São Lourenço, Arcebispo

Era Lourenço o mais jovem filho de Maurício, príncipe rico e poderoso da província de Leinster. Maurício aproveitou-se do nascimento do filho para terminar as querelas que tinha com Donald, conde de Kildare. Para tanto, ao conde convidou como padrinho, indo a Kildare, onde Lourenço recebeu o batismo. Quando menino completou dez anos, deu-o o pai a Dermith, rei de Meath, como refém. Em companhia deste príncipe, sofreu Lourenço, terrivelmente, sendo tratado com a maior desumanidade. A saúde foi-lhe, em breve, reduzida ao estado mais precário. Maurício, ao saber o que se passava, forçou Dermith a devolver-lhe o filho, que foi entregue ao bispo de Glendenoc, o qual teve o cuidado de elevá-lo na piedade, entregando-o ao pai, em seguida. Maurício foi agradecer ao prelado, e pensava que seria melhor deixar-lhe o filho, então com doze anos. Disse ao bispo que tinha quatro filhos, sentindo grande desejo de, pelo menos um, ser consagrado ao serviço de Deus. Estava tentado a lançar à sorte, para ver a quem caberia dedicar-se ao Todo-poderoso. Lourenço, que ouvia a conversa do pai, sentiu-se muito satisfeito, uma vez que estava, havia tempo, à espera de tal oportunidade para revelar os sentimentos que lhe iam pela alma. Apressadamente, adiantou-se: – Não há necessidade de lançar mão da sorte, meu pai. Não desejo, e já de longa data, senão dedicar-me a Deus, ao serviço da Igreja. Maurício, satisfeito, tomou-o pela mão, para oferecê-lo ao Senhor. E, cheio de júbilo, disse ao jovem: – Fica sob a proteção de São Coemgin, filho, o bom protetor e patrono da diocese. Esse santo Coemgin fora um santo abade muito humilde, que vivera no século VI, naquele mesmo lugar. Entregue ao bispo, ficou Lourenço debaixo dos cuidados do bom prelado, que via o protegido avançar, de dia para dia, sempre e sempre, na prática de todas as virtudes. Lourenço não completara ainda vinte e cinco anos, quando a morte veio a busca do bispo de Glendenoc, que, ao mesmo tempo, era abade do mosteiro daquela cidade. Foi, então, o jovem eleito bispo, mas não quis aceitar o episcopado, já que as disposições canônicas exigiam que o eleito tivesse trinta anos. São Lourenço contudo, passou a governar a comunidade, que era muito numerosa, com piedade e sabedoria incomparáveis. Durante a assolação de uma fome terrível, que durou pouco mais de quatro meses, foi o jovem, como outro José, o salvador do país, pelas imensas caridades. Deus queria, entretanto, que sua virtude fosse temperada e sublimada pelas provas. Falsos irmãos, que nele, invejosos, não vislumbravam nenhuma irregularidade na conduta, cheios de rancor pelo zelo que o santo moço empregava em tudo, espicaçados pelo demônio, principiaram a caluniá-lo, para manchar-lhe a reputação. Lourenço repelia-os com o silêncio, a serenidade e a paciência. Os inimigos viram-se confundidos, e a virtude venceu: era a justiça que o Santo merecia. Entrementes Gregório, arcebispo de Dublin, falecia. Lourenço, sucedeu-lhe, não mais podendo alegar a pouca idade, porque já completara os trinta. Assim, Gelásio, arcebispo de Armagh, ordenou-o. São Lourenço, impôs-se um dever: desincumbir-se das obrigações com infatigável aplicação, e velar pela própria fé e pela daqueles que iria governar. Tinha sempre presente a preocupação de, um dia, ir prestar contas ao soberano Pastor das almas confiadas ao seu cuidado, e não desejava negligenciar, que Deus o livrasse, absolutamente. As exortações, cheias de força, que lançava, produziam grandes frutos por toda a parte. Nunca, mercê de Deus, ruborizou-se ao falar desta ou daquela virtude, porque as praticava todas, e era o exemplo em pessoa. Sua catedral, chamada da Santa Trindade, fora levantada por cônegos regulares. Lourenço induziu-os, lá por 1163, a receber a regra dos cônegos seculares da abadia de Arrouaise, fundada, depois de oitenta anos, na diocese de Arras, e que gozava de grande reputação de santidade, vindo a ser a cabeça duma numerosa congregação. Lourenço tomou o hábito de cônego regular. Almoçava e jantava no refeitório o silêncio nas horas prescritas e a assistia às matinas, que se diziam à meia-noite. Ordinariamente, ficava na igreja até o amanhecer, depois do que ao cemitério orar pelos mortos. Lourenço jamais comeu carne. Jejuava todas as sextas-feiras, passando a pão e água, não se alimentando, naqueles dias, com mais nada. Estava sempre de posse dum cilício, e frequentemente se disciplinava. Independentemente dos infelizes a quem assistia com esmolas, levava ao palácio, todos os dias, para almoçar, trinta pobres: às vezes, até mais. Tinha o mesmo zelo pelas necessidades espirituais do rebanho que lhe coubera governar. Pregava, com freqüência, a palavra de Deus. Para reanimar o fervor, de quando em quando se retirava para a solidão, o que fazia, quase sempre, no mosteiro de Glendenoc, onde um dos sobrinhos era abade. Gostava, porém, e para lá ia, duma gruta situada a pouca distância do mosteiro, na qual outrora vivera São Coemgin. Quando saía do retiro, como outro Moisés que vinha de falar com Deus, parecia cheio dum fogo celeste e duma luz toda divina. Tal era São Lourenço de Dublin. Em 1179, no concílio ecumênico de Latrão, o Papa Alexandre III nomeou-o legado na Irlanda. Anteriormente, já estivera em Cantuária, e quase fora morto, de maneira assaz estranha. Fora procurar o rei Henrique da Inglaterra por assuntos da diocese. Os monges da igreja metropolitana, que o veneravam como a um santo, suplicaram-lhe cantasse a missa solene do dia seguinte. Aquiescendo, São Lourenço passou a noite em oração diante das relíquias de Santo Tomás. No dia seguinte, quando se dirigia ao altar, um homem, saído da multidão, armado de um grosso cajado longo, aproximou-se do Santo e, sem que ninguém pudesse impedi-lo, desferiu-lhe forte golpe da cabeça, prostrando-o por terra. O agressor era louco. E, como explicou, em lágrimas, a toda a gente, tinha Lourenço como santo, daí querer matá-lo para que fosse mártir, outro Santo Tomás: aquilo que o pobre fizera, fizera-o julgando um ato meritório. Os monges e os demais assistentes haviam corrido ao pé do arcebispo caído, que tinha o rosto todo banhado em sangue. Julgaram-no morto. E
Evangelho Do Dia 2018-11-14

Quarta-feira, 14 de Novembro de 2018. Santo do dia: Santo Estêvão Teodoro Cuénot, Bispo e mártirCor litúrgica: verde Evangelho do dia: São Lucas 17, 11-19 Primeira leitura: Tito 3, 1-7Leitura da carta de São Paulo a Tito: Caríssimo, 1admoesta a todos que vivam submissos aos príncipes e às autoridades, que lhes obedeçam e estejam prontos para qualquer boa obra. 2Não injuriem a ninguém, sejam pacíficos, afáveis e deem provas de mansidão para com todos os homens. 3Porque nós outrora éramos insensatos, rebeldes, extraviados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo na maldade e na inveja, dignos de ódio e odiando uns aos outros. 4Mas um dia manifestou-se a bondade de Deus, nosso salvador, e o seu amor pelos homens: 5ele salvou-nos não por causa dos atos de justiça que tivéssemos praticado, mas por sua misericórdia; quando renascemos e fomos renovados no batismo pelo Espírito Santo, 6que ele derramou abundantemente sobre nós por meio de nosso salvador, Jesus Cristo. 7Justificados, assim, pela sua graça, nos tornamos na esperança herdeiros da vida eterna. – Palavra do Senhor – Graças a Deus Salmo 22 (23) – O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha e restaura as minhas forças. R: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma. – Ele me guia no caminho mais seguro, pela honra do seu nome. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei. Estais comigo com bastão e com cajado, eles me dão a segurança! R: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma. – Preparais à minha frente uma mesa, bem à vista do inimigo; com óleo vós ungis minha cabeça, e o meu cálice transborda. R: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma. – Felicidade e todo bem hão de seguir-me, por toda a minha vida; e na casa do Senhor habitarei pelos tempos infinitos. R: O Senhor é o pastor que me conduz, não me falta coisa alguma. Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 17, 11-19 – Aleluia, Aleluia, Aleluia.– Em tudo dai graças, pois esta é a vontade de Deus para convosco, em Cristo, o Senhor (1Ts 5,18); Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas: 11Aconteceu que, caminhando para Jerusalém, Jesus passava entre a Samaria e a Galileia. 12Quando estava para entrar num povoado, dez leprosos vieram ao seu encontro. Pararam a distância 13e gritaram: “Jesus, mestre, tem compaixão de nós!” 14Ao vê-los, Jesus disse: “Ide apresentar-vos aos sacerdotes”. Enquanto caminhavam, aconteceu que ficaram curados. 15Um deles, ao perceber que estava curado, voltou glorificando a Deus em alta voz; 16atirou-se aos pés de Jesus com o rosto por terra e lhe agradeceu. E este era um samaritano. 17Então Jesus lhe perguntou: “Não foram dez os curados? E os outros nove, onde estão? 18Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?” 19E disse-lhe: “Levanta-te e vai! Tua fé te salvou”. – Palavra da Salvação– Glória a Vós, Senhor Comentário ao Evangelho por São Bernardo, Doutor da IgrejaSermões diversos, n.º 27 «Onde estão os outros nove?» São muitas as pessoas que rezam, mas depois não as vemos a voltar atrás para dar graças a Deus […] «Não foram dez os que ficaram curados? Onde estão os outros nove?» Recordar-vos-eis de que foi nestes termos que o Salvador Se lamentou da ingratidão dos outros nove leprosos. Eles sabiam rezar, suplicar e pedir, pois tinham levantado a voz para exclamar: «Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!» Mas faltou-lhes uma coisa, a que o apóstolo Paulo chama «a ação de graças» (1Tim 2,1): não voltaram para dar graças a Deus. Nos nossos dias, ainda é frequente vermos muitas pessoas pedirem a Deus com insistência o que lhes falta, mas são poucas as que se mostram reconhecidas pelos dons recebidos. Não é mau pedir com insistência, mas o que faz com que Deus não nos atenda é a nossa falta de gratidão. E talvez seja até um ato de clemência da sua parte recusar aos ingratos o que estes pedem, para que não venham a ser julgados com rigor por causa da sua ingratidão […]. É pois por misericórdia que Deus retém por vezes a sua misericórdia. […] Vede como tantos dos que foram curados da lepra do mundo, isto é, de desordens evidentes, não aproveitam a sua cura. Alguns, com efeito, foram atingidos por uma chaga bem pior do que a lepra, tanto mais perigosa por ser uma chaga mais interior. É por isso com razão que o Senhor do mundo pergunta onde estão os outros nove leprosos, porque os pecadores se afastam da salvação. E foi por isso que, depois de o primeiro homem ter pecado, Deus lhe perguntou: «Onde estás?» (Gn 3,9). The post Evangelho do dia 2018-11-14 appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Evangelho Diário – Arautos do Evangelho
Santo Homobono

No décimo-segundo século, enquanto a bem-aventurada Maria d’Oignies edificava o país de Liége, Santo Homobono trabalhava na cidade de Cremona, na Itália. O nome da família era Tucinge. O de Homobono, ou homem de bem, recebera-o no batismo, pressagiando o que seria um dia. O pai não era rico nem pobre. E o jovem foi criado nos sentimentos da piedade e na prática das virtudes cristãs. Quando a idade o permitiu, dedicou-se ao comércio, sem passar pelo estudo das letras. Foi-lhe o guia o Espírito de Deus, por todo o curso da vida preservando-o de todos os escolhos onde lhe poderia perigar a inocência. Desde a infância, mostrou grande horror pelas injustiças. E, se fora rico, gostosamente perderia a riqueza para não pecar. Via no seu estado uma ocupação que Deus lhe dera. E dela se desincumbia como se fora um dever de obediência aos céus, por justiça a si mesmo, pela família e pela sociedade, da qual era membro. Propuseram-lhe os pais que se casasse. Obediente em tudo, desposou uma jovem virtuosa e capaz de auxiliar no governo da casa. Com ela viveu no temor de Deus e na observação dos mandamentos segundo os preceitos que o Apóstolo dava às pessoas casadas. A caridade para com os pobres não conhecia, por assim dizer, limites. Depois da morte do pai, que, então, lhe deixava bens consideráveis, aumentou ainda mais o que distribuía aos pobres, aos quais ia procurar nos próprios tugúrios. E, ao passo que os consolava, exortava-os para que se arrependessem das faltas que, porventura, a miséria o induzisse a cometer, tudo fazendo para que levassem vida essencialmente cristã. A esposa, às vezes, quando as esmolas pareciam excessivas, falava-lhe, não fosse ele lançar a família na pobreza. Santo Homobono, todavia, limitava-se sorrir docemente, e docemente fazia ver que aquele era o melhor meio de empregar o dinheiro: dar aos pobres não era emprestar a Deus? Não seria aquilo centuplicado, como o Cristo mesmo, Nosso Senhor, dissera? Lês-se no autor de sua vida, que as imensas caridades que faziam foram constantemente acompanhadas de milagres, e que Deus lhe dera o dom de multiplicar aquilo que destinava ao socorro dos desgraçados. À prática da esmola, acrescentava Santo Homobono a da abstinência e mortificação. Sabia aliar os deveres de estado aos da oração. Dedicava a esta último tempo considerável, sem contudo, descuidar-se dos demais deveres. Trabalhando, estava com o espírito voltado para Deus, em preces mudas. Assim, onde quer que estivesse, o lugar não deixava de servir para orar. Todos os dias, na igreja de São Gilles, assistia às matinas, que à meia-noite se dizia, e dali não se retirava senão da manhã seguinte, depois da missa. Era-lhe tão grande o fervor, que os que o viam, sentiam-se penetrados da mais viva devoção. Os exemplos e discursos que dava e proferia converteram muita gente, um número enorme de pecadores. Os domingos e dias de festa, passava-os inteiramente a orar; assim foi, até o dia em que Deus o chamou para lhe recompensar as virtudes. Foi num domingo, 13 de novembro de 1197, e ele assistia, como de costume, às matinas, ajoelhado diante do crucifixo, à espera da missa, que Deus o chamou. Ao Glória in excelsis, Homobono abriu os braços. E era uma cruz. Pouco depois, caía de bruços. Os que viram, julgaram que assim se pusera por devoção. Mas, ao evangelho, vendo que não se levantara, correram para ele e o acharam morto. Sicardo, bispo de Cremona, depois de lhe ter constatado o heroísmo das virtudes e a certeza dos milagres, dirigiu-se a Roma, com muitas pessoas respeitáveis para solicitar-lhe a canonização. O Papa Inocêncio III elevou-o ao número dos santos, e lhe publicou a bula em 1198. Homobono é o patrono de sua pátria. O célebre Vida, de Cremona, compôs um hino em sua honra. (Vida dos Santos, Padre Rohbacher, Volume XIX, p. 409 à 411) The post Santo Homobono appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Evangelho Do Dia 2018-11-13

Terça-feira, 13 de Novembro de 2018. Santo do dia: Santa Maxelendes, virgem e mártirCor litúrgica: verde Evangelho do dia: São Lucas 17, 7-10 Primeira leitura: Tito 2, 1-8.11-14Leitura da carta de São Paulo a Tito: Caríssimo, 1o teu ensino seja conforme à sã doutrina. 2Os mais velhos sejam sóbrios, ponderados, prudentes, fortes na fé, na caridade, na paciência. 3Assim também as mulheres idosas observem uma conduta santa, não sejam caluniadoras nem escravas do vinho, mas mestras do bem. 4Saibam ensinar as jovens a amarem seus maridos, a cuidarem dos filhos, 5a serem prudentes, castas, boas donas de casa, dóceis para os maridos, bondosas, para que a palavra de Deus não seja difamada. 6Exorta igualmente os jovens a serem moderados 7e mostra-te em tudo exemplo de boas obras, de integridade na doutrina, de ponderação, 8de palavra sã e irrepreensível, para que os adversários se confundam, não tendo nada de mal para dizer de nós. 11Pois a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação para todos os homens. 12Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas e a viver neste mundo com equilíbrio, justiça e piedade, 13aguardando a feliz esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e salvador, Jesus Cristo. 14Ele se entregou por nós para nos resgatar de toda maldade e purificar para si um povo que lhe pertença e que se dedique a praticar o bem. – Palavra do Senhor – Graças a Deus Salmo 36 (37) – Confia no Senhor e faze o bem, e sobre a terra habitarás em segurança. Coloca no Senhor tua alegria, e ele dará o que pedir teu coração. R: A salvação de quem é justo vem de Deus! – O Senhor cuida da vida dos honestos, e sua herança permanece eternamente. É o Senhor quem firma os passos dos mortais e dirige o caminhar dos que lhe agradam. R: A salvação de quem é justo vem de Deus! – Afasta-te do mal e faze o bem, e terás tua morada para sempre. Os justos herdarão a nova terra e nela habitarão eternamente. R: A salvação de quem é justo vem de Deus! Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 17, 7-10 – Aleluia, Aleluia, Aleluia.– Quem me ama, realmente, guardará minha Palavra, e meu Pai o amará, e a ele nós viremos (Jo 14,23); Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas: Naquele tempo, disse Jesus: 7“Se algum de vós tem um empregado que trabalha a terra ou cuida dos animais, por acaso vai dizer-lhe, quando ele volta do campo: ‘Vem depressa para a mesa’? 8Pelo contrário, não vai dizer ao empregado: ‘Prepara-me o jantar, cinge-te e serve-me, enquanto eu como e bebo; depois disso tu poderás comer e beber’? 9Será que vai agradecer ao empregado, porque fez o que lhe havia mandado? 10Assim também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos mandaram, dizei: ‘Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”. – Palavra da Salvação– Glória a Vós, Senhor Comentário ao Evangelho por Santo Agostinho, Bispo e Doutor da IgrejaSermão para a ordenação de um bispo, 3, 9 Ser servo O bispo que vos dirige é vosso servo. […] Que o Senhor nos conceda, portanto, com a ajuda das vossas preces, ser e permanecer até ao fim o que quiserdes que sejamos […]; que Ele nos ajude a cumprir o que nos ordenou. Mas, seja quem for que sejamos, não coloqueis em nós a vossa esperança. Permito-me dizer-vos isto como bispo: quero alegrar-me convosco e não ficar inflamado de orgulho. […] Falo agora ao povo de Deus em nome de Cristo, falo na Igreja de Deus, falo como pobre servo de Deus: não coloqueis a vossa esperança em nós, não ponhais a vossa esperança nos homens. Somos bons? Somos servos. Somos maus? Continuamos a ser servos. Mas os bons, os servos fiéis, são os verdadeiros servos. Qual é o nosso serviço? Prestai atenção: se tendes fome e não quereis ser ingratos, reparai de que celeiro tiramos as provisões; mas não és tu que tens de decidir em que travessa te é servido aquilo que estás ávido de comer: «Numa casa grande não existem somente vasos de ouro e prata, também os há de madeira e de barro» (2Tm 2,20). [O teu bispo parece-se com] uma travessa de prata, uma travessa de ouro, ou uma travessa de argila? Vê se nessa travessa há pão e quem to deu para que te fosse servido, pois Ele é que é o pão: «Eu sou o pão vivo, o que desceu do Céu» (Jo 6,51). Nós, portanto, servimo-vos Cristo, em lugar de Cristo […], para que Ele chegue até vós, para que Ele seja o juiz do nosso ministério. The post Evangelho do dia 2018-11-13 appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Evangelho Diário – Arautos do Evangelho
Santo Emiliano Do Cogolla, Monge

Um dos primeiros e grandes espanhóis do período visigótico, Emiliano, que conhecemos através duma Vida escrita por São Braúlio, bispo de Saragoça, nasceu em 747, me Berceo, perto de Cogolla, na Rioja, Castela. Pastor desde menino, vivendo solitário nas montanhas, ouvindo o assobio do vento e o balido das ovelhas, assim viveu até perto dos vinte anos, quando, então, ingressando nas escola dum ermitão, chamado Félix, principiou os estudos. Era nas vizinhanças de Haro, Emiliano, aplicado, sempre atento, tornado a delícia do mestre, sequioso de adquirir conhecimentos, fez grandes progressos, e, uma vez formado, tornou para casa. Pouco tempo permaneceu com os seus: todo pendor para a vida solitária, buscou as montanhas da infância e da adolescência. Alçando-se na perfeição, viveu, por quarenta anos, longe de tudo e de todos, a orar e a jejuar. Dídimo, bispo de Tarazona, que lhe conhecia o mérito, fê-lo padre, e lhe confiou a paróquia de Berceo. Generoso para com os pobres, socorria-os eficazmente, mas um dia, clérigos mal informados, denunciaram-no ao bispo, tachando-o de delapidador da Igreja. Emiliano, admirado, ferido, deixou a paróquia e subiu a montanha nas alturas até o fim da vida. Um padre, o padre Ascelo, juntou-se a ele, pouco depois que abandonou a paróquia de Berceo e lhe assistiu aos últimos momentos. Santo Emiliano morreu centenário. Na montanha, pouco depois, surgiu um mosteiro, o ilustre San Millan de La Cogolla. Cogolla era pico que se elevava na cadeia montanhosa que sempre abrigara o santo monge. Com o tempo, sobre o ´tumulo de Santo Emiliano, ergueu-se uma igreja. O resumo do martirológio diz: Em Tarazona, na Espanha Taraconeza, o bem-aventurado Emiliano, padre, que brilhou por inúmeros milagres. São Bráulio, bispo de Saragoça, escreveu-lhe a vida admirável. Faleceu em 574 (?). (Vida dos Santos, Padre Rohbacher, Volume XIX, p. 364-365) The post Santo Emiliano do Cogolla, Monge appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Evangelho Do Dia 2018-11-12

Segunda-feira, 12 de Novembro de 2018. Santo do dia: São Josafá, Bispo e mártir; São Cuniberto, BispoCor litúrgica: vermelho Evangelho do dia: São Lucas 17, 1-6 Primeira leitura: Tito 1, 1-9Início da carta de São Paulo a Tito: 1Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para levar os eleitos de Deus à fé e a conhecerem a verdade da piedade 2que se apoia na esperança da vida eterna. Deus, que não mente, havia prometido essa vida desde os tempos antigos 3e, no tempo marcado, manifestou a sua palavra por meio do anúncio que me foi confiado por ordem de Deus, nosso salvador. 4A Tito, meu legítimo filho na fé comum, graça e paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, nosso salvador. 5Eu deixei-te em Creta, para organizares o que ainda falta e constituíres presbíteros em cada cidade, conforme o que te ordenei: 6todo candidato deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, com filhos crentes e não acusados de levianos ou insubordinados. 7Porque é preciso que o epíscopo seja irrepreensível, como administrador posto por Deus. Não seja arrogante nem irascível, nem dado ao vinho, nem turbulento, nem cobiçoso de lucros desonestos, 8mas hospitaleiro, amigo do bem, ponderado, justo, piedoso, continente, 9firmemente empenhado no ensino fiel da doutrina, de sorte que seja capaz de exortar com sã doutrina e refutar os contraditores. – Palavra do Senhor – Graças a Deus Salmo 23 (24) – Ao Senhor pertence a terra e o que ela encerra, o mundo inteiro com os seres que o povoam; porque ele a tornou firme sobre os mares, e sobre as águas a mantém inabalável. R: É assim a geração dos que buscam vossa face, ó Senhor, Deus de Israel. – “Quem subirá até o monte do Senhor, quem ficará em sua santa habitação?” “Quem tem mãos puras e inocente coração, quem não dirige sua mente para o crime. R: É assim a geração dos que buscam vossa face, ó Senhor, Deus de Israel. – Sobre este desce a bênção do Senhor e a recompensa de seu Deus e salvador. É assim a geração dos que o procuram e do Deus de Israel buscam a face.” R: É assim a geração dos que buscam vossa face, ó Senhor, Deus de Israel. Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 17, 1-6 – Aleluia, Aleluia, Aleluia.– Como astros no mundo brilheis, pregando a Palavra da vida! (Fl 2,15s); Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas: Naquele tempo, 1Jesus disse a seus discípulos: “É inevitável que aconteçam escândalos. Mas ai daquele que produz escândalos! 2Seria melhor para ele que lhe amarrassem uma pedra de moinho no pescoço e o jogassem no mar do que escandalizar um desses pequeninos. 3Prestai atenção: se o teu irmão pecar, repreende-o. Se ele se converter, perdoa-lhe. 4Se ele pecar contra ti sete vezes num só dia e sete vezes vier a ti, dizendo: ‘Estou arrependido’, tu deves perdoá-lo”. 5Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!” 6O Senhor respondeu: “Se vós tivésseis fé, mesmo pequena como um grão de mostarda, poderíeis dizer a esta amoreira: ‘Arranca-te daqui e planta-te no mar’, e ela vos obedeceria”. – Palavra da Salvação– Glória a Vós, Senhor The post Evangelho do dia 2018-11-12 appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Evangelho Diário – Arautos do Evangelho
Evangelho Do Dia 2018-11-11

Domingo, 11 de Novembro de 2018. Santo do dia: São Martinho de Tours, Bispo; Beata Alice Kotowska, virgem e mártirCor litúrgica: verde Evangelho do dia: São Marcos 12, 38-44 ou 41-44 Primeira leitura: Reis 17, 10-16Leitura do primeiro livro dos Reis: Naqueles dias, 10Elias pôs-se a caminho e foi para Sarepta. Ao chegar à porta da cidade, viu uma viúva apanhando lenha. Ele chamou-a e disse: “Por favor, traze-me um pouco de água numa vasilha para eu beber”. 11Quando ela ia buscar água, Elias gritou-lhe: “Por favor, traze-me também um pedaço de pão em tua mão”. 12Ela respondeu: “Pela vida do Senhor, teu Deus, não tenho pão. Só tenho um punhado de farinha numa vasilha e um pouco de azeite na jarra. Eu estava apanhando dois pedaços de lenha, a fim de preparar esse resto para mim e meu filho, para comermos e depois esperar a morte”. 13Elias replicou-lhe: “Não te preocupes! Vai e faze como disseste. Mas, primeiro, prepara-me com isso um pãozinho e traze-o. Depois farás o mesmo para ti e teu filho. 14Porque assim fala o Senhor, Deus de Israel: ‘A vasilha de farinha não acabará, e a jarra de azeite não diminuirá, até o dia em que o Senhor enviar a chuva sobre a face da terra’”. 15A mulher foi e fez como Elias lhe tinha dito. E comeram, ele e ela e sua casa, durante muito tempo. 16A farinha da vasilha não acabou nem diminuiu o óleo da jarra, conforme o que o Senhor tinha dito por intermédio de Elias. – Palavra do Senhor – Graças a Deus Salmo 145 (146) – O Senhor é fiel para sempre, faz justiça aos que são oprimidos; ele dá alimento aos famintos, é o Senhor quem liberta os cativos. R: Bendize, minha alma, bendize ao Senhor! – O Senhor abre os olhos aos cegos, o Senhor faz erguer-se o caído; o Senhor ama aquele que é justo. É o Senhor quem protege o estrangeiro, quem ampara a viúva e o órfão, mas confunde os caminhos dos maus. R: Bendize, minha alma, bendize ao Senhor! – O Senhor reinará para sempre! Ó Sião, o teu Deus reinará para sempre e por todos os séculos! R: Bendize, minha alma, bendize ao Senhor! Segunda leitura: Hebreus 9, 24-28Leitura da carta aos Hebreus: 24Cristo não entrou num santuário feito por mão humana, imagem do verdadeiro, mas no próprio céu, a fim de comparecer, agora, na presença de Deus, em nosso favor. 25E não foi para se oferecer a si muitas vezes, como o sumo sacerdote que, cada ano, entra no santuário com sangue alheio. 26Porque, se assim fosse, deveria ter sofrido muitas vezes, desde a fundação do mundo. Mas foi agora, na plenitude dos tempos, que, uma vez por todas, ele se manifestou para destruir o pecado pelo sacrifício de si mesmo. 27O destino de todo homem é morrer uma só vez, e depois vem o julgamento. 28Do mesmo modo, também Cristo, oferecido uma vez por todas para tirar os pecados da multidão, aparecerá uma segunda vez, fora do pecado, para salvar aqueles que o esperam. – Palavra do Senhor – Graças a Deus Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos 12, 38-44 ou 41-44 – Aleluia, Aleluia, Aleluia.– Felizes os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus (Mt 5,3); Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Marcos: [Naquele tempo,] 38Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão: “Tomai cuidado com os doutores da lei! Eles gostam de andar com roupas vistosas, de ser cumprimentados nas praças públicas; 39gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas e dos melhores lugares nos banquetes. 40Eles devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações. Por isso eles receberão a pior condenação”. [41Jesus estava sentado no templo, diante do cofre das esmolas, e observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias. 42Então chegou uma pobre viúva que deu duas pequenas moedas, que não valiam quase nada. 43Jesus chamou os discípulos e disse: “Em verdade vos digo, esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. 44Todos deram do que tinham de sobra, enquanto ela, na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver”.] – Palavra da Salvação– Glória a Vós, Senhor Comentário ao Evangelho por Santo Anselmo, Bispo e Doutor da IgrejaCarta 112, a Hugo, o cativo «Ofereceu tudo o que tinha» No reino dos Céus, todos os homens em conjunto, como se fossem um só, serão um só rei com Deus, pois todos quererão uma só coisa e a sua vontade cumprir-se-á. Eis o bem que, do alto do Céu, Deus declara pôr à venda. Se alguém perguntar por que preço, eis a resposta: aquele que oferece um reino no Céu não precisa de moeda terrena. Ninguém pode dar a Deus o que já Lhe pertence, porque tudo o que existe é d’Ele. E, no entanto, Deus não dá coisas importantes sem que o preço correspondente seja estimado: Ele não as dará a quem não as apreciar. De facto, ninguém dá coisas que lhe são queridas a quem não demonstrar ter apreço por elas. Assim, e porque Deus não precisa dos teus bens, não te dará coisa alguma de relevo se desdenhares amá-l’O: Ele apenas reclama amor, e sem amor nada O obrigará a dar. Por isso, ama, e receberás o reino. Ama, e possui-l’O-ás […]. Ama a Deus mais do que a ti mesmo, e começarás a ter o que queres possuir em plenitude no Céu. The post Evangelho do dia 2018-11-11 appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Evangelho Diário – Arautos do Evangelho
São Martinho, Bispo De Tours

Santo Hilário de Poitiers veio a ser bispo em 353, justamente quando um soldado o procurava como discípulo, Era Martinho, filho dum tribuno militar, ou marechal de campo, originário da Panônia, a atual Hungria. Martinho havia conseguido baixa do serviço e fora ter com o novo bispo. Os germanos, fazendo uma irrupção nas Gálias, reuniam tropas para marchar contra ela. Havia, naquela ocasião, uma distribuição de liberalidades aos soldados. Martinho, que desde longo tempo pensava no retiro, teve a sutileza de não querer participar das recompensas, o que redundaria na continuação de prestação de serviço. Requereu, então, que sua parte fosse dada a um outro, ao mesmo tempo que solicitava a liberdade, porque desejava servir somente a Deus. Repreenderam-no, tacharam-no de medroso, porque, justamente no dia seguinte, travar-se-ia uma grande batalha. Martinho respondeu com santa intrepidez: – Não seja por isso: ficarei e tomarei parte na luta. Irei à frente, sem armas, sem escudo, sem outra defesa que não nome de Jesus e o sinal da cruz. Sem temor, hei de me precipitar no meio dos esquadrões inimigos e onde mais denso se me apresentar. Naquela mesma noite, porém, os bárbaros pediram a paz e Martinho obteve licença. Esta bravura heróica, já a havia mostrado na prática da virtude. Um dia, em que caminhava no mais rigoroso do inverno, em que grande número de pessoas morria de frio, encontrou às portas de Amiens um pobre nu, que implorava piedade dos passantes. Percebendo que ninguém nem sequer o infeliz lançava um olhar, pensou que Deus a ele o destinava. Havia, porém, distribuído tudo o que possuía, não lhe restando senão as armas e a roupa que envergava. Que fazer? Rasgou o manto em duas partes: ao pobre, deu metade, na outra metade, abrigando-se ele da melhor maneira possível. E tão ridículo parecia, que quem o via não podia deixar de rir e escarnecer. Na noite seguinte, em sonhos, Martinho viu Jesus coberto com a metade do seu manto, dizendo aos anjos que o rodeavam: “Quem me cobriu porque estava nu e com frio, não passa ainda de catecúmeno”. Martinho impressionado com o sonho, prontamente recebeu o batismo. Mais dois anos ficou ele no exército, vencido pelas súplicas de seu marechal de campo, com o qual vivia na mais estreita amizade, e que lhe prometera o definitivo desligamento quando terminasse seu tempo de comando. Martinho era piedoso desde os tempos da meninice. Com a idade de dez anos, às escondidas dos pais que eram pagãos, foi à igreja e ao padre pediu para ser instruído. Aos doze, desejava ardentemente a solidão do deserto, e tê-lo-ia demandado, não fora a tenra idade impedi-lo. Tinha o coração nas igrejas e mosteiros e vivia meditando no que havia de fazer quando a idade o permitisse. Foi quando surgiu uma ordem dos imperadores para que se alistassem os jovens. E lá se foi Martinho prestar serviços na milícia. Durante o período militar, preservou-se de todos os vícios que, ordinariamente, acompanham esta profissão, e fez-se querido por todos os companheiros de armas por uma bondade, uma caridade, uma paciência e humildade além das forças humanas. Terminada a fase do serviço militar, ei-lo em busca de Santo Hilário. O grande bispo não precisou de muito tempo nem de muita observação para se convencer de que estava diante dum discípulo de méritos extraordinários. Para que mais se aplicasse, quis ordená-lo diácono, mas o jovem Martinho, crendo-se indigno, humildemente solicitou que o ordenasse apenas exorcista. Um dia, em sonhos, recebeu a advertência de que devia ir ao encontro dos pais, ainda pagãos e, com o consentimento de Santo Hilário, partiu, não antes de, diante das lágrimas e das súplicas do bom bispo, prometer que voltaria. Passando os Alpes, caiu nas mãos dos ladrões. Um deles, de acha erguida, resolveu moer-lhe a cabeça, quando um segundo lhe susteve o braço, neutralizando o golpe. Martinho, as mãos atadas atrás das costas, foi puxado por um terceiro, à parte, que lhe perguntou: – Quem és tu? – Sou cristão, respondeu o jovem, sem demonstração alguma de receio. – E não tens medo? Voltou o outro a perguntar. – Não. Nunca me senti tão tranqüilo. – E donde vem essa tranqüilidade, essa calma? – De Deus, porque sei que Deus não abandona os seus seguidores nas horas amargas. Sinto-me aflito, sim, aflito, e muito, mas por vós todos, ladrões que sois e, pois, indignos da misericórdia daquele que nos criou. E, naturalmente, enveredou-se Martinho pela pregação evangélica. E aquele terceiro bandido, que o trouxera à parte, convertido, deixou que o jovem se fosse. Mais tarde, abraçou a vida monástica e contava, constantemente, esta história. Chegando à Ilíria, Martinho converteu a mãe e numerosas pessoas. O pai, contudo, continuou pagão. Quem dominava o país eram os arianos. Martinho combateu-os corajosamente, mas foi vítima de maus tratamentos: surrado publicamente, foi expulso da cidade. Sofreria pela fé católica, igualmente, em Milão, onde dominava o ariano Auxêncio, mas logo substituído por Santo Ambrósio. Martinho retornou a Poitiers em 360, quando Santo Hilário voltava de seu exílio pela fé. Reviram-se os dois amigos com uma alegria inenarrável. O bispo, que conhecia a inclinação de Martinho para a solidão, deu-lhe um terrenozinho num lugar chamado Lugugé, a duas léguas da cidade. Martinho, ali erigiu um mosteiro, o qual, parece, foi o primeiro das Gálias. (…) São Martinho continuou no episcopado a sua maneira de viver, conservando no coração a mesma humildade, a mesma pobreza de vestimentas e a mesma autoridade cristã de sempre. Vivia numa cela, pequenina, perto da igreja, mas não podendo suportar a distração das visitas que recebia, construiu um mosteiro a duas milhas da cidade, mosteiro que subsistiu até o último século, chamado de Marmoutier. Era lá, então, um deserto, rodeado, por rochas altas e escarpadas, por todos os lados, separado pelo Loire: era um lugar, abrupto, acessível apenas por um caminho estreitíssimo, difícil de se palmilhar. A cela que ocupava era de madeira, bem como as de alguns irmãos. A maior parte deles alojara-se em
Santo André Avelino, Teatino

Nascido em 1521, em Castronuovo, pequena cidade do reino de Nápoles, André manifestou a maior disposição, desde a infância, pelas virtudes. Uma fisionomia propícia expôs-lhe a castidade a grandes perigos. Triunfou, porém, pela oração, constância, e vigilância sobre si mesmo, fugindo às más companhias. Não desejando viver senão para Deus, abraçou o estado eclesiástico, fazendo-se, antes, doutor em direito canônico. Uma falta que cometeu, fê-lo deixar inteiramente o mundo. Certa vez, queixando-se na corte eclesiástica, deixou escapar uma mentira, mentira sobre um ponto que não era de grande importância. E a leitura destas palavras da Escritura: A boca que profere mentiras leva a morte à alma, causou-lhe tal impressão, que renunciou, para sempre, à profissão de advogado, passando a consagrar-se unicamente à penitência e ao santo ministério. Encarregado pelo arcebispo de Nápoles, de reformar e dirigir um mosteiro de religiosas, experimentou muitas contradições. Viu-se mesmo alvo do furor dos que lhe eram contrários e, duma feita, escapou da morte, com a qual o haviam ameaçado. Sofreu tudo com a maior resignação, sem um lamento. Perderia mesmo a vida, se assim fosse necessário, para a glória de Deus e salvação das almas. Entrando na congregação dos teatinos, em 1556, trocou o nome de Lanceloti pelo de André. E. desejando a santa perfeição, que sentia necessária, fez, com a permissão dos diretores, dois votos particulares: o primeiro combater sempre a própria vontade, e o segundo encaminhar-se sempre, no que lhe fosse possível, a perfeição. Pelo resto da vida respondeu a estes extraordinários compromissos. Suportou, sem a menor perturbação, o assassínio dum dos sobrinhos. E, não contente com impedir se perseguisse o matador, com o maior fervor solicitou-lhe o indulto. Santo, a outros tornou santos, em particular São Lourenço Scupoli, o piedoso autor do Combate Espiritual. Foi amigo de São Carlos, ajudando-o, e muito, na reforma do clero. Deus o honrou com os dons da profecia e do milagre. Aos 10 de dezembro, com 88 anos – em 1608 – esgotado pelos trabalhos e alquebrado, estava Santo André Avelino aos pés do altar para dizer a Missa. E, no fim das palavras: Introibo ad altare Dei, caiu. Recebeu, então, com ternura, com imensa piedade, os sacramentos, e morreu tranquilamente. Canonizado em 1712 por Clemente XI, a Sicília e a cidade de Nápoles, teem-no como um dos padroeiros. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIX, p. 273-274) The post Santo André Avelino, Teatino appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho
Santo André Avelino, Teatino

Nascido em 1521, em Castronuovo, pequena cidade do reino de Nápoles, André manifestou a maior disposição, desde a infância, pelas virtudes. Uma fisionomia propícia expôs-lhe a castidade a grandes perigos. Triunfou, porém, pela oração, constância, e vigilância sobre si mesmo, fugindo às más companhias. Não desejando viver senão para Deus, abraçou o estado eclesiástico, fazendo-se, antes, doutor em direito canônico. Uma falta que cometeu, fê-lo deixar inteiramente o mundo. Certa vez, queixando-se na corte eclesiástica, deixou escapar uma mentira, mentira sobre um ponto que não era de grande importância. E a leitura destas palavras da Escritura: A boca que profere mentiras leva a morte à alma, causou-lhe tal impressão, que renunciou, para sempre, à profissão de advogado, passando a consagrar-se unicamente à penitência e ao santo ministério. Encarregado pelo arcebispo de Nápoles, de reformar e dirigir um mosteiro de religiosas, experimentou muitas contradições. Viu-se mesmo alvo do furor dos que lhe eram contrários e, duma feita, escapou da morte, com a qual o haviam ameaçado. Sofreu tudo com a maior resignação, sem um lamento. Perderia mesmo a vida, se assim fosse necessário, para a glória de Deus e salvação das almas. Entrando na congregação dos teatinos, em 1556, trocou o nome de Lanceloti pelo de André. E. desejando a santa perfeição, que sentia necessária, fez, com a permissão dos diretores, dois votos particulares: o primeiro combater sempre a própria vontade, e o segundo encaminhar-se sempre, no que lhe fosse possível, a perfeição. Pelo resto da vida respondeu a estes extraordinários compromissos. Suportou, sem a menor perturbação, o assassínio dum dos sobrinhos. E, não contente com impedir se perseguisse o matador, com o maior fervor solicitou-lhe o indulto. Santo, a outros tornou santos, em particular São Lourenço Scupoli, o piedoso autor do Combate Espiritual. Foi amigo de São Carlos, ajudando-o, e muito, na reforma do clero. Deus o honrou com os dons da profecia e do milagre. Aos 10 de dezembro, com 88 anos – em 1608 – esgotado pelos trabalhos e alquebrado, estava Santo André Avelino aos pés do altar para dizer a Missa. E, no fim das palavras: Introibo ad altare Dei, caiu. Recebeu, então, com ternura, com imensa piedade, os sacramentos, e morreu tranquilamente. Canonizado em 1712 por Clemente XI, a Sicília e a cidade de Nápoles, teem-no como um dos padroeiros. (Vida dos Santos, Padre Rohrbacher, Volume XIX, p. 273-274) The post Santo André Avelino, Teatino appeared first on Arautos do Evangelho. Fonte: Santo do Dia – Arautos do Evangelho