrupção. Esse mosteiro, que então se chamava Habend, tomou mais tarde o nome de seu fundador, assim como a cidade que se formou à sua volta. Chamaram-no Remiremont, em alemão Rombsberg, isto é, montanha de Romarico. Os dois amigos tinham um terceiro, que fora antepassado de Carlos Magno; Arnulfo, a princípio primeiro senhor, primeiro ministro do reino da Austrásia, depois bispo de Metz; tendo este, finalmente, renunciado a todas as coisas profanas e distribuído seus bens aos pobres, recolheu-se, também pobre, à solidão que o amigo Romarico lhe preparara nos Vosges, não longe do seu mosteiro. Esse grande senhor, antepassado de tantos heróis e de tantos reis, servia com suas próprias mãos os monges e os lepreosos, limpava-lhes as sandálias, lavava-lhes os pés, fazia-lhes as camas e preparava-lhes a comida, enquanto sofria fome. Morreu na prática desses exercícios de humildade e caridade, no ano 640, entre as mãos de São Romarico, que o enterrou no seu mosteiro. Porém, no ano seguinte, São Goerico, acompanhado de dois outros bispos, Paulode Verdum e Theofroi de Toul, foi ao mosteiro, exumou os despojos de Arnulfo e trasladou-os para Metz, no dia 18 de junho, data na qual a Igreja lhe reverencia a memória. Entrementes, um monte intrigante, chamado Agrestino, indispusera Santo Amado e São Romarico contra Santo Eustásio, amigo de ambos. Bem depressa estes últimos perceberam que haviam sido enganados e repararam com redobrado fervor o erro cometido. Santo Amado, um ano antes da morte, mandou colocar na cama um saco cheio de cinzas, explicando que precisava fazer uma grande penitência para compensar algumas culpas que lhe pesavam. Depois de ter deitado na cinza e de cobrir-se com um cilício, confessou em voz alta todos os pecados na presença dos religiosos, Perseverou nas austeridades durante o ano inteiro e praticou várias outras mortificações, que de tão modo o extenuaram, que os ossos lhe furaram a pele. Morreu cerca do ano 627, e no seu túmulo, na entrada da Igreja da Virgem, foi gravado o seguinte epitáfio por ele próprio ditado: Homem de Deus que entrais neste santo lugar para orar, implorai a misericórdia divina para a alma de Amado, penitente, que aqui está sepultado, a fim de que, se a tibieza da minha penitência tiver deixado algumas dívidas dos meus pecados, vossa caridade e vossas orações me obtenham a inteira remissão. São Romarico que lhe sucedeu no cargo de abade, governou cerca de vinte e seis anos os monges e as religiosas de Remiremont, de acordo com a regra de Colombano, a que novamente obedeciam. De outro lado, os bispos que, influenciados pelas insinuações de Agrestino, se tinham declarado contra o instituto, finalmente lhe fizeram justiça e empenharam-se em estabelecê-lo em suas dioceses. A tempestade teve como único resultado fortalecê-lo cada vez mais. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 166 à 169) The post Santo Amado, Abade de Lorena, e seu amigo São Romarico appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santo Amado, Abade De Lorena, E Seu Amigo São Romarico

Quando São Colombano deixou o mosteiro de Luxeuil, foi eleito abade Santo Eustásio, um dos embaixadores que o rei Clotário enviara no ano 613 a Colombano para fazê-lo retornar à Itália. Ao passar pelo mosteiro de Agaune, Santo Eustásio travou conhecimento com Santo Amat ou Amado, religioso dessa célebre comunidade, à qual seu pai Heliodoro, nobre romano de Grenovel, o consagrara desde a infância. Havia três anos que levava vida solitária na cova de um rochedo. Eustásio persuadiu-o a acompanhá-lo a Luxeuil. Ao ter conhecimento do raro talento com que anunciava a palavra de Deus, enviou-o à Austrais pregar a fé e a penitência. No decurso das suas missões, Amado alojou-se em casa do fidalgo Romarico, que acabava de recuperar, sob Clotário, a grande cópia de bens que perdera sob Teodorico, por haver-se mostrado fiel a Teodeberto. Um dia, quando estavam à mesa, Romarico, pediu-lhe que pregasse a palavra da salvação. “Vede esse prato de prata?” indagou Amado. Quantos senhores, ou melhor, quantos escravos já teve e quantos ainda há de ter? Também não sereis mais seu escrevo do que seu senhor, já que só o possuis para conservá-lo? Ficai ciente, porém, que vos serão pedidas contas um dia. Pois está escrito: “Vosso ouro e vossa prata criarão ferrugem e a ferrugem que os consome servirá de testemunho contra vós. É por isso que o Senhor disse: “Desgraçados de vós, ricos, que já fostes consolados! Santo homem, respondeu Romarico, rogo-vos permaneçais alguns dias em minha casa, a fim de ensinar-me o que devo fazer; pois já se realizou em mim o que eu desejava havia muito tempo. Surpreende-me, observou Amado, que sendo tão nobre, tão rico e tão esclarecido, não conheçais o que o Salvador respondeu a um jovem desejoso de tornar-se seu discípulo: Vendei tudo quanto possuís e daí o produto aos pobres. Alguns dias depois, Romarico deu liberdade a seus escravos, uma parte de seus bens aos pobres, o resto ao mosteiro de Luxeuil, no qual se fez monge, juntamente com a maioria de seus antigos servos. Romarico, por sua vez, tornou-se servo de todos. Sentia-se atraído para as tarefas mais abjetas. Gostava de cultivar o jardim e, sobretudo, não cessava de aprender de cor os salmos. A conselho de Santo Amado e de Santo Eustásio mandou construir em terras dos Vosges, de que ainda não dispusera, um duplo mosteiro segundo as regras de São Colombano; um de mulheres, de maiores proporções, dedicado a São Pedro, e do qual Santa Mactefleda foi a primeira abadessa, e outro para homens, governado por Santo Amado, que, juntamente com Santo Romarico também foi encarregado da direção das religiosas. Como ao mosteiro dessas últimas afluísse grande número de religiosas, o santo abade nele estabeleceu a salmodia perpétua; para isso dividiu-as em sete coros, de doze religiosos casa um, a fim de que pudessem revesar-se para cantos e louvores a Deus, sem interrupção. Esse mosteiro, que então se chamava Habend, tomou mais tarde o nome de seu fundador, assim como a cidade que se formou à sua volta. Chamaram-no Remiremont, em alemão Rombsberg, isto é, montanha de Romarico. Os dois amigos tinham um terceiro, que fora antepassado de Carlos Magno; Arnulfo, a princípio primeiro senhor, primeiro ministro do reino da Austrásia, depois bispo de Metz; tendo este, finalmente, renunciado a todas as coisas profanas e distribuído seus bens aos pobres, recolheu-se, também pobre, à solidão que o amigo Romarico lhe preparara nos Vosges, não longe do seu mosteiro. Esse grande senhor, antepassado de tantos heróis e de tantos reis, servia com suas próprias mãos os monges e os lepreosos, limpava-lhes as sandálias, lavava-lhes os pés, fazia-lhes as camas e preparava-lhes a comida, enquanto sofria fome. Morreu na prática desses exercícios de humildade e caridade, no ano 640, entre as mãos de São Romarico, que o enterrou no seu mosteiro. Porém, no ano seguinte, São Goerico, acompanhado de dois outros bispos, Paulode Verdum e Theofroi de Toul, foi ao mosteiro, exumou os despojos de Arnulfo e trasladou-os para Metz, no dia 18 de junho, data na qual a Igreja lhe reverencia a memória. Entrementes, um monte intrigante, chamado Agrestino, indispusera Santo Amado e São Romarico contra Santo Eustásio, amigo de ambos. Bem depressa estes últimos perceberam que haviam sido enganados e repararam com redobrado fervor o erro cometido. Santo Amado, um ano antes da morte, mandou colocar na cama um saco cheio de cinzas, explicando que precisava fazer uma grande penitência para compensar algumas culpas que lhe pesavam. Depois de ter deitado na cinza e de cobrir-se com um cilício, confessou em voz alta todos os pecados na presença dos religiosos, Perseverou nas austeridades durante o ano inteiro e praticou várias outras mortificações, que de tão modo o extenuaram, que os ossos lhe furaram a pele. Morreu cerca do ano 627, e no seu túmulo, na entrada da Igreja da Virgem, foi gravado o seguinte epitáfio por ele próprio ditado: Homem de Deus que entrais neste santo lugar para orar, implorai a misericórdia divina para a alma de Amado, penitente, que aqui está sepultado, a fim de que, se a tibieza da minha penitência tiver deixado algumas dívidas dos meus pecados, vossa caridade e vossas orações me obtenham a inteira remissão. São Romarico que lhe sucedeu no cargo de abade, governou cerca de vinte e seis anos os monges e as religiosas de Remiremont, de acordo com a regra de Colombano, a que novamente obedeciam. De outro lado, os bispos que, influenciados pelas insinuações de Agrestino, se tinham declarado contra o instituto, finalmente lhe fizeram justiça e empenharam-se em estabelecê-lo em suas dioceses. A tempestade teve como único resultado fortalecê-lo cada vez mais. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 166 à 169) The post Santo Amado, Abade de Lorena, e seu amigo São Romarico appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santo Amado, Abade De Lorena, E Seu Amigo São Romarico

Quando São Colombano deixou o mosteiro de Luxeuil, foi eleito abade Santo Eustásio, um dos embaixadores que o rei Clotário enviara no ano 613 a Colombano para fazê-lo retornar à Itália. Ao passar pelo mosteiro de Agaune, Santo Eustásio travou conhecimento com Santo Amat ou Amado, religioso dessa célebre comunidade, à qual seu pai Heliodoro, nobre romano de Grenovel, o consagrara desde a infância. Havia três anos que levava vida solitária na cova de um rochedo. Eustásio persuadiu-o a acompanhá-lo a Luxeuil. Ao ter conhecimento do raro talento com que anunciava a palavra de Deus, enviou-o à Austrais pregar a fé e a penitência. No decurso das suas missões, Amado alojou-se em casa do fidalgo Romarico, que acabava de recuperar, sob Clotário, a grande cópia de bens que perdera sob Teodorico, por haver-se mostrado fiel a Teodeberto. Um dia, quando estavam à mesa, Romarico, pediu-lhe que pregasse a palavra da salvação. “Vede esse prato de prata?” indagou Amado. Quantos senhores, ou melhor, quantos escravos já teve e quantos ainda há de ter? Também não sereis mais seu escrevo do que seu senhor, já que só o possuis para conservá-lo? Ficai ciente, porém, que vos serão pedidas contas um dia. Pois está escrito: “Vosso ouro e vossa prata criarão ferrugem e a ferrugem que os consome servirá de testemunho contra vós. É por isso que o Senhor disse: “Desgraçados de vós, ricos, que já fostes consolados! Santo homem, respondeu Romarico, rogo-vos permaneçais alguns dias em minha casa, a fim de ensinar-me o que devo fazer; pois já se realizou em mim o que eu desejava havia muito tempo. Surpreende-me, observou Amado, que sendo tão nobre, tão rico e tão esclarecido, não conheçais o que o Salvador respondeu a um jovem desejoso de tornar-se seu discípulo: Vendei tudo quanto possuís e daí o produto aos pobres. Alguns dias depois, Romarico deu liberdade a seus escravos, uma parte de seus bens aos pobres, o resto ao mosteiro de Luxeuil, no qual se fez monge, juntamente com a maioria de seus antigos servos. Romarico, por sua vez, tornou-se servo de todos. Sentia-se atraído para as tarefas mais abjetas. Gostava de cultivar o jardim e, sobretudo, não cessava de aprender de cor os salmos. A conselho de Santo Amado e de Santo Eustásio mandou construir em terras dos Vosges, de que ainda não dispusera, um duplo mosteiro segundo as regras de São Colombano; um de mulheres, de maiores proporções, dedicado a São Pedro, e do qual Santa Mactefleda foi a primeira abadessa, e outro para homens, governado por Santo Amado, que, juntamente com Santo Romarico também foi encarregado da direção das religiosas. Como ao mosteiro dessas últimas afluísse grande número de religiosas, o santo abade nele estabeleceu a salmodia perpétua; para isso dividiu-as em sete coros, de doze religiosos casa um, a fim de que pudessem revesar-se para cantos e louvores a Deus, sem interrupção. Esse mosteiro, que então se chamava Habend, tomou mais tarde o nome de seu fundador, assim como a cidade que se formou à sua volta. Chamaram-no Remiremont, em alemão Rombsberg, isto é, montanha de Romarico. Os dois amigos tinham um terceiro, que fora antepassado de Carlos Magno; Arnulfo, a princípio primeiro senhor, primeiro ministro do reino da Austrásia, depois bispo de Metz; tendo este, finalmente, renunciado a todas as coisas profanas e distribuído seus bens aos pobres, recolheu-se, também pobre, à solidão que o amigo Romarico lhe preparara nos Vosges, não longe do seu mosteiro. Esse grande senhor, antepassado de tantos heróis e de tantos reis, servia com suas próprias mãos os monges e os lepreosos, limpava-lhes as sandálias, lavava-lhes os pés, fazia-lhes as camas e preparava-lhes a comida, enquanto sofria fome. Morreu na prática desses exercícios de humildade e caridade, no ano 640, entre as mãos de São Romarico, que o enterrou no seu mosteiro. Porém, no ano seguinte, São Goerico, acompanhado de dois outros bispos, Paulode Verdum e Theofroi de Toul, foi ao mosteiro, exumou os despojos de Arnulfo e trasladou-os para Metz, no dia 18 de junho, data na qual a Igreja lhe reverencia a memória. Entrementes, um monte intrigante, chamado Agrestino, indispusera Santo Amado e São Romarico contra Santo Eustásio, amigo de ambos. Bem depressa estes últimos perceberam que haviam sido enganados e repararam com redobrado fervor o erro cometido. Santo Amado, um ano antes da morte, mandou colocar na cama um saco cheio de cinzas, explicando que precisava fazer uma grande penitência para compensar algumas culpas que lhe pesavam. Depois de ter deitado na cinza e de cobrir-se com um cilício, confessou em voz alta todos os pecados na presença dos religiosos, Perseverou nas austeridades durante o ano inteiro e praticou várias outras mortificações, que de tão modo o extenuaram, que os ossos lhe furaram a pele. Morreu cerca do ano 627, e no seu túmulo, na entrada da Igreja da Virgem, foi gravado o seguinte epitáfio por ele próprio ditado: Homem de Deus que entrais neste santo lugar para orar, implorai a misericórdia divina para a alma de Amado, penitente, que aqui está sepultado, a fim de que, se a tibieza da minha penitência tiver deixado algumas dívidas dos meus pecados, vossa caridade e vossas orações me obtenham a inteira remissão. São Romarico que lhe sucedeu no cargo de abade, governou cerca de vinte e seis anos os monges e as religiosas de Remiremont, de acordo com a regra de Colombano, a que novamente obedeciam. De outro lado, os bispos que, influenciados pelas insinuações de Agrestino, se tinham declarado contra o instituto, finalmente lhe fizeram justiça e empenharam-se em estabelecê-lo em suas dioceses. A tempestade teve como único resultado fortalecê-lo cada vez mais. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 166 à 169) The post Santo Amado, Abade de Lorena, e seu amigo São Romarico appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
São Guido, Confessor

São Guido teria nascido em 950 no Brabante, filho de camponeses. Piedoso, boníssimo para com os pobres, acabou por chamar a atenção do cura de Laeken, não longe de Bruxelas, o qual cura o fez sacristão. Sendo embaido por um mercador sem escrúpulos, que lhe disse que se se unisse a ele, nos negócios, triplicaria os ganhos e assim mais esmolas poderia fazer, Guido, deixando o cargo que lhe dera o bom cura, acompanhou o desonesto, que outra coisa não desejava senão um sócio inexperiente, que espertamente havia de controlar. Depois de uma séria de contratempos, de duros ridículos, tendo caído em si, abandonou aquela vida e aquele sócio e, para fazer penitência, peregrinou sete anos por Roma e Jerusalém. De volta à pátria, fixou-se em Anderlecht, perto de Bruxelas, e ali faleceu, após vida muito santa e mortificada, a 12 de setembro de 1012. Ocorridos alguns milagres à tumba de São Guido, tumba que vivia esquecida e abandonada, multidões dirigiram-se ao lugar que jazia enterrado, para lhe pedir favores. Local de peregrinações, logo ali se erigiu um oratório dedicado a Nossa Senhora e, em 1076, um templo se ergueu em honra do santo confessor. Foto: santiebeati.it (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XVI, p. 163-164) The post São Guido, Confessor appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santo João Gabriel Perboyre, Um Vicentino Na China

João Gabriel Perboyre nasceu em 5 de janeiro de 1802, em Puech, lugarejo da paróquia de Montgesty, na diocese de Cahors, na França. João Gabriel era um dos oito filhos de Maria Rigal e de Pierre Perboyre. A família possuía uma fazenda que os fazia viver e João Gabriel crescia numa família muito católica. Jacques Jean, o irmão de seu pai, era sacerdote da Congregação da Missão (Lazarista). Estava em missão no Seminário Vicentino, em Montauban, e trabalhava na formação dos futuros Padres. A família Perboyre tinha por ele uma grande amizade, assim como os dezessete primos e sobrinhos da família que passaram pelas mãos deste tio Jacques, no Seminário de Montaubam. Em 1816, Luís, irmãozinho de João Gabriel, foi enviado a este mesmo Seminário e João Gabriel o acompanhou durante os meses de inverno, para aí prosseguir seus estudos. Na primavera, quando João Gabriel deveria regressar à fazenda, sob a direção de seu tio, sente o apelo de Deus para ser sacerdote. Em 15 de dezembro de 1818, João Gabriel entrou na Congregação da Missão, em Montauban. No dia 23 de setembro de 1825 foi ordenado sacerdote por Dom William Dubourg, da diocese da Nova-Orleans, nos Estados Unidos, na Capela das Filhas da Caridade, à rua do Bac, em Paris. Ensina por um tempo Teologia no Seminário de Saint Flour e foi Diretor do Pensionato da mesma cidade, quando foi chamado a Paris, em 1832, para ser Diretor do Seminário Interno da Congregação da Missão. João Gabriel, porém, queria partir para a missão da China. Em 29 de agosto de 1835, chegou a Macao, a porta de entrada às missões, na China. Depois de ter trabalhado em numerosas atividades apostólicas em Ho-Nan, apesar dos perigos e das perseguições, foi traído e feito prisioneiro, em setembro de 1839. No dia 11 de setembro de 1840, em Ou-Tchang-Fou, depois de uma longa e terrível tortura, foi pendurado numa cruz e estrangulado com uma corda. João Gabriel foi beatificado em 10 de novembro de 1889, pelo Papa Leão XIII e canonizado por João Paulo II, no dia 2 de junho de 1996. Seu corpo foi transportado a São Lázaro, Casa-Mãe dos Lazaristas, vinte anos depois de sua morte. Fonte: http://bit.ly/2x5tenw The post Santo João Gabriel Perboyre, um vicentino na China appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho